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1 3 Inventer son métier à partir du ménage

Figura 8 – Vista aérea da Igreja da Matriz – Nossa Senhora das Brotas Centro da cidade.

Dentre os atuais 184 municípios que formam o Estado do Ceará, de acordo com o

Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM), Tabuleiro tem um índice de desenvolvimento

global de apenas 28,56, fazendo parte do grupo 3. Cidade pequena, sua economia se baseia

nas pequenas indústrias ligadas ao setor metal-mecânica.

Com uma população residente de 27.058 pessoas (segundo o Anuário Estatístico do

Ceará de 2002/2003), a área rural sofre o processo de migração para a sede do município onde

reside a maior parte de seus habitantes, sendo este um número balanceado de homens e

mulheres. As dificuldades no trato com a terra, o clima seco levaram apenas 11.246 pessoas a

residirem na zona rural. A população de pessoas da terceira idade é consideravelmente

feminina, peculiaridade que pode ser associada pela garra da mulher nordestina, esposa, mãe,

sempre pronta a enfrentar as dificuldades que a vida nas comunidades do interior traz. Essa

diferença é amenizada na zona rural, onde a vida é mais tranqüila, a amizade dos vizinhos e o

manejo com a terra fazem do dia-a-dia, de quem já ultrapassou os 70 anos mais ativo do que

aqueles de quem convive com a correria e o descaso da vida urbana.

Provados nos rudes trabalhos da roça em busca de subsistência, sem tempo, sem

condições, o analfabetismo é realidade no município. Das 21.671 pessoas em idade ativa de

trabalho, 3.947 têm menos de um ano de instrução ou nenhuma instrução, tendo 6.547 de 1 a 3

anos. Portanto Tabuleiro tem uma média de 10.494 pessoas com menos de 4 anos de

instrução, o que é quase a metade de sua população.

Situado no que se convencionou chamar “polígono das secas”, Tabuleiro do Norte,

integra a região do Vale do Jaguaribe, no Estado do Ceará. Espaço sócio-geográfico, marcado

por uma terra e um povo produtivo, apesar do fenômeno das secas e a histórica ausência de

efetivas políticas regionais que proporcionem ao povo o desenvolvimento de seu potencial

metrópoles, a partir de décadas de migração, considerando-se o contingente de homens e

mulheres que abandonaram suas terras para aventurar-se nas cidades do sul-sudeste do país

em súbito processo de industrialização.

Referendando sua história marcada pelas secas, Tabuleiro do Norte está no 87º lugar

da estatística cearense nos indicadores fisiográficos, fundiários e agrícolas. Município de

terras áridas, de açudes temporários, teve a precipitação pluviométrica de 579 mm no ano de

1997. Cidade de pequenas proporções tem pouco mais da metade de sua área (57,12%)

utilizada para os estabelecimentos. A produção vegetal tomando por referência a produção do

Estado é de 0,59% e de 0,48% da produção animal. O consumo de energia rural é de 17,65%

do consumo do município. Desta forma, nota-se que no município de Tabuleiro do Norte a

agricultura familiar não é desenvolvida, não havendo assim políticas estaduais para este fim

(CEARÁ, 2004).

Se ainda considerarmos as disparidades nos níveis educacionais, nos índices de

mortalidade infantil, no acesso domiciliar, nos salários e na sua relação com a média nacional,

disparidades que vêm desde as décadas de 1970 e 1980 – período em que o Nordeste triplicou

seu Produto Interno Bruto (PIB), sem que, no entanto, resolvesse seus graves problemas

sociais, com destaque para a educação – até 1997, dados expostos pelo senso de 2000/20003.

A exemplo de 1970 nos coloca Bacelar (1995, 76):

No Nordeste, o crescimento econômico fez triplicar o PIB (de US$ 20,8 bilhões, em 1970, atingiu US$ 65,3 bilhões em 1993, medidos a preços de 1993 pela SUDENE), enquanto o produto per capita apenas duplicou no mesmo período (passou, de US$ 740 para US$ 1.486). [...] Este já é um primeiro indicador importante de que a elevação do padrão de vida não decorre linearmente do mero crescimento econômico, embora seja ainda imperfeito pois o PIB per capita esconde um dos mais graves problemas do Nordeste: a forte concentração de riqueza e, portanto, da renda nacional.

No que diz respeito aos Indicadores Demográficos e Econômicos de 1997, Tabuleiro

se localiza na 69°, tem 32 habitantes por km2, possui uma taxa de urbanização de 55,59%.

Tem uma receita orçamentária per capita de R$ 155,55, tendo um consumo de 16,05% de

energia industrial e comercial sobre o consumo total e ainda um PIB de 14,91% do setor

industrial sobre o PIB total e 74,83% do PIB total no setor de serviços. É correto afirmar que a

exemplo de outras cidades que compõem a região do Vale do Jaguaribe, Tabuleiro possui

como principal fonte de circulação de renda os salários do setor público (CEARÁ, 2004).

De acordo com os Indicadores de Infra-estrutura de Apoio, o município tem um total

de 10,010 veículos por 100 habitantes. Este último dado se destaca uma vez que sendo

Tabuleiro uma cidade de pequeno porte, em número de veículos somente é superada por

Fortaleza, Sobral, Ipaumirim e Limoeiro do Norte. A presença do município neste item se faz

devido ao grande número de caminhões existentes na cidade. Há famílias em que todas as

gerações tiveram a presença do caminhoneiro, faz parte do senso comum do município crer

que a maioria das famílias da cidade tem um profissional do volante. A incidência de tão

elevado número de caminhoneiros faz com que a cidade acolha todos os anos a Festa dos

Caminhoneiros, quando se reúnem profissionais de todo o país no mês de setembro (Ibidem).

Com relação aos Indicadores Sociais de 1997, o município tem a sua pior análise

comparando com os outros indicadores. Está no 129º lugar no ranking, possuindo uma taxa de

escolarização no Ensino Fundamental de 87,09%, com uma evasão de 14,24 e 14,37 de

repetência neste nível de ensino. A população conta com apenas 50,75% de abastecimento

adequado de água. Ainda descrevendo os Indicadores Sociais, os dados demonstram um

verdadeiro descaso para com o setor da saúde, havendo 0,74 médicos por cada 1000 habitantes

e 0,19 leitos hospitalares por cada 100. Estes dados reforçam o alto índice de mortalidade

Ressalto, nesse momento, a necessidade de expor a história do povo de Tabuleiro.

Uma história, no entanto, não se produz naturalmente, mas das relações que o homem,

enquanto ser social estabelece com o mundo e entre si – daí tentar na pesquisa reconhecer os

sujeitos sociais que estiveram envolvidos em sua formação.

Tabuleiro conta hoje com duas escolas estaduais de ensino fundamental: Escola de

Ensino Fundamental Nossa Senhora de Fátima, que anexou a Escola de Ensino Fundamental

Manoel de Castro Filho devido à política de municipalização da educação do Estado; e Escola

de Ensino Fundamental Avelino Magalhães. Possui ainda duas escolas estaduais de ensino

médio: a Escola de Ensino Médio Francisco Moreira Filho, na sede, e a Escola de Ensino

Médio Antonio Vidal Malveira, situada na localidade de Olho d’Água da Bica.

Financiadas pelo município, conta-se com cerca de 30 escolas nos distritos e uma

escola na sede (Escola de Ensino Básico Antonio Alves Maia) que possui cerca de 1.000

alunos nos turnos manhã e tarde. A matrícula total de 4.853 alunos no ensino municipal, da

educação infantil à 8ª série do ensino fundamental.

Das escolas que se situam em distritos e localidades do município, apenas 18 contam

com apoio pedagógico. Destas, 5 têm apenas diretor ou diretora, 9 têm apenas coordenador e

4 possuem direção e coordenação. De acordo com dados fornecidos pela Secretaria Municipal

de educação Básica do Município. Dentro desta realidade, fazem parte do quadro docente 166

professores efetivos e 51 contratados temporariamente, estando estes lotados num total de 118

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