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A. La notion de concentration

3. La notion de contrôle

ao catolicismo após a morte de Ismael Nery196), na relação com o surrealismo, e em todo seu modo de pensar o poeta como o único capaz de dar uma nova possibilidade à vida humana197 (nisso, como se verá, a desilução dos últimos dez anos de vida de Murilo o aproxima ainda mais das proposições pasolinianas no que diz respeito à mutação antropológica).

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E, em relação à Ismael Nery, Murilo, em um de seus artigos sobre o amigo, de 1948, para o suplemento Letras e Artes, do jornal A Manhã – e também publicado em O Estado de São Paulo –, chama a atenção para a anulação da separação entre místico e não-místico em Nery. Cf. MENDES, Murilo. Recordações de Ismael Nery. São Paulo: Edusp, 1996. pp. 129-130. “Ismael anulou no seu espírito a separação entre misticismo e não-misticismo, sabendo que todas as coisas têm uma relação mística. Ao contrário do que pensa e manifesta freqüentemente a maioria dos intelectuais, o místico é por excelência o homem forte. Ele não apóia sua força no exterior ou no poder material, mas sim no interior, em que Deus habita. Todos os homens possuem em grau maior ou menor esta força, dada por Deus gratuitamente. É preciso entretanto desenvolvê-la sem cessar (Ismael revelou-me que todas as noites, ao fazer o exame de seu dia, se não verificasse um progresso espiritual em relação ao dia anterior, não conseguia dormir). Infelizmente a concepção da figura do místico é quase sempre deformada: julgam da sua eficiência em função da sua capacidade de produzir êxtases, milagres, visões etc..” Essa compreensão do essencialismo neryano (era esse o nome dado pelo pintor ao seu modo de pensar) é por Murilo apropriada e, em certo sentido, transmutada no correr de sua vida na sua visão alegre e agônica da vida.

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Cabe aqui lembrar que a proposição do poeta como ser de olhos armados, que perpassa, em certo sentido, sua obra (e é já notória a aparição disso – e será tema de uma das análises abaixo – no final de A Idade do Serrote) já aparece no início dos anos 50 (isto é, antes da dita fase memorialística de Murilo) quando de suas análises sobre o admirado amigo Jorge de Lima. Cf. MENDES, Murilo. Invenção de Orfeu. In.: LIMA, Jorge de. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. Vol. único. Org. Alexei Bueno. p. 122. “Para dominar a desordem que se opõe à construção do insólito monumento, arma-se o poeta de uma tesoura de condão, e fazendo cortes implacáveis no tempo, obtém uma dimensão nova. Opera também à sua maneira o espaço, ajuntando arbitrariamente Egitos e Mesopotâmias, Caldéias e Babilônias, afundando Venezas e Restelos, comprimindo regiões, anulando países, ou conquistando para o seu domínio próprio largas áreas de insuspeitados terrenos, onde pouco a pouco se desenham configurações novas. Convocados para a grande empresa os elementos assanham-se; ora se revoltam, ora se associam ao poeta na organização do seu lúcido delírio.”

Em ambos os poetas a posição do sagrado, portanto, está nessa ligação fundamental do poetar, do colocar-se no mundo para engajar-se no drama da linguagem (do, fazer-se homem do homem). Quando do “Encontro Internacional de Poesia”, no quadro da EXPO de 1967, Murilo declara:

De modo algum creio na potência do poeta hoje enquanto ordenador do sagrado, pois estamos instalados na dessacralização total, isto é, na desintegração dos signos de amor. Pelo fato de a linguagem ter sido deformada, o drama do poeta se confunde com aquele do homem. Não se sabe mais hoje o valor exato das palavras.198

Ao expor-se nesses termos, Murilo, como poeta católico, coloca sua própria fé em dúvida (como frequentemente ocorre também nos seus poemas – e, frise-se, O Discípulo de Emaús, livro quase querigmático de Murilo, está repleto de aforismos que, também eles, colocam dúvidas nas assertivas católicas). De fato, a dessacralização intransponível de que fala é equivalente ao que em Pasolini lemos como o inferno chamado presente. É não a ausência de um divino institucional ou de uma ordem sagrada (numa contraposição banal entre profano e sagrado), mas a percepção do esvaziamento das línguas humanas,199 do seu girar

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MENDES, Murilo. Papiers. In.: MENDES, Murilo. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Org. Luciana Stegano Picchio. pp. 1593-1594. “Je ne crois pas du tout à la puissance du poete d’aujourd’hui en tant qu’ordonnateur du sacré, car nous sommes installés dans la déésacralisation totale, c’est-à-dire la désintégration des signes de l’amour. Du fait que la langage a été deforme, le drame du poete se confond avec celui de l’homme. On ne sait plus aujourd’hui la valeur exacte des mots.” Cf. também a tradução, que a partir de agora será a citada, publicada em Sopro 54 (Julho/2011). MENDES, Murilo. Texto de Montreal. Tradução: Vinícius Nicastro Honesko.

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Cf. AGAMBEN, Giorgio. Il Sacramento del Linguaggio... p. 98. “Alle origini della cultura occidentale, in un piccolo territorio ai confini orientali dell’Europa, era apparsa un’esperienza di parola che, tenendosi nel rischio tanto della verità che dell’errore, aveva pronunciato con forza, senza né giurare né maledire, il suo si alla lingua, all’uomo come animale parlante e politico. La filosofia comincia nel momento in cui il parlante, contro la religio della formula, mette risolutamente in questione il primato dei nomi, quando Eraclito oppone logos a epea, il discorso alle parole incerte e contraddittorie che lo costituiscono o quando Platone, nel Cratilo, rinuncia all’idea di una corrispondenza esatta fra il nome e la cosa nominata e, insieme, avvicina onomastica e legislazione, esperienza del logos e politica. La filosofia è, in

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