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Le danger d’une standardisation

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7.3.7. Le danger d’une standardisation

O desenvolvimento desta investigação teve como objectivo aceder a um dos diversos contextos em que decorrem as actividades de escrita escolar, procurando conhecer a forma como as professoras intervenientes no estudo responderam à leitura dos textos produzidos pelos seus alunos. Este nosso propósito surgiu das dificuldades que sentimos em fomentar percursos de escrita motivadores e promotores de sucesso, conferindo ao processo de revisão/correcção do texto produzido em sala de aula um estatuto privilegiado. Acresce que a observação de aulas, efectuada no âmbito da formação inicial, tem vindo a confirmar a insatisfação que, de uma maneira geral, os professores sentem relativamente à falta de capacidade na expressão escrita de muitos alunos, mas também relativamente à forma como, eles próprios, propõem nas aulas de Língua Portuguesa, tarefas e estratégias de escrita interessantes e diversificadas, que impliquem o aluno na planificação, na execução e na correcção de textos escritos escolares.

A metodologia adoptada neste estudo permitiu, apenas, sensibilizar para a problemática referida supra, o que mostra a necessidade de se realizarem outras investigações que implementem a escrita nas aulas de Português língua materna, adoptando percursos diferentes, abandonando métodos desajustados e enveredando por abordagens de ensino e aprendizagem da escrita que privilegiem a construção do texto como processo e o acompanhamento personalizado do aluno.

Segundo o nosso ponto de vista, e na sequência de outros estudos, a mudança a operar passa por uma formação de professores assente na reflexão que estes realizem sobre as suas práticas, e sobre si próprios, e pelo conhecimento mais estruturado dos processos de produção escrita dos alunos, os quais são o impulso para a urgente renovação e inovação das práticas de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa.

Consideramos, ainda, desejável, que os professores promovam espaços de diálogo e partilha de saberes que permitam a construção de projectos comuns entre pares, buscando estratégias que possam constituir resposta aos desafios que os aprendentes e as situações de ensino lhes colocam.

Para concluir, e apesar de sentirmos que há constrangimentos e dificuldades a ultrapassar, é nossa convicção que, os professores- e particularmente os futuros professores -, através

desta atitude reflexiva, podem orientar de forma mais fundamentada a sua acção e, conscientes do seu poder de transformação, assumir-se como construtores da sua profissionalidade.

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ANEXOS

Procedimentos de transcrição

Codificação dos enunciados ( adaptação de Van Lier (1988), de Leroy (1985) de Andrade & Araújo e Sá (1996) e de Moreira, M.ª A .(1996). AE – autora do estudo PA – Professora A PB – Professora B PC – Professora C PD – Professora D / - pausa breve // - pausa longa <SIL> - silêncio

<INT> - interrupção do outro

... – suspensão da frase com entoação descendente + - suspensão da frase com entoação ascendente ..., - suspensão da frase com continuação

? – enunciado percebido como interrogativo ! – enunciado percebido como exclamativo

<IND> - inaudível/ incompreensível

/- - enunciados simultâneos indistintos -

- - - indica intervenções simultâneas de diversos locutores sem que haja interrupção de

-

... – texto não transcrito

Transcrição do seminário

AE - Vamos ter uma conversa informal para complementar alguns dados a partir da correcção que fizémos dos trabalhos dos alunos // E vamos reflectir em conjunto sobre algumas questões/ agora que acho que temos dados que nos permitem servir de suporte para efectuarmos uma reflexão mais bem fundamentada//

Não sei se pretendem começar a tecer algumas considerações sobre a correcção que fizeram, a grelha que utilizaram e/ ainda/ se pretendem estabelecer alguma comparação entre a forma como corrigiram os primeiros trabalhos e a forma como corrigiram os segundos //

PA- Eu / quando corrigi os trabalhos com as grelhas.... tomei atenção a aspectos que me tinham escapado // De início tive de os ler várias vezes/

PD- <INT>foi muito mais fácil/ tínhamos uma pista para nos guiarmos e não nos esquecermos dos vários pontos que eram muito importantes / a correcção foi mais rigorosa/ pelo menos da minha parte e / orientada //

AE- Mas não sentem dificuldades/ não acham/ por exemplo que demoram muito tempo?... PA,PB,PC,PD - <INT>Ah ! isso sim/ sim....é mais moroso....

AE-...porque/ por vezes sentem dificuldades em / integrar os erros dos alunos em / digamos catalogá-los +

PA, PC,PD- Sim, sim //

AE- Em saber exactamente a que domínio pertence este ou aquele aspecto + PA, PC,PD- <INT> Sim/ sim exactamente / essencialmente a esse nível //

PA - Por exemplo/ na concordância dos tempos verbais eu não sabia se tinha de os pôr na ligação entre as frases ou nos erros ortográficos / / não sei ...,ou se na coerência /

PD- Sim / sim eu também tinha essas dificuldades //

PA - Porque ao fim e ao cabo vinha interferir na coerência do texto //

AE- Antes de corrigir os trabalhos o que é que vos assustava mais? Quando sabiam que tinham trabalhos dos alunos para corrigir/ ao longo deste ano/ o que é que vos assustava mais?

AE- Porquê?

PC- O modo como lhes íamos apresentar os erros+ e o modo como poderíamos tornar isso mais aliciante/ porque já sabemos que é matéria que eles não gostam //

AE- Todas concordam que é esta a maior dificuldade?

PA -<SIL> Se calhar/ é ...., também a correcção em casa/ muitas vezes mesmo// Ao depreciar tanto os erros ortográficos /acabamos por esquecer o conteúdo do texto / / o aluno fica com má impressão do texto que tinha escrito / Às vezes o texto é muito bom a nível das ideias/ respeita a tarefa que era indicada / mas com muitos erros ortográficos / Queremos chamar a atenção para uma coisa / mas também não depreciar a outra //

AE- Provavelmente tinha medo de estar perante um trabalho globalmente positivo e dar ao aluno uma imagem /

PA- <INT> de um trabalho negativo.... AE- Como explica esse medo?

PA- Não sei..., como disse a PC é um trabalho que eles não gostam muito de fazer....

PC -< Não/ eles adoram fazer isso nas aulas/ eu acho que eles adoram escrever/ mas depois corrigi-lo / / e confrontarem-se com os erros deles é sempre...

PD - Avaliar é muito difícil / avaliar uma composição é das coisas mais dificeis....

PC- Por isso é que acho necessário uma grelha destas e / com pontuação ao lado mesmo// PA - Eu acho que se devia atribuir uma nota a cada parte/ não avaliar no conjunto//

PC – Exactamente//

PA -Dar uma nota para a expressão escrita/ se calhar/ para o respeito pela tarefa/ para a ortografia / seria mais justo//

AE- Há pouco vocês manifestaram o receio de/ nas vossas correcções/ darem ao aluno mais a ideia dos aspectos negativos do que dos positivos// Vocês pensam que os professores têm tendência para valorizar aquilo que os alunos fazem de negativo nos trabalhos escritos/ em detrimento dos aspectos positivos?

PA, PB, PC, PD- Eu acho, eu acho...

PC - Eu também o faço//

PA - Chama-se a atenção dos alunos para melhorar este ou aquele aspecto/ e como se chama a atenção do aluno parece que o resto ...

PC, PD - <INT> parece que o resto ficou...

PA -<INT> Parece que o resto ficou posto de lado//

AE- Pois/ esse é um aspecto que temos de ter em atenção / valorizar sempre os aspectos positivos para só depois apontarmos os negativos / /

Vocês também estavam a dizer que tinham muitas dificuldades em avaliar// Consideram que há diferença entre avaliar e corrigir um trabalho escrito?

PC – Completamente //

AE- A PC diz completamente/ porquê?

PC .- Porque quando estou a corrigir um trabalho estou talvez a tentar melhorar ou / estou a tentar fazer com que eles / vejam que há coisas que eles podem melhorar no trabalho deles/ mas / ao avaliar não / eu não gosto de avaliar / porque acho que não sou justa / não tenho experiência para isso / /

AE- Por que é que acha que ao avaliar não +

PC - Sei lá! Porque eu ao avaliar / lá está ..., eu tenho sempre tendência (aliás não sei se sou só eu) mas tenho sempre a tendência a fixar o que de negativo houve nas composições ou nos testes / (nos testes é uma coisa diferente porque temos uma cotação rígida a que temos de obedecer) mas / aqui nas composições é uma coisa diferente / por isso é que eu acho que realmente deveria / obrigatoriamente / haver uma cotação ...

PA, PC,PD- Também na composição //

PD- Também tem a ver com os nossos gostos pessoais +

PC- Exactamente / porque eu não sei se a AE já leu a composição do aluno F. e os comentários / não sei / e lá está eu acho que até fui injusta / porque a composição dele era uma das mais engraçadas que havia ali / Ele mostrou alguma originalidade / alguma cultura geral para fazer aquilo / / Por outro lado / havia / sei lá / a nível da construção frásica / talvez não fosse a melhor / (também