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B. En droit pénal 1. La culpabilité

IX. La pluralité de responsables A. En droit civil

1. La participation principale et accessoire à l’infraction intentionnelle

Se o sagrado e o profano fossem concebidos de formas isoladas, como apresentou o Mestre de Cerimônia da lavagem da Madeleine e que reproduzimos no primeiro capítulo desta tese, o desfile não teria um sentido – qualquer que fosse o sentido dado. A manifestação sacro-profana do desfile, sim, nos interessa. Ora privilegiando o sagrado, ora o profano, esta manifestação que encerra a festa da lavagem da Madeleine e permite os mais diversos acontencimentos culturais, é a amostra das manifestações sacro-profanas que propomos pesquisar no lugar sagrado espetacularizado.

Previsto sempre para o último dia, o deslife, ou cortejo, é a preparação para o fechamento da festa sacro-profana da lavagem das escadarias da Madeleine. O ritual envolve vestuário, ritmo, fé, sons, esforço físico, esforço intelectual, crença, enfim, uma série de atributos físicos e abstratos. De início, a preparação começa com a figura mítica da baiana, vestida como tal. Concentradas num espaço do mercado brasileiro, diferentes gerações de baianas são preparadas para dar início ao cortejo e iniciar as festividades do domingo, último dia da festa. Nas figuras 37 e 38 observamos uma baiana dando o pontapé inicial do cortejo com a mesma bandeira carregada na entrada e saída da missa ecumênica.

Figura 37 – Representação da baiana – indumentária e reflexo de uma manifestação cultural.

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Fonte: Trabalho de Campo. Registro: Autor (2016).

Figura 38 – Início do cortejo, momento em que as baianas e o Pai de Santo fazem um rito simbólico de abertura das festividades do dia.

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Com a abertura da festa no último dia, iniciou-se a concentração das batucadas e grupos de dança que fariam o desfile com as mais diversas apresentações, entre sons e danças. Organizada em grupos médios e pequenos, a disposição dos participantes dão cores à manifestação, semelhante aos desfiles carnavalescos.

Figura 39 – Grupos de batucadas e danças que realizaram o cortejo.

Fonte: Trabalho de Campo. Registro: Autor (2016).

Utilizando-se do arcabouço teórico de Claval (2008), podemos afirmar que este momento da festa, de manifestações sacro-profanas com as batucadas e as danças, revela algo tão sagrado quanto à realização de uma missa numa igreja. É na dança, parafraseando o autor, que nos liberamos do mundo profano, ou seja, do mundo em que vivemos, o mundo real e tangível aos nossos sentidos, para nos transportarmos ao mundo sagrado dos deuses. Neste

momento, a divindade se revela e os cultos de origem africana, como o candomblé no Brasil, nos conduzem a uma transe, atingindo a sacralidade do momento.

Cria-se, deste modo, um novo lugar, recriado de sua concepção inicial a partir de uma rede – de pessoas, de interesses, etc. Assim como afirma Di Méo (2001), “Ce réseau confere à chaque territoire un sens nouveu” (DI MÉO, 2001, p.7)60. Este novo senso territorial transporta o lugar da festa original, em Salvador, para aquela festa em Paris, tornando-se um lugar forjado a partir da recriação da festa, embora de maneira espetacularizada.

Por ser uma manifestação sacro-profana, e como dissemos anteriormente, da alternância do sagrado e do profano, novamente a festa foi palco de ativismo político. Desta vez, a “transgressão” da festa tentou ser contida pelos organizadores, entretanto o tamanho do manifesto não possibilitou silenciar as pessoas que foram ao local com o sentido profano, do mundo real, conforme verificamos na figura abaixo.

Figura 40 – Manifestações políticas durante a festa.

Fonte: Trabalho de Campo. Registro: Autor (2016).

A manifestação política “Fora Temer” teve repercussão entre brasileiros presentes na festa, com uma maioria apoiando o “pedido” e uma minoria o criticando, e entre franceses e demais estrangeiros que, movidos pela curiosidade humana, queriam saber o significado da manifestação. Assim, o cortejo que se iniciou nos arredores da Igreja da Madeleine e chegou até o templo religioso, dando diversas voltas no entorno da igreja, assim como o cortejo original da lavagem do Senhor do Bonfim, terminou com uma grande aglomeração de participantes, pessoas que estavam de passagem na região e, claro, os manifestantes que fizeram um grande volume no desfile, sem prejudicar o andamento e a beleza da festa.

Na entrada da Igreja, os grupos foram chegando e adentrando ao templo, fazendo uma última apresentação ao público que se aglomerava na frente da Madeleine para participar dos últimos instantes do desfile (figura 40).

Figura 41 – Instantes finais da lavagem: canto, missa campal e lavagem das escadarias.

O último ato do desfile foi a chegada dos grupos que participaram do cortejo e o início da preparação da lavagem das escadarias da Madeleine, o ápice e objetivo da celebração. Neste momento, uma breve missa campal foi realizada pelo Padre da Igreja da Madeleine, algumas palavras foram proferidas pelo Pai de Santo e por um dos organizadores da festa. Caetano Veloso, assim como todos os cantores convidados de anos anteriores, participou da atividade e antes da lavagem iniciar, cantou o Hino do Senhor do Bonfim, uma espécie de música-oração. A letra deste hino, que evoca a glória, a graça divina, a justiça, a festa, dentre outros aspectos, ressalta o estado da Bahia. Mesmo o indivíduo que não mantém nenhum vínculo afetivo-cultural com o Brasil, a Bahia ou a língua portuguesa, percebe a capacidade potencializadora deste momento sacro-profano da festa. A música consegue evocar os sentimentos mais íntimos do coletivo presente nas escadarias e ao redor, cantando uníssono o hino.

Como em um ato final de uma peça teatral, o Pai de Santo inicia o ritual da lavagem das escadarias jogando pequenas quantidades de água de cheiro em trechos da escada e as baianas se encarregam de realizar o trabalho mais sagrado da festa: lavar as escadarias e cumprir o seu papel histórico e religioso. Embora seja o ato final do ritual, a festa, que faz dela mesma uma festa espetacularizada, continua com algumas atividades profanas no espaço reservado ao mercado brasileiro, com música eletrônica, uma banda de samba e o término do dia das vendas dos estandes gastronômicos.