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3.2 Instruments de mesure

3.2.1 Questionnaire en ligne

As teorias científicas na concepção Popperiana não tratam de verdades absolutas, elas ainda não foram provadas como falsas. O conhecimento é perfectível, ou seja, pode ser sempre melhorado ou aperfeiçoado. A verdade só pode ser em última instância provisória, pertencente a essa cadeia interminável de resultados que nos aproximam da realidade. A verdade nós não a possuímos, apenas a buscamos, como já destacamos anteriormente.

Popper analisa o progresso da ciência e do conhecimento humano não pelo acúmulo de verificações ou por revolução entre lutas de teorias opostas, ele analisa a partir do ponto de vista biológico ou evolutivo, sua reflexão epistemológica incorpora elementos darwinianos e, que, por isso, deve ser analisada sob a perspectiva evolucionista, cujo método usual realiza-se através de ensaios de tentativas e eliminação de erros. A competição pela sobrevivência é latente entre as teorias. Popper comenta que

o crescimento de nosso conhecimento é o resultado de um processo estreitamente semelhante ao que Darwin chamou “seleção natural”; isso é, a seleção natural de hipóteses: nosso conhecimento consiste, a cada momento, daquelas hipóteses que mostraram sua aptidão (comparativa) para sobreviver até agora em sua luta pela existência, uma luta de competição que elimina aquelas hipóteses que são incapazes. (POPPER, 1999, p.238)

Popper vê semelhanças em sua teoria da evolução do conhecimento (tentativas e erros) com a da seleção natural das espécies, de Charles Darwin. O desenvolvimento do pensamento humano se realiza através do método de ensaio e eliminação de erro, segundo a concepção do filósofo austríaco: “Minha Logik der Forschung apresentou uma teoria do crescimento do saber por meio da tentativa e

da eliminação do erro, ou seja, por seleção darwiniana e não por aprendizado lamarckiano4” (POPPER, 1978, p.176).

Reagimos a um determinado problema de duas maneiras diferentes: acreditamos em determinada teoria e nos tornamos crentes a ela o máximo possível. Caso ela venha a ser uma teoria errônea, poderemos ser eliminados com ela.

Outra maneira de reagirmos é refutar uma teoria. Essa segunda forma é o que podemos definir de desenvolvimento do pensamento humano, pois é o modo para o crescimento da ciência e do conhecimento.

Mesmo não sendo a teoria da seleção natural das espécies de Charles Darwin científica (não é possível ser falsificável), Popper a considera indispensável para a ciência, devido ao seu valor ímpar.

A teoria da seleção natural não é uma teoria científica passível de prova, mas um programa de pesquisa metafísica; e embora esse programa seja, no momento, o melhor de que dispomos, ele pode ser talvez ligeiramente aperfeiçoado. (POPPER, 1978, p.160)

Popper ao revelar que a teoria da seleção natural pode ser ligeiramente aperfeiçoado está em harmonia com o principal objetivo da ciência, que é, cada vez mais, expandir o conhecimento, para se aproximar mais da verdade.

Apesar de Popper destacar a importância da teoria evolucionista quanto à explicação de fenômenos como, o crescimento do conhecimento científico, ele a considera insatisfatória sob diversos pontos. Um deles refere-se à explicação dada por Darwin sobre as formas orgânicas de vida, que segundo ele, somente as mais aptas sobrevivem. Enunciação esta refutada, pois sabe-se que as formas orgânicas inferiores sobrevivem há muito tempo, mesmo após as formas mais elevadas. Logo, fica difícil sustentar uma hipótese sobre a sobrevivência dos mais aptos. Para Popper, “o método de eliminação de erros não constitui uma simples luta pela sobrevivência entre indivíduos: inclui, por exemplo, o afastamento de

4 Os seres vivos incorporam em seu organismo modificações impostas pelas características do ambiente externo e transmitem

comportamentos que se revelem ineficazes para atingir um resultado particular” (POPPER, 1996, p.70). Ainda, a respeito da evolução, Popper registra uma apreciação moderada:

Na verdade, se na geração seguinte um tipo até então sobrevivente ou apto não conseguir sobreviver para além dela, é porque não se adaptou a novas condições ambientais, que se alteram de maneira constante, modificadas pelo próprio processo evolutivo. Verifica-se claramente que a aptidão é sempre relativa às condições existentes, podendo afirmar-se apenas “o que é apto aqui e agora é o que sobrevive aqui e agora”. (POPPER, 1996, p.70)

Sobre a teoria evolutiva, Popper a incorpora na concepção acerca do crescimento científico, que ele explica por meio do esquema definido por ele de “método de conjecturas e refutações ou método de ensaio e eliminação de erros”. Conforme verificaremos na apresentação do esquema abaixo:

P1 → TT → EE → P2

P1 é o problema da qual se parte, TT é a teoria para se resolver o problema inicial, EE é o processo de eliminação de erros que consiste de um severo exame crítico de nossa conjectura e P2 representa os problemas finais ou os novos problemas surgidos das soluções encontradas que emergiram das discussões e dos ensaios. Conclui-se que o crescimento do conhecimento inicia de velhos problemas para novos problemas surgidos da solução encontrada por meio de ensaio e tentativas de eliminação de erros.

CONCLUSÃO

Ao término deste estudo, após a análise das teorias de Karl Popper, esperamos ter viabilizado um olhar crítico que contribua para as discussões filosóficas em torno da tese dos três mundos e os seus desdobramentos.

Nossas considerações se estruturaram em duas partes principais: A tese dos três mundos em Karl Popper e O estatuto da tese dos 3 mundos inserida na epistemologia do racionalismo crítico, de Karl Popper, em ambas explicitamos os meandros teóricos que permeiam a proposição do filósofo austríaco.

Respeitando a ordem cronológica das publicações popperianas, apresentamos reflexões das obras referentes à tese dos três mundos e o seu desenvolvimento ao longo da vida intelectual de Popper.

No primeiro momento de nossa pesquisa, acreditávamos que o problema entre corpo - mente era uma questão unicamente metafísica. Entretanto, ao longo do estudo, constatamos a sua associação com a epistemologia popperiana – racionalismo crítico. Eis o motivo de podermos afirmar que a tese dos três mundos é uma proposição que surgiu em decorrência de outra enunciação de Karl Popper.

A tese dos três mundos rompe com a tradição filosófica, pois a solução defendida por Popper refere-se à pluralidade de realidades do mundo do conhecimento, em que o filósofo postula como a existência de três mundos, que interagem entre si. Embora Popper não aceite a solução elaborada pelos filósofos, tanto clássicos como modernos, quanto ao problema da relação entre corpo - mente, Popper declara que a sua tese, a dos três mundos, se desenvolve a partir da concepção “verdades em si mesmo”, de Bolzano (POPPER, 1999), quando o autor apresenta a distinção entre os enunciados em si mesmos e os processos mentais subjetivos.

No livro Conhecimento Objetivo, Popper registra uma advertência em relação aos estudos epistemológicos existentes, até o momento. Menciona que, apesar dos esforços dos teóricos em justificar a origem e a evolução do conhecimento, eles, ainda, não conseguiram distinguir o conhecimento subjetivo do

objetivo. Desse modo, erroneamente, tratam o conhecimento científico apenas sob a ótica subjetiva. Diante deste equívoco epistemológico, Popper expõe no livro

Conhecimento Objetivo a distinção entre o conhecimento subjetivo e objetivo. Já que

a referida distinção é condição essencial para o filósofo comprovar a existência de um terceiro mundo. Cabe destacar que, para Karl Popper, o conhecimento científico é o conhecimento objetivo.

Para Popper, o conhecimento objetivo está desvinculado do sujeito conhecedor, é, aí, onde habita o terceiro mundo, pois o conhecimento científico, as hipóteses e as teorias científicas publicadas em livros ou revistas são identificadas por ele como elementos do terceiro mundo.

Na segunda parte da dissertação, abordamos a epistemologia popperiana – o “racionalismo crítico” –, e a tese da falseabilidade empírica – que nega a indução como método confiável das análises da ciência.

Mostramos as severas críticas ao método da indução, realizadas por Popper, que considera que a indução incorre em erro. Pois, não acredita que o princípio da verificabilidade, como método científico, seja um meio confiável para demarcar o que é ciência e o que é pseudociência. Para Karl Popper, o princípio da verificabilidade é uma tentativa malograda, pois a ciência não tem como ponto de partida a observação, mas sim conjecturas. Por isto, ele propõe outro recurso científico para a demarcação científica: a “falseabilidade empírica”. Essa estratégia, segundo Popper, além de apresentar uma solução para o problema da demarcação científica, também contribui para a expansão do conhecimento. Pois se destina à reiterada substituição de teorias científicas por outras mais satisfatórias e, de acordo com o critério de falseabilidade empírica, uma proposição será científica se puder ser falsificada pela experiência.

Outra importante característica da falseabilidade empírica refere-se ao fato de ter proposto uma estratégia que fornecesse uma solução para o problema da indução de Hume, pelo menos em parte. Embora, não seja possível provar a veracidade de uma teoria através do método indutivo, pelo método hipotético- dedutivo é possível, provar a sua falsidade. Aí é que se situa a solução popperiana.

O critério de falseabilidade empírica revela uma atitude científica crítica em torno do conhecimento, não importando a verificação empírica, mas sim as provas que podem refutar a teoria em análise, que tem sustentação no processo hipotético- dedutivo de conjecturas e refutações. Segundo Popper, somente, desta forma, que o conhecimento científico poderá progredir.

Importante retomar que o objetivo do racionalismo crítico em Popper, ao propiciar a crítica constante às teses científicas, é favorecer o surgimento de novas hipóteses ou conjecturas mais ousadas e com mais conteúdos informativos na tentativa de se aproximar da realidade. Uma vez que, para Popper a ciência não admite resultados definitivos. Ela não deve trabalhar com asserções irrefutáveis que não admitam crítica, porque a ciência não é dogmática e muito menos crença. Sempre haverá a possibilidade de surgir novos fatos ou hipóteses científicas que refutem ou rejeitem teorias, que até então eram tidas como válidas.

No último capítulo, descrevemos a aproximação da epistemologia popperiana à tese darwinista, devido a semelhança teórica de Popper ao processo de seleção natural da teoria, de Charles Darwin.

Popper reconhece as influências da concepção darwinista em sua epistemologia, como a incorporação dos elementos evolutivos darwinianos nas reflexões acerca da evolução do conhecimento, pois, ele acredita que o progresso do conhecimento se apresenta através de tentativas e eliminação de erros nas hipóteses. Prevalecendo, somente, a hipótese mais forte, a que mais resistir ao critério severo de refutação.

Sob este ponto de vista, confirma-se que o progresso da ciência não se dá pelo acúmulo de verificações ou por revolução de lutas de teorias opostas. Popper analisa o progresso da ciência e do conhecimento humano sobre o ponto de vista biológico ou evolutivo.

A questão central desta dissertação destinou-se a apresentar que a tese dos três mundos não é uma dicotomia da epistemologia popperiana, mas consequência do seu racionalismo crítico.

Esta pesquisa é apenas um começo da busca pela compreensão da gênese da tese dos três mundos em Popper. Portanto, finalizamos, por ora, nossas reflexões, questionando-nos: é a tese dos três mundos uma consequência necessária da epistemologia popperiana? Será que a tese em questão é formulada para responder às dificuldades epistemológicas, ou para justificar opções epistemológicas, políticas ou qualquer interesse de outra ordem? A partir de tais perguntas, pautaremos nossos futuros estudos investigativos.

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