Partie I: Prix internationaux des produits alimentaires et régulation des marchés
Chapitre 1: le marché du blé en Algérie : description et analyse
1. L’approvisionnement du marché
1.2. La relation au marché international
1.2.2. La revue des accords commerciaux internationaux
HISTÓRIA:
Meu depoimento: E agora... estou com Ca de mama, o que fazer? A primeira coisa que fiz foi seguir todos os procedimentos necessários, buscar conhecimentos sobre o Ca em livros, internet... através de pessoas que estavam ou já passaram por isso..., ou seja, trocar experiências.
Pensei da seguinte forma: o Ca nos dias atuais, com a evolução da medicina, não é mais necessariamente uma doença fatal, tudo é possível, inclusive a cura.
Passei por todos os tratamentos adequados e necessários: quimioterapia, radioterapia, inibidor hormonal, exames complexos... porém necessários. Porque disso dependia o sucesso do meu tratamento. Tentei encarar essa doença da melhor forma possível, apesar de sofrer bastante com os efeitos da quimioterapia (perdi os cabelos e todos os pêlos do corpo... a cada quimio tive conjuntivite, a boca ficava cheia de aftas, a pele muito ressequida, enjôos, vômitos, mal estar por 15 dias...). E seis meses depois, tive metástase cerebral, com cinco micro-nódulos. Fiz radioterapia novamente, agora, na cabeça toda. Perdi os cabelos que já tinham crescidos e eles não ficaram mais como antes.
Mas após o tratamento fiquei bem. Faço o controle de tudo. Confio em meus oncologistas, um em Belém outro em São Paulo. E hoje me sinto muito bem, apenas com seqüelas que procuro melhorar: exercitando a memória, que ficou um pouco afetada e algumas dores articulares, devido o uso do inibidor hormonal. Apresento também ostopenia, pelo uso de corticóide, quimio, radio e inibidor... Por isso faço zometa e cálcio via oral. Sou consciente que terei de fazer para sempre o controle, e já estou acostumada.
Levo a vida da melhor forma possível, não me sinto diferente. Para mim, tudo continua bom. Sou e estou de bem com a vida. Quero continuar viva junto a minha família e as pessoas a quem quero bem.
O fato de ter feito mastectomia não me abalou como mulher, continuo me sentindo bem com o meu corpo. Controlo o meu peso, pela saúde e pela estética. Em nenhum momento me sinto menos mulher, apesar de ter a libido bem reduzida por conta do tratamento. Mas sou feminina e tenho as minhas vaidades, sinto-me uma pessoa normal.
Faço o que posso para passar para os outros portadores de Ca a minha experiência, que a meu ver, me enriqueceu de muitas formas. Hoje dou muito mais valor à vida, a família (que já dava antes...), a natureza...
Quero viver bem e em paz.
Sou feliz apesar do Ca, e acredite isso é possível!
Análise do DESENHO
Olga mais uma vez como atestado pelas escalas de Imagem Corporal e pelas entrevistas, mostra que reconheceu suas mudanças corporais, mas que sua Imagem corporal permaneceu sem comprometer sua
imagem como mulher feminina. Seu desenho mostra uma mulher com o esquema corporal alterado, destacando as alterações provocadas pelo tratamento cirúrgico (perda da mama e uso do dreno) e da quimioterapia, destacando a alopécia e a perda dos pelos. A figura do desenho, inclusive, não apresenta sobrancelha.
Apesar do desenho retratar uma realidade que induz a idéia de sofrimento e dor, o tratamento de Ca de mama, Olga faz um desenho muito colorido e vivo, utilizando elementos como sol e árvores, o que sugere o valor que dá em permanecer viva.
Olga desenha uma mulher que apesar da realidade da qual faz questão de escrever no seu desenho “mulher com câncer após cirurgia e
quimio”, mostra uma expressão facial séria e desgastada, mas não triste,
tampouco, “derrotada”. Uma mulher ainda feminina, percebida pelo destaque do uso de jóias, (com brincos, pulseira e cordão) até a forma de sentar, típica de uma mulher na nossa sociedade.
O desenho enfoca justamente as conseqüências da quimioterapia e da cirurgia e, de acordo com a opinião de Olga, são os procedimentos terapêuticos mais sofridos e mais invasivos e os que mais alteram o esquema corporal da mulher.
Análise da HISTÓRIA
Quando solicitada que contasse uma história sobre o desenho, começa a fazer um depoimento e enfatiza o que fez quando descobriu que estava com Ca, relatando sua experiência, como se fosse uma “receita”. Uma “receita” para sobreviver ao Ca, da qual apresentou os seguintes “ingredientes”: seguir os procedimentos e confiar nos médicos e na medicina, conhecer o “inimigo” (o Ca), conversar com pessoas que tiveram a mesma doença e ser otimista (apostado na evolução da medicina e na sua própria força).
A história do desenho também retrata que os procedimentos, cirurgia e quimioterapia são as etapas do tratamento mais sofridas e dolorosas. Inclusive, faz questão de relatar cada efeito deste último tratamento. Todos modificam os atributos da feminilidade. Mas que no seu caso, o fato de
considerar outros atributos, talvez os papéis que a mulher exerce (como o de ser cuidadora de seu próprio corpo e do outro), serviram como meio de contornar a feminilidade afetada, dizendo não se sentir menos mulher, uma vez que preservou sua vaidade.
Este é um item que Olga expressa sua “noção de mulher”, compreendida como aquela que se cuida para se manter bonita (“tenho as
minhas vaidades”) e que não precisa apresentar desejos sexuais (“não me sinto menos feminina, apesar de ter a libido reduzida”), embora seja a típica
resposta de gênero que a nossa sociedade coloca e enfatiza.
Contrariando todas as indicações que descreve no seu depoimento, tal como fez com as possibilidades e os prognósticos que os médicos lhe fizeram, Olga termina com um final feliz sobre sua doença “Sou feliz apesar do
Ca, e acredite isso é possível”. Então, logo lhe perguntei, “por que o “acredite”?
Quem dúvida? E ela disse: “Quem não quer vencer a doença”. Quem não quer
dar a cara pra bater... quem se entrega, quem se coloca na posição de vitima...” Tudo que Olga, não fez!