A. LA PRÉVENTION DOIT DEMEURER UN AXE POLITIQUE CENTRAL
2. La prévention de la délinquance des mineurs
ENTREVISTAS REALIZADAS
ENTREVISTA 1 - Emmanuel Mirdad8
Sócio-Diretor e Curador da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA)
Quem produz a FLICA? Comente sobre a produção, patrocínios, parcerias, etc.
A FLICA é realizada por duas empresas. Uma é a CALI (Cachoeira Literária), com sede em Cachoeira e três sócios diretores, eu, Emmanuel Mirdad, Marcus Ferreira e o Aurélio Schommer. A outra empresa realizadora, sócia do evento e da marca, é a iContent, que é a produtora de eventos do grupo Rede Bahia. Esses dois são donos da marca e donos do evento, são quem realiza o evento. O evento foi criado pela CALI, quando não era CALI, era uma outra empresa chamada Putzgrillo Cultura. Ela surgiu em 2009 e a primeira vez que o evento foi realizado foi em 2011. A Putzgrillo Cultura era formada por mim e por Marcus Ferreira e nós tínhamos dois sócios, pessoas físicas, que era o produtor cultural Alan Lobo e o escritor Aurélio Schommer. Essa foi a primeira formação da FLICA, na pré-produção em 2009 e 2010 e na realização da primeira edição em 2011.
A Rede Bahia entrou como apoiadora do evento em 2011, verificou a sua potencialidade, teve interesse em participar, em ser dona do evento, também. Nós fizemos um acordo e a partir de 2012 eles entraram como sócios do evento. Aí houve em 2013 a mudança: Putzgrillo deixou de ser realizadora da marca e os sócios originais, exceto o Alan Lobo, que saiu em 2012, formaram uma empresa só para gerir a FLICA, que é a CALI. A CALI foi aberta somente para gerir a FLICA, porque a Putzgrillo era uma produtora que fazia outros eventos. O Aurélio não era sócio da Putzgrillo e eu deixei de ser sócio da Putzgrillo. Então, abrimos a produtora só para fazer isso.
Esses são os donos e realizadores do evento. Sobre a produção do evento em si, a primeira parte, na pré-produção, é a captação, realizada pela CALI e pela iContent. Não temos captador externo, não contratamos empresa, nós mesmo fazemos essa captação. Na hora da execução do evento, que acontece sempre em outubro, por ser um evento calendarizado, nós terceirizamos, nós montamos a equipe, com produtores que contratados só para fazer o evento. Em torno de 10 a 15 produtores trabalham na execução do evento. Além disso, tem uma produtora executiva principal da FLICA, contratada pela CALI, uma empresa terceirizada que é responsável pela produção do evento durante o ano na tramitação das leis de incentivo e demais coisas de produção que apareçam, antes da produção propriamente dita. Na hora da produção, na realização, essa produtora executiva passa a ser a coordenadora de produção. A coordenação geral do evento é feita pela CALI in loco, auxiliada pelas cabeças da iContent, mas a iContent não participa diretamente da realização do evento, na realização quem fica mais a frente é a CALI. A CALI é quem terceiriza todos esses produtores que trabalham na execução do evento. Fora isso a assessoria de imprensa é terceirizada, a gente contrata uma empresa. O site também, nosso webdesigner e webmaster, são uma empresa contratada, o programador visual também. A curadoria é feita pela CALI, ou seja, a gente não
contrata uma curadoria, nós mesmos realizamos isso. Nós pensamos a programação, montamos a programação principal e passa por uma avaliação da iContent, que dá o Ok e a gente convida os autores. A programação infantil, chamada Fliquinha é feita pela Lilian Gramacho e a Mirian Silva, que são funcionárias da Rede Bahia. Então é como se a iContent fizesse a curadoria da Fliquinha e a programação musical. A curadoria da programação musical desde 2012 é da Rede Bahia. Nós fizemos a primeira programação musical em 2011 e a divisão quando a iContent entrou (Incontent) foi exatamente essa que ela ficaria responsável pela programação musical e nós pela programação literária. Então, da mesma forma que nós pensamos uma programação e apresentamos pra eles aprovarem ou não, a mesma coisa acontece com a programação musical. O curador da programação musical, desde 2012, é Sergio Siqueira, que é o responsável pela parte de cultura na Rede Bahia, é o diretor do programa Aprovado e faz outras coisas relacionadas a cultura na Rede Bahia. Então ele faz a programação musical e, depois da nossa aprovação, ele contacta os músicos e aí o resto da produção vem pra CALI. Viabilização de ônibus, cachê, pagamento de cachê, camarim, toda a lojistica do evento é feita pela CALI, passagem, hospedagem, alimentação, mobiliário, contratação de cenário, cenógrafo, colocar o evento de pé é a CALI que fica a frente e a iContent auxilia, indicando fornecedores, indicando outras opções que a gente precisa, sempre que a gente precisa de alguma coisa solicita e eles entram em execução também, mas a frente da execução é da CALI.
A captação é divida. A gente faz um planejamento de captação, vê quais são os possíveis novos clientes e atende os clientes antigos. Por exemplo, a Oi foi a primeira patrocinadora da FLICA, entrou em 2011, foi conseguida pela Putzgrillo, então esse contato da Oi sempre é renovado pela gente, através de edital e outros contatos. A conta do governo, por exemplo, que são a Secretaria de Educação e a Secretaria de Turismo, começou com a gente e depois passou para a Rede Bahia. A Bahiatursa, que patrocina o evento desde 2011, começou com a gente e depois passou para captação pela Rede Bahia. A Petrobrás quem trouxe foi a Rede Bahia. A gente continua conversando com a Petrobrás e eles continuam nessa frente. A Coelba foram eles que trouxeram para o evento em 2012, como patrocinadora master, e, a partir de então, eles fazem esse contato. E tem outros patrocinadores que a gente divide e vai fazendo, mas sempre a prioridade é pela renovação. Os masters que nós tivemos foram a Oi, a Coelba e o Governo da Bahia. O governo estadual é o principal patrocinador, a Oi e a Coelba entraram pelo FAZCULTURA. O aporte de patrocínio direto para o evento ainda é muito pequeno, está bem longe do que deveria ser de ideal. Então, basicamente 80% do evento é feito pelo FAZCULTURA. O restante são pequenos apoios, na verdade. Nesse ano de 2014 estamos indo para a quarta edição e a gente ainda não sinalizou que vai ter patrocínio pela Lei Rouanet, a gente todo ano tira a carta da Rouanet e não consegue patrocinador. Isso é uma triste realidade, já que a FLICA, já em sua quarta edição, é um dos principais eventos da Bahia em atividade, calendarizado, reconhecido, inclusive nacionalmente, e não consegue patrocinador pela lei Rouanet.
Como e por que a FLICA foi idealizada?
Em 2008, eu estava buscando montar uma produtora. Eu tinha me formado em jornalismo na Facom em 2006, mas nunca trabalhei no jornalismo, sempre trabalhei com produção. Então já estava naquela de montar, trabalhei em 2007 com leis de incentivo e aí em 2008, quero ser empresário, quero montar um negócio, a partir do momento em que eu ganhei o edital nacional do prêmio Bahia de Todos os Rocks, realizado pela Oi. Digo isso porque foi aí que a gente começou a relação com a Oi. Fizemos o prêmio Bahia de Todos os Rocks em 2008 e 2010, que foram bem realizados, bem cotados, e isso deu abertura para que a Oi patrocinasse
a FLICA em 2011. Foi por causa dessa história que nós tínhamos, que foi o capital semente pra FLICA. Então, em 2008, ganhei o prêmio e decidi abrir uma empresa. Então busquei entre os colegas da Facom alguém para ser sócio. Comecei a conversar com Alan Lobo, que é formado na mesma turma, em produção cultural, na Facom, para fazer essa empresa. Sentamos um dia para fazer o escopo de quais projetos nós deveríamos realizar. Eu apresentei cerca de dez sugestões de projetos e Alan só apresentou uma. A grande ironia é que foi a ideia dele foi a única que sustentou até hoje. Ele veio com a ideia que ele gostaria muito de realizar enquanto produtor o case de sucesso que acontecia em Paraty, com a FLIP. A Festa Literária de Paraty é a grande referência de festas literárias no país, pois é a pioneira, a que deu certo, a desbravadora de caminhos e está aí há 12 anos. Então ele veio com essa sugestão e aí eu perguntei: sim, festa literária, beleza, aqui em Salvador? Não, em Cachoeira. Por que Cachoeira? Porque, existem vários motivos. Ele falou de Cachoeira, eu aceitei e vi na hora que era um grande filão. Não tinha festa literária na Bahia, o único evento literário da Bahia com relevância é a Bienal do Livro, que estava sendo extremamente criticada por público, pelo governo e pelos patrocinadores. Então era o grande filão. Não tem nenhum evento literário de grande porte, e é preciso ter um evento literário de grande porte na Bahia, porque a Bahia tem uma tradição literária, então conceitualmente era bem aceito, por exemplo não era num estado que ninguém nunca ouviu falar de um escritor, é um estado que tem Jorge Amado, etc. Então é um outro filão. Por exemplo, a gente não pensou num festival. Aqui na Bahia o que você pensar de cultura tem alguém fazendo. Mas tinha o filão de estar faltando um evento e mais o filão do segmento cultural deste evento é relevante para o Estado. Então era um duplo filão.
Vamos para o terceiro ponto. Festa Literária não funciona em capital, isso é fato, não funciona. Desde o seu surgimento, a festa literária no país de Gales foi feita em cidades do interior. Cidades bucólicas, que tivesse um viés histórico e que já tivesse um fluxo turístico estabelecido. Então a festa literária é diferente de feira. Feira é um lugar que você entulha um bocado de livro e tenta vender. A festa literária o foco é o encontro com o autor, então é completamente diferente. Há venda de livros, mas é o que menos importa. O que importa é você está sentado próximo do autor e não só você prestar atenção na palestra dele, como também você conviver com ele, porque ele tá na cidade, tá hospedado, tá circulando, tá curtindo. É um outro tipo de experiência que todo mundo quer, por isso que a festa literária é um grande sucesso. Festa Literária, por sinal, é o principal tipo de evento hoje no país em atividade. Tanto que as feiras começaram a copiar as festas, com alguns encontros, tentando ter uma festa literária dentro da feira, mas não vão conseguir, porque a festa literária, ela precisa de que a cidade ambiente o evento. Então Cachoeira era perfeita, porque é uma cidade histórica, uma cidade que tem um casario histórico, uma arquitetura lindíssima, é uma cidade que respira cultura, que tem uma religiosidade espetacular e que para logística de evento é perfeita, porque está a 1h30min da capital. A ideia do produtor que a teve (Alan Lobo) foi uma ideia por adorar Cachoeira, achar linda e querer realizar uma festa literária na cidade. Foi uma ideia que surgiu de uma relação afetiva, que a Putzgrillo Cultura, no caso eu e Marcus Ferreira, nós enquanto profissionais envelopamos tudo isso que estava evidente para se tornar um produto atrativo. E, dessa forma, o Alan se tornou sócio do projeto junto com a Putzgrillo. E acrescentamos a quarta cabeça da FLICA, que é alguém que tivesse inserido no meio literário, um autor de fato, que dissesse que a literatura está representada neste lugar, e foi aí que nós convidamos o Aurélio Schommer, meu amigo pessoal e presidente da câmara baiana do livro na época, em 2009. Em setembro de 2009 fundamos a FLICA. A partir de setembro de 2009, idealizando, montando o projeto, pra ver como é que seria, Aurélio fez a primeira programação e aí caímos em campo para correr atrás de patrocinadores e não conseguimos nada em 2010. A gente só conseguiu alguma coisa quando nós escrevemos o
projeto em 2010 no edital 2010/2011 do Oi Futuro e nós ganhamos. Em 2011, em março saiu o resultado, fomos contemplados com 200 mil reais pra poder realizar a primeira edição da FLICA. Então foi por causa desse capital semente, da Oi, porque eles viram a pontecialidade do projeto, mas também pelo currículo que já tínhamos por causa do Bahia de Todos os Rocks. E foi por causa do patrocínio de 200 mil reais, que não é um patrocínio pequeno para um começo, e que na época não pagava o projeto, era apenas metade, esse patrocínio abriu as outras portas. Chegamos no mercado, chegamos no governo, chegamos na Rede Bahia, e o patrocínio da Oi abriu essas portas.
Porque é denominada de festa? A FLICA pode ser caracterizada como um festival?
A festa literária celebra o encontro com o autor. O foco não é a venda do livro, a feira o foco é a venda do livro. Por isso que é festa literária, por que é o momento da celebração da literatura, celebração do encontro com o autor, não da compra de livro. O livro faz parte da festa, mas é apenas um dos componentes. No enquadramento do FAZCULTURA, ele é enquadrado como um festival, embora que não leve essa denominação. Por que não é festival de literatura? Porque desde a criação desse gênero, festa literária, ele foi batizado como festa e não como festival, embora que, a festa literária é realmente um festival. Por que é um festival? Porque ele congrega muita coisa. Nós temos na FLICA, temos a programação principal que é formada por 12 mesas, com autores internacionais, nacionais, e locais, temos a Fliquinha que é uma programação infantil. Todos os dias do evento, nós temos a programação musical, já exibimos peça de teatro, nós ambientamos a cidade com o evento, que dá uma cara de festival, porque outros artistas que não fazem parte da grade do evento, vão, aproveitam o momento do evento para ir na cidade apresentar a sua arte, vender o seu livro, apresentar seu artesanato, fazer suas peças de teatro, fazer seus shows em barzinhos, apresentar suas esculturas, fazer exposição fotográfica, fazer exposição de obras de arte, recitais, então vira um festival multicultural. Não que isso faça parte do nosso guarda-chuva, mas acontece, é intrínseco que isso aconteça, então, a nomenclatura precisa ser festa literária e não festival, porque foi vingado, tanto lá fora quanto a FLIP pioneira, como festa, então a gente segue esse padrão, esse padrão FLI, festa literária internacional.
Quais os principais objetivos do projeto?
Os principais objetivos são: 1) realizar um evento Festa Literária na Bahia, que não tinha. 2) realizar um evento Festa Literária em Cachoeira, com as especificidades da cidade. 3) territorializar a cultura, ou seja, retirar desse foco da capital e partir para um evento, fazer um evento no interior e com a linha de patrocínios dessa gestão do governo da Bahia na área de cultura que é descentralizar a ação das verbas e territorialização dos eventos 4) promover um evento refinado na cidade de Cachoeira, que isso influencia na elevação da auto estima das pessoas 5) criar um novo fluxo turístico na cidade, porque a cidade já tinha um fluxo turístico da Boa Morte, da Festa D’Ajuda, do São João, mas faltava ter um grande evento de cultura calendarizado e que pudesse ter uma inserção nacional e que não fosse ligado a cultura afro, nem religiosa. Porque a Boa Morte, ela tem uma atração internacional, só que ela é ligada ao turismo etnocêntrico. Então era pra ter, criar um evento que pudesse ter esse fluxo turístico de um evento mais universal, vamos dizer assim, que pudesse abranger qualquer tipo de interesse cultural aí envolvido. 6) fomentar o turismo 7) fomentar a economia da cidade 8) promover ao longo do tempo melhorias nos serviços, porque com a demanda a cada ano que é criada, naturalmente aparece mais investimentos na cidade, novas pousadas, novos hotéis, qualificação dos serviços 9) termos educacionais, fundamental, botar o povo pra ler e a Flica
serve de desculpa boa, para colocar o livro na pauta do povo de Cachoeira. É diferente de você ter um evento como o São João que é um evento predatório, de puro entretenimento. A FLICA leva pessoas mais civilizadas, mais comedidas, mais educadas e isso acaba refletindo também na população. A população tem acesso aquele tipo de evento predatório e reproduz aquele comportamento. Quando você traz um evento como a FLICA a população tenta se adequar esse tipo de comportamento e a FLICA não é um projeto predatório e deixa legado. Deixa essa trajetória na educação do município, já que a gente traz obras, faz doação de livros. Os patrocinadores, como o Sesi, por exemplo, gosta muito de doar livros, então doamos esses livros para as escolas. A Secretaria de Educação também aporta uma grana para fazer trabalhos com as escolas, então tem toda essa preparação dessa nova geração, desses habitantes de Cachoeira a ter uma proximidade com o livro, com a leitura com a educação em si, é muito diferente. Deixa legado porque? Porque está colocando para as pessoas essa boa educação, esse refino, essa vontade de estar num ambiente interessante, intelectual, que promove a difusão do pensamento e não apenas em entretenimento. A FLICA é um tipo de evento que deixa legado e por isso que ela deu certo.
Que interações a FLICA tem com os setores correlatos como a hotelaria, gastronomia, transporte, para a execução do projeto?
A única coisa que existe pode ser algum tipo de interesse de agencia turismo, que também não existe, se você for apresentar o produto em números. A FLICA não faz pesquisa, quem faz as pesquisas é a prefeitura. Da onde vem, porque veio, quanto tempo vai passar, onde está hospedado... Essas pesquisas padrão... Pra identificar. Só que a mostragem é muito pequena. Tipo... A gente leva 30 mil pessoas e eles entrevistam 500 pessoas. Mas a gente não faz essa pesquisa, a gente só faz pesquisa numérica. A gente conta quantas pessoas entram numa programação principal, quantas pessoas vão pra programação da Fliquinha e faz uma contagem junto com a Polícia Militar de quantas pessoas estão estimadas na cidade, uma pesquisa de público. Essa pesquisa qualitativa a gente não faz porque a gente já faz coisa demais. Quem tem que fazer isso são os órgãos do governo... Secretaria de Turismo, de Cultura... É o governo que tem que fazer isso. Isso é política pública.
Eu não preciso fazer esse tipo de pesquisa porque eu não vendo ingresso. Quem faz evento, quem faz pesquisa, é porque precisa qualificar o público consumidor. E a Flica não tem consumidor. As portas da Flica são abertas. Então não tem necessidade que a gente faça. A gente estrutura o evento e ele tá ali, a gente só procura aprimorar a divulgação dele, esse ano por exemplo a gente está focado em divulgação nacional porque a gente já percebeu que a divulgação no Estado já está tomada, todo mundo já conhece, todo mundo sabe da FLICA, então a gente precisa agora do turista de fora, a gente precisa dizer que a FLICA é massa, a FLICA é a opção da FLIP, é isso que a gente tá buscando, porque a FLIP já enjoou e as pessoas não vão pra FLIPORTO, a FLIPORTO não vira, que é a FLIP de Pernambuco que acontece a quase 10 anos e não consegue virar.
Os setores correlatos em Cachoeira têm se qualificado a passos de tartaruga, mas têm. Essa é a crítica, porque por exemplo, a quantidade de leito há anos é insuficiente e isso pode estrangular o evento daqui a curto tempo, inclusive. A gastronomia foi muito ruim, mas já deu uma melhoradinha e a gente espera que esse ano melhore mais. O que falta é que o empresariado de Salvador não percebeu a potencialidade da FLICA. A partir do momento em que algum desses restaurantes de Salvador for para Cachoeira, os estabelecimentos locais vão correr atrás, porque vão ver que qualquer restaurante de Salvador que desça pra lá vai tomar o público inteiro. Então, é um passo de tartaruga esse tipo de qualificação e também não há como cobrar da coordenação da FLICA esse tipo de coisa, porque não é da nossa responsabilidade. Nossa responsabilidade é fazer sempre um evento espetacular, e ele é, e
ainda é gratuito. Então nos preocupamos em levar uma ótima programação, levar as melhores atrações, divulgar bastante o evento, ter uma estrutura confortável, atender bem ao público, que os livros estejam lá para serem vendidos, que o autor esteja disponível na hora certa para poder autografar os livros, essa é a nossa obrigação, garantir que as atrações que a gente anuncia estejam lá. Mas essas outras coisas, e que são imprescindíveis para o evento, não dá para a gente resolver. O que a gente tentou fazer foi abrir os olhos de alguns empresários para Cachoeira, mas não houve interesse. Em relação à hotelaria também não tem como. A secretaria de turismo é patrocinadora do evento desde a primeira edição, eles sabem que precisam melhorar, já fizeram algumas qualificações no setor para suprir essas carências, só que é uma luta árdua. Porque, por exemplo, o empresário precisa que realmente tenha um fluxo turístico o ano inteiro na cidade para que compense ele abrir um negócio, seja hotel, restaurante, lá em Cachoeira. Enquanto não há esse boom cultural em Cachoeira comprovado de fato não vai ter essa "Paratyzação" da cidade. Porque Paraty se tornou Paraty, por causa da FLIP, apenas? Não. Paraty tinha uma potencialidade, ela fica do lado de São Paulo, é a praia de São Paulo, é a praia cultural de São Paulo, então é bem diferente, outra realidade. Mas,