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La difficile mesure des effets du PARE-PAP

CHAPITRE 3 : Faire de l’emploi une option réelle et attractive pour tous

2. Prévenir le chômage de longue durée par un accompagnement plus individualisé systématisé

2.3. La difficile mesure des effets du PARE-PAP

Dentro do movimento pela busca por Cidades Saudáveis alguns temas têm vital importância no direcionamento das ações que visam à melhoria da qualidade de vida da população. Entre eles se destaca a tendência pelo aumento da participação social e de implementação de ações intersetoriais. A superação das iniquidades existentes passa necessariamente pelo campo de atuação de todos os seguimentos sociais e pela gestão integrada e intersetorial.

A participação de amplos setores sociais é referida como a base de sustentação da cidade saudável, constituindo-se em um elemento central que permeia todos os conceitos que dão suporte à proposta. [...] descentralização, intersetorialidade, papel do estado, estabelecimento de políticas públicas saudáveis, [...] esses conceitos fundamentam e podem contribuir para definir estratégias de ação participativas (MENDES, 2000, p. 29).

A busca pela melhoria das condições de saúde e construção de Cidades Saudáveis perpassa pelas ações participativas que reúnem, apoiam e mostram métodos cooperativos e inovadores para solucionar os problemas urbanos. Alianças e parcerias trazem como benefício a colaboração, o compartilhamento de informações e recursos para lidar com as mais variadas questões. Este conjunto de informações partilhadas, decididas coletivamente e de forma participativa propicia o desenvolvimento de políticas saudáveis mais eficazes (MATHIAS, et al., 2010).

Uma faceta do mandato de uma Cidade Saudável é a de: desenvolver e supervisionar o processo de participação da comunidade em todos os níveis e em todos os setores da cidade. A democracia local é fundamental para garantir que o modelo de Cidade Saudável seja mais do que mera teoria. Os projetos de uma Cidade Saudável fazem com que o povo tenha um papel ativo na tomada de decisões que afetem a saúde de sua cidade. A

participação do cidadão nos processos de administração é uma forma valiosa de se conseguir uma Cidade Saudável. Os funcionários facilitam, coordenam e fornecem o apoio aos conselhos e comissões de cidadãos e às forças-tarefas para identificação de políticas, instrução pública e para trabalhar com problemas específicos (MATHIAS, 2010, p. 94).

Mendes (2000) aponta que para se produzir a saúde socialmente se faz necessária a busca constante pelo aprimoramento da intervenção coletiva de maneira organizada. Assim será possível intervir nas determinações ambientais, socioeconômicas e culturais (locus das enfermidades), possibilitando assim a mudança de práticas que atentam contra a saúde. “Produzir saúde socialmente significa também intensificar as políticas sociais, que são eminentemente públicas” (MENDES, 2000, p. 21).

No Brasil, a partir da promulgação da Constituição Federal no ano de 1998, vários foram os mecanismos instituídos de forma a garantir a democracia tendo como alicerce a participação social. A partir disso várias câmaras foram criadas (conselhos, conferências, ouvidorias, audiências, entre outras ferramentas de participação social). Entre as ações, pode-se destacar a Política Nacional de Participação Social (PNPS), instituída através do decreto nº 8.243, de 23 de maio de 2014.

A Política Nacional de Participação Social (PNPS) visa fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre o governo federal e sociedade civil. A política estabelece objetivos e diretrizes relativos ao conjunto de mecanismos criados para possibilitar o compartilhamento de decisões sobre programas e políticas públicas, tais como conselhos, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, consultas públicas, audiências públicas e ambientes virtuais de participação social (BRASIL, SECRETARIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2014, s.n.).

Apesar de recente, a PNPS tem contribuído no direcionamento da melhoria da eficácia no processo de participação popular. O movimento pela busca por Cidades Saudáveis deve tomar para si as possibilidades abertas a partir deste decreto, com vistas a intensificar os processos de participação popular nas cidades e assim possibilitar novas formas de desenvolvimento social participativo.

O principal objetivo da PNPS é a consolidação da participação social como método de governo. Para tanto, todos os órgãos e entidades da administração pública federal, direta e indireta (respeitadas suas especificidades), deve elaborar um plano de ação para ampliação e fomento da participação social. Nesse sentido, há avanços no Brasil, visto que a partir do decreto apresentado, existem instrumentos institucionalizados de participação social.

Art. 3º São diretrizes gerais da PNPS:

I - reconhecimento da participação social como direito do cidadão e expressão de sua autonomia;

II - complementariedade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta;

III - solidariedade, cooperação e respeito à diversidade de etnia, raça, cultura, geração, origem, sexo, orientação sexual, religião e condição social, econômica ou de deficiência, para a construção de valores de cidadania e de inclusão social;

IV - direito à informação, à transparência e ao controle social nas ações públicas, com uso de linguagem simples e objetiva, consideradas as características e o idioma da população a que se dirige;

V - valorização da educação para a cidadania ativa;

VI - autonomia, livre funcionamento e independência das organizações da sociedade civil; e

VII - ampliação dos mecanismos de controle social. A PNPS foi construída por meio de amplo processo participativo, tendo a minuta do Decreto sido submetida a consulta pública virtual no portal da Secretaria-Geral. Foram recebidas mais de 700 contribuições durante a consulta pública.

(BRASIL, DECRETO PRESIDENCIAL N° 8.243, DE 23 DE MAIO DE 2014).

Entre as diretrizes na PNPS, cabe destacar também o direcionamento da política para ações de integração e transversalidade. Temas que estão intrínsecos as estratégias do movimento Cidades Saudáveis voltadas para a intersetorialidade.

A intersetorialidade das políticas públicas passou a ser uma dimensão valorizada à medida que não se observava a eficiência, a efetividade e a eficácia esperadas na implementação das políticas setoriais, primordialmente no que se refere ao atendimento das demandas da população e aos recursos disponibilizados para a execução das mesmas. Deste modo, a intersetorialidade passou a ser um dos requisitos para a implementação das políticas setoriais,

visando sua efetividade por meio da articulação entre instituições governamentais e entre essas e a sociedade civil (NASCIMENTO, 2010, p. 2).

O Encontro Internacional sobre a Saúde em Todas as Políticas, realizado em Adelaide (Austrália), em 2010, concluiu que só é possível essa construção de Cidades Saudáveis através da intersetorialidade. O encontro objetivou o comprometimento dos líderes das políticas públicas para que considerem a saúde e o bem-estar, conceitos base para a estratégia de governança, com políticas horizontais, integradas e cooperativas entre os diversos setores do governo e a sociedade, para atuar sobre os determinantes sociais da saúde (MENDES, 2000).

Não se pode governar para a criação de Cidades Saudáveis sem intersetorialidade. Foi o que o Encontro Internacional sobre a Saúde em todas as Políticas, realizado em Adelaide, em 2010, concluiu. O encontro teve como objetivo comprometer os líderes e os formuladores de políticas públicas para que considerassem a saúde e o bem-estar como conceitos de base para uma estratégia de governança, com políticas horizontais, integradas e cooperativas entre os diversos setores do governo e a sociedade, para atuar sobre os determinantes sociais da saúde (LAWLESS et al., 2012; LORRAINE; BIALYSTOK, 2011; OMS, 2010; STAHL et al., 2006

apud LIMA, 2013, p. 20).

A carta de Adelaide, resultado do referido encontro, estabeleceu que para se conquistar uma governança intersetorial, há a necessidade de a saúde estar presente em todas as políticas públicas. Para que isso venha a acontecer se faz necessário o estabelecimento de comitês interministeriais e interdepartamentais, com equipes de ação multisetoriais, com orçamentos e contabilidade integrados, com transversalidade nas informações e nos sistemas de avaliação, plataformas regulares para o diálogo e solução de problemas entre os setores dos governos e a sociedade civil (OMS, 2010 apud LIMA, 2013).

Para que a estratégia saúde em todas as políticas avance, o setor saúde precisa aprender a trabalhar em parceria com outros setores. Será imperativo explorar inovações no universo das políticas, novos mecanismos e instrumentos, assim como promover melhorias ao quadro regulatório. Isso demanda um setor saúde que pensa para fora, que seja aberto para os outros e que possua o conhecimento e as habilidades necessárias, assim como a mandato, para tal. Isso também significa melhorar a capacidade de coordenação e dar apoio

aos defensores da causa no bojo do setor saúde (DECLARAÇÃO DE ADELAIDE, 2010, p. 3).

As experiências adquiridas através da participação social e da intersetorialidade auxiliam no amadurecimento das estratégias de promoção da saúde, e ao mesmo tempo se complementam, visto que o desenvolvimento da promoção da saúde também eleva o nível da participação social e trás benefícios as ações intersetoriais e no desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes.

A promoção da saúde, considerada como sendo instrumento conceitual, político e metodológico em torno do processo de saúde-doença visa, sobretudo, analisar e atuar sobre as condições sociais, buscando melhorar as condições de saúde e de qualidade de vida (CERQUEIRA, 1997; BUSS, 1998 apud MENDES, 2000). Portanto, para se alcançar a eficácia nas estratégias de promoção da saúde se faz necessário sempre mais buscar alternativas que apoiem a participação social e a intersetorialidade.

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