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PRECONISATIONS : DONNER UN NOUVEL ELAN A L’ECOLE MATERNELLE
2. Niveau école
A construção e a exploração de edifícios representam um dos sectores da economia que provoca dos maiores impactos negativos em termos ambientais. Este impacto negativo pode ser agravado durante a fase de exploração e utilização do edifício, devido a deficiências do projeto e de construção, bem como, pela obsolescência dos edifícios, seus equipamentos e sistemas (Gonçalves, 2014).
De acordo com Gonçalves (2010), em Portugal no que diz respeito ao contributo dos edifícios para a situação energética, estes representam 30% da energia final, ou seja da
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energia total consumida, considerando a energia elétrica, gás natural e outros combustíveis. Relativamente à energia elétrica os edifícios representam 60% do seu consumo, sendo o 2º sector em termos de emissões de CO2. Também é necessário não esquecer que um edifício tem uma grande produção de resíduos sólidos e efluentes líquidos com um impacto ambiental considerável, cabendo também à manutenção reduzir os mesmos ao mínimo, bem como garantir uma adequada gestão dos resíduos produzidos contribuindo de uma forma decisiva para a sustentabilidade do edifício (Stanford, 2010).
Atualmente devido ao aumento das exigências a nível de conforto, essencialmente térmico por parte dos utilizadores dos edifícios verifica-se nestes um rápido aumento do consumo energético.
Os elevados custos dos combustíveis fósseis coloca na ordem do dia a questão dos custos da energia e a sua influência direta no desempenho da economia. A utilização racional da energia tem um impacto direto no desempenho dos edifícios e na sua estrutura de custos, sendo um dos atuais paradigmas o desenvolvimento de edifícios de baixo consumo e edifícios de balanço energético nulo (NZEB - net-zero energy
building), Este é um dos caminhos para atingir os objetivos definidos pela EU para que
em 2020 o nível de emissões de gases de efeito estufa (CO2) no seu conjunto será 20%
inferior ao de 1990 (Erhorn, et al., 2012).
O aumento contínuo das necessidades globais de energia torna, atualmente, a eficiência energética uma prioridade governamental de máxima importância. Em Portugal existem vários programas e regulamentos específicos que visam a poupança energética e a redução de emissão de CO2 para a atmosfera. Através de programas como o Plano
Nacional de Ação para a Eficiência Energética, pretende-se através de legislação e definição de objetivos, reduzir o consumo de energia em edifícios e equipamentos públicos. Algumas destes objetivos resultam da transposição de diretivas europeias (Diretiva nº 2006/32/CE) e estabelecem a criação de condições para a promoção e desenvolvimento de um mercado de serviços energéticos e para o desenvolvimento de medidas que promovam a eficiência energética. Temos como exemplo destas medidas, a classificação e certificação energética dos edifícios, a realização de auditórias energéticas, incentivos financeiros à troca de equipamentos menos eficientes por outros mais eficientes (por exemplo a substituição de lâmpadas incandescentes) e obrigatoriedade de instalação de painéis solares em edifícios públicos construídos após
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2006. Muitas destas medidas são implementadas através das áreas de manutenção de edifícios que vêm aumentar assim, as suas responsabilidades e que lhe exigem uma capacidade técnica sólida e abrangente que dê resposta efetiva às novas necessidades que não se cingem só ao cumprimento legal mas também com a incorporação de regras de engenharias e princípios de gestão.
Cabe geralmente à manutenção de edifícios a responsabilidade de implementar sistemas de certificação e desempenho energético bem como garantir a qualidade do ar interior em edifícios. Estes requisitos energéticos estão transcritos na legislação portuguesa através do Decreto-Lei n.º 78/2006 de 4 de Abril, relativo ao SCE - Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios, que é o pilar sobre o qual assenta a nova legislação relativa à qualidade energética dos edifícios em Portugal e que tem por finalidade assegurar a aplicação dos regulamentos de energia em edifícios, certificar o desempenho energético e a qualidade do ar interior nos edifícios e identificar as medidas corretivas ou de melhoria de desempenho aplicáveis aos edifícios e respetivos sistemas energéticos e que se pretende que venha a proporcionar economias significativas de energia para o país em geral e para os utilizadores dos edifícios em particular.
A certificação energética assenta na aplicação do Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE, 2006) através do Decreto- Lei n.º 80/2006 e o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (RSECE, 2006) através do Decreto-Lei n.º 79/2006, que definem regras e métodos para verificação da aplicação efetiva do SCE aos novos edifícios, bem como aos imóveis já construídos.
Os principais consumidores de energia num edifício são genericamente:
Sistemas AVAC (Aquecimento, ventilação e ar condicionado);
Sistemas de produção de frio (frigoríficos e arcas);
Sistemas de produção e vapor e água quente (fornos e caldeiras);
Transportes e movimentação (elevadores, escadas rolantes e monta cargas);
Sistemas de informação (rede informática);
Rede de iluminação e vigilância.
De acordo com Pinto (2013), num edifício de escritórios os maiores consumidores de energia são: o AVAC com 34%, a iluminação com 29% e os equipamentos com 28%.
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Cabe assim à manutenção a seleção das soluções mais económicas, inspecionando avaliando e corrigindo todas as situações que possam representar desperdício de energia e que deverá considerar a totalidade do parque de equipamentos e sistemas, como por exemplo os identificados por Gonçalves (2014):
Fugas nas redes de fluidos:
Aquecimento ou climatização inadequados ou desregulados;
Isolamentos deficientes ou inexistentes;
Consumos excessivos de combustíveis, energia ou lubrificantes;
Iluminação desnecessária ou inadequada.
Outros fatores de desperdício, como sejam equipamentos desajustados com baixo rendimento, equipamentos sobredimensionados, cargas variáveis mal aproveitadas, etc.;
Formar e sensibilizar os utilizadores para uma utilização mais racional das fontes energéticas.
No âmbito destas preocupações, surge a norma NP EN ISO 50001 (IPQ, 2012) que estabelece os requisitos que deve ter um sistema de gestão de energia (SGE) de uma organização para ajudá-la a melhorar o seu desempenho energético, aumentar a sua eficiência energética e diminuir os impactos ambientais, assim como também a aumentar a sua competitividade nos mercados em que opera, sem com isso afetar a sua produtividade e com os relevantes reduções dos custos com os consumos energéticos. A norma NP EN ISO 50001 (IPQ, 2012) é baseada no ciclo da melhoria continua PDCA (Plan-Do-Check-Act) que também está presente na gestão Lean e incorpora a gestão de energia nas práticas diárias das organizações e define os requisitos orientadores para a implementação de um sistema de gestão de energia.
Os aspetos essenciais referidos por Pinto (2013), a considerar na implementação de um Sistema de Gestão de Energia (SGE) são:
Desenvolvimento de ferramentas que permitam conhecer os consumos energéticos da organização: porque/como/onde/quando e quanto se consome de energia;
Análise e avaliação das tendências da evolução dos consumos de energia;
Disponibilização de dados para melhor perceber os consumos e uso da energia para tomada de decisões sobre as medidas a adotar para a melhoria do desempenho energético;
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Controlo dos resultados das ações e investimentos realizados para melhoria do desempenho energético;
Adoção de medidas que permitam melhorar a utilização de energia;
A NP EN ISO 50001 (IPQ, 2012) pode ser implementada isoladamente ou ser integrada com outros sistemas de gestão já existentes na organização, reforçando os princípios de aplicação de uma gestão Lean.