• Aucun résultat trouvé

L’objectivation de valeur en question

Dans le document CRITIQUE DE LA VALEUR FONDAMENTALE (Page 49-54)

O processo de narração fílmica será aqui visitado sob um paradigma de ordem sistémica ou comunicacional entre autor e receptor (Bordwell, 2004). Utilizando as teorias da recepção cognitivas e da narratologia dos estudos fílmicos, vamos tentar perceber como opera o processo por intermédio de um esboço em diagrama dos conceitos.

Uma história é feita a partir dos eventos apresentados ou, como Bordwell diz, “the fabula embodies the action as a chronological, cause-and-effect chain of events occurring within a given duration and a spatial field” (1985:49). Contudo, a fabula para existir, precisa de possuir uma representação, ou seja precisa de ser narrada através de um medium (estilo) e de uma determinada forma (plot).

Diagrama 7 - Processo narrativo, de acordo com argumentação de Bordwell (1985: 49)

A fabula (história) situa a essência da mensagem, o conteúdo da história, enquanto a representação se refere à forma como essa história é apresentada consoante o medium utilizado. A representação é, assim, o processo de selecção de eventos, personagens e ambientes da história e a sua respectiva reorganização plasmada num qualquer medium: oral, textual ou audiovisual. Sendo o plot a matriz que estabelece a unidade face aos eventos, personagens e ambientes seleccionados da história. O estilo é uma conjugação entre as condições impostas pelo plot e as restrições de cada medium. (ex. Filme – Iluminação, Fotografia; Texto – tipos de letra, formato do papel; Oral – tom, postura)

A fabula é, então, uma representação puramente mental, “is thus a pattern which perceivers of narratives create through assumptions and inferences. It is the developing result of picking up narrative cues, applying schemata, framing and testing hypotheses.” (1985:49) Bordwell vê o processo de cognição de um filme por parte do espectador como uma actividade inferencial percepto- cognitiva, na qual define a percepção como “a process of active hypothesis testing. The organism is tuned to pick up data from the environment (.) perception tends to be anticipatory, framing more or less likely expectations about what is out there” (1985:31).

Vejamos, então, o processo narrativo entre o sujeito autor e o receptor espectador, começando pela imagem (1) do Diagrama 8. Partindo da perspectiva de quem conta a história, o realizador

“(…) the story is the sum total of all the events in the narrative. The storyteller can present some of these events directly (that is, make them part directly of the plot), can hint at events that are not presented, and can simply ignore other events.” (Bordwell, 2001)

Ou seja, ambos os sujeitos criam uma fabula mental da narrativa. Esta coincide nos pontos em que se intersectam, ou seja, nos pontos que o autor escolher apresentar directamente e/ou ainda aqueles em que deixe pistas. No entanto, diverge fora da intersecção no sentido em que as fabulas são criações mentais geradas com recurso à percepção e inferência, ou seja, esquemas mentais, protótipos, estereótipos e emoções ou imaginação subjectivos.

Assim, a parte de maior convergência entre ambos os sujeitos recairá sobre os eventos escolhidos para fazerem parte da representação ou processo narrativo, ou seja, a organização dos eventos (plot) e os processos estéticos utilizados (estilo). Isto, porque

“(…) from the perceiver’s perspective (...) all we have, is before us, is the plot – the arrangement of material in the film as it stands. We create the story in our minds on the basis of cues in the plot” (Bordwell, 2001)

Diagrama 8 - Processo comunicacional da Narração com Emoção. Processo apresentado subdivido em quatro camadas, para uma melhor leitura do processo de narração. (1) Autor/Receptor, (2) adição de Plot, (3) adição de Estilo, (4) adição de Emoção

Na segunda imagem (2) do Diagrama 8, podemos ver o Plot como uma escolha realizada a partir dos elementos da fabula do autor. Já na terceira imagem (3), o estilo afecto à escolha dos elementos ou seja ao plot, aparece do lado exterior da fabula do autor, uma vez que estes são representados por elementos não-diegéticos pertencentes ao medium em questão. Este círculo fecha a representação da narrativa.

Na última imagem (4), temos a emoção do receptor que é, por sua vez, inteiramente afectada pelo estilo escolhido, assim como pelas partes do plot que este considere importantes. Relativamente à “emoção” e contrariamente à ideia expressa por Bordwell, quando diz que a “spectator’s comprehension of the films’ narrative is theoretically separable from his or her emotional

responses”92 (1985:30), a sua inclusão, é aqui enquadrada com base nos estudos apresentados previamente no ponto 3.2 deste capítulo. A emoção do receptor é, assim afectada pelo estilo escolhido assim como pelas partes do plot que este considere importantes. Estando a emoção imersa na fabula do receptor, é natural e, tal como já foi dito anteriormente, que todo o processo emocional seja afectado pela construção imaginária que o receptor for construindo à volta da representação.

Sobre este processo LeDoux (2005) refere a veracidade da ocorrência da emoção em presença do artefacto fílmico. Refere-se ao fenómeno, explicando a estrutura emocional de um espectador face a um filme de terror. Assim,

“(…) when we watch a horror movie, we watch as the protagonist is about to go through something that we fully expect and anticipate. So even though as an audience member you may know in your mind that “this is safe nothing is going to happen to me” unconsciously your fear system has been activated (…) you feel the rush (of adrenaline), you feel the fear that your body is experiencing and going through, and is the second stage where you begin to cope with the fear response that you’re experiencing, that’s where consciousness comes in, and you say “well this is fine, because it’s not happening to me”. (LeDoux, 2005)

Ou seja, os três níveis de Damásio de que falámos no anterior capítulo: emoção, sentimento, consciência. A emoção ocorre. O sentimento de que ela decorre é aqui enfatizado por LeDoux como o cope, ou seja, o processo de gestão da emoção e posteriormente a consciência da emoção que neste caso se apercebe que o estímulo é ficção e por isso não necessita de agir comportamentalmente, mantendo-se sentado continuando a ver o filme.

Bordwell difere da teorização anterior, ao passar a defender um sujeito espectador como activo e co-produtor da realidade fílmica que lhe é apresentada. O processo por si definido como “hypothesisizing” é disso espelho, processo no qual o “spectator frames and tests expectations about upcoming story information” (1985:37). Ou seja, através de processos de inferência, o espectador passa a construir a realidade do filme de duas formas distintas, quer através dos estímulos da percepção, quer através de esquemas cognitivos constituídos por “expectation, background knowledge, problem- solving processes, and other cognitive operations.” (1985:31).

No mesmo sentido, Currie (1995) vai mais longe, introduzindo o processo da “simulação imaginária”, através do qual o espectador utiliza a sua imaginação para duplicar os eventos do filme, permitindo-lhe, assim, entrar no interior dos personagens, de forma a “observar como responderia em imaginação” (p.144) no lugar delas àqueles estímulos.

Dans le document CRITIQUE DE LA VALEUR FONDAMENTALE (Page 49-54)