Chapitre V. Couches de conversion ZrCC
V.II. Mécanisme de formation des couches de conversion
Diversos autores, que serão apresentados, realizaram a discussão da sustentabilidade, dividindo o conceito em dimensões para facilitar a compreensão. Essa proposição enfatiza a relação do homem com as gerações futuras, com o respeito ao meio ambiente, redução das desigualdades sociais, incentivos à prática de participação e democracia de uma população.
Ignacy Sachs (1993) mostra as seguintes questões, que complementam os princípios apresentados no item anterior:
• Social: que se entende como a criação de um processo de desenvolvimento que seja sustentado por um outro crescimento e subsidiado por uma outra visão do que seja uma sociedade boa. A meta é construir uma civilização com maior equidade na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres.
• Econômica: que deve ser tornada possível através da alocação e do gerenciamento mais eficiente dos recursos e de um fluxo constante de investimentos públicos e privados. Uma condição importante é a de ultrapassar as configurações externas negativas resultantes do ônus do serviço da dívida e da saída líquida de recursos financeiros do sul, dos termos de troca desfavoráveis, das barreiras protecionistas ainda existentes no Norte e do acesso limitado à ciência e tecnologia. A eficiência econômica deve ser avaliada em termos macrossociais, e não apenas através do critério da rentabilidade empresarial de caráter microeconômico.
• Ecológica: que pode ser melhorada utilizando-se das seguintes ferramentas: a-) ampliar a capacidade de carga da espaçonave Terra, através da criatividade, isto é, intensificando o uso do potencial de recursos dos diversos ecossistemas, com um mínimo de danos aos sistemas de sustentação da vida; b-) limitar o consumo de combustíveis fósseis e de outro recursos e produtos que são facilmente esgotáveis ou danosos ao meio ambiente, substituindo-os por recursos ou produtos renováveis e/ou abundantes, usados de forma não agressiva ao meio ambiente; c-) reduzir o volume de resíduos e de poluição, através da conservação de energia e de recursos e da reciclagem; d-) promover a autolimitação no consumo de materiais por parte dos países ricos e dos indivíduos em todo o planeta; e-) intensificar a pesquisa para a obtenção de tecnologias de baixo teor de resíduos e eficientes no uso de recursos para o desenvolvimento urbano, rural e industrial; f-) definir normas para uma adequada proteção ambiental, desenhando a máquina institucional e selecionando o composto de instrumentos econômicos, legais e administrativos necessários para o seu cumprimento.
• Espacial: que de ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial de assentamentos urbanos e atividades econômicas, com ênfase no que segue: a-) reduzir a concentração excessiva nas áreas metropolitanas; b-) frear a destruição de ecossistemas frágeis, mas de importância vital, através de processos de colonização sem controle; c-) promover a agricultura e a exploração agrícola das florestas através de técnicas modernas, regenerativas, por pequenos agricultores, notadamente através do uso de pacotes tecnológicos adequados, do crédito e do acesso a mercados; d-) Explorar o potencial da industrialização descentralizada, acoplada à nova geração de tecnologias, com referência especial às indústrias de biomassa e do seu papel na criação de oportunidades de emprego não-agrícolas nas áreas rurais; e-) criar uma rede de reservas naturais e de biosfera, para proteger a biodiversidade.
• Cultural: incluindo a procura de raízes endógenas de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, processos que busquem mudanças dentro da continuidade cultural e que traduzam o conceito normativo de ecodesenvolvimento
em um conjunto de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área.
Em se tratando de questões relacionadas à sustentabilidade, enfatiza-se as questões ambientais, sociais e econômicas. A proposta de Sachs (1993) acrescenta aspectos importantes como a questão espacial e cultural, fundamentais para a concepção. Outra proposição é apresentada por Silva (2000) denominando essas questões (princípios) de dimensões da sustentabilidade, dividindo-os em cinco diferentes dimensões:
• Dimensão Ambiental: manutenção da integridade ecológica por meio da prevenção das várias formas de poluição, da prudência na utilização dos recursos naturais, da preservação da diversidade da vida e do respeito à capacidade de carga dos ecossistemas;
• Dimensão Social: viabilização de uma maior equidade na distribuição de riquezas e de oportunidades, combatendo-se as práticas e políticas de exclusão, discriminação e reprodução da pobreza e respeitando-se a diversidade em todas as suas formas de expressão;
• Dimensão Econômica: realização do potencial econômico que contemple prioritariamente a distribuição de riqueza e renda associada a uma redução das externalidades socioambientais, buscando-se resultados macrossociais positivos; • Dimensão Política: criação de mecanismos que incrementem a participação da
sociedade nas tomadas de decisões, reconhecendo e respeitando os direitos de todos, superando as práticas e políticas de exclusão e que promovam o desenvolvimento da cidadania ativa;
• Dimensão Cultural: promoção da diversidade e identidade cultural em todas as suas formas de expressão e representação, especialmente daquelas que identifiquem as raízes endógenas, propiciando também a conservação do patrimônio urbanístico, paisagístico e ambiental, que referenciem a história e a memória das comunidades.
Na proposta de Silva (2000) atenta-se para a dimensão política, não contemplada pelo autor anterior, que visa a participação das pessoas nos processos de
tomada de decisão como busca de uma sustentabilidade igualitária. Guimarães (2003), outro autor que aborda o assunto, traz as seguintes dimensões da sustentabilidade:
• Ecológica: conservação e uso racional dos recursos naturais incorporados nas atividades produtivas;
• Ambiental: capacidade suporte dos ecossistemas associados de absorver ou se recuperar das agressões devido a ação humana;
• Demográfica: limites da capacidade suporte de determinado território e de sua base de recursos e implica em analisar cenários e tendências do crescimento econômico e da população;
• Cultural: necessidade de manter a diversidade de culturas, valores e práticas existentes no planeta e que integram a identidade dos povos;
• Social: promover a melhoria da qualidade de vida e reduzir os níveis de exclusão social por meio de políticas de justiça redistributiva;
• Política: construção da cidadania plena dos indivíduos com o fortalecimento dos mecanismos democráticos de formulação e implementação de políticas públicas em escala global;
• Institucional: necessidade de criar e fortalecer engenharias institucionais que levem em contas critérios da sustentabilidade.
Observa-se que este autor não menciona explicitamente a dimensão econômica da sustentabilidade, que aparece de forma oculta nas demais dimensões. Porém ela é bastante discutida, principalmente pelo setor industrial, como adaptação dos padrões de consumos e exigências ambientais atuais.
Os autores citados consideram a questão social importante para a busca da sustentabilidade, por meio da promoção da igualdade e o equilíbrio na distribuição de renda e riqueza. Na questão econômica Sachs (1993) difere no aspecto que essa questão que deve ser medida pela rentabilidade empresarial, enquanto Silva (2000) trata sobre a distribuição de renda e riqueza. Sachs (1993) apresenta a questão ambiental, chamando-a de ecológica,
referindo-se não apenas à proteção dos recursos naturais, mas também a questões políticas a eles relacionadas. Guimarães (2003) traz uma dimensão ambiental e uma ecológica, em que a dimensão ambiental trata da capacidade suporte dos ecossistemas e a ecológica do uso racional dos recursos naturais.
Silva (2000) e Guimarães (2003) ainda incluem a dimensão política, incentivando a participação das pessoas na tomada de decisão e promoção da cidadania ativa. Já Sachs (1993) traz a questão geográfico-espacial, propondo uma boa distribuição fundiária, zoneamento e bom uso do solo. Guimarães (2003) também considera uma dimensão institucional, de forma a incentivar estudos, tecnologias para promover a sustentabilidade.
Essa sistematização em forma de dimensões exemplifica uma maneira de compreender o tema sustentabilidade e a interação entre as diferentes dimensões. A noção de sustentabilidade é interdisciplinar e de difícil de caracterização. São diversas propostas debatidas por diferentes autores de múltiplas áreas. Porém o consenso é que as ações de sustentabilidade devem permear os campos ambiental, social e econômico, na perspectiva do equilíbrio dinâmico dos territórios.
Apesar da discussão dos conceitos e princípios norteadores da sustentabilidade, há dificuldade em descrever se determinada situação se caracteriza como mais sustentável. Esta análise pode ser feita com a utilização dos indicadores, que são instrumentos que auxiliam a verificar se algo é mais sustentável por meio de comparação entre a situação atual e uma passada, para estabelecer as diretrizes de uma situação ideal futura, baseado nos princípios.
Porém, como analisar a sustentabilidade de um sistema local de tratamento de efluentes sanitários residenciais, com base em indicadores de sustentabilidade? Para auxiliar nesta análise diversos autores têm discutido mecanismos que contribuem para essa análise. O próximo item aborda a questão do debate de indicadores de sustentabilidade.