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IV. Séance n.4 le 09/02/2015

1.2. Présentation des différentes situations d’évocation rencontrées

Altas habilidades, superdotação, talento, pessoa dotada, entre outras, são conceitos utilizados com o objetivo de designar pessoas com AH/SD (ANJOS, 2011).

Virgolim (2009) afirma que uma das áreas de maior discussão, no campo de estudos referentes às AH/SD, diz respeito à conceituação da superdotação, principalmente quando se salienta o conceito de inteligência.

Afirmam Freitas e Barrera Pérez (2010, p. 20): “existem diversas definições de AH/SD, pois há diferentes concepções sobre inteligência e esses são dois conceitos que estão muito vinculados”. Definir quem é o indivíduo superdotado tem sido uma seara de vasta discussão, o mesmo se verifica, também, na utilização da terminologia empregada.

Alencar e Fleith (2001, p. 153) constataram “uma diversidade de termos para se referir ao aluno que se destaca por um potencial superior” em diferentes países, como, por exemplo, na Austrália, cuja preferência é pelas expressões “habilidades especiais” e “alunos mais capazes”; na China, que utiliza o termo “supernormal”; na Indonésia, designa-se “crianças excepcionais”; na Inglaterra, “alunos mais capazes (more capable) ou altamente capazes (highly

able)”; nos Estados Unidos, existe uma variedade de termos para fazer referência aos participantes de programas especiais, entre eles “gifted, usualmente traduzido por superdotado pelos autores brasileiros” e, em Portugal os acadêmicos reconhecem o termo “sobredotado” (grifos das autoras).

Os termos comumente utilizados no Brasil, conforme Sabatella (2005, p. 61), foram adotados por influência dos Conselhos Internacionais. “Altas Habilidades” é proveniente do Conselho Europeu para Altas Habilidades (European

Council for High Hability - ECHA); “Superdotado ou Talentoso”, do Conselho Mundial para Crianças Superdotadas e Talentosas (World Council for Gifted and Talented

Children - WCGTC) e “Superdotação”, da Federação Ibero-Americana – Ficomundyt

(Federación Iberoamericana del World Council for Gufted and Talented Children).

Superdotação, termo bastante empregado no Brasil, requer algumas considerações. De acordo com Rangni e Costa (2011, p. 469), foi Leoni Kaseff, em 1929 e 1931, que usou pela primeira vez o prefixo ‘super’, relacionado ao

superdotado, para nomeá-lo em suas publicações. Para os teóricos, o referido prefixo “tão incongruente e mal traduzido do original [em] inglês”, não expressa a real condição da pessoa com características de AH/SD, e “possivelmente adquiriu força no momento de construir ou adotar um termo” (RANGNI; COSTA, 2011, p. 469).

Alencar e Fleith (2001, p. 154), por sua vez, afirmam “não se encontrar na literatura norte-americana o termo supergifted que seria o mais próximo daquele que utilizamos com frequência no Brasil”. Constataram, também, que os termos “superdotado” e “talentoso” têm sido utilizados “como sinônimos por muitos especialistas norte-americanos da área”.

Ao falar de alunos “mais capazes e dotados”, Guenther (2006a, p. 69) afirma: “as diversas expressões de talento e capacidade humana, que originam necessidades educativas diferenciadas, são englobadas sob termos genéricos e vagos, como superdotação ou altas habilidades” (grifo da autora).

Essa autora ressalta, também, que na área de Educação Especial “[...] conceitos pouco assentados leva à adoção de termos imprecisos, ou impróprios, que geram combinações esdrúxulas para expressar ideias complexas, tornadas ainda mais confusas nas variadas traduções e interpretações” (GUENTHER, 2006a, p. 69).

Conforme Freitas e Barrera Pérez (2009, v. 1, p. 13), com o aumento da propagação dessa temática, “principalmente na mídia popular, também se tem constatado a confusão da concepção de AH/SD com a ideia de "precocidade" ou mesmo "criatividade", e isso tem contribuído para a divulgação de informações sem embasamento teórico”.

No Decreto nº 7611/11 – casa civil, que dispõe sobre a Educação Especial e o atendimento educacional especializado, encontra-se no Art. 2º a seguinte determinação: “A educação especial deve garantir os serviços de apoio especializado voltado a eliminar as barreiras que possam obstruir o processo de escolarização de estudantes com [...] altas habilidades ou superdotação”. (BRASIL, 2011, p. 1, grifo nosso). Nesse texto de lei, como se vê, trata-se de altas habilidades ou superdotação.

A própria legislação reconhece a existência de conceitos variados e usa ora a expressão altas habilidades, ora o termo superdotação. Encontram-se, por vezes, as mesmas expressões separadas por barra – altas habilidades/

superdotação – e, ainda, conforme o Decreto nº 7611/11, o registro da conjunção ou, para indicar a possibilidade da utilização dos termos isoladamente.

Para Rangni e Costa (2011), a utilização do termo superdotado tem- se configurado no sistema, em razão de seu uso nos documentos e ações políticas e educacionais. Como se tem visto nos documentos oficiais, essa é uma das terminologias mais usadas (BRASIL, 2008, 2009, 2011).

Para alguns teóricos, entretanto, as terminologias utilizadas não representam dificuldades. Barrera Pérez (2008, p. 23), por exemplo, considera que “não há diferenças qualitativas” entre os conceitos “Superdotação, Altas Habilidades e Talento”, e adota a expressão Altas Habilidades/Superdotação considerando as convenções do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD).

Quanto aos termos gênio e genialidade, que também aparecem nas tentativas de definições de pessoas com altas habilidades/superdotação, a literatura aponta aqueles raros sujeitos que se destacam entre os melhores em áreas específicas, tanto do conhecimento, como de artes, habilidade psicomotora, entre outras. São aqueles poucos que “deixam sua marca na história” (VIRGOLIM, 2007a).

Gênio, na versão eletrônica do dicionário Aurélio, significa: dotado de “[...] altíssimo grau de capacidade mental criadora, em qualquer sentido; indivíduo de potencial intelectual incomum” (FERREIRA, 2004). No dicionário Houaiss (2004, p. 368), encontra-se a seguinte definição: “[...] aptidão natural para algo, dom; extraordinária capacidade intelectual, criativa”.

O conceito de genialidade permeia também o imaginário das pessoas que o associam à superdotação. Entretanto, conforme a literatura na qual se respalda este estudo consideram-se como gênios aquelas pessoas que trouxeram contribuições significativas para a humanidade (VIRGOLIM, 2007a; CHACON; PAULINO, 2011). Ou seja, associar a superdotação à genialidade é possível, no entanto os termos não são sinônimos. Todo gênio possui características de superdotação, mas não o inverso.

Já o termo talento, bastante citado quando se quer falar sobre superdotados, no dicionário Houaiss (2004, p. 705), indica “inteligência notável, que se afirma por méritos excepcionais. Capacidade inata ou adquirida”. Esse substantivo, realmente, abarca as pessoas com altas habilidades/superdotação, elas são talentosas, entretanto restringe-se o conceito.

Conforme Delou (2001, p. 24), foi no contexto latino que se formou a concepção do que é dote: “o dote eram os bens que a mulher levava ao casar-se e aquele que possuía o dote era dotado”. Já no contexto grego “formou-se a ideia de

talento”, correspondente ao vocábulo latino, que designa a “moeda da antiguidade grega e romana e aquele que possuía talento era talentoso”.

Segundo a estudiosa, esses termos ganharam novos significados ligados à inteligência. Enquanto dote é conceito associado aos dons naturais, talento passou a ter um sentido relacionado às capacidades adquiridas. Nesse sentido, ainda de acordo com ela, a ideia que o termo talento representa teria uma amplitude maior que o do dote, uma vez que esta contempla apenas a aptidão natural, ao passo que aquela abarcaria tanto a natural quanto à adquirida.

Lima (2011, p. 58) encerra a discussão afirmando:

Por mais que cada termo apresente peculiaridades na sua conotação, esta se torna uma discussão salutar quando todos estão em busca da identificação e, por conseguinte, das melhores estratégias de encaminhamento para este alunado, em todos os níveis de ensino. Oferecer ao aluno com altas habilidades/superdotação uma educação de qualidade vai muito além da questão terminológica.