deflection in the numerical simulation of stents in aneurysms
2.3 Numerical approach
2.4.1 Drag coefficient
O planejamento, na maioria das vezes, é visto pelo professor como algo burocrático que tem como finalidade apenas o preenchimento de cadernetas e entrega ao coordenador e gestor da escola. Guedes-Pinto et al. (2008, p. 22) retrata isso no trecho a seguir:
Na escola sempre ouvimos falar de planejamento. Temos a semana de planejamento, data de entrega do planejamento, revisão do planejamento, atualização do planejamento. No entanto, na maioria das vezes em que somos lembrados ou cobrados do planejamento, ele vem acompanhado de tarefas que julgamos burocráticas e para quais não vemos utilidade ou sentido na rotina escolar.
Tal como Guedes-Pinto et al. (2008), Leal (2010) considera que a burocratização do planejamento faz com que os professores percam o interesse em realizá-lo. Porém, a autora salienta que o planejamento faz parte da nossa vida cotidiana, afirmando que “[...] no dia a dia, o planejamento é uma atividade frequente que antecede qualquer ato intencional. Planejar uma viagem, um passeio, a rotina dos filhos, as tarefas domésticas é uma ação corriqueira.” (LEAL, 2010, p. 93).
O planejamento da prática pedagógica está diretamente relacionado com o processo de ensino aprendizagem, pois uma ação bem planejada provavelmente acarretará resultados favoráveis. Ao planejar, o professor deve levar em consideração a situação, o meio e as pessoas envolvidas nesse processo, isto é, o professor define objetivos, levando em conta a realidade dos alunos, para não propor atividades irreais para eles. Leal (2010, p. 94) comenta sobre os prejuízos de não fazer um planejamento pensado para um determinado grupo de alunos:
Ministramos aulas sem planejamento, sem preparação e obtemos resultados indesejados. Mesmo quando realizamos uma mesma atividade há muito tempo, começamos a sentir que os resultados não são os mesmos, pois cada situação é singular, cada grupo é singular e precisamos considerar suas peculiaridades.
Portanto, mesmo com muita experiência na profissão ou na turma em que leciona, o docente precisa refletir sobre sua prática pedagógica e planejar de acordo com a realidade de sua turma, pois os alunos podem até ser da mesma realidade social, mas não são as mesmas pessoas. “É indispensável, portanto, para qualquer docente comprometido, desenvolver estratégias de reflexão sobre o cotidiano da escola e da sala de aula. O planejamento é um momento privilegiado de reflexão.” (LEAL, 2010, p. 96).
Apesar de ser um momento privilegiado de reflexão, alguns professores, muitas vezes na correria do dia a dia, esquecem que uma aula bem planejada auxilia numa boa prática. E sem ter, muitas vezes, o tempo necessário para planejar suas aulas, muitos docentes recorrem à experiência em sala de aula como um elemento importante para facilitar esse trabalho. No entanto, não devemos esquecer que o planejamento da rotina é uma tarefa que cabe aos professores. (GUEDES-PINTO et al, 2008).
Reconhecemos que os saberes experienciais dos docentes (TARDIF, 2007) são importantes, mas não são suficientes, pois
Embora a experiência diminua o tempo gasto para preparar uma boa aula, a atividade repetitiva, sem reflexão, em que se adota uma mesma estratégia inúmeras vezes, não nos deixa satisfeitos. Na verdade, a insatisfação ocorre porque no decorrer de nossa trajetória profissional, nossos objetivos mudam, os alunos não são do mesmo jeito e a própria escola já não funciona do mesmo modo. Assim como nos transformamos, precisamos transformar nossa prática. (LEAL, 2010, p. 94).
Portanto, quando os momentos de planejamento se tornam uma atividade de reflexão (SCHÖN, 2000) evitam um trabalho ancorado no espontaneísmo na sala de aula. Guedes- Pinto et al. (2008) trabalha com a ideia de dois planejamentos. De acordo com os autores, é
importante o professor, no momento da elaboração do planejamento, pensar no planejamento “cheio” e no planejamento “vazio”. “Um ‘cheio’, elaborado previamente, contendo os objetivos, os conteúdos e as estratégias didáticas específicas para cada série e um ‘vazio’, que contemple os imprevistos trazidos pelos alunos ou pelo próprio professor.” (GUEDES-PINTO et al., 2008, p. 24).
Uma aula bem planejada pode não só favorecer a aprendizagem dos alunos, como também abrir espaços até para improvisos (o que não é o mesmo que espontaneísmo), pois quanto mais conhecimento o professor tiver sobre o que quer ensinar, que objetivos quer alcançar e como fazer isso, ele estará mais seguro quando houver necessidade de improvisação, posto que todo planejamento é flexível e pode mudar de acordo com as necessidades e imprevistos trazidos pelos alunos ou pelo professor.
Defendemos, assim como Guedes-Pinto et al (2008) e Leal (2010), que o planejamento tem um papel crucial para que o professor tenha uma boa prática e organize melhor sua rotina. Uma aula bem planejada e organizada tem mais chance de ter sido elaborada a partir dos conhecimentos prévios dos alunos, tendo em vista o que eles precisam aprender e considerando os recursos disponíveis.
Silva (2012), em pesquisa sobre o planejamento no ensino da leitura, realizada com professores de uma rede municipal de ensino de Pernambuco, relata que os professores não planejam atividades sistemáticas com esse eixo e que esse fator implica diretamente na aprendizagem dos alunos. Dessa forma, a autora evidencia a relevância do papel do planejamento para a prática do professor.
Concordamos com Leal (2010, p. 96-97) que “para planejarmos melhor, precisamos também ter a consciência das nossas metas, precisamos ter conhecimento sobre a proposta curricular que orienta nossa rede de ensino ou nossa escola, precisamos saber diagnosticar as necessidades dos alunos.”. Dessa maneira, entendemos que o planejamento é a primeira etapa para se ter uma boa prática pedagógica.
No entanto, um bom trabalho docente não termina no planejamento. Esse serve de suporte para as próximas etapas que dão subsídios para a aula. A organização da rotina da sala de aula, por exemplo, é outro suporte importante, responsável por garantir situações de aprendizagem. Enfim, o trabalho do professor começa no momento do planejamento, porém não se esgota nele. No próximo tópico discutiremos sobre a importância da rotina na sala de aula e no trabalho do professor.