Como vimos, já na Grécia antiga, nos séculos V e IV a.C., os gregos produziam seus textos científicos, que eram copiados diversas vezes. Mas foi a invenção da imprensa na Europa, por Guttemberg, no século XV, que facilitou a disseminação da informação. Estima- se que a produção média de livros por ano no mundo aumentou de 420, no período de 1436- 1536, para 5.750 durante os cem anos seguintes (1536-1636). (MEADOWS, 1999).
A capacidade de multiplicar os exemplares de um livro representou um passo importante na difusão do conhecimento. Mas a transição da forma manuscrita para a forma impressa não se deu instantaneamente. Noticiários manuscritos, principalmente quando se destinavam a um público reduzido, continuaram a ser produzidos durante todo o século XVII e XVIII. Se, porém, as idéias se destinassem a alcançar um grupo maior, era muito mais fácil imprimir do que escrever à mão. Assim surgiram, na segunda metade do século XVIII, as primeiras revistas científicas. (MEADOWS, 1999).
A história dos periódicos científicos teve seu início em 5 de janeiro de 1665, na França, quando o parisiense Denis de Sallo deu início à primeira revista, denominada Journal
des Sçavans (grafia modificada para Journal des Savants no início do século XIX), dedicada a
publicar todo tipo de notícias de interesse científico e cultural. Com o tempo, percebeu-se que era impossível dar atenção a todos os temas que haviam proposto, passando a tratar especificamente dos não-científicos. “Pode-se considerá-lo o precursor dos periódicos modernos de humanidades”. (MEADOWS, 1999 apud SILVA, 2008).
Em março de 1665, surgiram, na Inglaterra, as Philosophical Transactions, coordenadas pelo conselho da Royal Society, com a determinação:
Que as Philosophical Transactions, a serem preparadas pelo Sr. Oldenburg, sejam impressas na primeira segunda-feira de cada mês, caso haja matéria suficiente para isso, e que o texto seja aprovado pelo Conselho, sendo antes revistos por alguns de seus membros [...] (KRONICK, 1976, p. 134).
O título completo da revista - Philosophical Transactions: giving some accompt of the
present undertakings of the ingenious in many considerable parts of the world - sugere uma
cobertura ampla de assuntos; a revista foi considerada a precursora do moderno periódico científico.
Muitas revistas surgiram na Europa durante o século XVIII. Em 1731, Alexander Monro editou na Inglaterra o primeiro número do periódico Medical Essays and
Observations, editado pela Society in Edinburg, descrevendo nas suas primeiras páginas o
conceito de revisão pelos pares (peer review), bem como as instruções aos colaboradores e a necessidade do retorno de artigos aos autores para revisão. Esses procedimentos foram elaborados para tornar os trabalhos mais acessíveis aos leitores. (EMERSON, 1979 apud SILVA, 2008).
As primeiras revistas especializadas começaram a surgir em Paris, no final do século XVIII, destacando-se a Observations sur la Physique, sur l’ Histoire Naturelle et sur les Arts, editada desde 1773 por Jean Baptiste François Rozier. Essa revista se tornou um dos meios mais importantes de comunicação científica do final daquele século, apresentando três itens relacionados à forma do periódico científico: redução considerável do tempo necessário para a publicação dos textos enviados aos editores, que durava em torno de seis a oito anos; abertura para publicação de trabalhos de autores de qualquer procedência; a aceitação da língua francesa, de reconhecimento internacional, para a publicação dos artigos. (BELMAR e SANCHES, 2001).
No século XIX, houve um crescente aparecimento de publicações, especialmente na América do Norte e na Europa, destacando-se, em 1820, o lançamento do primeiro fascículo do The American Journal of Medical Sciences. (MARTINEZ-MALDONADO, 1995 apud SILVA, 2008).
Foi a partir de 1850 que as revistas científicas começaram a assumir a funcionalidade que têm atualmente, ou seja, a de serem veículos para contribuições originais que denotam a noção de rede na estrutura cumulativa da ciência, o que implica um texto baseado em contribuições anteriores, das quais a nova contribuição se distingue por sua originalidade. Essa intertextualidade marca a noção clássica de método científico.
Com o crescimento do volume de informações, já por volta do fim do século XIX, o pesquisador começa a ter problemas para localizar a informação desejada. Para tentar resolver esse problema foram criados os resumos e os índices (os periódicos anunciavam o conteúdo dos fascículos recentes de outros periódicos). Os primeiros resumos pretendiam servir de substitutos dos artigos tanto quanto servir de guias. Como exemplo, citamos a Chemical
Society, no Reino Unido, que tinha como intenção facilitar a vida dos pesquisadores, pois
esses não só teriam uma boa noção geral das pesquisas feitas por um autor, mas também poderiam repetir qualquer um dos experimentos ou preparar qualquer uma das substâncias a partir das instruções fornecidas. (MEADOWS, 1999).
Assim, as revistas e os livros representam o que chamamos de literatura primária e os resumos e os índices a literatura, literatura secundária. É natural que, à medida que o número de periódicos primários crescia, crescia também o número de resumos. Por isso, surgiu um novo problema: qual a melhor maneira de localizar informações em periódicos de resumos? Isso se resolveria na década de 1940, com a criação do computador que, embora fosse criado fundamentalmente para tratar de números, poderia ser empregado no tratamento da informação alfabética, pois seria capaz de armazenar grande quantidade de informações e ordená-las rapidamente.
Foi assim que surgiram as bases de dados referências e, mais adiante, as bases com textos dos artigos disponíveis em sua totalidade, denominadas bases textuais.
As bases de dados podem ser entendidas como um conjunto de variados registros que se relacionam entre si, com a mesma finalidade, e que tem como função controlar e viabilizar as informações, além de disseminar o conhecimento de diferentes âmbitos. (CRITÉRIOS..., 2008).
Os elementos que caracterizam a base de dados são os repositórios de armazenamento de grandes volumes informacionais com acesso via computadores visando à rápida recuperação da informação. (CRITÉRIOS..., 2008).
Alguns dos critérios para avaliação das bases de dados são: 9 identificação: título completo, claro e preciso;
9 conteúdo: tipo de suporte (material), abrangendo várias temáticas;
9 acesso: utilização de campos especificados e linguagem controlada (vocabulário controlado);
9 desenho: interface gráfica acessível, facilidade de navegação;
9 valores agregados: acessibilidade múltipla, links internos e externos;
9 produtos gerados: serviços impressos em índice, notificação corrente e busca em linha.
É nesse contexto que surge a Bireme, em 1967, com a finalidade de disponibilizar a informação científica e tecnológica na área da saúde, utilizando as mais modernas ferramentas informacionais.