EXPANSÃO SUL-SUDESTE
Os anos 1980 constituíram para a região de Ribeirão Preto um período econômico distinto, do ponto de vista macroeconômico, da situação nacional de crise121. O programa Proálcool implantado desde 1975 se ampliou, provocando um impacto positivo nas cidades da região, sobretudo, no município: o fluxo de renda e capital aumentou e garantiu uma geração de empregos contínua, particularmente nos setores comercias e de serviços urbanos, absorvendo 26% da população economicamente ativa do estado de São Paulo. Desta, 83,1% estava vinculada ao setor terciário da economia [comércio e serviços], enquanto que 13,9% encontravam-se no setor industrial e apenas 3%, na agricultura.
O município de Ribeirão Preto tornou-se responsável por 40% da receita de sua região administrativa, graças à articulação da agricultura à indústria automatizada, isto é, ao bom funcionamento agroindustrial.
áoà o t ioàdaàestag aç oàdaàe o o iaà a io alàeàdoà ai oà es i e toàdoàEstadoàdeà“ oàPaulo,à ueàfi ouà abaixo do crescimento nacional, a região de Ribeirão Preto, abrigando uma agricultura articulada à agro- i dúst ia,à oltadaàpa aàoà e adoàe te o,à egist ouà es i e toàe o i o.122
Entretanto, Ribeirão Preto registrou uma semelhança para com o estado de São Paulo e o país no período: uma diminuição no ritmo do crescimento populacional que na década de 1970 constituiu dados de 48,4%, baixando para 38,9% nos anos 1980 e para 16,6% na década de 1990. A população do município tornou-se majoritariamente urbana, representada por um índice de 99,6%. Esse significativo aumento foi uma resposta à demanda de empregos urbanos, originária da oferta no setor terciário e também no secundário, sendo que, se em 1970 a indústria local respondia a 25% do produto industrial do estado, em 1991 passou a ser responsável por 45% dele.
ál àdeàseàto a ,àaoàlo go da década de 1980, o segundo aglomerado industrial do país, o interior [paulista] teve, também, desenvolvidas suas atividades terciárias, no contexto do processo mais amplo de modernização da vida urbana, com a reestruturação de mercados de bens de consumo resultante do desenvolvimento tecnológico e dos meios de comunicação. Na década de 70, o crescimento do chamado terciário moderno já foi mais intenso
oài te io àdoà ueà aà et pole. 123
Os desdobramentos desta [privilegiada] situação econômica na composição morfológica do município foram verificados na sua expansão que compreendeu, basicamente, a verticalização de bairros localizados contiguamente às regiões sul da AQC-Área Especial do Quadrilátero Central, tais como os loteamentos Higienópolis e Jardim Sumaré; a continuidade dos deslocamentos dos segmentos populacionais de renda elevada para o vetor Sul-Sudeste, cujos loteamentos horizontais de baixas densidades ainda não constituíam uma ocupação intensa; bem como as implantações de habitações de
121 Para compreender melhor esta questão, ver:
SEMEGHINI, U. C. A Região Administrativa de Ribeirão Preto. In: VÁRIOS AUTORES. Cenário da Urbanização Paulista. Vol.IV. FECAMP – IE – UNICAMP. São Paulo. Fundação SEADE. 1992.
122 CALIL Jr., O. Op. Cit. p.141. 123
interesse social vinculadas às ações da Companhia Habitacional de Ribeirão Preto [COHAB-RP] e do Banco Nacional da Habitação [BNH] nos quadrantes Norte e Oeste, voltadas ao atendimento dos extratos populacionais de baixa renda, [vide FIGURAS 62 e 63]:
Co oà uaseà todas as cidades brasileiras de médio porte, Ribeirão Preto apresentou padrões de urbanização dispersa desde os anos 1970, com a segregação clara entre zona norte – constituída em grande parte por conjuntos habitacionais promovidos pelo BNH – e sul, configurada para as camadas de mais alta renda. Em ambos os casos o desenvolvimento da malha urbana foi tentacular, propiciando a formação de inúmeros vazios. Nos anos 1980 o desenvolvimento imobiliário voltado às camadas de mais alta renda aconteceu por meio da verticalização do centro da cidade, em um processo que envolveu a demolição de vários casarões antigos do pe íodoà u eoàdoà af à[fi alàdoàs uloàXIXàeài í ioàdoàXX]à[Miglio i i, ].124
124 GARREFA, F. O Ribeirão Shopping e suas quatro expansões: um retrato da evolução dos espaços e estratégias utilizadas pelos shoppings centers brasileiros. Artigo apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo. 2004. p.1-11. Disponível em: <http://www.usp.br/fau/depprojeto/labcom/produtos/2004_garrefa_ribeiraoshopping.pdf>. Acesso em out/2012. p.4.
Não negando a importância que as áreas centrais ainda conferiam ao município, a implantação de vias conforme o Plano Viário da década de 1960 e a dispersão de atividades do setor terciário admitiram dimensões relevantes a partir dos anos 1980: em diversas vias de fluxo intenso conformaram-se os chamados eixos comerciais.
Para Spósito [1991], o que ocorreu foi o desdobramento da área Central e de suas funções em outras regiões da cidade, com distinções específicas segundo o local ao qual se destinaram. Além de não estarem, necessariamente, localizados em regiões contíguas ao centro, tais eixos admitiram atividades de toda ordem, porém, de forma especializada, com uma clara definição de quais eram as suas especificidades e a qual extrato populacional seus serviços estavam vinculados125.
Realizando um paralelo com as análises de Villaça [1978, 1998] sobre as metrópoles brasileiras, observa- se um processo semelhante quanto ao surgimento de subcentros nas mesmas e em Ribeirão Preto. De acordo com o autor:
[...]à aà d adaà deà à a ou,à e à todasà asà o asà et polesà eà es oà as cidades médias, o início do dese ol i e toàdasàg a desà su - egi esàu a as àdeà o ioàeàse içosà oltadosà pa aàasà a adasàdeà altaà renda; para essas sub-regiões transferiram-se lojas, consultórios, cinemas, restaurantes, bancos e profissionais liberais, estabelecimentos de diversão, etc. que atendiam àquelas camadas e que se localizavam no centro p i ipal.126
Talvez haja algum deslocamento temporal [ou características próprias], mas este que não nega o processo identificado, apenas o atualiza em relação à cidade de Ribeirão Preto: apesar de ter se configurado como um desdobramento recente, vindo a ocorrer a partir do final da década de 1970, a formação do eixo comercial que englobou as avenidas Nove de Julho, Independência e Presidente Vargas, reconhecida como sub-região Sul-Sudeste, possuiu uma importância fundamental à pesquisa, já que se constituiu pela região de atendimento aos segmentos de alta renda da população local.
Verificou-se, então, um direcionamento do parcelamento, uso e ocupação do solo da região Sul-Sudeste de Ribeirão Preto para a moradia e as atividades comerciais e de serviços vinculados aos segmentos de alta renda. Analogamente ao que disse Singer [1979], em suas análises sobre os deslocamentos da elite paulistana:
E isteà oà fatoà de, em determinadas condições, empresas e indivíduos disputarem áreas idênticas do espaço urbano. Isto se dá sobretudo com empresas que utilizam os mesmos serviços urbanos – transporte, comunicações, comércio varejista, etc. – que a população. Há uma nítida tendência, por exemplo, de certas empresas e serviços [escola, agências de publicidade, imobiliárias, bancárias, etc.] invadirem antigos bairros residenciais em São Paulo. Isso tudo tem por conseqüência unificar o mercado imobiliário em cada cidade, fundi doàasàde a dasàpo àusoàp oduti oàeàha ita io alàdoàespaço.127