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Les paramètres de la pratique alternative pour comprendre les personnes

CHAPITRE II : CADRE ANALYTIQUE

2.4. Les paramètres de la pratique alternative pour comprendre les personnes

De acordo com Fleming (1993), o movimento de autonomia enquadra-se num desejo, numa pulsão natural do adolescente, decorrente de um desenvolvimento saudável. Apesar de ser diferente consoante o contexto e particularidades do indivíduo, obedece na generalidade a um conjunto de características comuns, de onde se salientam os aspetos narcísicos envolvidos na separação, a importância da separação física e os comportamentos exploratórios e de relacionamento com o outro.

Esta realidade foi estudada com maior incidência nos anos 60 com o Modelo Circunflexo do Comportamento Parental de Schaefer (1961) que começou por abordar os estilos educativos e o grau de independência em relação aos pais em função das dimensões Autonomia vs Controlo e Amor vs Hostilidade.

A manifestação do desejo de se tornar indivíduo implica um corte com a autoridade, seja parental ou de outra ordem, remetendo para aspetos conflituais da dinâmica relacional, profusamente apresentadas nas teorias psicanalíticas sobre o desenvolvimento infantil.

Destacamos com especial relevância a Autonomia Emocional. Esta advém de um estado mais avançado da autonomia, ligado sobretudo à capacidade de resistir à pressão do outro (Somollar-Volpe, 1981).

Implica o facto de desenvolver estratégias pessoais que lhe permitem expressar as suas emoções na sua relação com os outros, aceitando como importantes para o desenvolvimento pessoal tanto os sentimentos positivos como os negativos (Greenberg, 1993).

Neste contexto entendemos a autonomia como, um conjunto de atividades que são desenvolvidas com o objetivo de viabilizar um resultado que se assume como a independência.

A autonomia, para ser um processo de desenvolvimento, tem de ser uma conquista, um risco e um ganho maturativo que implica o sentido e o exercício da responsabilidade (Fleming, 1993)

56 Autonomia Emocional - relaciona-se com as emoções, sentimentos pessoais e a forma como nos relacionamos com as pessoas que nos rodeiam, a forma como fazemos a gestão da individualidade na relação com os outros, a procura de soluções próprias, independentemente das opiniões da família, cuidadores ou grupo de amigos; insere-se também na capacidade de decidir, tomar opções.

Autonomia de Valores - refere-se a assunção de atitudes e pensamentos mais abstratos independente do pensamento dos pares, ligando-se diretamente à espiritualidade, convicções políticas e opções morais.

Autonomia Comportamental - prende-se com a capacidade de tomar decisões e de lhes dar continuidade (por meio de ações concretas). Este tipo de autonomia mais operacional poderá seguir uma proposta adaptada de Hopson y Scally, (1981) podendo efetuar-se uma subdivisão em:

Gestão do Quotidiano (Organização de horários – refeições; atividades laborais, escolares, desportivas e de lazer; responsabilidades);

Higiene, Saúde e Organização (Higiene pessoal; saúde; limpeza, arrumação e organização dos espaços domésticos);

Tratamento de Roupa (Análise e conhecimento das etiquetas; lavagem nos diversos programas, detergentes e amaciadores; engomar diversos tipos de roupa);

Alimentação (Gestão da Dispensa; plano alimentar semanal; confeção das refeições, incluindo sopas, pratos de carne e peixe, saladas, sobremesas; apresentação de uma mesa);

Transportes (Análise de mapas das principais cidades, mapa de Portugal, pontos cardeais; orientação face ao globo terrestre (Internet); provas de orientação em cidade e no exterior; transportes locais e Gestão da dispensa; plano alimentar semanal; confeção das refeições, incluindo sopas, pratos de carne e peixe, saladas, sobremesas; apresentação de uma mesa não locais: rede de autocarros, comboios e Metro, rede de expressos);

Preenchimento de Impressos e Análise de documentos (Obtenção da documentação essencial, para que serve e forma de utilização; técnicas de procura de emprego);

Poupança (Gestão de recursos económicos, prioridades de despesas, poupança, abertura e gestão de conta bancária);

Gestão de Recursos (Gestão de dinheiro, depósitos, levantamentos, juros, comissões bancárias, aluguer e compra de habitação, fiadores e garantias; gestão de contratos, arrendamentos de espaços/casas, água, gás, eletricidade, telefone);

57 Em qualquer altura do desenvolvimento podemos promover competências de autonomia desde que associadas às capacidades e competências específicas de cada criança/jovem.

6. ECOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

As novas reformulações do modelo ecológico do desenvolvimento humano, realizadas por Bronfenbrenner e Morris (1998), inclui uma nova forma de olhar as propriedades da pessoa em desenvolvimento.

Bronfenbrenner faz também críticas à sua primeira abordagem, em relação à ênfase demasiada nos contextos de desenvolvimento, deixando a pessoa em desenvolvimento num segundo plano.

O novo modelo que em vez de ecológico passa a ser chamado de bioecológico tende a reforçar a ênfase nas características biopsicológicas da pessoa em desenvolvimento.

Outro aspecto proposto no novo modelo é o construto teórico “processos proximais”, entendido como “formas particulares de interação entre organismo e ambiente, que operam ao longo do tempo e compreendem os primeiros mecanismos que produzem o desenvolvimento humano” (Bronfenbrenner; Morris, 1998, p. 994).

No modelo bioecológico, são reapresentados quatro aspectos multidirecionais inter- relacionados, o que é designado como modelo PPCT: “pessoa, processo, contexto e tempo”.

Pessoa: refere-se ao fenómeno de continuidades e mudanças na vida do ser humano em desenvolvimento, no decorrer da sua existência. A abordagem reformulada ressalta a importância de se considerar as características do indivíduo em desenvolvimento, como suas convicções, nível de atividade, temperamento, além das suas metas e motivações.

Processo: tem a ver com as ligações entre os diferentes níveis, constituído pelos papéis e atividades diárias da pessoa em desenvolvimento. Para se desenvolver intelectual, emocional, social e moralmente um ser humano, criança ou adulto, requer - para todos eles, a mesma coisa: participação ativa em interação progressivamente mais complexa, recíproca com pessoas, objetos e símbolos no ambiente imediato.

58 Para ser efetiva, a interação tem que ocorrer numa base bastante regular em períodos estendidos de tempo. Tais formas duradouras de interação no ambiente imediato referem-se a processos proximais (proximal process).

Contexto: quando o autor fala em contexto de desenvolvimento, está a referir-se ao meio ambiente global em que o indivíduo está inserido e onde se desenrolam os processos desenvolvimentais. Os vários ambientes subdivididos pelo autor, abrangendo tanto os ambientes mais imediatos nos quais vive a pessoa em desenvolvimento, como os mais remotos, em que a pessoa nunca esteve, mas que se relacionam e têm o poder de influenciar o curso de desenvolvimento humano. Esses ambientes são denominados micro, meso, exo e macrossistemas, que mais à frente serão abordados.

Tempo: pode ser entendido como o desenvolvimento no sentido histórico ou, na forma como ocorrem as mudanças no decorrer dos tempos, devido às pressões sofridas pela pessoa em desenvolvimento.

Para Bronfenbrenner e Morris (1998), os eventos históricos podem alterar o curso de desenvolvimento humano, em qualquer direção, não só para indivíduos, mas para segmentos grandes da população. A passagem de tempo em termos históricos tem efeitos profundos em todas as sociedades.

Pequenos episódios da vida familiar, como a entrada da criança na escola, o nascimento de um irmão ou a mudança de trabalho dos pais, podem ter significativa influência no desenvolvimento das pessoas da família num dado momento das suas vidas.