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Chapitre 4 : Analyse et discussion des résultats

4.1. Paramètres analytiques

4.1.4. Première Ovation 2011-2012

A participação pública no marco social comum, compartilhado entre os sujeitos, cria a consciência da identidade coletiva do ator. Dela surgem os mais fortes argumentos para explicar a atuação do agente e ator na integração.

A identidade coletiva é uma ação racional, porque o agir dos atores é guiado pela simbologia comum do grupo social, para conseguir os seus fins determinados. Em Castells, a identidade dos atores é evidentemente coletiva, construída a partir do sentido que para eles tem a cultura:

Por identidad, en lo referente a los actores sociales, entiendo el proceso de construcción del sentido atendiendo a un atributo cultural, o un conjunto de atributos culturales, al que se de la prioridad sobre el resto de las fuentes de sentido [...] desde una perspectiva sociológica, todas las identidades son construidas. Lo esencial es cómo, desde qué, por quién y para qué. (CASTELLS, 1999a, p.28-9).

A cultura é a identidade suprema e eixo numa sociedade em rede23, porque é o marco coletivo

primário de identificação, mantido no tempo e no espaço, que organiza o sentido das ações dos sujeitos.

O sentido é a identificação simbólica que os atores sociais têm do objetivo de sua ação (CASTELLS, 1999a, p.29). Inferimos, então, que os objetivos que perseguem os atores-agentes outorgam, por sua vez, o conteúdo simbólico aos sujeitos que se identificam com suas metas. Por serem os líderes de uma sociedade, os atores-agentes transferem parte dos seus imaginários, assegurando o apóio às visões, os objetivos e às lutas que propõem.

Para Castells o conceito de identidade coletiva não pode se separar do conteúdo político, porque ele reflete o posicionamento dos atores baseado no sentido da sua ação. O tipo de participação pública dos grupos e da luta pelo poder organiza três formas de identidade coletiva:

23 Sociedade Rede ou Sociedade em Rede, é o eixo da obra de Castells, quem diz que embora em outros tempos e

espaços já existia, a atual demonstra mais força de relacionamento como conseqüência do poder de expansão da tecnologia da informação, e a define como “ [...] nueva morfología social de nuestras sociedades y la difusión de su lógica de enlace modifica de forma sustancial la operación y los resultados de los procesos de producción, la experiencia, el poder y la cultura [...]” (Cf. CASTELLS, 2000, p. 505) Para mais referencias, ver as conclusões do volumem I, A sociedade Rede e do volume III Fim de Milênio.

- Identidade legitimadora. Construída pelas instituições dominantes da sociedade para se

expandir e racionalizar sua dominação frente aos atores sociais. O nacionalismo seria o exemplo principal.

- Identidade de resistência. Gerada pelos atores colocados em posições ou condições

desvalorizadas, ou estigmatizadas pela lógica dominante. Constroem campos de resistência ou sobrevivência baseados em princípios diferentes da lógica do poder. Exemplo: o feminismo.

- Identidade projeto. Os atores sociais utilizam os materiais culturais que possuem para

construir uma nova identidade capaz de redefinir a sua posição na sociedade, e assim, buscam a transformação de toda a estrutura social. O exemplo é o objetivo inicial dos zapatistas, a reivindicação do índio num contexto nacional e mundial (Castells, 1999a p. 30).24

Na identidade coletiva, a forma, a imagem e o sentido vão além da projeção dos papéis e status externos dos sujeitos, porque primeiro, descobre-se a si mesmo; segundo, busca-se a comunicação com aqueles que se considera iguais; e terceiro, em momentos específicos, luta-se tanto individual como coletivamente pela sua reivindicação.

A identidade coletiva é inseparável do acontecer histórico, especificamente da política e do Estado, e também é atingida pelo processo da transição emergente. De um lado, contribuiu para a consolidação do Estado moderno, cuja principal característica foi a centralização baseada no sentido de pertencia, de reflexão sobre as raízes culturais, criando assim uma simbologia patriótica que logrou construir identidades nacionais (CASTAINGTS, 1998) Ainda hoje, pese a investida neoliberal contra a institucionalidade estadual, a reivindicação da identidade coletiva reforça as nações e contribui com sua defesa e expansão, como os exemplos da China, da Rússia, do Japão e dos próprios Estados Unidos. Nesse processo centralizador, do passado e do presente, inibiram-se também diferentes manifestações identitárias, regionais e locais.

De outro lado, a identidade coletiva permite também o fortalecimento dos grupos sociais excluídos e, junto ao alto desenvolvimento tecnológico na era da informação, constrói as redes que pressionam o poder. A rebelião contra a homogeneização cultural e contra a proibição de direitos às minorias, quebra o monopólio do Estado na difusão dos padrões hegemônicos e uniformizadores que condicionam o comportamento da população. A reafirmação de seus valores se traduz em comportamentos cotidianos, que re-definem as instituições da vida social.25

24 Esta última forma coincidiria com a definição de Movimento Social, de AlainTouraine, quem diz que só é movimento

quando aposta á transformação cultural, política e social da sociedade.

25 Uma instituição sob os critérios da Teoria da Estruturação de Giddens (1998), se define como a rotinização das práticas

sociais com o fim de adaptar-se ao contexto espacial e temporal no qual se desenvolvem os sujeitos; terminam por criar normas, códigos e leis que ao longo da história determinam condutas sociais. Esta definição se apóia na tradição

Castells na Introdução do tomo II da Era da Informação, diz que “el proceso de globalización

tecno-económica que esta modelando nuestro mundo está siendo desafiado, e acabará siendo transformado, desde una grande diversidad de fuentes, según cultura, historia y geografías diferentes”

(CASTELLS, 1999a, p. 25) Negros, pobres, índios, mulheres, queers; resumindo, os que por muito tempo têm sido excluídos, agora questionam as rotinas históricas ; quando organizados como atores coletivos, assumem a sua identidade e lutam pela sua reivindicação. Antes, eram sujeitos que chegaram a repetir que as coisas devem ser assim, aceitando à ordem estabelecida, primeiro, por medo, depois por imposição, logo por herança e até por convicção, para poder viver sem problemas. Como Focault diz: assumindo as regras internamente e se auto-impondo o controle (Focault, 1984).

Por ser um fator que marca as dinâmicas sociais em qualquer espaço, a identidade provoca interpretações extremas sobre o seu papel atual. Em um extremo há uma ponderação otimista de seus alcances: percebe-se o triunfo da pluralidade e a confirmação da tendência a estabelecer laços solidários no mundo. Efetivamente, a manifestação pública de identidades que antes se mantinham soterradas é um passo significativo do reconhecimento da sua existência; apoiadas no avanço das comunicações, facilita-se o contato entre elas na escala mundial. Porém, a manifestação e difusão das identidades, sozinhas, não garantem a participação democrática dos grupos nos marcos do Estado nacional, e os contatos globais que desenvolvem, também não asseguram a consistência de nexos supranacionais.

No extremo contrário encontramos as interpretações conservadoras. A manifestação das identidades é concebida como fator nocivo à ordem, identificada com a permissividade de culturas estranhas para pôr em perigo a civilização ocidental, tornando-se a justificativa dos “novos bárbaros” para tirar a hegemonia democrática representada fundamentalmente pelos E.U. Um exemplo são os ensaios de Samuel Huntington (1998), ao assinalarem que os traços de identidade estão criando o cenário mundial marcado pelo “choque entre civilizações”:

El tema central de este libro es el hecho de que la cultura y las identidades culturales, que en su nivel más amplio son las identidades civilizacionales, están configurando las pautas de cohesión, desintegración y conflicto en el mundo de la posguerra fría (HUNTINGTON, 1998, p.20)

Depois aponta:

Por primera vez en la historia, la política global es a la vez multipolar y multicivilizacional; La modernización económica y social no está produciendo ni una civilización universal en sentido significativo, ni la occidentalización de las sociedades no occidentales... occidente va fenomenológica, superando certas limitações que apresentava o conceito definido desde a política, que reduzia à instituição como associações ou organizações governamentais, religiosas ou civis, ou seja, distribuindo a prática normativa em espaços diferenciados.

perdiendo fuerza relativa, las civilizaciones asiáticas están aumentando su fuerza económica, militar y política, el Islam experimenta una explosión demográfica de consecuencias desestabilizadoras... y las civilizaciones no occidentales reafirman por lo general el valor de sus propias culturas (HUNTINGTON, 1998, p.21.

Alguns atos de reivindicação cultural podem efetivamente se considerar desgastantes para a hegemonia imperial, e até ser uma efetiva ameaça em conjunturas determinadas, mas pensamos que, nestes momentos, os Estados Unidos, ainda com senhas de fragilidade, são, todavia, capazes de novas estratégias para continuar sua preponderância. Sobretudo com o sucesso do 11/09, a presença maior do militarismo estadunidense e sua tendência à homogeneização do poder pode significar a neutralização ou até a eliminação de manifestações culturais distintas ao projeto imperial.26

Pensamos, sem embargo, que a própria existência de discursos como o de Huntington, além de ser um apóio ao fortalecimento da potência é indicativo de que a nova ordem mundial está matizada pelas identidades coletivas dos povos que a confrontam, alertando ao poder hegemônico do império, embora tenha o monopólio militar no mundo.

A identidade, no contexto de globalização, apresenta componentes ambivalentes. Observa-se a padronização de condutas econômicas difundidas no mundo, no mesmo momento em que se reivindica pertencer a uma localidade. A chamada glocalização27 define essa circunstância dizendo que

para ser global é necessário se reconhecer no local. O individuo deve assumir e mostrar as suas particularidades identitárias seja gênero, etnia, religião, etc., para ser identificado mundialmente. Como diz Castells, “a oposição entre globalização e identidade está dando forma a nosso mundo e a nossas vidas” (CASTELLS, 1999a, p. 23).

Outra dualidade está presente na conformação da identidade de hoje: muitos dos componentes que aparecem como novos estão fundados em padrões anteriores à própria modernidade, como a reivindicação da pertença milenar, como os movimentos indígenas do Peru, do Equador ou o Zapatismo no México, como o nacionalismo criado por culturas anteriores aos Estados, como o redescobrimento de religiões não ocidentais; soterrados no processo de reafirmação do Estado nação se manifestam com métodos diferentes à luta política tradicional da modernidade.

As manifestações identitárias mostram diversidade nos objetivos políticos e nos métodos de luta. Relacionado aos objetivos, observamos a reivindicação pelos direitos de grupos já incorporados no Estado, movimentos operários, estudantis; movimentos libertários fundacionais como o feminismo, a

26 Império interpretado segundo fazem Hardt e Negri no seu livro de mesmo nome: uma associação das nações

hegemônicas, cuja parceria é facilitada pela tendência à globalização, embora que militarmente comandada pelos Estados Unidos. Falaremos do império na seguinte parte.

27 A glocalização é um termo adotado pelos estudos culturais da globalização, proposto desde a teoria cultural de Roland

Roberson, ( Globalization: Social Theory and Global Culture, Londres, Sage, 1992) na qual se tem a idéia do espaço local como fonte de sentidos e simbolismos humanos que interage influenciando o espaço global.

reivindicação negra ou o movimento gay; Também lutas de incorporação ao Estado com total reconhecimento de suas particularidades culturais: movimentos milenares, fundamentalmente indígenas; alguns nacionalismos europeus como catalães ou sevilhanos na Espanha. E outras batalhas identitárias pela independência dos Estados que os absorveu, por exemplo, os bascos, irlandeses ou chechenios, procurando sua própria estrutura estadual.

Concernente aos métodos de luta, utiliza-se, ainda, a estrutura partidária, mas, a grande maioria forma movimentos, sejam nacionais ou globalizados, utilizando o poder da informação atual.28 Suas

manifestações são frontais, enérgicas, contundentes para obter respostas decisivas, e os métodos de alguns não são necessariamente pacíficos, mas, diferenciando-se daquelas reivindicações através do terrorismo de nenhuma maneira justificável.

A reposta desde os poderes constituídos também variou como conseqüência das manifestações da identidade. Passou o tempo da guerra fria e o ataque ao comunismo, focalizado naquelas nações do leste europeu e em algumas outras no resto do mundo, assim contra os partidos e movimentos de esquerda no interior das nações. Hoje, são as lutas extensivas contra o terrorismo que, diferente do comunismo, mostra várias caras segundo o grupo que o reivindique.

Em resumo, a identidade coletiva é um reconhecimento de pertencia a uma comunidade, seja espacial, de símbolo, de práticas sociais, de gênero, de etnia, etc. Sobretudo, ajuda a criar o sentido dos atores, os que começam com o seu auto-descobrimento, depois procuram a comunicação com aqueles que considera iguais, para, em momentos específicos, lutar coletivamente pela sua reivindicação, representada pelos movimentos sociais. A identidade coletiva é também usada pelo Estado nacional para preservar sua liderança, e pelos grupos hegemônicos para preservar seus interesses, refletidos nas políticas oficiais.

A identidade coletiva se complementa quando realizam praticas comuns no aqui e agora, o que a sociologia fenomenológica chama de vida cotidiana, o conceito que liga a pessoa social com a sua realidade imediata. Falaremos deste último componente da identidade.