• Aucun résultat trouvé

2.4 La Visualisation d’information (VI), support à la navigation

2.4.1 Historique et objectifs de la VI

A análise de empregos de vocêgenem sentenças existenciais, à luz dos pressupostos teóricos de Freeze (1992), atestou que esse pronome não constitui uma forma expletiva, contrariando a hipótese inicial motivadora desta pesquisa, de que nesses contextos você poderia ser assim considerado. Essa possibilidade foi aventada a partir da suposição de que se vocêgen não fosse considerado expletivo, sentenças existenciais com a ocorrência desse pronome não seriam aceitáveis, posto que como impessoais, tais verbos não selecionam argumento externo.

A verificação do caráter expletivo de vocêgen teve como ponto de partida a hipótese preliminar da teoria proposta por Freeze (1992) sobre paradigmas locativos universais, de que em línguas V1, em construções existenciais com expletivo, denominados por Freeze (1992) de proformas existenciais, tais proformas são lexicalmente locativas.

Em línguas como o Francês, a proforma y é cognata com hi Catalão e y Espanhol, e provavelmente cognata com ci Italiano. Similarmente, sua morfologia é explicitamente locativa, uma vez que as proformas consistem em uma locução preposicional com a 3ª pessoa do pronome acusativo ou de uma forma historicamente derivada de tal locução. Ainda como característica da proforma, o fato de ela não poder se mover (move alfa) sugere que não é argumento ou não está numa posição argumental.

De acordo com Freeze (1992), em poucas línguas, as sentenças existenciais têm uma proforma co-ocorrendo com um constituinte em outro lugar na sentença; a proforma distingue as sentenças existenciais dos predicados locativos. São exemplos de proforma: there em Inglês, y em Francês, ci em Italiano.

Constitui evidência sintática para a locatividade da proforma o fato de que a distribuição complementar intralinguística do predicado locativo e do existencial permanece constante com a proforma existencial. Outra evidência, nas línguas estudadas por Freeze (1992), é que o tema é sujeito do predicado locativo (69)a. e o locativo é o sujeito da construção existencial (69)b. A presença ou ausência da proforma é sintaticamente irrelevante. Entretanto, a proforma ocorre somente com sujeitos locativos, e nunca com sujeitos temáticos.

(69) a. Predicado locativo: The book is on the bench. b. Existencial: There is a book on the bench.

Esse fato sugere que a proforma desempenha um papel especial no paradigma locativo. Ou seja, a proforma tem uma estrita relação de precedência com a locução locativa. A posição da proforma existencial provê maiores evidências para sua locatividade. Freeze (1992) argumenta que a proforma é o spell out de um traço em INFL64 que é lexicalizado na PF

(phonological form). Essa afirmação se sustenta com as seguintes constatações: a proforma é sempre adjacente a elementos em INFL e nunca à locução locativa; ela precisa preceder a locução locativa. Em línguas SVO, a proforma é adjungida à esquerda da cópula. As restrições positivas para que a proforma seja contígua a elementos de INFL (cópula e tense) e outras propriedades posicionais da proforma existencial em línguas V1 sugerem que ela é considerada parte de INFL.

Em Espanhol, que não tem proforma lexical, pode-se observar evidência da posição da proforma em INFL. A proforma y contígua com ha (tempo presente da cópula existencial em Espanhol) produz uma forma lexical inalisável hay, testificando íntima relação entre INFL e a proforma existencial.

Ainda, conforme mostrado por Freeze (1992), proforma não é sujeito ou qualquer outro argumento; não há, por consequência, nenhuma posição adicional na qual ela possa ser gerada ou da qual ela possa ter sido movida. O fato de ela não poder se mover sugere que ela não é argumento ou não está em posição de argumento.

Em sentenças sem pronome sujeito pleno, os pronomes ci italiano e hi do catalão, em função da posição, podem erroneamente ser tomados como estando na função de sujeito, mas na realidade não estão. Isso é confirmado pelo fato de que, como em francês, eles podem ser Non ci sono uomini in casa O locativo em posição final também é consistente com a análise na qual o sujeito locativo é posposto.

Finalmente, a proforma é inseparável de AGR (quando não há cópula lexical). A mais simples constatação desses fatos é que a proforma é a pronúncia de um traço em INFL; a diferença entre línguas com ou sem proforma existencial, então, reside em PF. Em línguas com proforma existencial, o traço INFL [+LOC] é pronunciado como proforma existencial. Em línguas sem proforma existencial esse traço [+LOC] falha em ser lexicalizado.

Em trabalho sobre o status do suposto expletivo no PB, vocêgen, Avelar (2009b) argumenta contra a ideia de que o pronome seja um expletivo quando é realizado em sentenças 64 INFL - sintagma flexional (inflection) - responsável por agregar traços de tempo e de concordância (cf.

com ter existencial. Uma vez que o pronome mantém caráter indefinido, ele carrega um valor semântico, o que não é possível no caso dos expletivos. Outro ponto que invalida a caracterização de vocêgencomo expletivo, de acordo com o autor, diz respeito à impossibilidade de inserção do pronome em sentenças com o verbo haver. Posto que haver também é existencial, seria de esperar que sentenças com esse verbo licenciassem o pronome expletivo.

A proposta de Avelar (2009b) é a de que uma versão relevante de vocêgen corresponde a um pronome indeterminado idêntico aos casos apresentados em contextos não existenciais, como em (70) abaixo, intercambiável com existenciais como (71):

(70) Você pode encontrar roupas bem baratinhas no centro. (Avelar, 2009b, p. 2) (71) Você tem roupas bem baratinhas no centro.

Por outro lado, a proposta de Avelar (2009b) se conforma com a teoria de Freeze (1992) no tocante ao status locativo do pronome em construções existenciais. Para lidar com o possível conflito entre a presença de você e o caráter impessoal da sentença existencial, e com a questão de como esse pronome é licenciado como sujeito de sentenças impessoais, Avelar (2009b) argumenta que não há relação temática entre o verbo existencial e o pronome, mas entre o pronome e a categoria predicativa encabeçada pela locução locativa. Portanto, Avelar (2009b) propõe que os passos derivacionais para se gerar uma sentença existencial com você são: você é inicialmente conectado em [Spec LocP] onde recebe papel temático (sujeito indeterminado do sintagma locativo)65; considerando que [Spec PP] é uma posição sem Caso,

você move para [Spec TP] para satisfazer requerimentos formais relacionados com Caso e traços de EPP.

Assim, de acordo com o autor, uma sentença como: Você tem muitos castelos na Europa tem a seguinte representação derivacional:

(72) [TPvocêi[ tem [XP[DPmuitos castelos] [ [LocPtina Europa ]]]]]

65De acordo com Avelar (2009b, p.10): If existential, the pronoun is inserted in LocP, where it is interpreted as

(Avelar, 2009).

46De acordo com Avelar (2009b, p.6): Sentences with ter are subjected to restrictions that reveal to us a

connection between the presence of a locative phrase and the existential interpretation. As shown in (8), the presence of a locative phrase rescues ter sentences without a subject from being ill-formed in BP, providing it with

A principal razão para Avelar (2009b) propor um link entre o pronome e a locução locativa está no fato de que o suposto expletivo, de acordo com o autor, é licenciado somente se a sentença existencial apresentar um aparato locativo. Deve-se considerar, contudo, que no PB vocêgené empregado em sentenças com ter com sentido existencial sem a presença de um locativo, como no exemplo (73):

(73) Você tem provas de linguística fáceis.

Além disso, é possível perceber um problema nesta proposta: se existe um link entre o pronome e a locução locativa, o pronome necessariamente se caracteriza como proforma ou pronome pleonástico, visto que estes são instâncias de elementos dêiticos originários ou modificadores de lugar, no caso. A coindexação do pronome você ao locativo pode atribuir-lhe implicitamente um caráter expletivo. Conforme mostra a comparação com uma proforma típica no exemplo (74) a seguir, o pronome indeterminado você não parece compatível com essa adjunção.

(74) a. there (europe) b.* você (europa)

Esta proposta de não coindexação do pronome vocêgen com a locução locativa tem respaldo em Franchi et al (1998) que postulam a presença de um expletivo nulo nas construções existenciais como parte da representação de uma estrutura sintática subsistente, mas que, para

os autores, -lo com um locativo (Freeze, 1992), nem

identificá-lo, mediante coindexação a qualquer título, com o SN Como vocêgen ocupa a posição do expletivo nulo e não altera o valor existencial da construção com ter, de forma semelhante ao nulo, não parece que esse pronome seja compatível com uma correlação com o locativo. O ponto de vista de Kato (2000) de que no PB não há nenhum um pronome locativo fraco também corrobora este entendimento.

Diante dessas questões de natureza sintática e da posição ocupada pelo pronome vocêgen em sentenças com ter existencial, reconheço que, diferentemente da proforma existencial em línguas como o Francês, Inglês e Italiano, o pronome vocêgené tipicamente não locativo, morfológica ou sintaticamente. Ainda que pudesse ser considerado um elemento dêitico, vocêgennão poderia estar coindexado ao locativo, visto que não remete a um lugar, no

sentido de ser parte ou representante dele, dado seu caráter genérico. Por essa razão, de expressar genericidade, o pronome vocêgen precisa ser legível no componente semântico da gramática, ao contrário do que se espera de um autêntico expletivo.

Assim, pelas razões de não apresentar uma estrita relação com a locução locativa, e de não ter outros traços de expletivo, como não possuir carga semântica nem se referir a nada no contexto, o pronome genérico você não pode ser considerado uma proforma ou expletivo.

Por outro lado, conforme se tem discutido, esse pronome não é sujeito semântico das construções existenciais. Uma vez que terex, como um verbo detematizado, não pode atribuir papel temático ao pronome em posição pré-verbal, este não pode ocupar posição argumental. Portanto, as construções com terex no PB com pronome foneticamente realizado na posição de sujeito constituem um caso à parte em relação às construções existenciais interlinguisticamente. Cabe analisar a função sintática e a localização desse pronome nas sentenças existenciais no PB.