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The generation of the stenthull

5.2 Future work

AULAS ATIVIDADES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Apropriação do SEA X X X X X X X - X - X X X Produção de texto X X X Leitura X X X X X X X X - - X X X X X Oralidade X X X X X

5.6.1.1 Apropriação do Sistema de Escrita Alfabética

Quadro 16: Atividades de apropriação do sistema de escrita realizadas pela professora Ana Apropriação do SEA

Ditado e escrita de palavras e textos Atividade com rimas, aliterações Exploração dos padrões silábicos

Atividade com letra Atividades com palavras estáveis Completar palavras com sílabas ou letras

Atividades de troca de letras Atividades de cópia

Atividade de preenchimento de textos com palavras

Atividade de leitura de palavra

No trabalho da professora Ana com a apropriação do sistema de escrita encontramos dez tipos de atividades: ditado e escrita de palavras; exploração dos padrões silábicos; atividades com palavras estáveis; atividades com rimas e aliterações; atividade com letras; atividades de completar palavras com sílabas ou letras; atividade de troca de letras ; atividades de cópia; atividade de preenchimento de textos com palavras e atividades de leitura de palavras. Entre as atividades de apropriação do sistema de escrita alfabética a professora Ana apresenta atividades mais embasadas em propostas reflexiva e atividades voltadas para treino dos padrões silábicos. As atividades mais reflexivas são realizadas quando os alunos estão vivenciando os projetos didáticos, onde a professora apresenta o texto e a partir dele trabalha com atividades de apropriação, além dos projetos esse tipo de atividade aparece também no momento que a professora fez uso dos jogos didáticos. Já as atividades voltadas para o treino dos padrões silábicos são atividades extraídas de livros didáticos (que não são os que os alunos utilizam), elaboradas pela professora e fotocopiadas. Vejamos a seguir essas atividades.

A professora Ana realizou atividades de ditado de palavras e textos em sete aulas. No entanto, em apenas três aulas a professora realizou o trabalho com ditado de palavras e textos

presentes no projeto que estava sendo desenvolvido (aulas 1, 3 e 12). Nas aulas 1 e 3 ela separou os alunos em dupla e grupo, respectivamente, e ditou as palavras que mais apareciam nas curiosidades sobre a água que estavam sendo trabalhadas no projeto desenvolvido em sala de aula.

Na aula 1 a professora havia coberto os cartazes que serviam de referência para os alunos e que continham os textos. Então organizou os alunos em dupla e pediu para que um auxiliasse o outro durante a escrita. Nesse momento, a professora compreende que agrupar as crianças pode auxiliá-las na aprendizagem, conforme salienta Leal, Guerra e Lima (2012) ao discutirem sobre esse assunto. Ela ditou para os alunos as curiosidades sobre a água e cada dupla escreveu uma curiosidade diferente. Durante a atividade a professora ia passando por cada dupla, ditando as palavras e fazendo os alunos refletirem sobre com que letra que se escrevia determinada palavra.

Na aula 3 a professora Ana realizou o ditado de texto. Nessa atividade ela separou a turma em dois grupos e ditou o texto “Curiosidades sobre a água” para uma parte dos alunos, enquanto o outro grupo realizava uma atividade de pintura de desenho pronto. Cada aluno escreveu um texto diferente que a professora ditou simultaneamente, como podemos observar no trecho a seguir:

Quadro 17: Trecho da aula 3 da professora Ana (atividade com ditado)

Nesse pequeno trecho da aula 3 podemos observar que a professora tinha realmente que se virar em muitas e que os alunos necessitavam dela para a realização dessa atividade. Mesmo sendo tão solicitada, observamos que a professora preocupou-se em não oferecer de imediato a resposta aos alunos, pois quando a aluna mostra a letra A em vez da palavra água, ela podia simplesmente oferecer a resposta e partir para a próxima palavra, coisa que não fez. Nesse dia a professora teve um desgaste muito grande, o que fica evidenciado no desabafo feito por ela durante a aula. Vejamos no trecho a seguir:

Quadro 18: Desabafo da professora Ana durante a aula 3

Prof.ª Ana: [...] L. (diz o nome da aluna) coloque a água, L. (repete o nome da aluna) a água... A. (diz o nome de outra aluna) escreve aqui na linha que...

Aluna: Pronto: a água!

Prof.ª Ana: Só tem a letra (professora mostrando a outro aluno) cadê o nome água? Faça o nome água!

Prof.ª Ana: Hoje eu não aguento mais não, minha garganta já tá acabada, depois de um trabalho como esse eu não aguento mais, meu corpo to doendo tudo [...]

É notório que a professora faz todo esse trabalho por conta do projeto da rede que seus alunos tinham que participar. Como observamos no programa da rede, já apresentado, existe uma sugestão de rotina com tempos e atividades especificas para o trabalho. No entanto, conforme foi dito pela professora em conversas informais, os materiais para a produção final escrita dos alunos chegavam nas semanas que antecediam a culminância do projeto, e isso deixava os professores angustiados, como podemos observar na fala da professora abaixo:

Quadro 19: Fala da professora Ana sobre a culminância do projeto

A professora Ana admite que o trabalho com projetos é importante, porém muito cansativo, e afirma que faria tudo que foi orientado pelos programas de formação adotados pela rede, menos que os alunos escrevessem da maneira que fora solicitado. Percebemos no desabafo da professora que, se o trabalho fosse orientado de outra forma, ou se até mesmo ocorressem como é sugerido na pesquisa de Leal e Ferreira (2011), havendo uma formação em que os professores fossem mais escutados, esse tipo de desabafo aconteceria de outra maneira, ou até mesmo nem aconteceria. Também se os professores fossem mais incentivados a criarem saberes experienciais e a colocarem mais em prática esses saberes diante dos saberes curriculares (TARDIF, 2007), esse “tem que fazer” talvez fosse compreendido e feito de outra maneira.

As outras atividades com ditado aconteceram da seguinte maneira: ao ditar palavras para os alunos, eles as escreviam com alfabeto móvel ou ela entregava figuras prontas e solicitava aos alunos que escrevessem os nomes das mesmas. Essas atividades, apesar de serem diversificadas, apresentaram-se sempre da mesma maneira; quer dizer, havia o ditado de palavras feito pela professora, a escrita com o auxílio do alfabeto móvel, o ditado com nomes de figuras e o ditado cantado. Vejamos uma dessas atividades a seguir:

Prof.ª Ana: Muito cansativo esse negócio que a gente faz por que tem que fazer! Se pudesse não fazia não, eu fazia toda a apresentação, os cartazes, as atividades em sala.

Quadro 20: Trecho de aula da professora Ana com ditado cantado

Podemos observar que a professora realizou uma atividade em que os alunos precisavam perceber as palavras que deviam escrever. Foi uma atividade em que os alunos, de certo modo, já tinham familiaridade com as palavras porque conheciam as músicas que estavam sendo trabalhadas. Eles se envolveram bastante e ficaram o tempo todo recorrendo à professora para saber se o que tinham escrito estava correto. No trecho acima observamos a preocupação da professora em fazer com que os alunos trabalhassem em duplas para chegarem a um resultado. Conforme afirma Moro (1991), nas atividades em grupo há o confronto de ideias, o que faz com que os alunos tentem achar uma solução conjunta.

Nessa atividade ainda observamos uma certa autonomia oferecida pela professora aos alunos, pois eram eles que escolhiam as palavras que deveriam escrever, como podemos visualizar abaixo:

Quadro 21: Excerto de aula da professora Ana com ditado cantado

A professora faz com que os alunos percebam que fazem partem do processo de construção de seus conhecimentos, fazendo-os participar mais ativamente da atividade. Entendemos, assim como Morais (2012), que os alunos precisam “desvendar a esfinge” que é o nosso sistema de escrita e, quanto mais envolvidos nesse processo, mais rápido começarão a compreender o funcionamento do sistema de escrita alfabética.

Além do ditado e da escrita de palavras, a professora Ana realizou também atividades envolvendo rimas e aliterações. Esse tipo de atividade aconteceu em três aulas.

Prof.ª Ana: [...] olha só, ouvindo a música nós vamos ver quais as palavrinhas que mais se repetem, tá certo? Vamos ver na música quais as palavras que mais se repetem pra gente ir montando (a professora liga o som e coloca a primeira parte da música). Então minha gente qual foi a palavra que mais se repetiu nessa primeira parte?

Aluno: samba, samba Lê Lê !

Prof.ª Ana: Samba Lê Lê né? Vamos fazer o nome da música SAMBA. Como é que eu faço SAMBA? Tentem montar, não é pra escrever agora não, tentem montar no alfabeto móvel pra depois escrever tá? Aluno: Tia o primeiro é A, né?

Prof.ª Ana: Ai quem tem que saber é vocês conversa ai pra ver. Olha o som da palavrinha SAM- BA, SAM-BA, como é que vem primeiro?

Prof.ª Ana: Olha só! Que nome a gente vai pegar? Ó pisa na saia da barra, são cinco palavrinhas, então que palavrinhas vocês querem? O nome PISA, nome NA, o nome BARRA ou o nome SAIA?

Alunos: Saia!

Essas atividades são importantes para que os alunos comecem a entender a correspondência entre grafema e fonema, e que palavras diferentes compartilham de “pedaços” parecidos.

Em uma dessas aulas a professora Ana utilizou como recurso didático o “Bingo dos sons iniciais”, elaborado pelo CEEL/PE, como já citamos anteriormente. Esse foi um momento que os alunos se envolveram bastante, como podemos observar no trecho da aula abaixo:

Quadro 22: Trecho da aula da professora Ana com o “Bingo dos sons iniciais”

Prof.ª Ana: Agora a palavrinha é LAdeira, LAdeira... LAdeira começa com que sílaba? Aluno: A

Prof.ª Ana: LA, LA, LA quem tem ai de pretinho LA? (Na cartela do aluno, a primeira sílaba de todas as palavras está

destacada em negrito).

Aluno: O L

Prof.ª Ana: O L com A - LA Aluno: Galo!

Prof.ª Ana: Galo, não! LA!... Procura direitinho. Quem tem ai L com A- LA de ladeira? E ai achou o LA? Cadê o LA ? LA

de lápis... LA... Tem LA aí, H. (professora fala o nome do aluno)? Tem LA não? LA de Ladeira... Vamos tirar outro nome... Vamos lá! Agora a palavrinha BODE, BODE começa com que silaba?

Aluno: Um B e o O.

Prof.ª Ana: B- O. B com O, BO. Tem aí? Aluno: Não!

Prof.ª Ana: Tem não? BO vê aí o teu E. (a professora fala o nome do aluno), pra ver se não tem BO, B com O Aluno: Tenho!

Prof.ª Ana: Então marca! Aluno: Eu tenho uma bola!

Prof.ª Ana: Então! Começa com que silaba? Num é BO? Olha o BO aqui de preto BO, então BO de bode é o mesmo BO de

bola...

Como podemos observar nesse trecho, os alunos tentam a todo o momento encontrar em suas cartelas as palavras que iniciam com o som da primeira sílaba da palavra pronunciada pela professora, participando ativamente da atividade. Esses momentos ajudam os alunos a refletirem como funciona nosso Sistema de Escrita, fazendo-os pensar sobre os “sonzinhos” que compõem as palavras. De acordo com Morais (2012), esse tipo de jogo pode, e deve, estar presente desde a educação infantil, para auxiliar na construção da consciência fonológica.

As atividades que envolveram rimas realizadas pela professora Ana, aconteceram durante o jogo denominado “Rimas”, distribuído pelo Projeto Trilhas, e durante uma atividade proposta pelo livro didático. Essa última veremos a seguir:

Quadro 23: Trecho da aula com rimas da professora Ana

Prof.ª Ana: Gente vou lê o poema “Bola de gude” prestem atenção! (após a leitura do poema a professora refere-se para

a questão 8 onde pedia que os alunos escrevessem as palavras que rimavam )

Prof.ª Ana: A maior bola do mundo é de fogo e se chama sol, a bola mais conhecida é a de jogar futebol... Qual foi a

palavra que rimou com sol?

Alunos: Bola!

Prof.ª Ana: Bola? Minha gente a gente ontem brincou com coisa que rima, vocês não aprenderam não foi? Aluno: Eu sei tia!

Prof.ª Ana: A palavra sol rimou com o quê aqui? Aluno: Luz!

Nesse trecho podemos observar que a professora insistiu para que os alunos percebessem as palavras que rimavam; no entanto, esse conhecimento ainda não estava claro para os alunos. Após algumas tentativas, a professora lê mais uma vez o poema para os alunos, a fim de que eles consigam identificar as palavras que rimavam, mas até chegar a esse momento ela oferece a resposta da palavra sol que rimava com futebol. No momento de desespero da professora Ana, em fazer com que os alunos percebessem as palavras que rimavam, ela leva os alunos a outro tipo de reflexão após acertarem as palavras gude e pude. Vejamos:

Quadro 24: Fala da professora Ana durante a aula com rimas

Com essa observação a professora ressalta o princípio de que mudando uma letra a palavra pode mudar, e também que as palavras podem compartilhar das mesmas letras. Concordamos com Morais (2010) quando escreve que é preciso haver um trabalho sistemático com esse tipo de atividade, e esse trabalho não deve assemelhar-se ao treino fonêmico ou ao trabalho de repetição que aparece na metodologia de trabalho das correntes sintéticas. Autores como Goigoux e Cèbe (2003) defendem que o trabalho com atividades de reflexão fonológica pode começar nas turmas de educação infantil com atividades diárias que não interfiram no tempo do conteúdo que deve ser trabalhado. No caso dessa professora, podemos perceber que não havia uma sistematização dos trabalhos com rimas.

Outro tipo de atividade realizada pela professora Ana foi a exploração dos padrões silábicos que aconteceu em três aulas. Tomamos como exemplo a aula 1, em que a professora escreveu no quadro as letras B, C e D e perguntou quais as “famílias” das mesmas. Os alunos nesse momento foram respondendo e na letra C os alunos citaram as sílabas CE e CI. Nesse momento a professora interferiu, dizendo que as sílabas CE e CI apresentam sons diferentes dos outros padrões silábicos da letra C.

Além das atividades com padrões silábicos, a professora Ana também realizou atividades objetivando o conhecimento das letras. Uma dessas atividades foi numa folha xerocopiada onde tinha a figura de um caju, o nome caju e a letra C, para que os alunos copiassem várias vezes a letra. Essas foram as atividades que não tiveram relação com o projeto didático, foram atividades elaboradas pela professora e trazida fotocopiada.

Prof.ª Ana: [...] Gude olha como parece a escrita (a professora escreve no quadro a s duas palavras) ó é só mudar o P pelo G o restante é tudo igual ó [...]

Esses tipos de atividades são importantes para os alunos conhecerem as letras e saber que há uma ordenação dentro do alfabeto. Sobre esse assunto, Leal e Morais (2010, p. 131) afirmam que “o conhecimento das letras facilita o partilhar informações com os colegas e professores [...]”. Dessa forma, os alunos podem compartilhar seus conhecimentos acerca dessas letras e pensar na escrita de novas palavras. No entanto, partilhamos com a ideia de Leite e Morais (2011), que o conhecimento do nome das letras não garante a compreensão do princípio fonológico do sistema de escrita alfabética. Ou seja, é preciso que o professor planeje e proponha outras atividades para que os alunos compreendam o sistema de escrita alfabética.

Outro tipo de atividade que ajuda os estudantes a refletirem e compreenderem o nosso sistema de escrita são as atividades com palavras estáveis. A professora Ana, na aula 2, propôs a escrita de palavras presentes nas curiosidades que estavam sendo trabalhadas no projeto didático. Primeiro a professora separou os alunos em duplas e depois entregou um envelope com o alfabeto móvel para cada dupla e solicitou dos alunos que eles próprios citassem as palavras que mais apareciam durante a leitura dos cartazes, como podemos observar no trecho abaixo:

Quadro 25: Trecho de aula da professora Ana usando o alfabeto móvel

Numa atividade em que os alunos tinham que falar as palavras mais utilizadas durante o projeto, eles atentaram para a não colocação do acento agudo na palavra “água”. Essa palavra foi considerada uma palavra estável, pelo número de recorrência do seu aparecimento ao longo do projeto. Abaixo podemos observar que o aluno já tinha a palavra água como uma palavra estável, a ponto de perceber que no alfabeto móvel não tinha o “tracinho” para que a palavra ficasse correta.

Prof.ª Ana: Vamos lá gente agora me ajudem tá? Que palavrinhas nós usamos aqui todo dia quando a gente lê as curiosidades sobre a água? Quais são as palavrinhas que vocês querem que a gente monte hoje? Vão dizendo pra mim pra gente começar a montar!

Aluno: o B.

Prof.ª Ana: Não! A palavra toda. Quando a gente lê ali no cartaz, que palavrinhas mais usamos? (Os cartazes estavam cobertos para que os alunos pensassem na escrita da palavra e não apenas copiassem.) Aluno: Você sabia!

Prof.ª Ana: Ah! Eu falo sempre você sabia num é? Alunos: É!

Prof.ª Ana: Vamos montar o nome você sabia? Como é que eu faço VOCÊ? Aluna: Um V-O

Prof.ª Ana: Um V com O? Então vamos lá montando um V com O, sem escrever. Agora é pra montar com as letras do alfabeto. Vamos montar no alfabeto? Coloquem aí o nome você sabia. Primeiro vocês montam, depois eu coloco no quadro.

Quadro 26: Excerto da aula da professora Ana usando o alfabeto móvel

Outras palavras citadas pelos alunos nessa atividade foram: VOCÊ, SABIA, ÁGUA, DOCE e PLANTAS. Depois a professora pediu que cada aluno montasse no alfabeto móvel o seu nome e, assim como as outras palavras, registrassem no caderno. Na escrita dos nomes os alunos tiveram o auxílio da lista de nomes fixada no lado esquerdo do quadro. Durante a escrita do nome, um aluno que tinha o nome iniciado pela letra A afirmou que seu nome começava com a letra M, como podemos observar abaixo:

Quadro 27: Trecho de aula da professora Ana com escrita de nomes

Observando os quadros que foram apresentados, percebemos que o trabalho com as palavras estáveis pode ter um papel significativo no processo de apropriação do SEA. Em apenas uma atividade a professora Ana oportunizou seus alunos a refletirem sobre algumas convenções do sistema de escrita, como por exemplo, que as palavras são compostas por letras e que algumas palavras tem acentos.

Outro fator que favoreceu a atividade realizada pela professora Ana foi a forma como agrupou os alunos (em duplas), possibilitando a troca de saberes entre os mesmos. O alfabeto móvel também facilitou essas trocas de saberes, aliado à concentração dos alunos na atividade. Assim como Morais (2012), acreditamos que esse recurso didático proporciona ao aluno a realização de decisões sobre como escrever. Além do alfabeto móvel a professora utilizou como recurso didático a lista dos nomes dos alunos e o abecedário exposto sobre o quadro, quando alguns alunos apresentaram dúvidas sobre a letra que deveriam utilizar para formar as palavras citadas na atividade.

Aluno: E o tracinho tia? (o aluno, eufórico, alerta para a pontuação)

Prof.ª Ana: Calma! Aqui não vai ter como colocar o acento (pois os alunos estão formando as palavras com as letras móveis e não tem acento), agora na hora de registrar no caderno a palavra vocês coloquem o tracinho, que é o acento agudo.

Prof.ª Ana: Tem certeza A. (diz o nome do aluno)? Que seu nome começa com M? Olhe lá na lista de nome.

Aluno: Começa tia!

Prof.ª Ana: Tem certeza a primeira letra que tem ali é o M? Qual é a sua primeira letrinha? Aluno: Depois do A e do L tem o M

Prof.ª Ana: A. (diz o nome do aluno)! Seu nome começa com a letrinha A, seu nome tem M, mas começa com a letrinha A.

O trabalho com atividades que objetivam a construção de palavras estáveis é importante no processo de compreensão do sistema de escrita alfabética. Segundo Morais (2012, p. 137):

Quando as crianças ‘estabilizam’ ou guardam em suas mentes a imagem de determinadas palavras, nós, que queremos ajudá-la a compreender o SEA, passamos a dispor de elementos preciosos para ativar a reflexão sobre uma série de propriedades de SEA.

Desta forma, concordamos com a ideia de Leal e Morais (2010), que as atividades com palavras estáveis servem de referência para os alunos no momento em que estão apropriando-se do nosso sistema de escrita, fazendo-os refletir sobre as palavras e gerando novos conhecimentos a partir dos saberes que já foram formulados.

A professora Ana ainda realizou uma atividade de completar palavras com sílabas em apenas uma aula. Foi uma atividade elaborada pela professora numa folha xerocopiada, na qual os alunos tinham que completar as lacunas com os padrões silábicos da letra C. A atividade apresentava-se com as figuras e as palavras com os espaços em branco.

Antes de realizar a atividade a professora perguntou aos alunos o nome de cada figura para que não tivessem dúvidas durante sua realização, como podemos ver abaixo:

Quadro 28: Trecho de aula da professora Ana com atividade de lacunas

Prof.ª Ana: Vamos começar? Olha só o primeiro quesito, tem aí, olha... Vocês estão vendo essa figurinha,