4.2.2 …qui n’induisent pas nécessairement de l’interdisciplinarité
4.3 Posture méthodologique et approche du terrain
O adro da Igreja era, até esta altura, o único espaço sepulcral do Convento do Carmo que não tinha sido alvo de nenhuma intervenção arqueológica, pois todos os restantes locais de enterramento, localizados no interior da Igreja (as naves central e laterais, o transepto e as diversas capelas), haviam sido, pelo menos, investigados (Ferreira, 1999 citado por Benisse, 2005; Lopes e Cardoso, 2000).
A intervenção decorreu entre os dias 2 de Agosto e 28 de Dezembro desse ano (Marques, 2004 citado por Benisse, 2005). Embora haja incidido apenas na área de construção da nova escadaria (Codinha, 2002 citada por Benisse, 2005), durante a intervenção foram postos a descoberto e exumados vestígios osteológicos correspondentes a 150 inumações primárias e a 19 ossários.
O estudo paleoantropológico de uma amostra de 50 esqueletos não-adultos dos vestígios antropológicos exumados do Largo do Convento do Carmo, em Lisboa, que datam do período entre o século XVI a meados do século XVIII, foi o foco deste trabalho.
O estado de conservação dos esqueletos foi medido com base em Dutour (1989) e Garcia (2005/2006). Os autores dividiram o esqueleto em 44 partes (mas aqui optou-se por dividi-lo em 45 porque se achou por bem fazer a distinção entre costelas direitas e esquerdas). Obteve-se um ICA Geral de 27,77%, considerado um índice muito baixo.
Na amostra da Necrópole do Loteamento da Zona Poente de Serpa, embora o índice de conservação anatómico tenha sido feito por presença e ausência de peças individuais o seu índice de conservação ou de peças presentes foi de 48,31% (Ferreira, 2003). Garcia (2007) na amostra de não-adultos obteve um Índice de 49%.
Em 1980, Buikstra e Cook, resumiram os estudos dos não-adultos como tendo tendencialmente sido prejudicados pela má preservação do material, pela falta de recolha desse material e pelo facto das amostras serem diminutas. Mas apesar de todas estas contrariedades apontadas, eles acharam que cada vez mais os investigadores se estavam a aperceber da verdadeira importância do estudo de material não-adulto para a determinação do quadro geral de uma população (Buikstra e Cook, 1980 citados por Lewis, 2009).
8.2. Parâmetros Paleodemográficos
A descrição dos parâmetros demográficos como a idade e o sexo, que quando recolhido um grande número de dados de um também extenso número de esqueletos, é possível ter uma visão geral dos padrões de mortalidade, assim como, da composição demográfica da população. A estimativa da idade à morte dos não-adultos permite analisar os padrões de crescimento das crianças, sendo que estes são os não-sobreviventes, através da comparação dos dados obtidos com outras populações (Mays, 1998).
Na estimativa de idade à morte dos 50 indivíduos da amostra apenas foi possível estimar a idade à morte de 40 indivíduos. A amostra foi distribuída por 5 classes de idades: 1 - Feto aos 11 meses (15%); 2 - 1 ano aos 5 anos e 11 meses (37%); 3 - 6 anos aos 9 anos e 11 meses (13%); 4 - 10 anos aos 13 anos e 11 meses (25%); 5 - 14 anos aos
17 anos (10%). O maior número de indivíduos situam-se na classe 2 (37%) altura que coincide com o deixar da amamentação e a mudança de alimentação, e na classe 4 (25%) que coincide com a entrada para o mundo do trabalho ou até mais cedo, segundo algumas fontes, pelo que pode não ser assim tão linear.
Na série de Raunds Furnells (850-1100 d.C., contexto rural - baixa idade medieval) os indivíduos, pré-termo representam 16%, os recém-nascido aos 0,5 meses - 16%, os dos 0,6 meses aos 2,5 anos - 27%, os dos 2,6 anos aos 6,5 anos - 18%, os dos 6,6 anos aos 10,5 anos - 13%, os dos 10,6 anos aos 14,5 anos – 8% e os dos 14,6 anos aos 17 anos – 3% (Lewis,2002).
Na série de St. Helen-on-the-Walls (950-1550 d.C., contexto urbano - tardia idade medieval) os indivíduos Pré-termo representam 3,5%, os Recém-nascido aos 0,5 meses - 5%, os dos 0,6 meses aos 2,5 anos - 23%, os dos 2,6 anos aos 6,5 anos - 16%, os dos 6,6 anos aos 10,5 anos - 25%, os dos 10,6 anos aos 14,5 anos – 8,5% e os dos 14,6 anos aos 17 anos – 3,5% (Lewis,2002).
Na série de St. Helen-on-the-Walls (950-1500 d.C., contexto rural - tardia idade medieval) os indivíduos Pré-termo representam 10%, os Recém-nascido aos 0,5 meses - 15%, os dos 0,6 meses aos 2,5 anos - 23%, os dos 2,6 anos aos 6,5 anos - 28%, os dos 6,6 anos aos 10,5 anos - 15%, os dos 10,6 anos aos 14,5 anos – 4% e os dos 14,6 anos aos 17 anos – 4% (Lewis,2002).
Na série de Christ Church, Spitalfields (1729-1859 d.C., contexto industrial - pós- medieval) os indivíduos Pré-termo representam 9%, os Recém-nascido aos 0,5 meses – 21,5%, os dos 0,6 meses aos 2,5 anos - 44%, os dos 2,6 anos aos 6,5 anos - 13%, os dos 6,6 anos aos 10,5 anos - 6%, os dos 10,6 anos aos 14,5 anos – 3% e os dos 14,6 anos aos 17 anos – 3% (Lewis,2002).
A amostra de 77 indivíduos da LZPS (sec. XIII-XVII - rural) como não estava distribuída por classes de idades foi distribuída pelas 5 classes de idades que defini para a analise da minha amostra estudada: 1 - Feto aos 11 meses (14%); 2 - 1 ano aos 5 anos e
11 meses (63%); 3 - 6 anos aos 9 anos e 11 meses (18%); 4 - 10 anos aos 13 anos e 11 meses (4%); 5 - 14 anos aos 17 anos (1%) (Ferreira, 2005).
A amostra dos não-adultos exumados da necrópole da Zona de Loteamento Poente de Serpa (secs. XIII-XVII - rural) encontrava-se dividida da seguinte forma, indivíduos com menos de 2 anos – 20%, indivíduos de 2 a 4 anos – 50%, e indivíduos com mais de 4 anos – 30% da amostra (Ferreira, 2000).
Relativamente às outras séries amostra estudada tem um valor de 15%, um valor equiparado quando comparado com a série de Raunds Furnells, 16% (Lewis,2002), a série de St Helen-on-the-Walls (950-1500 d.C., contexto rural - tardia idade medieval) 15% (Lewis,2002) e a amostra de LZPS, 14% (Ferreira, 2005) e a amostra dos não- adultos exumados da necrópole da Zona de Loteamento Poente de Serpa,indivíduos com menos de 2 anos – 20%(Ferreira, 2000). Mas relativamente à série de St. Helen-on-the- Walls 950-1550 d.C., contexto urbano - tardia idade medieval), 5% (Lewis,2002), à série de Christ Church, Spitalfields, 1,5% (Lewis,2002) é consideravelmente mais alta a sua prevalência.
Tendo em conta os números apresentados apenas na idade moderna (séculos XVI- XVIII) é que os números da mortalidade infantil sobem porque as populações deslocam- se em massa para as cidades e os grandes aglomerados de pessoas a juntar às poucas condições de higiene e salubridade é o sitio local para criação de patogénicos que vão afectar os mais frágeis, neste caso os não-adultos.