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4.3 Fully resolved flow diverter simulation
Nesse tópico discutiremos as formas como as professoras pesquisadas agruparam os alunos para realizar as atividades propostas.
5.3.1 Formas de agrupamento dos alunos da professora Ana
A professora Ana organizou os alunos em grupos, duplas, individual e coletivamente como podemos observar na tabela abaixo:
Tabela 4: Agrupamento dos alunos para as atividades - professora Ana Aula Atividade 1 21/05 2 22/05 3 23/05 4 11/06 5 12/06 6 06/08 7 15/08 8 16/08 9 24/08 10 28/08 11 29/08 12 30/08 13 31/08 14 19/11 15 21/11 Atividades em duplas X X X X X X X Atividades individuais X X X X X X Atividades coletivas X X Atividades em grupos X X
No trabalho realizado pela professora observamos que a mesma priorizou bastante a realização de atividades em duplas: das quinze aulas observadas, em sete delas foram realizadas atividades em duplas. Quando questionada sobre as motivações que a levaram a agrupar os alunos em duplas, a professora Ana afirmou que:
Quadro 12: Extrato de fala da professora Ana sobre agrupamento em duplas
A professora atribuiu a prática de agrupar os alunos em dupla ao projeto que foi realizado na rede, o que revela a influência da formação, realizada no município, em sua prática. Outro motivo destacado pela professora foi que agrupar os alunos que apresentavam diferentes níveis de conhecimentos sobre o sistema de escrita facilitava as trocas de conhecimentos, levando-os a uma compreensão efetiva do SEA. Na fala da professora Ana, ainda, podemos observar sua preocupação com a heterogeneidade dos alunos, no qual a professora entende que os mesmo apresentam níveis de conhecimentos diferentes e que agrupando crianças em distintos níveis de escrita pode favorecer a construção do conhecimento, pois “o que está mais avançando vai ajudar o que está um pouquinho mais atrasado”.
Partindo do pressuposto que as crianças constroem conhecimentos através das interações, Leal, Guerra e Lima (2012, p. 87) afirmam que:
A interação pode levar as crianças a trocar informações, bem como a partilhar estratégias de resolução de problemas e de modo de “pensar” sobre os conteúdos mobilizados para a realização das atividades propostas. No entanto, na escola, é Prof.ª Ana: O trabalho em dupla, na sala, a gente realiza também devido ao projeto que já é trabalhado, né? Durante todo o semestre. E a importância assim... para mim... o principal, é que um falando, ajude o outro. Porque geralmente a gente junta os que estão em níveis diferentes de alfabetização. O que está mais avançado vai ajudar o que está um pouquinho mais atrasado, e vai tentando auxiliar em todas as atividades que forem necessárias para o trabalho dele.
necessário que tais interações sejam provocadas e mediadas pelo docente que propõe tarefas a serem realizadas conjuntamente.
Organizar os alunos em duplas foi uma prática constante no trabalho da professora Ana. Em algumas dessas atividades, os alunos, apesar de estarem agrupados, resolviam as atividades individualmente; em outras situações eles interagiam de forma mais efetiva.
Na atividade de escrita das curiosidades sobre a água, tema abordado no projeto, os alunos ficavam em duplas, mas a produção era feita individualmente com curiosidades diferentes e não havia muitas conversas sobre a atividade entre as crianças. Desta forma essa atividade não foi uma boa atividade para que os alunos fossem agrupados em duplas, pois a mesma não favoreceu a interação das crianças, podendo a mesma ser trabalhada de maneira individual.
Por outro lado, houve também atividades nas quais observamos a integração dos alunos para realizá-las. Vimos alunos discutindo com os colegas sobre a escrita de palavras e entrando em conflito, sendo necessário que a professora fizesse intervenções como: “com que letra começa? Será que é essa letra mesmo? O que é que a dupla acha?”.
A organização do trabalho de forma individual aconteceu em seis, das quinze aulas observadas. Essas atividades não exigiam muito esforço cognitivo para sua realização, pois eram atividades como pintar, colar, copiar letras e padrões silábicos.
Entendemos que as atividades individuais são importantes quando favorecem a reflexão dos alunos sobre os assuntos que estão sendo trabalhados e não atividades que não tenham esse objetivo, desta forma assim como Leal (2005), consideramos que esse modelo organizativo é importante, porque permite ao aluno refletir e sistematizar seus conhecimentos, bem como possibilita a ele coordenar sozinho suas ações, mobilizando seus conhecimentos para resolver problemas.
Conforme pudemos observar na tabela 4, as atividades coletivas foram realizadas em duas aulas (aulas 5 e 8). Na primeira delas, houve uma produção de texto coletivo, em que a docente atuou como escriba, e na outra ela orientou coletivamente a realização da tarefa no livro didático.
Leal (2005, p. 92) afirma que “As situações em que o (a) professor(a) rege todo o grupo-classe, realizando uma única atividade, são variadas e podem ter múltiplas finalidades”. De acordo com as observações das aulas, pudemos verificar que a docente mediou o exercício de escrita ao atuar como escriba, fazendo com que os alunos atentassem para a necessidade de planejamento do texto, para a escolha de palavras, para a organização das ideias, dentre outros
aspectos. Numa outra aula, ela orientou a atividade no livro didático, instigando a reflexão e tirando as dúvidas que surgiam durante a tarefa.
A divisão de turma em grupos foi outra maneira utilizada pela professora Ana, na realização de atividades. Ela utilizou essa forma de organização em apenas duas aulas. Em uma delas, a professora precisou agrupar os alunos em dois grupos, com atividades distintas. Enquanto um grupo realizava uma atividade de forma autônoma, no outro grupo a docente chamava os alunos, individualmente, para uma atividade em que ditava para o aluno uma curiosidade sobre a água. Vejamos o comando da atividade:
Quadro 13: Comando da professora Ana para atividades em grupos
O comando descrito acima sugere que, apesar de a professora ter dito que realizaria a atividade em grupo, a atividade da escrita das curiosidades foi feita de forma individual. Essa divisão da turma se prestou ao propósito de facilitar o trabalho da professora, pois teria menos alunos à espera de sua mediação. Essa atividade poderíamos categorizar como sendo atividade individual, pois os alunos não trabalharam em grupo, essa divisão ocorreu apenas para que a professora pudesse deixar parte dos alunos “ocupados” enquanto ela auxiliava a outra parte na escrita das curiosidades sobre a água.
Outra situação de distribuição da turma em grupos foi quando a professora distribuiu alguns jogos como dominós, jogos da memória e jogos de encaixe. Nessa situação não foi necessário o trabalho de mediação, pois os alunos já estavam acostumados com esse tipo de jogos. Nessa atividade, os alunos realmente trabalharam em grupo, pois era uma atividade que sozinha já exigia essa forma de agrupamento.
De acordo com Leal (2005), em situações didáticas organizadas em pequenos grupos, cada grupo pode trabalhar independentemente, mas realizando a mesma tarefa ou realizar atividades diversificadas, isto é, cada grupo com uma tarefa diferente. Os alunos nesse modelo organizativo trocam informações e comparam diferentes hipóteses. No entanto, nas observações realizadas durante as aulas da professora Ana, a divisão do trabalho em grupos não favoreceu trocas que possibilitassem o avanço cognitivo dentro do processo de alfabetização das crianças.
Entendemos, assim como Leal, Guerra e Lima (2012) que o professor tem o papel de diversificar os tipos de atividades mostrando às crianças que elas são responsáveis por suas
Prof.ª Ana: Gente! Eu vou dividir a sala em dois grupos. Cada um vai ter a sua curiosidade diferente. Primeiro eu vou fazer com uns e depois com os outros. Então eu vou dar um desenho, enquanto uns vão pintando, os outros vão escrevendo as curiosidades.
aprendizagens e proporcionando também variações nas formas de agrupamentos dos alunos. É importante salientar que não basta apenas agrupar os alunos em duplas ou de qualquer outra forma: durante as atividades o professor precisa apresentar-se para o aluno ora como um mediador, ora como um orientador, isto é, nem sempre dando aos alunos as respostas de “mão beijada”, mas fazendo-os pensar e buscar as melhores estratégias para solucionar a atividade proposta, como salienta Moro (1991).
5.3.2 Formas de agrupamento dos alunos da professora Luíza
No trabalho realizado pela professora Luíza, nas quinze aulas observadas, as situações didáticas foram organizadas apenas com atividades individuais e coletivas, conforme verificamos na tabela abaixo:
Tabela 5: Agrupamento dos alunos para as atividades - professora Luíza
Aula Atividade 1 28/05 2 31/05 3 18/06 4 19/06 5 20/06 6 11/09 7 12/09 8 13/09 9 30/10 10 26/11 11 27/11 12 28/11 13 11/12 14 12/12 15 13/12 Atividades individuais X X X X X X X X X X X X X Atividades coletivas X X X X X X X X X X X
Das quinze aulas observadas, em treze identificamos atividades que os alunos realizaram individualmente e em onze foram realizadas atividades de maneira coletiva.
Observamos que a dinâmica de trabalho da professora Luíza oportunizou aos alunos poucos momentos de confrontação de ideias entre os pares. Quer dizer, os alunos realizaram as atividades sozinhos. Apesar do trabalho individual proporcionar o desenvolvimento da autonomia (LEAL, 2005), reconhecemos como importantes esses momentos de troca de conhecimentos.
Nos momentos de realização das atividades coletivas houve a participação dos alunos mais extrovertidos e que apresentavam níveis de conhecimento mais avançados, ao passo que os alunos mais introvertidos e que apresentavam pouco domínio dos conteúdos trabalhados ficavam calados ou participavam pouco desse tipo de atividade.
Acreditamos que o trabalho individual favorece o desenvolvimento da autonomia dos alunos (LEAL, 2005). A prática de realização de atividades coletivas também se apresenta
como uma boa estratégia de envolvimento dos alunos nas atividades; no entanto essa maneira de realizar as atividades favorece os alunos mais extrovertidos, como já falamos anteriormente, e mesmo com todo o cuidado do professor em oportunizar os alunos mais introvertidos, sua participação é complicada.
Conforme pudemos observar, havia uma distinção no modo em que as duas professoras organizavam os alunos na condução das atividades. A professora Ana apresentou um maior número de agrupamentos diferentes, no entanto em algumas atividades apesar dos alunos estarem em duplas ou grupos realizavam as atividades individualmente. Enquanto que a professora Luíza apenas planejou situações didáticas em que os alunos atuaram de maneira individual e coletivamente e mesmo sendo atividades coletivas muitos alunos não participavam do momento.
Defendemos e partilhamos das ideias de autores como Davis, Silva e Espósito (1989), Moro (1991) e Leal, Guerra e Lima (2012), quando defendem que é preciso oportunizar aos alunos momentos em que ocorram a interação com seus pares, independentemente da forma de organização (dupla, trio, quarteto, grupo), e que esses momentos favoreçam as trocas de saberes e (re)construção de conhecimentos. A realização dessas formas de agrupamento, no entanto, precisam ser planejadas para que os objetivos sejam alcançados. Ou seja, no momento em que está planejando suas aulas o professor necessita pensar também nas formas de agrupamento das crianças para as realizações das atividades, questionando-se sobre a melhor maneira dos alunos avançarem em suas aprendizagens.
Acreditamos que o professor tem o papel de ampliar as experiências dos alunos, para que os mesmos possam construir e reconstruir seus conhecimentos. A diversificação nas maneiras de realização das atividades, propostas em sala de aula, é um dos caminhos para que essa ampliação aconteça. As atividades em grupo e em duplas, por exemplo, auxiliam mais na construção da argumentação, por serem atividades que por si próprias estimulam o confronto de ideias, do que as atividades realizadas de maneira individual ou em grupos maiores. O professor pode organizar um trabalho que leve os alunos por vários caminhos até a construção do conhecimento e é necessário que nesses caminhos os alunos sejam envolvidos em distintas formas de trabalho com os colegas.
Outro ponto importante observado no trabalho das professoras Ana e Luíza foram as formas como as mesmas organizavam a sala de aula para a realização das atividades, assunto que discutiremos a seguir.