• Aucun résultat trouvé

Chapitre III. Influence du taux de renforts sur les évolutions

2. Caractérisations microstructurales

2.2 Analyse des microstructures et des textures

2.2.2 Après recuit isotherme

Pneus ou pneumáticos são artefactos constituídos de borrachas e materiais de reforço, e têm por função a rodagem dos veículos. Os pneus possibilitam o contacto entre o veículo e o solo, suportando então a carga, a transmissão, aceleração, desaceleração e paragens. Para além disso absorve as irregularidades da via e os impactos, bem como garantem a estabilidade e influenciam o bom desempenho do veículo [3], [4].

De modo a garantir as suas funções, os pneus são, primordialmente, constituídos pela secção de contacto com o solo (banda de rolamento), os sulcos, os ombros, as lonas de reforça, a câmara-de-ar (secção interna), a lateral e o talão e o seu aro (Figura 3.1).

Figura 3.1 – Componentes de um pneu (adaptado da Basel Convention) [5]

Cada um dos elementos do pneu apresenta um papel importante e singular no seu bom funcionamento e desempenho (Tabela 3.1). A banda de rolamento permite que haja o contacto entre o pneu e o solo. Os sulcos por sua vez, que são baixos relevos na banda de rolamento, permitem a drenagem da água e auxiliam na tração do pneu. O ombro minimiza os efeitos das irregularidades dos terrenos. As lonas de reforço, que o como o nome já indica, são lonas que garantem o reforço estrutural e a rigidez do pneu. O revestimento interno encaixa na jante formando a câmara-de-ar do pneu. A carcaça ou estrutura suporta a carga, e é formada por telas têxteis que a reforça, torna mais flexível e resistente à pressão. A lateral protege a carcaça dos choques. E por fim o talão e o aro do talão, encaixam jante e protegem a carcaça dos desgastes provocados por esta [5].

Tabela 3.1 – Componentes dos pneus e a sua função

Componente Função Piso / Banda de

rolamento Secção projetada para entrar em contato com o solo, assegurando o atrito apropriado [5], [6].

Sulcos Cavidades que recortam a superfície da banda de rolamento longitudinalmente e/ou

transversalmente, definindo o padrão da banda [5]. Desempenham uma função auxiliar na tração do pneu, permitem que os blocos da banda movam e flitam à medida que o pneu adere ao solo e, promovem a drenagem de água[7].

Ombro Situada entre a banda de rolamento e a lateral, esta secção minimiza os efeitos da

irregularidade dos terrenos e, devido à travagem e sobreviragem em aceleração, permite a transferência de carga [6].

Lonas de

Reforço Camadas de filamentos metálicos revestidos de borracha. Os filamentos são cruzados obliquamente e colados uma sobre a outra. Estes cruzamentos formam triângulos indeformáveis, o que garante a rigidez e o reforço estrutural [5], [8].

Revestimento Interno

Toda a superfície interna do pneu, feita de uma camada de borracha, e aquando colocação da roda na jante a secção fica preenchida de ar, criando assim a câmara- de-ar [8], [9].

Carcaça Parte estrutural do pneu, onde a banda de rolamento é vulcanizada, e que quando

inflado suporta a carga (ex.: numa carcaça de um pneu ligeiro existe cerca de 1400 cabos que podem resistir uma força de 15kg cada, então a carcaça resistirá uma força de 21.000 Kg). É constituído por lonas de finos cabos de fibras têxteis, os quais estão dispostos radialmente, de talão a talão. As telas têxteis da carcaça permitem o reforço, a flexibilidade e resistência à pressão [5], [6], [8].

Flanco/Lateral Secção entre a banda de rolamento e a parte a ser revestida pela jante. É composto

de borracha de modo a proteger a carcaça de choques, como por exemplo pequenos choques em buracos, passeio, e entre outros. No flanco é que se encontra o código que indica as características do pneu [5], [8], [9].

Talão Secção que se encaixa e fixa na jante. Tem por função a transmissão dos binários

motor e travagem da jante para a secção de contacto com o solo, i.e., o talão é crucial para eixo da roda, pois o seu mau desempenho implicará a má transmissão do binário motor e, consequentemente, o mau desempenho da banda de rolamento [5], [8].

Aro Talão Secção interna do talão, formada por um filamento de aço, o qual permite a proteção

da carcaça contra o desgaste provocado pela jante, bem como garante a fixação do pneu na jante. O aro do talão consegue suportar até 1800Kg sem risco de rutura [5], [8].

No que diz respeito à composição dos pneus, este é muito diversificada, varia por tipo de pneu, e de fabricante para fabricante, todavia, de uma forma generalizada, os pneus são compostos maioritariamente por polímeros elastómeros, negro de fumo e sílica, e metais (Tabela 3.2) [5].

Tabela 3.2 – Composição dos pneus ligeiros e pesados [5]

Composição Pneus ligeiros Europa (%)

Pneus Pesados Europa (%)

Borracha/elastómeros 45 42

Negro de fumo (carbono) e sílica 23 24

Metal 16 25 Têxtil 6 --- Óxido de zinco 1 2 Enxofre 1 1 Aditivos 8 --- Metal 45 42

Cada um dos materiais e substâncias que compõe os pneus os fornecem propriedades e características diferentes. Por exemplo os elastómeros ― principal material dos pneus, que

podem ser tantos de borracha natural (predominantemente obtida da árvore Hevea brasiliensis) como de sintéticas (advindo de petroquímicos como a borracha de estireno-butadieno, o Polibutadieno e a borracha butílica) [4] ― são flexíveis, apresentam excelente durabilidade, resistência a abrasão, alta capacidade de suporte de carga em tensão e compressão, alta resistência ao rompimento, flexíveis mesmo em temperaturas muito baixas, resistência ao choque térmico, alta capacidade de alongamento, sob repetidas flexões resistem à rachadura, boa resistência ao calor até temperaturas de 90ºC, nível de absorção de água insignificante, isolantes elétricos, resistentes à degradação pelo ozônio e oxigénio atmosférico, resistentes a uma grande variedade de produtos químicos, e entre muitos outros [10].

Por sua vez o negro de fumo ou fuligem (derivado do petróleo) e a sílica amorfa (obtida do silício e carbonato de sódio, de origem natural ou sintética) são importantes nos pneus, pois aumentam a sua resistência e durabilidade. Quanto aos metais, estes são utilizados nas lonas de reforço para rigidez e resistência. Os cabos metálicos são de aço de alta qualidade de modo a garantir as propriedades e características de desempenho requeridas da lona de reforço [5]. No que diz respeito à restante composição dos pneus: os têxteis de reforço são normalmente de poliéster, rayon ou nylon; o óxido de zinco é adicionado, essencialmente, como um ativador no processo de vulcanização do pneumático, sendo que depois da vulcanização está presente como zinco ligado [5]; o enxofre desempenha o papel principal no processo de vulcanização, sendo que este processo consiste na aplicação de calor e pressão em borrachas para sua conformação, transformando um enredo viscoso de moléculas com longa cadeia numa rede elástica tridimensional [3], [5], [11]; dos adesivos destaca-se o resorcinol-formaldeído para adesão da borracha, as fibras têxteis e as lonas metálicas; e por fim há uma vasta gama de aditivos (óleos aromáticos) na borracha de modo a modificar as propriedades da mesma aquando do fabrico, no produto final e quanto à maleabilidade [5].

Relativamente às propriedades dos pneus, estes apresentam um elevado poder calorífico, com valores superiores aos plásticos, a celulose, aos óleos usados, aos resíduos da indústria têxtil, aos solventes e a gordura animal. De acordo com a indústria de cimento alemã o poder calorífico do pneu usado no coprocessamento é de 28MJ/kg, valores atrativos, que demonstram que os pneus são uma excelente fonte alternativa de combustível comparativamente a outros materiais (Tabela 3.3) [12]. Este elevado poder calorífico dos pneus indica um elevado potencial energético dos pneus, com um conteúdo energético de cerca de 32 GJ/t, valores muito próximos do carvão e do coque de petróleo. Para além disso o nível de emissões de carbono por conteúdo energético são consideravelmente inferiores aos do carvão, coque de petróleo e a madeira, sendo a diferença na ordem dos 6%, 15% e 23%, respetivamente (Tabela 3.4) [13].

Tabela 3.3 – Quantidade utilizada e poder calorífico médio de combustíveis alternativos em 2012 na

Indústria de Cimento Alemã [12]

Combustível alternativo 1.000 t/a MJ/kg

Pneus no fim de vida 234 28

Óleos usados 56 26

Frações de resíduos industriais e comerciais:

Celulose, papel e papelão 96 4

Plásticos 474 23

Resíduos da indústria têxtil 3 17

Outros 1246 21

Carne, ossos e gordura animal 176 18

Frações mistas de resíduos urbanos 352 15

Resíduos de madeira 8 14

Solventes 96 22

Lamas de depuração 310 4

Outros como:

Lama de perfuração de petróleo; resíduos da destilação de orgânicos

54 9

Tabela 3.4 – Conteúdo energético e emissões de carbono de combustíveis [13] Combustível Energia (GJ/t) Emissões (kgCO2/t) Emissões (kgCO2/GJ) Pneus 32 2,270 85 Carvão 27 2,430 90 Coque de petróleo 32.4 3,240 100

Gasóleo (óleo diesel) 46 3,220 70

Gás natural 39 1,989 51

Madeira 10.2 1,122 110