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Implementation of the Raschi model

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4.4 Implementation of stent model

4.4.4 Implementation of the Raschi model

No capítulo 4 foram descritos os espaços das salas de aula das professoras Ana e Luíza, por isso, optamos nesse tópico, além de retomar alguns ambientes em específico, discutir a organização dos alunos no espaço da sala de aula, ou seja, como eles foram distribuídos e organizados nesse ambiente e que impacto isso teve na interação dos mesmos.

5.4.1 Organização da sala da professora Ana

A sala da professora Ana era composta por dois quadros, como já foi explicitado anteriormente. Em um dos quadros eram expostos os cartazes feitos pela professora para os trabalhos com projetos didáticos. O segundo quadro ela utilizava para escrever o roteiro do dia e as atividades para os alunos. Na lateral do segundo quadro estava fixada a lista com os nomes dos alunos e, na parte de cima, o abecedário. Na parede do canto direito da sala encontrava-se o cantinho da leitura. Na figura 7 podemos observar a preocupação da professora Ana em proporcionar aos alunos referências de materiais escritos para que eles se baseassem no momento de atividades escritas. Acima do quadro branco estão expostos os cartazes referentes ao trabalho com o Projeto Trilhas; na ocasião, a professora estava trabalhando as cantigas de roda.

Figura 7: Quadro branco utilizado como mural para as atividades

O trabalho com esse tipo de material, além de aproximar o aluno dos textos escritos, auxilia na reflexão sobre as partes orais e partes escritas das palavras. Conforme salienta

Morais (2012), esses textos contêm uma série de rimas, aliterações e repetições que auxiliam as crianças a memorizarem com facilidade e isso “permite uma rica exploração dos efeitos sonoros, acompanhada da escrita das palavras. Assim, cria-se um bom espaço para que meninos e meninas, curiosamente, comecem a prestar mais atenção nas palavras e em suas partes orais e escritas.” (MORAIS, 2012, p.94).

Figura 8: Nome dos alunos e roteiro do dia

Na figura 8 observamos um dos roteiros da aula do dia exposto pela professora, a lista com os nomes dos alunos e o calendário, três recursos que apresentam a função de aproximar os alunos da rotina de trabalho da professora. No entanto a professora deixou de realizar, em diversos momentos, trabalhos com esses instrumentos. A rotina de trabalho não era explorada pela professora, ela apenas escrevia no quadro e os alunos já estavam acostumados com esse recurso escrito. Em uma das aulas que a professora deixou de realizar uma das atividades, a leitura da história, o aluno disse: “Tia, faltou a história!”. A professora respondeu que ficaria para o dia posterior por conta do tempo.

A lista com o nome dos alunos era utilizada como recurso para que os mesmos visualizassem seus nomes. Durante os dias observados não houve nenhuma exploração com esse recurso. O calendário, como já virmos anteriormente, ora era explorado pela docente, ora só era utilizado pela necessidade dos alunos em registrarem na atividade a data.

Na figura 9 podemos observar o abecedário que ficou exposto em cima do quadro e o espaço do cantinho da leitura. O abecedário era utilizado pela professora durante as atividades de escrita de palavras com o alfabeto móvel. No momento que os alunos tinham dúvida, esse recurso servia para eles identificarem as grafias das letras das quais não ainda não tinham domínio. Em relação ao cantinho da leitura, foi um espaço que a professora Ana não utilizou em nenhuma das aulas observadas. Segundo a professora em conversa informal, esse espaço é pouco utilizado por causa da falta de cuidado dos alunos de outras salas que levavam os livros para casa ou rasgavam algumas folhas.

Outro ponto observado durante as quinze aulas da professora Ana foi que, apesar de agrupar os alunos de formas diversificadas (em duplas, em grupo, individualmente), ela não realizou mudanças na organização do mobiliário: as mesas e cadeiras tiveram sempre uma organização fixa na sala de aula. Em todas as aulas, as mesas e cadeiras foram organizadas de forma que os alunos ficassem em semicírculo, como podemos observar na figura abaixo:

Figura 10: Organização da sala de aula e espaço físico

.

Quando questionada sobre o objetivo de organizar a sala dessa forma, a professora Ana afirmou que foi ela mesma que organizou a sala dessa maneira e que antes a sala era organizada em dupla e enfileiradas. Sobre o objetivo de organizar a sala em semicírculo a professora apresentou a seguinte resposta:

Quadro 14: Extrato da fala da professora Ana sobre organização da sala em semicírculo

Prof.ª Ana: Eu percebi que colocando elas (cadeiras) em semicírculo ficaria melhor, para ter mais espaço, não é? Primeiramente, para fazer atividades assim, com jogos, brincadeiras com eles também. Também é melhor por quê? Porque eles têm a visão do todo: da sala e também a visão que eu tenho deles! E aí impede que fiquem na frente um do outro, e eles conseguem trabalhar melhor e até ver a atividade do coleguinha, se quiser dar uma sugestão. Eu então pedi para colocar!

Com essa resposta, a professora enfatizou a possibilidade do trabalho cooperativo entre os alunos, pois os alunos, com essa proximidade, podem auxiliar uns aos outros, sendo esse o fator que a mesma ressalta para justificar a organização da sala em semicírculo.

5.4.2 Organização da sala da professora Luíza

A professora Luíza, como já citamos anteriormente, utilizou duas salas de aula no ano de 2012. A primeira sala de aula era ampla, mas não oferecia muito espaço, pelo grande quantitativo de carteiras que tinha. Nas paredes havia um cartaz com o alfabeto com os quatro tipos de letras (material oferecido pelo Programa Alfa e Beto). Nesse espaço a professora justificou a ausência de outros materiais, porque ainda estava elaborando-os e alguns já feitos foram danificados pelos alunos de outras turmas que também ocupavam a sala em horários diferentes. Infelizmente, não foram tiradas fotos dessa sala e não tivemos mais acesso por conta da interdição.

A segunda sala era utilizada para atendimento de crianças com deficiências. Era bem menor e, por ser uma sala já utilizada para outras finalidades, a professora Luíza não tinha muito espaço e autonomia para expor materiais nas paredes e nos outros espaços da sala de aula. Na sala 2 havia uma mesa para reuniões, computadores, armários e o quantitativo exato de carteiras para as crianças. Vejamos esse espaço a seguir:

Figura 11: Abecedário e organização das carteiras dos alunos da turma 2

Na sala 2 da professora Luíza pudemos observar o abecedário distribuído pelo Programa Alfa e Beto; nele encontramos os quatro tipos de letras. Além do alfabeto, no lado direito do quadro tem um cartaz com figuras e letras que os alunos se baseavam para realizar as atividades quando necessário. As carteiras eram organizadas enfileiradas, uma vez que o mobiliário da sala não possibilitava outra forma de organização, como podemos observar na figura 12.

Figura 12: Mobiliário da sala de aula da professora Luíza

Em ambos os espaços, a professora Luíza organizou as carteiras dos alunos em filas. Observamos que as duas salas que a professora trabalhou com seus alunos não ofereceram condições para que a mesma organizasse de outra forma as carteiras. A primeira sala pelo grande quantitativo de carteiras e a segunda sala por conta do espaço, que era pequeno.

Quando questionada sobre a maneira de organização do espaço, a professora Luíza apresentou a seguinte justificativa:

Quadro 15: Extrato da fala da professora Luíza sobre organização da sala em filas

Como podemos observar, as duas professoras organizaram a sala de formas distintas: a professora Ana em semicírculo e a professora Luíza de forma enfileirada.

Além da organização do mobiliário, o espaço da sala de aula apresentava outros elementos que mostravam um pouco a dinâmica de trabalho da turma, como o cantinho da leitura, o lugar onde são expostas as atividades dos alunos, os cartazes das atividades, os materiais expostos que tem o objetivo de auxiliar a aprendizagem dos alunos, entre outros. No entanto, o espaço oferecido para a professora Luíza impossibilitou um pouco a visualização desse trabalho, como ela mesma salientou anteriormente. Essa professora, quando ocupava a sala 1, expunha seu trabalho e o dos alunos, que eram danificados por alunos de outras

Prof.ª Luíza: Organizo a sala dessa maneira por não haver o espaço suficiente para organizar as cadeiras em círculo ou em duplas. Um outro motivo é que a escola pede para que a sala fique dessa forma. Assim, se organizasse de outra maneira, teria que deixar tudo ajeitado novamente. Imagina o trabalho de fazer isso todo dia!... Para organizar de outra forma na primeira sala teria que tirar muitas cadeiras e colocar no corredor. Na segunda sala não tinha como fazer nada...

turmas; e na sala 2, ela não tinha muito essa autonomia por não ser a sala de origem destinada aos seus alunos.

Concordamos com Jolibert, Jacob et al. (2006) que todos os espaços da sala de aula podem ser aproveitados de forma a propiciar a aprendizagem do aluno. No entanto, salientamos que para isso acontecer é preciso ter um espaço próprio e ter autonomia para utilizá-lo, o que não aconteceu com a professora Luíza, já que a mesma ficou prejudicada e algumas vezes impossibilitada de expor os materiais confeccionados pelos alunos. Esse fato ficou explícito nos dias que antecederam a feira de conhecimentos da escola, em que ela encontrou dificuldades para guardar as atividades realizadas pelos alunos para o evento, já que na sala 2 nem mesmo a professora tinha armário para guardar seus materiais, que ficavam numa caixa em forma de baú no chão da sala.

Compartilhamos ainda das ideias de autores como Freire (1999), Teberosky e Colomer (2003) que o espaço da sala de aula é um ambiente dinâmico, mutável, que precisa ser construído socialmente pelos atores que fazem parte dele (professor e alunos) para que retrate um pouco o trabalho realizado por esses atores. Entendemos também que nem sempre isso seja possível por inúmeras razões, entre elas: salas que não são as de origem da turma (como ocorreu com a professora Luíza), salas compartilhadas com outras turmas em horários distintos (nas quais os outros alunos danificam o material exposto), paredes que não são autorizadas a receberem cola ou serem furadas com pregos, dentre outras.

Apesar de todas essas dificuldades encontradas por muitos professores em nosso país, ainda insistimos que o espaço da sala de aula pode ser organizado de forma que favoreça a aprendizagem dos alunos, mesmo que muitas vezes dê um pouco mais de trabalho para tirar todas as carteiras da sala para a realização de um trabalho em círculo, por exemplo. Esse trabalho pode e precisa ser realizado. Sabemos o quanto nossos professores são criativos em suas atividades e essa criatividade precisa estar presente também na forma de organização da sala de aula.

Até aqui apresentamos os projetos e programas que eram adotados nas redes de ensino e a rotina de trabalho das professoras Ana e Luíza nas quinze aulas observadas, destacando sua relevância para as turmas que estão em processo de alfabetização. Apresentamos também as formas como as professoras agruparam seus alunos para realização das atividades, os espaços que as mesmas tiveram para fazer seu trabalho e como preparam esse espaço para a realização das atividades. Agora vamos apresentar como as professoras distribuíram o tempo pedagógico.