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3 "Les théories cognitives de la perception"

CHAPITRE 2 : L’IDENTIFICATION PERCEPTIVE

1. Distinction de cinq tâches en étroite relation avec l’identification perceptive

1.3. La reconnaissance, l’identification et la catégorisation

1.3.2. Selon Streri (2011), la relation entre l’identification perceptive et la théorie de l’information

1.3.2.2. La conception "orchestrale" de la communication

Assim como a pessoa com deficiência mental, o deficiente físico também possui uma história marcada por maus-tratos, desprezo e repulsa por parte da sociedade. Historicamente, é considerado um indivíduo desviante, pois sua diferença física foge, rompe e viola o padrão físico estabelecido dos seres humanos considerados normais. O deficiente físico viola a própria natureza do que é considerado perfeito.

Vivemos em uma época em que a aparência física e a estética são exaltadas constantemente. Convivemos diariamente com a ditadura da beleza, em que o belo, o bonito, o perfeito e a destreza são condições básicas exigidas ao homem para que ele participe efetivamente da vida social. Aqueles que não possuem esses atributos são excluídos e afastados de vários momentos da dinâmica social. Podemos dizer que existe em nossos dias

uma seleção social de quem pode e deve fazer parte da sociedade. Antigamente prevalecia a seleção natural física. Segundo Rosana Glat (1995),

“[...] desde que os primeiros homens surgiram na face da Terra, tem persistido o processo que Darwin denominou de seleção natural - sobrevivência do mais dotado - em que apenas os mais fortes e mais capazes de lidar eficientemente com o meio sobrevivem enquanto que os mais fracos, menos dotados e menos eficientes (ou seja, os deficientes) perecem”.

Com o passar dos tempos, entretanto, não só o vigor físico passou a ser cobrado do homem para que ele se fizesse presente no convívio cotidiano da sociedade. Em razão do progresso e do desenvolvimento da civilização em vários segmentos, o homem precisa, atualmente, dominar técnicas, ter conhecimentos diversos, reunir condições básicas para lidar efetiva e independentemente com o meio ambiente.

Os deficientes físicos são historicamente tratados de modo estigmatizante. São a eles atribuídos estigmas que os acompanham durante toda a vida. Os estigmas constituem sentimentos e atitudes negativas das pessoas com deficiência.

Goffman (1988, p. 11) afirma que

Os gregos, que tinham bastante conhecimento de recursos visuais, criaram o termo estigma para se referirem a sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de extraordinário ou mau sobre o status moral de quem os apresentava. Os sinais eram feitos com cortes ou fogo no corpo e avisavam que o portador era um escravo, um criminoso ou traidor - uma pessoa marcada, ritualmente poluída, que deveria ser evitada; especialmente em lugares públicos. Mais tarde, na Era Cristã, os dois níveis de metáfora foram acrescentados ao termo: o primeiro deles referia-se a sinais corporais de graça divina que tomavam a forma de flores em erupção sobre a pele: o segundo, uma alusão médica a essa alusão religiosa, referia-se a sinais corporais de distúrbio físico. Atualmente, o termo é amplamente usado de maneira um tanto semelhante ao sentido original, porém é mais aplicado à própria desgraça do que à sua evidência corporal.

Conforme podemos constatar na expressão de Goffman, o sentido de estigma está relacionado a coisas negativas, desgraças e sentimentos de negação. Sendo assim, as pessoas com deficiência física sofrem com essa forma de tratamento dispensado a elas, pois, se antes eram aniquiladas por maus tratos físicos que as levavam até a morte, hoje perecem não mais como antigamente, mas de outras formas: quando são excluídas do convívio social, quando

lhes são tirados ou ocultados os seus direitos e deveres, quando não são tratadas como cidadãos.

Muitos dos deficientes são desdenhados em razão do seu aspecto físico. Há diferenças que se tornam notórias demais, ao ponto de causarem estranhamento e repulsa aos olhos de quem as vê. Na verdade, depende muito da maneira como percebemos as diferenças. Algumas podem passar por nós como despercebidas, outras nos chamam a atenção. Vivemos, entretanto, em um mundo em que as diferenças existem há muitos anos, mas como afirma Omote (1994, p. 65) “as diferenças, especialmente as incomuns, inesperadas, bizarras, sempre atraíram a atenção das pessoas despertando, por vezes, temor e desconfianças”.

Portanto, podemos assinalar que a maneira como a deficiência é percebida depende do olhar de quem observa, de sua concepção de deficiência e de pessoa com deficiência. Mas, afinal, o que significa deficiência física?

Bezerra (2002, p. 144) define a deficiência física como sendo uma desvantagem, resultante de um comprometimento ou de uma incapacidade que limita ou impede o desempenho motor de determinada pessoa.

Para Maciel (1998 apud BEZERRA, 2002, p.144) a deficiência física implica falha nas funções motoras. Na maioria das vezes, a inteligência fica preservada, com exceção dos casos em que as células da área da inteligência são atingidas no cérebro.

Em virtude de suas possíveis limitações, a pessoa com deficiência física muitas vezes é vista como incapaz de realizar algumas atividades. É atribuída a ela o estado de incapacidade geral, pois suas potencialidades são ocultadas e suprimidas. Um indivíduo pode ter uma deficiência em um dos olhos, em um dos braços, em uma das pernas, porém, ele é quase sempre percebido como sendo totalmente deficiente, exaltando-se desse modo a única parte lesionada ou considerada diferente de seu corpo em detrimento das demais não lesionadas.

Os deficientes físicos denominados “cadeirantes”, ou pessoas que necessitam de cadeiras de rodas para se locomoverem, enfrentam diversas dificuldades cotidianamente, pois não temos estruturas projetadas para atender as necessidades dessas pessoas. De modo geral, as cidades brasileiras não foram projetadas pensando na existência e, por conseguinte, no deslocamento de tais pessoas. As barreiras arquitetônicas dificultam visivelmente o acesso delas a diversos espaços sociais, pois faltam rampas, elevadores nos transportes coletivos, serviço telefônico adequado à altura das pessoas que fazem uso de cadeira de rodas; as nossas

escolas não possuem rampas etc., dentre outros elementos que deveriam existir para favorecer a vida dessas pessoas.

Já é possível percebermos, entretanto, algumas mudanças relativas à acessibilidade dos usuários de cadeira de rodas em alguns espaços públicos em nossa cidade. Em Fortaleza, existem alguns ônibus do transporte coletivo que possuem elevadores; temos universidades que já contam com rampas em diversos espaços, garantindo assim o ingresso do aluno com deficiência física às salas de aula e demais locais da instituição universitária e, em algumas praças da cidade verificamos telefones públicos adequados à estatura dessas pessoas. Apesar de terem sido poucas as mudanças ocorridas na sociedade, que beneficiam as pessoas com deficiência física, constatamos, mesmo que lentamente, algumas ações que visam a favorecê- las. Aos poucos, elas vão adquirindo espaço em um mundo marcado pelo preconceito e a descrença.

Feitas essas considerações sobre as pessoas com deficiências, ressaltamos que os alunos com deficiência mental e deficiência física que participaram dessa pesquisa fazem parte de uma sociedade, ainda que preconceituosa, que hoje, supostamente vê neles seres capazes de superar suas limitações. Outro aspecto importante que ressoa hoje em nossa sociedade é o de que os alunos com deficiência acreditam que são capazes de se fazerem presentes nos diversos espaços e situações em que os ditos normais se encontram. A prova disso é a constatável matrícula deles na escola regular, a verificável presença nos dados de matrículas das escolas públicas de nosso país. No caso de nossos sujeitos de pesquisa, são alunos que não só lutam implicitamente ou explicitamente, às vezes sem se darem conta, pelo respeito às diferenças, bem como pelo direito de tê-las. Estão assim, construindo uma nova história de vida e ao mesmo tempo atuando como personagens principais.

Tenho. É a Fátima, a Mirtes e outros amigos. (Anita, 13 anos, aluna da 3ª série diagnosticada com deficiência mental)

5 “QUANDO A LUZ DOS OLHOS MEUS E A LUZ DOS OLHOS TEUS

RESOLVEM SE ENCONTRAR”: O ALUNO COM NECESSIDADES

EDUCACIONAIS ESPECIAIS NO CONTEXTO DA ESCOLA

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5.1 Momentos, flash de uma convivência: alunos com necessidades

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