deflection in the numerical simulation of stents in aneurysms
2.3 Numerical approach
2.4.3 Improve force model
Quando falamos em rotina, lembramos da música “Cotidiano” de Chico Buarque, que diz: “Todo dia ela faz tudo sempre igual...”, e a associamos a uma atividade repetitiva e enfadonha.
Na escola, essa visão de rotina está associada ao ensino mecanizado ligado à memorização do conteúdo, prática defendida por alguns métodos de ensino. Porém, a rotina é algo que vai além da repetição e memorização dos conteúdos. Ela serve de subsídio para auxiliar o trabalho do professor na sala de aula, de maneira que o mesmo possa compartilhar com os alunos alguns dos passos que trilharão todos os dias.
A rotina na sala de aula é um dos fatores que podem propiciar uma boa aprendizagem, pois nela está prevista uma frequência de atividades que ajudarão os alunos no processo de apropriação do conhecimento. Por isso, ao organizar sua rotina diária é importante que o professor pense nos seguintes aspectos:
Para quantos dias iremos pensar na organização da rotina escolar (uma semana, quinze dias, um mês)?
Como é a organização do tempo e dos espaços na escola? o Quantos dias de aula por semana?
o Quantas horas por dia?
o Que espaços podem ser utilizados além da sala de aula? o Há um horário e um espaço específico para a merenda?
o Como se organiza o recreio (espaço, horário, tempo de duração)?
Qual é o projeto político-pedagógico da escola?
Quais áreas de conhecimento devem ser trabalhadas? Que tempo destinar para o ensino de cada área? Como trabalhá-las?
Que tipos de atividades desenvolver dentro e fora da sala de aula? (FERREIRA; ALBUQUERQUE, 2012, p. 16)
Além de pensar no tempo, atividades e espaço, é preciso também pensar nas constâncias (temporal, espacial, de atividades e de participantes), que Freire (1998, p. 44) conceitua da seguinte maneira:
1. Constância temporal: um horário determinado onde as reuniões, encontros, aconteçam.
2. Constância espacial: definições de um local onde o grupo se reúna.
3. Constâncias de atividades: condição para que os movimentos de aprendizagem, do fazer do processo criador, possam acontecer:
(a) Ruminação, “rascunho mental”, esboço das ideias, do pensamento;
(b) Elaboração de um planejamento para o desenvolvimento das ideias, do pensamento no papel (ou em qualquer outro material, dependendo da linguagem utilizada);
4. Constância de participantes: nem grupo, nem rotina se constituem na inconstância das presenças.
O planejamento, como discutido anteriormente, é o primeiro passo para organizar uma rotina que não seja “rotineira”; quer dizer, uma rotina que tenha atividades permanentes (realizadas com certa frequência) e atividades esporádicas (realizadas alguns dias da semana). Concordamos com Lorini (1992) quando coloca que mesmo as atividades permanentes podem ser realizadas de maneira que não sejam “rotineiras”, podendo sofrer variações em sua forma. Por exemplo, a lista de chamada pode ser realizada de diferentes maneiras: através de chamada oral feita pelo professor, através de fichas onde os alunos tem que procurar seus nomes, através de leitura coletiva de cartaz fixado na parede, dentre outras.
Enfim, a mesma atividade pode ser realizada de formas distintas, proporcionando, desta maneira, um maior envolvimento dos alunos nas atividades e evitando uma rotina repetitiva e enfadonha. A rotina numa sala de aula pode ser algo dinâmico, pois nela estão inclusas vidas e histórias. Como afirma Lorini (1992, p. 8): “a rotina não é rotineira, tem um ritmo que atende às necessidades do espaço e do tempo... A rotina é dinâmica, tem vida, e vive uma história, por isso ela me ajuda a refletir e a repensar o vivido.”.
De acordo com Leal (2010, p. 97):
As rotinas escolares asseguram que professores e alunos partilhem de acordos que guiam o cotidiano da sala de aula. Assim alguns “procedimentos” básicos são combinados entre professores e alunos, possibilitando que eles se organizem dentro do espaço temporal e espacial para as tarefas pedagógicas.
Esses acordos feitos entre professores e alunos são importantes, pois criam uma relação de proximidade entre eles, além de possibilitar ao aluno a participação efetiva no seu processo de aprendizagem. “A participação dos estudantes no próprio processo de organização do trabalho pedagógico auxilia o aluno a aprender como gerir sua própria aprendizagem.” (LEAL, 2010, p. 98).
Como discutimos até aqui, a organização da rotina deve ser um momento em que o professor avalie as necessidades da sua turma e decida que atividades irá priorizar e a frequência com que serão realizadas.
No entanto, o que ocorre muitas vezes é que o professor tende a repetir a mesma rotina que utilizou no ano anterior e com outra turma. Ou pior: alguns professores não elaboram uma rotina para sua turma, seguindo apenas algumas atividades já institucionalizadas como, por exemplo, acolhida no pátio, oração do dia, hora da escovação.
Dessa forma, o docente acaba deixando de incluir atividades pertinentes à aprendizagem dos alunos, não separando as atividades permanentes das esporádicas, não definindo quais gêneros serão estudados a partir de uma sequência didática, que tema seria interessante para realização de um projeto, dentre outras escolhas relevantes.
Ribeiro, Azevedo e Leal (2011), a fim de entender como os professores organizavam seu trabalho em torno de sequências didáticas com gêneros discursivos, entrevistaram 10 professoras que atuavam no 1º e 2º ciclos das redes municipais de ensino de Recife, Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes. Nesse estudo as autoras observaram que, das dez professoras entrevistadas, nove delas afirmaram ter uma rotina semanal. No entanto, apenas três, das nove, conseguiram explicitar como essa rotina era organizada. Esses dados apresentam indícios que os professores sabem da importância de se ter uma rotina semanal, porém, no momento de elaborar e até de explicar como é essa rotina, muitos professores não apresentam clareza dos objetivos que pretendem alcançar e quais atividades precisam estar presente nessa rotina.
Concordamos com Ribeiro, Azevedo e Leal (2011) quando afirmam que
a atividade de planejar exige do educador atenção, sensibilidade e escuta. Requer considerar o que é próprio de cada idade, a fim de estabelecer diálogos, compartilhar significados. Convém salientar, porém, que existem diferentes modos de planejar o ensino. O importante é que os professores tenham clareza sobre suas próprias escolhas acerca das proposições didáticas.
A rotina precisa atender às necessidades dos alunos e do professor. A rotina pode ser dinâmica, pois “a rotina estrutura o tempo (história), o espaço (geografia) e as atividades, onde os conteúdos são estudados.” (FREIRE, 1998, p. 43). Ela pode ser estruturada de uma maneira que favoreça a diversidade de atividades e também o tempo pedagógico, pois todas as rotinas precisam respeitar o tempo da aula e o tempo de aprendizagem de cada aluno. Abordaremos esse assunto no próximo tópico.