Un incertain avenir
13. Reiser et apprivoiser le passé
A observação do cotidiano da escola, sob nosso olhar oportunizou reconhecer as formas do processo de exclusão/inclusão em que os alunos deficientes são submetidos. Assim, objetivando esclarecer alguns aspectos conceituais acerca do funcionamento administrativos e pedagógica da escola e a perspectiva da educação inclusiva, realizamos uma entrevista com a gestora da escola, em que se procurou abordar várias temáticas acerca do processo de inclusão na escola.
Primeiramente, indagamos quantos professores trabalham com crianças que apresentam necessidades educativas especiais? A entrevistada respondeu que a escola
[...] tem 08 (oito) professores da 5ª a 8ª que trabalham com alunos especiais. Do ensino fundamental da 1ª a 4ª série nós temos 05 (cinco) professores ou 06 (seis) que trabalham com alunos especiais. A gente não bota mais de dois portadores em cada sala, a gente tem um critério até é orientação da Secretaria de Educação que não se bote mais de 02 (dois) portadores na mesma sala, com a mesma síndrome. A gente tem deficiente físico, a gente tem principalmente o mental.
Diante desta fala, observa-se que a distribuição dos alunos nas salas de aulas, não atenta para o fato do professor ter habilidade para trabalhar com as dificuldades de aprendizagem da pessoa com deficiência. Seguindo a entrevista, perguntamos: quantos alunos com necessidades educativas especiais estão matriculados na escola?
Nós temos em torno de 10 a 12 crianças portadoras de necessidade especial dentro da escola como um todo. A gente não só tem criança, tem criança e adulto também, nos temos dois adultos no ensino de Jovens e Adultos que são portadores de deficiência mental. A gente também acolhe essas duas pessoas também adultas aqui na escola. Esses doze eles estão espalhados. As três primeiras séries têm portadores de necessidade especial, a 4ª série tem portador, a 3ª série tem portador, a 2ª série também tem, o ciclo um tem portador de necessidade especial, entendeu não se concentra num único segmento não, tem um segmento de jovens e adultos e tem na pré-escola.
A gestora em sua fala não consegue definir as patologias existentes que possa caracterizar cada pessoa, bem como suas necessidades de aprendizagem, de onde se deduz que o processo de inclusão educacional, encontra-se em estágio preliminar como relata a própria gestora
[...] a Secretaria de Educação tem um grupo de inclusão, e na verdade ainda, pelo menos o que eu sinto é que ainda não deslanchou, não tem, assim, ainda o papel bem definido, mas já está na escola, um psicopedagogo, uma pessoa muito competente, nesse projeto de inclusão que a secretária trás pra escola.
A partir do comentário da gestora, constata-se que a escola segue a política de inclusão de ampliação das matrículas, sem, contudo, apresentar uma proposta de inclusão educacional de acordo com a realidade de cada escola. Mas, indica a necessidade de melhorar a estrutura de funcionamento para a inclusão acontecer. E ao perguntar como a mesma vê esse processo de inclusão? Obteve-se a resposta abaixo:
A gente tem uma dificuldade muito grande nessa questão de inclusão, porque os alunos estão na escola, mas ele estão realmente perdido. O aluno na escola não quer dizer que ele esteja incluído. Ele está na escola, mas o que a gente sente é que a gente está muito distante disso ainda. Pouca informação. Por exemplo, o professor não é trabalhado nas entidades formadoras, as universidades não trabalham a perspectiva inclusiva, mesmo a gente vivendo o momento da inclusão. Veja só, as escolas que eu conheci que trabalhava nessa perspectiva inclusiva há muitos anos atrás era a Catavento e a, IPEI. O IPEI tinha 01(hum) aluno especial. Você tem uma sala de aula com 25 ou 20 alunos, você tem toda uma estrutura, e ainda existe uma dificuldade muito grande, imagine uma escola pública que tem no mínimo 35 a 40 alunos na sala de aula, e o professor despreparado, porque a própria entidade formadora não capacitou. Então é um pânico, o professor fica louco. A Lei existe a gente tem que cumprir, mas a realidade é diferente. Se nós um psicopedagogo, psicólogo, a gente tivesse um monitor dentro da sala, se a gente tivesse um estagiário de psicologia ou pedagogia para dar esse suporte. Mas, é o professor sozinho.
E para melhor compreensão foi perguntado, como funcionaria esse suporte? E se a Secretaria de Educação do Município tem apoiado com a equipe técnica este trabalho de inclusão?
A equipe da inclusão, até agora não tem trabalhado dentro do que a gente esperava, Se colocou pelo menos nas diretrizes para o início do ano letivo que a gente poderia ter estagiário, a gente poderia reduzir o número de alunos na sala que tem portador, porém isso teoricamente, porque na prática mesmo não dá, até porque a gente é uma escola que polariza uma região muito grande, a procura é grande.
A partir do relato da diretora, percebe-se a dificuldade de inclusão dos alunos no contexto escolar, pois, ao afirmar que os alunos estão na escola, explicita que eles não estão incluídos, isto é, a inclusão não estar sendo contemplada no sentido da garantia da permanência e do sucesso escolar, pois não são ofertados aos mesmos um acompanhamento diferenciado para que possam desenvolver habilidades. Carvalho (2004, p.109) comenta que:
[...] inserir esses aprendizes nas escolas comuns, distribuindo-os pelas turmas do ensino regular, como “figurantes”, alem de injusto, não corresponde ao que se propõe no paradigma da educação inclusiva e, de igual modo, não vamos contribuir para seu desenvolvimento integral. Assim, há que ter todo o cuidado com a construção de nossas narrativas em torno da escola inclusiva, evitando-se que as práticas de significação levem a conferir à escola o sentido de espaço físico, no qual devem ser introduzidos todos, para dele constarem.
Carvalho (2004) explícita a contradição presente na fala da gestora, confirma-se que a inclusão dos alunos com deficiência na escola tem se dado através das matrículas, supondo-se que estes estão incluídos, mas, o que na realidade acontece é a exclusão dos mesmos no espaço escolar, pois os profissionais que atuam na escola A, como se pode perceber através dos dados da entrevistas, não estão preparados para lhe dar com o paradigma da inclusão, pois segundo a gestora, a própria instituição formadora desses profissionais, não preparam os mesmos para atuarem diante dessa realidade, e não tem existido por parte da Secretaria de Educação uma formação continuada para este, nem tão pouco o acompanhamento técnico para que os mesmo possam atuar de forma satisfatória.
Assim, constata-se na realidade desta escola o aprofundamento do paradigma da exclusão, como uma realidade existente no cotidiano escolar, haja vista que os educadores, por não terem acesso aos cursos de formação continuada, capacitação adequada e outros processos educativos que possam ajudar no seu dia-dia escolar, usam uma metodologia
tradicional, desconsiderando assim, a diversidade e a complexidade dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.