Quand la mort entre à l’école, quels rôles pour les professionnels de l’enseignement ?
2.2 Accompagner des élèves endeuillés dans la classe
2.2.4 Rôle de l’enseignant dans l’accompagnement d’un élève endeuillé
A trajetória de Esther é marcada pela influência de fatores afetivos e de suas crenças nos comportamentos que assume em sua aprendizagem de inglês, contribuindo para a instabilidade e flutuação de sua motivação e autonomia.
Na figura 16 (ver página seguinte), observa-se no primeiro, segundo e terceiro semestres do curso que a participante busca interagir com diferentes elementos e agentes, apesar de estar sob a influência de fatores inibidores de sua autonomia, representados pelos círculos na cor cinza.
Percebe-se a imprevisibilidade e complexidade do sistema de aprendizagem de LAd quando, durante a greve, diferentemente do que ocorreu com Gabriela, que chegou até mesmo a cogitar a desistência do curso, Esther não menciona em seu diário nenhum fator que tenha inibido sua aprendizagem e autonomia. Pelo contrário, na greve, Esther muda de estado de fase, assumindo novos comportamentos em prol de sua autonomização.
No quarto período, porém, sob a influência de fortes problemas emocionais, Esther cai em uma bacia atratora. Com a ajuda de agentes, consegue mudar de fase, porém, com o impacto de problemas afetivos, termina por trancar o curso após a conclusão do quinto semestre.
Figura 16 – Trajetória de Esther
Em diversos momentos de sua trajetória, a participante relatou que sua motivação influenciou o nível de investimento dedicado à aprendizagem autônoma de inglês. Tal fato evidencia que o subsistema motivacional pode contribuir tanto para dinamizar quanto para estabilizar o processo de autonomização, conforme ilustrado a seguir:
[13] Comparando com o primeiro diário, observo que estou mais autônoma na minha aprendizagem, porém as oscilações da minha motivação sobre o estudo da língua
estrangeira se tornaram minha maior dificuldade. Depois que recebi o conceito “regular” na prova de inglês, meu entusiasmo em aprender uma língua nova se declinou para a escala “zero”. Para alterar essa situação, estou intensificando meus horários de estudo e procurando novas formas de aprendizado. Assim reformulei minha agenda de estudos, tentando adaptar meus horários de descanso e de aprendizagem. Utilizo novos livros de inglês focados em gramática básica e uso os CDs player do livro. Também estou participando do projeto da Falem: o Aconselhamento linguageiro. Assim posso ter um
conselheiro para orientar-me sobre meus avanços nas quatro habilidades. Acredito que com
essas novas atitudes, com certeza, minha motivação se elevará [...]. Nesse semestre, eu comecei a freqüentar o “Lab” da norte-americana xx. A experiência tem sido bastante interessante, pois tenho contato com o nativo que fala inglês e assim obtenho maior conhecimento sobre a pronúncia correta do idioma. Também participei do projeto “Ícone”. Nesse projeto a conversação era via Skype. Um aluno do curso de Português (Nos EUA)
conversava com um aluno do curso de Inglês (No Brasil). Essa interação com uma pessoa que estava aprendendo (também) uma nova língua, incentivou-me muito por perceber que
qualquer pessoa que esteja aprendendo uma nova língua, tem a sua dificuldade. Portanto, a aquisição de um idioma é um processo que aos poucos vemos os resultados (Esther, 1º
semestre, Diário 2).
Ressalta-se no excerto que a motivação de Esther foi fortemente abalada pela baixa nota recebida. No entanto, a participante não se estabilizou diante dessa situação; ao invés disso, investiu em sua própria autonomização ao refletir, planejar e realizar novas ações que a levaram a uma mudança de estado de fase. Dentre as iniciativas tomadas, passou a interagir com novos agentes como o conselheiro linguageiro e os falantes nativos de inglês.
Saliento que, desde o primeiro semestre, apesar de reconhecer suas limitações na oralidade, a aprendente procurou se expor a situações de uso da língua em contextos de interação direta com falantes nativos, demonstrando seu esforço em alcançar seus objetivos e em integrar-se a sua nova CoP (OXFORD, 2013; NICOLAIDES, 2017). A interação com os americanos no projeto Ícone também a levou a uma nova compreensão acerca das dificuldades que são inerentes ao processo de aprendizagem de uma LAd.
Apesar de terem emergido novos comportamentos e a sua motivação ter recebido um impulso, é possível perceber, desde o início do curso, a influência de uma crença que afetava seu sistema de aprendizagem: acreditava que deveria alcançar uma pronúncia perfeita do inglês, como a de um nativo.
[14] Como sou iniciante em língua estrangeira, minhas dificuldades começam pelas principais habilidades, porém a oralidade se distingue como a mais preocupante. [...] Para solucionar essa questão estou ouvindo CDs player específico em ensinar a língua estrangeira. Estes são
bastante úteis para mim, pois quando ouço as palavras tendo repeti-las inúmeras vezes para
assimilar a entonação das palavras. E procuro a opinião dos meus colegas que sabem inglês sobre meu desempenho ao falar essas palavras (Esther, 1º semestre, Diário 1).
[15] Como iniciante no aprendizado da língua inglesa, tenho inúmeras dificuldades, mas a
principal delas seria a pronúncia. Quando falo uma frase ou alguma palavra, a impressão que eu tenho é de que há algo errado na minha pronúncia, e essa situação deixa-me desmotivada. [...] Apesar de meu desempenho em speak ter melhorado, ainda tenho a opinião
de que devo e consigo melhorar minha pronúncia. Ainda mais que nesse semestre a disciplina
Fonética e fonologia do inglês exige a entonação perfeita. Então, minha dificuldade está em acompanhar uma matéria que exige muito da minha pronúncia (Esther, 2º semestre, Diário
5).
Esther afirma que sua principal dificuldade era a oralidade. No entanto, os excertos evidenciam uma incompatibilidade entre a prioridade estabelecida e as ações empreendidas, tais como a repetição de palavras isoladas e o treino constante para atingir a pronúncia perfeita como a de um falante nativo. Observa-se que a participante estava em um atrator quando se dedicou ao uso de estratégias pouco eficazes para ajudá-la a superar as dificuldades identificadas em sua produção oral: ao ingressar nos laboratórios dos ETAs, seu objetivo foi aprender a pronúncia correta do idioma (excerto 13); ao estudar para a disciplina Fonética e Fonologia, ao usar recursos tecnológicos e ao interagir com seus colegas de classe, seu objetivo continuou se limitando ao aperfeiçoamento de sua pronúncia (excertos 14 e 15).
No excerto 16, a autonomia de Esther foi impulsionada por sua concepção de comunidade imaginada (NORTON, 2012), na qual vislumbrava tornar-se uma falante fluente do inglês. Motivada por essa visão de ―eu futuro‖, passou a usufruir de novos propiciamentos disponíveis em sua CoP. No entanto, como o sistema é aberto a influências do contexto e sujeito à contínua auto-organização, ao final do segundo semestre, a participante apontou uma série de fatores que influenciaram negativamente sua aprendizagem:
[16] No começo do semestre minha autonomia estava mais elevada por conta da
determinação de aprender o inglês o mais rápido possível. Por isso, comecei a frequentar o
Sit-in da norte-americana xx e buscar novas estratégias de aprendizagem. Porém, com a
vinda de um novo professor e por problemas pessoais, essa determinação extraviou-se. Para
começar, sentir muita dificuldade em acompanhar o método de ensino do meu novo professor de Língua II; uma aula mais mecânica e parada. Como estava acostumada com uma metodologia mais dinâmica de outro professor, essa mudança drástica afetou meu aprendizado. Com o decorrer das aulas, percebi que o meu desempenho naquela matéria estava aquém do que eu gostaria. Muitos assuntos que ele lecionava, eu simplesmente não conseguia assimilar ou praticar. Procurei solucionar o problema, assim intensificando meus
estudos, porém com duas perdas seguidas na família, minha autonomia e motivação chegaram a zero (Esther, 2º semestre, Diário 6).
As novas dificuldades relatadas demonstram que a influência de problemas pessoais, relacionados ou não ao ambiente de sala de aula, podem levar o sistema de aprendizagem a um estado de entropia (BUSHEV, 1994), afetando a autonomia e a motivação.
Em seguida, não obstante à greve que se instaurou na universidade, a ajuda da conselheira contribuiu para compensar a energia perdida no sistema de Esther, resgatando sua motivação para aprender inglês:
[17] Conversei com a minha conselheira sobre essas dificuldades e juntas criamos um
planejamento de estudos. Primeiro de tudo fiz uma lista das minhas maiores dificuldades na
língua inglesa como a pronúncia, a escrita e em algumas palavras. Depois fizemos o planejamento. Ela propôs que eu tinha que reservar pelo menos um horário para os meus estudos e procurar sites que ajudam estudantes de inglês a aprender com nativos da língua. Um bom exemplo de sites desse tipo é o LiveMocha.com. Outro mecanismo que encontrei foi o aplicativo Duolingo [...].Com esse aplicativo estou diariamente praticando o inglês, além de ver as séries e filmes legendados e o planejamento dos estudos que me ajudam a aprimorar minhas quatro habilidades em inglês. Espero que com essas atitudes possa realmente
encontrar os melhores mecanismos para minha aprendizagem (Esther, Greve, Diário 7).
Nota-se que, diferentemente do que ocorreu com Gabriela, a interação com a conselheira gerou sinergia em seu sistema. A negociação com esse agente ajudou-a a migrar do estado atrator em que se encontrava, no qual enfatizava apenas a prática da pronúncia por influência de seu subsistema de crenças. Suas novas escolhas e ações fomentaram sua aprendizagem de inglês, ampliando sua gama de estratégias para a prática das quatro habilidades.
No entanto, no retorno às aulas no terceiro semestre, com a justificativa de falta de tempo devido aos trabalhos requisitados nas demais disciplinas, a participante passou a ter dificuldade em seguir o planejamento negociado com sua conselheira, passando a estudar inglês apenas nos fins de semana. Além disso, sentiu uma incompatibilidade com a metodologia do novo professor de LI. Como o sistema é imprevisível, a frustação com a monotonia das aulas de inglês acabou por impulsionar a emergência de novos comportamentos. Para compensar o prejuízo que sentia, a participante procurou, por conta própria, fazer escolhas e interagir com um maior número de elementos e agentes (ver figura 16), comportamento característico do aprendiz autônomo proposto por Franco (2013).
[18] Diante de uma situação complicada na faculdade, a única alternativa que encontrei foi
a de buscar mais autonomia. Assim, dando continuidade ao processo que estava tendo,
procurei ser a mais autodidata possível. Comecei a ler mais textos em inglês, como blogs, notícias ou até mesmo “fofocas” de famosos, tudo em inglês, mesmo passando por algumas palavras que não conhecia, aprendi novos termos e algumas gírias que desconhecia na língua inglesa. Com a indicação de um colega da faculdade, criei um perfil em um site de conversação entre pessoas de vários países [...]. Assim, comecei a conversar com estrangeiros através do Skype ou Facebook. [...] A frustração e o desânimo que sentia pela
aula do professor de língua inglesa acabaram por impulsionar o meu aprendizado. Porque apesar de ser desanimador, isso foi uma lição de que é preciso sempre procurar a autonomia para alcançar os objetivos, que é aprender uma nova língua (Esther, 3ºsemestre,
No quarto semestre, no entanto, Esther continuava a sentir que seu nível de inglês está aquém do que esperava. Neste momento, voltou à tona a influência de fatores afetivos impactando ou até mesmo paralisando suas ações. Em uma bacia atratora profunda, refletiu sobre suas limitações, contudo não conseguiu agir para superá-las:
[19] Como o desafio é enorme, tenho que procurar alternativas que possam aliviar essa
pressão e que me façam fortalecer a minha confiança e consequentemente a minha motivação. Pensar nesse futuro está me causando uma grande aflição e isso afeta diretamente o meu aprendizado. Estou participando do projeto do Aconselhamento
Linguageiro, apesar que faz alguns semanas que não falo com a minha conselheira, relatei para ela essas angústias no nosso último encontro e ela me aconselhou que o melhor seria pensar no presente, ou seja no semestre atual e conseguir ter o conceito excelente em todas as disciplinas. Seus conselhos foram exatos no momento e estou tentando pensar mais no
presente. (Esther, 4º semestre, Diário 11)
[20] Essa desorganização do meu tempo está afetando diretamente meu desempenho
acadêmico, pois com a falta de tempo para estudar, sinto que estou tendo um retrocesso no meu aprendizado. É um pouco exagerado dizer também que não tenho tempo. Na verdade, o
cansaço de ir para a faculdade todos os dias (moro longe da UFPA) e depois quando chegar lecionar aulas de reforço (estou alfabetizando um menino de 7 anos) acabam fazendo com que eu procrastine meu pouco tempo que resta da minha rotina. Na faculdade, as consequências são as piores possíveis, [...] sinto que meu inglês está deixando a desejar outra vez e tenho
medo de não conseguir reverter essa situação (Esther, 4º semestre, Diário 12).
[21] Como relatei no segundo diário, a minha principal dificuldade seria a falta de organização de tempo, isso está com certeza atrapalhando meus estudos. Mas percebi que
também estava com problemas emocionais em relação à faculdade, porque estava sentido tristeza em relação ao meu desempenho nas outras disciplinas, não somente em inglês IV. Por isso resolvi ir ao psicólogo para relatar esses problemas emocionais, e estou mais calma por poder enxergar agora que irei superar esses problemas e que tudo depende de mim. Assim não posso ser fraca e desistir de tudo que passei por um momento de estresse, ansiedade (Esther, 4º semestre, Diário 13).
A participante temia não conseguir se tornar fluente, nem professora de inglês, o que gera pressão, insegurança e inibe sua autonomia (excerto 19). Ao relatar ao seu conselheiro essa angústia quanto ao seu ―eu-temido‖ (HIGGINS, 1987 apud DÖRNYEI, 2005), esse sugeriu que ela partisse para ações no presente em prol de alcançar seus objetivos futuros. A colaboração do conselheiro contribuiu para a regulação das emoções de Esther, porém não gerou na aprendente mudanças de atitude.
No excerto 20, Esther fez referência à sensação de estagnação e retrocesso, impressão comum às participantes Gabriela e Marília, ao se estagnarem em uma bacia atratora. A participante tentou justificar sua inação pela falta de tempo, mas na verdade, ao refletir, percebeu que não era exatamente esse o problema, mas sim o fato de procrastinar, deixando de priorizar o estudo do inglês.
Ao final do quarto semestre, após relatar o impacto de uma série de emoções, tais como ansiedade, estresse, tristeza, medo de ser fraca e desistir do curso, resolveu buscar ajuda
profissional (excerto 21). Na complexidade, busca-se reconhecer o quanto as emoções têm o poder de moldar o que os estudantes fazem e como eles aprendem (BARCELOS, 2015). No caso de Esther, as questões emocionais que afetavam sua saúde podem ter contribuído para a sua manutenção em uma bacia atratora, inibindo ou até mesmo bloqueando sua capacidade de reagir às dificuldades enfrentadas.
Outra consequência da perda de energia no sistema de Esther foi o ―abandono‖ do aconselhamento, elemento que outrora contribuía para sua aprendizagem e autonomização.
[22] No semestre passado meu desempenho nas matérias foi muito bem, consegui obter o conceito excelente em quase todas as matérias. Eu sei que meu empenho foi fundamental,
mas o Aconselhamento Linguageiro foi crucial para essa “engrenada”. Porém, por um erro meu acabei deixando um pouco de lado os encontros com a minha conselheira. Acho que a ilusão de que tudo iria bem, foi o responsável por esse “abandono” do Aconselhamento.
Entretanto, estou empenhada em reiniciar os acompanhamentos da minha conselheira.
Depois de quase quatro meses (Sim, quatros meses!) entrei em contato com a minha conselheira e marcamos um encontro. Sinto que com esse encontro irei conseguir organizar o meu tempo e quem sabe, me sentir mais motivada (Esther, 4º semestre, Diário 12).
Além da decisão de retornar ao aconselhamento, outras atitudes evidenciaram uma mudança de estado de fase, na qual passou a investir novamente em sua autonomização, fazendo novas escolhas como inscrever-se em um curso particular de inglês; participar do treinamento para a seleção de estagiários dos CLLE; e atuar na monitoria de inglês, conforme discutirei mais adiante na próxima seção.
[23] Como relatei no último diário, comecei a freqüentar um cursinho de inglês perto da minha casa. Para minha surpresa (porque eu pensava que estava muito mal em inglês, tipo ainda no básico) fiz o nivelamento e entrei na turma do nível intermediário. Sinto-me mais a
vontade no cursinho do que na faculdade. Acho que é pelo fato de que todos na turma estão no mesmo nível que eu e pelo ambiente acolhedor. Já fiz até prova oral. Dos 20 pontos que
valia, eu tirei a nota 18,5. Fiquei super feliz, claro, porque não esperava tanto assim, esperava menos. Isso demonstra o quanto minha confiança está abalada. [...] O fato de
estar freqüentando um cursinho de inglês já é algo bem motivador, ainda mais vendo os resultados dando certo (até esse momento). Sinto-me mais motivada e conseqüentemente mais autônoma. Conseguir encaixar um horário para os meus estudos. Todas as noites tento estudar o máximo que eu posso. Sempre alternando as quatros habilidades. Porém em
minha opinião ainda estou aquém do que é esperado. Preciso estudar muito mais (Esther, 5º semestre, Diário 15).
No quinto semestre, Esther considerou que sua aprendizagem no cursinho de inglês foi mais profícua, reforçando uma crença sustentada previamente em seus diários de que se aprende de fato a língua quando se pode frequentar um curso particular. Nesta nova CoP, sentiu-se mais confortável entre seus pares e legitimada como falante de inglês. Além disso, os resultados positivos em sua primeira avaliação devolveram-lhe a autoconfiança, a motivação e, consequentemente, a autonomia (DÖRNYEI; OTTÓ, 1998; BENSON, 2006; USHIODA, 1996, 2009).
Outra mudança de comportamento foi o investimento na leitura e escrita acadêmica, em preparação ao TCC:
[24] Também mudei de conselheiro linguageiro e sinto que com essa relação eu possa
progredir mais. Ele está me ajudando bastante a enfrentar o meu problema com a escrita, pois essa habilidade é primordial para fazer o TCC e necessito urgentemente melhorar no writing. Para isso eu e meu conselheiro decidimos que eu poderia escrever em inglês no meu
diário pelo menos uma vez por semana. Porém, só consegui até agora fazer um relato, pois
falta de motivação e a procrastinação faz com que eu não escreva o quanto que eu gostaria em inglês (Esther, 5ºsemestre, Diário 16).
[25] Apesar dos meus esforços, a escrita continua sendo a principal dificuldade da minha aprendizagem. E isso se tornou mais grave nesse quinto semestre. Tudo começou quando a professora de inglês pediu para os alunos escreverem um pequeno artigo sobre um determinado assunto. Eu fiz o texto, mas consciente que não tinha feito um bom trabalho.
No outro dia quando eu cheguei à sala de aula, deparei com o meu texto sendo avaliado pelos meus colegas. E aquilo me incomodou porque eu sabia dos meus erros. E como eu suspeitei meu texto estava com muitos erros, e vendo meus colegas apontarem meus erros foi algo bem desanimador. Desde aquele dia eu sinto receio em escrever algo em inglês e isso está sendo uma tortura. Minha motivação desmoronou de novo [...]. E fico me
perguntando se estou apta para o sexto semestre (Esther, 5ºsemestre, Diário 16).
Na interação com o novo conselheiro, foi negociada uma ação diferente para desenvolver a escrita. Porém, novamente Esther não conseguiu transformar esse planejamento em ação de forma efetiva e continuada(DÖRNYEI; OTTÒ, 1998). No último semestre de LI, sentia-se ainda bastante insegura em relação à produção textual. Após uma experiência negativa de escrita em sala de aula, comparando-a a uma tortura, observa-se a influência de fatores afetivos inibindo sua capacidade de reagir às dificuldades. Sentindo-se marginalizada em sua CoP por não alcançar o nível de fluência que almejava, optou por trancar o curso. Fatores afetivos também influenciaram a trajetória de Marília, conforme discutirei a seguir.