• Aucun résultat trouvé

TESTS DE DIFFERENTES METHODES

4. IMPACTS ATTENDUS

No ambiente marinho, microplásticos são considerados ubíquos (COLE et al., 2014; IVAR DO SUL; COSTA, 2014; ZALASIEWICZ et al., 2015), registrados comumente em 5 tipos de compartimentos (Figura 2): superfície dos oceanos, coluna d’água, fundo do mar, praias/linhas costeiras e biota (GESAMP, 2016; UNEP, 2016). Sendo este um sistema dinâmico, com relações intra e inter compartimentos, a distribuição das partículas ocorre nestes 2 níveis, sofrendo ações químicas, físicas e biológicas particulares a cada local (GESAMP, 2016).

Figura 2 – Dinâmica e fluxos entre os 5 compartimentos do ambiente marinho.

Fonte: Adaptado de GESAMP (2016)

Em termos de tendências temporais e espaciais, não obstante seja provável que a quantidade de microplásticos venha aumentando desde 1950, em função do aumento na produção, consumo e descarte, pouco se sabe sobre este padrão. Isto ocorre muito em função da variabilidade de tempo, espaço no meio ambiente, além da quantidade de fontes e das possibilidades de transporte, que variam regionalmente e dificultam amostragens regulares e randômicas (GESAMP, 2015b).

4.4.1. SUPERFÍCIE DOS OCEANOS

Dentre os 5 compartimentos, a superfície dos oceanos é atualmente a região mais amostrada (GESAMP, 2016), com o norte dos oceanos Atlântico e Pacífico como os locais mais pesquisados (GESAMP, 2015b). A presença de correntes marítimas diversas (os primeiros 50 m variam significativamente) e a ação de ondas e vento, que agem não apenas verticalmente, mas horizontalmente, tornam difícil precisar qual o local de residência das partículas plásticas. De qualquer forma, uma recente estimativa sobre detritos flutuantes em escala global sugeriu entre 5 trilhões de itens ou mais de 250000 toneladas (ERIKSEN et al., 2014), onde giros subtropicais e mares fechados, próximos a áreas mais densamente populosas, são considerados pontos de convergência (GESAMP, 2015b; GESAMP, 2016). Ainda assim, partículas flutuantes também são encontradas em áreas remotas a exemplo de águas de superfície no Ártico (LUSHER et al. 2015). Isto porque, quando nos pontos de convergência, podem ser exportadas ou perdidas para outras áreas oceânicas ou costeiras

(GESAMP, 2016). Podem ainda, eventualmente, afundar em função de degradação ou bioincrustração (GESAMP, 2016). Esta última ocorre quando plásticos que possuem uma massa específica inferior à da água do mar, como o PE e o PP (SUNDT; SCHULZE; SYVERSEN, 2014), são incrustrados por micro-organismos marinhos, alterando suas características originais e afundando, para então alcançar a coluna d’água ou o leito dos mares (GESAMP, 2015b; HIDALGO-RUZ et al., 2012).

4.4.2. COLUNA D’ÁGUA

De acordo com GESAMP (2015b), ocorre um baixo número de estudos relatando microplásticos a cerca de 10 m da superfície e nenhum relativo a profundidades para além de 200 m na coluna d’água. A explicação para este fato estaria atrelada à dificuldade e pouca experiência de amostragem nestes locais (GESAMP, 2015b). Como consequência, pouco se sabe sobre os microplásticos nestas posições (GESAMP, 2016).

Dependendo do estado da água e das características do material plástico, uma quantidade significativa de microplásticos pode ser misturada às camadas inferiores do oceano, em função da quebra de ondas e da mixagem das metragens superiores (GESAMP, 2016). Neste caso haverá uma proporção de detritos com flutuabilidade neutra (GESAMP, 2016), podendo variar de profundidade (COLE et al., 2011), e outra porção que sedimentará para o fundo do mar ou ascenderá à superfície (GESAMP, 2016). Em relação à variabilidade de profundidade, GESAMP (2015b) ressalta que as correntes oceânicas variam e, desta forma, os microplásticos podem estar sujeitos a diferentes circulações. Em relação ao afundamento, há que se considerar que aqui também pode haver a contribuição da bioincrustração, alterando as características de flutuabilidade originais do plástico (WRIGHT, THOMPSON, GALLOWAY, 2013).

4.4.3. FUNDO DO MAR

Polímeros com densidade superior àquela da água do mar, a exemplo das fibras têxteis como o PET, a PA e o acrílico (PAC) (Tabela 2) (NEVES et al., 2015; SUNDT; SCHULZE; SYVERSEN, 2014), tendem a afundar no ambiente marinho, sugerindo sua maior participação no leito dos mares, um ambiente ainda pouco estudado em relação aos microplásticos (GESAMP 2015b, 2016). Neste sentido, estudos apontam que fibras têxteis

são cerca de 4 vezes mais abundantes no fundo dos oceanos Atlântico e Índico e do mar Mediterrâneo do que em águas de superfície (WOODALL et al., 2014).

Tabela 2 – Massas específicas de alguns materiais plásticos

Categoria ou classe Massa específica1

PE 0,91 – 0,94 PP 0,90 – 0,92 SBR 0,94 EPS 0,10 – 1,05 Água do mar ~1,02 PS 1,04 – 1,09 PAC 1,09 – 1,20 PVC 1,16 – 1,30 PA 1,13 – 1,15 PUR 1,20 PET 1,34 – 1,39

1 Massa Específica refere-se a razão entre a massa de uma substância e o volume ocupado por ela. Fonte: Adaptado de Sundt, Schulze e Syversen (2014).

Além dos pedaços menores, autores a exemplo de Pham et al. (2014) reportam a presença de macroplásticos em ambientes sedimentares profundos. Entretanto, para todos os detritos, padrões de deposição dependem de inúmeros fatores, incluindo o tamanho e densidade do plástico, a profundidade da água, a força das correntes de superfície e a topografia do fundo do mar (UNEP, 2016). Neste sentido, especialistas apontam que cânions submarinhos e locais próximos à atividade humana podem aumentar a incidência de microplásticos (GESAMP, 2016). Analogamente, partículas menores são mais facilmente influenciadas por advecção, ou seja, deslocamento no sentido horizontal, e padrões de circulação em função de seu tamanho (WOODALL et al., 2014). Ainda assim, ocorre a necessidade de melhor compreender os processos que dirigem o afundamento e o acúmulo de lixo marinho no leito dos oceanos, local onde, em função da falta de luz, baixa temperatura e menores níveis de oxigênio, o plástico tende a manter sua forma original (GESAMP, 2016).

4.4.4. PRAIAS E LINHAS COSTEIRAS

Material plástico em praias é a forma mais comum de lixo marinho visível e, portanto, recebe maior atenção do público em geral (GESAMP, 2016). Neste sentido, a maior parte dos estudos foca nos pedaços maiores, com alta incidência de pesquisas com pellets, que são mais facilmente identificáveis do que pedaços menores (GESAMP, 2015b). De qualquer forma, o

impacto ecológico dos microplásticos em áreas costeiras em geral, ainda é pouco claro (GESAMP, 2016).

De acordo com Hidalgo-Ruz et al. (2012), amostragens de sedimentos majoritariamente ocorrem em praias, com a maioria dos estudos tratando de sedimentos de superfície, contra aqueles soterrados (GESAMP, 2015b). Neste sentido, Turra et al. (2014) coletaram sedimentos em até 2 m de profundidade, sugerindo que a maior parte dos microplásticos encontra-se nas camadas inferiores. Em relação à distribuição dentro deste compartimento, processos como degradação e ação dos ventos e das ondas têm influência, com a participação inclusive de eventos menos comuns como tempestades. Para o enterramento das partículas na areia, podem ocorrer ações naturais como erosão e sedimentação. Para os materiais visíveis, operações de limpeza são consideradas eficazes, especialmente em relação aos pedaços maiores. Entretanto, ocorre pouca padronização destes dados, dificultando análises globais de remoção deste tipo de resíduo (GESAMP, 2015b; 2016).

4.4.5. BIOTA

Atualmente existem diversos relatos de partes plásticas em organismos marinhos como mamíferos, pássaros, peixes e crustáceos, tanto em campo, quanto em laboratório, com maior potencial de ingestão para os pedaços menores (GESAMP, 2016; COLE et al., 2011). Além de representarem um local de destino às partículas, estes animais também podem funcionar como veículos de transporte para outros ambientes (GESAMP, 2016). Neste sentido, o material pode ser ingerido e retido por diversos períodos, com locomoção a longas distâncias para ser posteriormente excretado (GESAMP, 2015b; 2016).

O transporte para quaisquer compartimentos do ambiente marinho dependerá não apenas das condições ambientais, mas das propriedades do plástico (ex. densidade) que afetará sua interação com processos biológicos. Dentro da cadeia alimentar, por exemplo, micro algas aderidas a microplásticos são mais facilmente ingeridas por organismos que se alimentam por filtragem. Similarmente, o gosto e cheiro de partes plásticas influenciadas pela incrustação de micro-organismos pode atrair mais facilmente espécies que se alimentam por estes sentidos (GESAMP, 2016).