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“O diretor de turma é o professor que acompanha, apoia e coordena os processos de aprendizagem, de maturação, de orientação e de comunicação entre professores, alunos e pais.”

(Marques, 2002)

A direção da turma do 10º AGD2, foi uma tarefa realizada lado a lado com o PC, o diretor titular. Desde o primeiro momento ele acompanhou-me em

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todas as tarefas e contactos com os encarregados de educação, prevenindo- me, também desde o primeiro dia, para a crescente autonomia que era sua intenção dar-me neste processo.

Roldão (1995) advoga que a função do DT incorpora um conjunto de vertentes de atuação que correspondem a diversos interlocutores, nomeadamente os alunos, professores e Encarregados de Educação. Desempenha, junto dos professores da turma, uma função de coordenação e de mediação entre a ação dos professores e os restantes atores envolvidos no processo educativo.

O DT desempenha assim um papel de dupla valência: ser docente e ser gestor.

São os professores os principais agentes de desenvolvimento curricular das suas disciplinas na medida em que é a eles que é dada a responsabilidade de dinamizar o currículo, adequar as atividades, estratégias e metodologias adequadas às características singulares de cada uma das turmas e de cada um dos alunos. O papel do DT centra-se na orientação destes processos, levando todos os docentes a dirigirem-se rumo aos mesmos objetivos educativos.

Ainda segundo Roldão (1995), a coordenação do DT não pode dissociar- se da consideração de um conjunto de problemas que cabem ao desenvolvimento curricular, como por exemplo: a estruturação das atividades como uma unidade coerente, adequada às características e necessidades da turma; a definição de prioridades curriculares no sentido do contexto socioeconómico e cultural dos alunos bem como do seu percurso académico anterior; o estabelecimento consensual do perfil de cada aluno e a clarificação das atitudes e valores a desenvolver por todos, para que sejam evitadas indesejáveis contradições.

Todos estes aspetos foram corroborados por nós ao longo do ano, sendo que as funções onde a minha intervenção teve mais peso tomaram lugar na organização de todos os documentos referentes aos alunos, marcação e justificação de faltas, contactos com os Encarregados de Educação, quer nos horários de atendimento quer nas reuniões de final de período, a resolução de qualquer tipo de problema ou inconveniente entre os professores da turma ou entre os professores e os alunos e acima de tudo a relação com os mesmos.

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O ano letivo iniciou-se, na direção de turma, pela reunião de professores que é presidida pelo DT. Desde o início acompanhei o PC nesta tarefa, auxiliando-o em todos os aspetos, sendo que decidimos, desde o primeiro momento, realizar em todas as reuniões de professores (de avaliação e intercalares) um documento em que enumerássemos os pontos - positivos e negativos - indicados pelos professores, respeitantes a cada um dos alunos para que assim possuíssemos uma base de dados da qual pudéssemos usufruir nos atendimentos individuais aos Encarregados de Educação. O que ao longo do ano se mostrou bastante vantajoso e útil. Aponto também como uma das primeiras tarefas desenvolvidas por mim a criação do dossier da direção de turma.

Este dossier acabou por ser tornar a central de informação do DT. Criei uma ficha de atendimento para cada aluno (ANEXO VII), onde era possível assinalar as visitas dos Encarregados de Educação ao colégio e demarcar os assuntos tratados, sendo posteriormente assinada por ambos. Nesse dossier constavam, ainda, as informações base dos alunos, das quais são exemplos a seriação dos mesmos através dos números e nomes completos, as fotografias bem como os nomes e contactos dos pais e Encarregados de Educação.

Para além destes documentos de finalidade mais prática no decorrer do ano letivo, era também neste mesmo dossier eram, também, arquivadas as atas de todas as reuniões da turma (reuniões de avaliação; reuniões intercalares e reuniões de Encarregados de Educação), documentos formais do colégio; avisos; legislação; e também as notas dos testes de avaliação que iam sendo realizados ao longo do ano em todas as disciplinas, para que assim pudéssemos garantir a informação mais completa possível aos Encarregados de Educação.

O horário de atendimento envolvia que estivéssemos presentes, duas vezes por semana, durante trinta minutos na sala de atendimento do Colégio, garantindo a nossa disponibilidade para contactar com os pais e Encarregados de Educação.

Efetivamente, ao longo do ano fui-me apercebendo que existia alguma transversalidade no que diz respeito à dificuldade encontrada pelo DT em criar e manter contacto e relações de cooperação com os Encarregados de Educação dos alunos de rendimento inferior, o que é corroborado por

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Arfwedson et al. (1983), quando o justifica através da frequente atitude séptica desses pais perante a escola.

Desta forma, aqueles com quem sentíamos mais necessidade de falar eram os mesmos com quem mantínhamos menos contacto, sendo esse, por diversas vezes, completamente nulo. O contacto com os Encarregados de Educação desses alunos, implicava, quase sempre, a transmissão de mensagens negativas e um pouco desanimadoras, o que era agravado pelos longos períodos de tempo que permanecíamos sem comunicar. No entanto, aprendi com o meu PC que, por mais negro que o panorama se afigurasse, existem sempre aspetos positivos que podemos – e devemos – salientar, mesmo em relação aos alunos mais difíceis. Arfwedson et al. (1983) acrescenta ainda que quantos mais frequentes e confidenciais forem os encontros com estes pais/Encarregados de Educação, maiores são as possibilidades de criar oportunidade de partir dos fatores positivos e de os desenvolver, cooperativamente. Desta forma, como refere o mesmo autor “A

função do professor, em relação aos pais é estabelecer, consequentemente, uma relação de ajuda: procurar compreender o que os pais querem e desejam em relação aos seus filhos e trabalhar para a realização destes desejos, tanto quanto possível dentro do espírito da escola democrática.” (1983, p. 86).

Neste sentido, foi desde cedo que me apercebi da relação intimista que o Colégio pretende estabelecer com as famílias, com os pais e Encarregados de Educação, como está aliás bastante claro no PE, uma relação extremamente próxima e de cooperação máxima: “Somos uma expressão

concreta da liberdade de aprender e ensinar e do direito da família a orientar a educação dos filhos” (p.10).

O maior encarregado de espelhar e transmitir esta atenção especial aos pais é exatamente o DT. A função do DT é muito mais do que institucional. Muitas vezes despendi mais do que o tempo do horário de atendimento. A preocupação com os alunos, com o seu desenvolvimento e formação pessoal é um “trabalho a tempo inteiro”. Junto do meu PC, não poucas vezes dedicamos tempo das nossas aulas para dedicar à direção de turma, ao diálogo com os alunos.

O carinho que eu nutria pela minha turma fixa encontrou-se, durante todo o ano letivo, em crescendo, e muito disso se deveu também à minha

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participação na direção de turma. Ao longo do tempo criei um laço tão forte com cada um deles, que cada vez mais o tempo de permanência no pavilhão, no final da aula, ia aumentando. Falávamos sobre tudo. Dificuldades na escola, problemas nos clubes, no treino, problemas familiares e entre os amigos… entre nós não havia restrições. Senti que me tornara o alicerce de muitos deles. Um porto onde sabiam que encontrariam alguém que os ouvisse e compreende-se e também que tivesse sempre uma palavra para dar no final, quer fosse positiva ou negativa.

Considero que um DT que não se envolva no processo até ao ponto de conhecer a individualidade, a pessoa de cada aluno, não concretizará a sua função da mesma forma e com tanto sucesso como o faria caso se apropriasse desse conhecimento. Os alunos apreciam um Professor que se mostre interessado, que os procure, que se preocupe e os proteja. Foi através da tentativa da transmissão destes sentimentos que me aproximei dos meus alunos e foi assim que nos conquistamos mutuamente.

Paralelamente, segue a liderança da “equipa pedagógica”, tarefa essa da qual se apropriava com maior enfase o PC, tendo eu permanecido ao seu lado em todos os momentos absorvendo toda a sua experiencia.

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