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Chapitre 3 Effets des compromis sociaux sur les attendus spatio-temporels de la mise en œuvre de la

II. 2. 2 Mesures en conventionnement

IV.1 Des mesures de compensation anticipées ?

IV.1.2 Facteurs explicatifs

No ponto anterior, discutindo a relação dos conceitos de educação e desenvolvimento comunitário, ficou explícito que há uma relação indissociável entre eles e que a educação pode ser considerada como promotora do desenvolvimento comunitário e, por sua vez, o desenvolvimento comunitário pode ser traduzido no empenho das pessoas em fazer parte na planificação das várias atividades que determinam os seus destinos.

Ander-Egg (1982, p.45) explica que “a comunidade é um agrupamento organizado de pessoas que se entendem como unidade social cujos membros participam de alguma caraterística, interesse, elemento objetivo ou função, com consciência de pertença, situadas numa determinada área geográfica na qual a pluralidade das pessoas interaciona mais intensamente entre si que noutro contexto”.

33 Assim, o sentido de comunidade é legitimado pelo comprometimento das pessoas na participação da vida social com vista a promoção do bem comum. A este respeito, Canastra (2009, p.2) enfatiza que “a comunidade é, efetivamente, o lugar privilegiado a partir do qual se estabelece relação entre vários espaços e tempos educativos. É na comunidade que se jogam os principais desafios em, matéria de educação e formação ao longo da vida” Partindo desta ideia, pode-se afirmar que o fator comunidade deve ser entendido como um valor por excelência que poderá ser cultivado e que deve ser mantido no seio da sociedade e, que pressupõe uma convivência, um inter-relacionamento que promove um espírito de pertença e afeto para com o outro.

“A ideia da comunidade, remete para uma localidade, para uma rede de relações, ou para uma relação específica de, normalmente tom positivo. Quando associado ao termo mediação, a noção de comunidade parece ser habitualmente encarado numa perspetiva idealista e pouco teorizada, referindo-se tanto a uma localidade como um sentimento agradável e positivo, seja imaginado ou desejado”.

(Neves et al. 2009, p.56)

Compreende-se assim que quando se fala da comunidade pensa-se num espaço onde se existe um grupo de pessoas que forma uma rede de relações interpessoais, comungando os ideais que definem os seus objetivos que culminam em uma coesão. Partindo desta ideia, a noção de comunidade passa a ser encarada como um sentimento de satisfação que promove a tal coesão da qual foi mencionada e como resultado disso há, nas pessoas, uma manifestação de um sentimento agradável e positivo.

“As comunidades enquanto sujeitos colectivos que constroem melhor qualidade de vida, educam e são aprendentes (…) as comunidades são muito mais do que espaços de vida

34 social, criam pertença, maximizam disponibilidade, promovem cooperação e solidariedade entre outros seus membros”.

(Joaquim Azevedo, 2009, p.22)

Deste modo, está-se a dizer que as pessoas como sujeitos coletivos estão preocupadas com o nível de vida, elas educam e ao mesmo tempo são aprendentes. Compreende-se, desta forma que as pessoas, são seres que caminham juntos, criam no seio delas o sentimento de pertença, o que claramente se torna como consequência a promoção de solidariedade entre as pessoas manifestando-se entre elas o espírito de cooperação.

Nesse sentido, as comunidades não devem ser consideradas apenas como locais de vivência onde as pessoas estão aglomeradas. Elas são, sim para além desses espaços de vida social, lugares de pertença, solidariedade e cooperação.

Assim, os objetivos da comunidade são alcançados quando existe uma harmonia entre os seus membros e dentro dela existe a coesão, que se traduz num clima relacional positivo. Este clima relacional positivo pode ser alcançado quando todos se tornam conscientes da necessidade de cada vez mais se cultivarem, criarem condições para a sua transformação, como condição para a sua mudança de personalidade e tomada de atitudes desejáveis para uma boa relação.

Estas clarificações demonstram um sentido amplo e pedagógico de comunidade, como salienta Joaquim Azevedo:

“Tomamos o conceito de comunidade, inscrito num âmbito mais geral de desenvolvimento comunitário, como sinónimos das dinâmicas sociais que desenvolvem a implicação e os laços entre as pessoas e as instituições de uma dada localidade (…) o que visam, através da participação a ativa e solidária de cada um alcançar o bem-estar de todos”.

35 A união de que se fala deve ser entendida num conjunto de meios que promovem um relacionamento desejável e que como consequência disso aparece a satisfação das pessoas no seio da comunidade. Assim, o sentido da comunidade alcança os seus objetivos quando todas as pessoas são unidas se entendem entre elas.

De acordo com o Relatório da UNESCO de Jacques Delors (1998, p.51) “qualquer sociedade humana retira a sua coesão de um conjunto de atividades e projetos comuns mas também de valores partilhados que constituem tantos aspetos de viver juntos”. Portanto, está-se numa demonstração de que a coesão social aparece como este elemento que promove o espírito de entendimento entre as pessoas que resulta na partilha de valores.

O enquadramento da noção de coesão social na linha da comunidade tem a ver com a promoção nos indivíduos de um sentimento de proximidade em termos de afetividade.

Nesta perspetiva, Antoni (2001, p.18) diz que “a coesão é definida como proximidade afetiva que envolve relações de amizade, união e de pertença ao grupo. A coesão está relacionada linearmente com o desenvolvimento saudável e bem-estar psicossocial de famílias”. Tal situação, produz efeitos de desenvolvimento nas pessoas, e provoca nelas um espírito de bem-estar, tal como vem sendo dito.

Neste contexto, Silva (2001) esclarece que o desenvolvimento da comunidade deve valorizar todos os interesses e as preocupações manifestadas pela comunidade e fazendo assim, está cada vez mais a demonstrar a necessidade de união na comunidade. Assim, a convivência adequada das pessoas numa certa comunidade é resultado das boas relações que se manifestam através de práticas de sentimento de proximidade entre todos os membros que partilham o mesmo espaço e cultural.

36 Nesta ordem de pensamento, Silva et al. (2005, p.4) fazendo uma relação a coesão e a mediação social, defendem que as mediações vão na linha da promoção da coesão social. Para dizer que a coesão social é um dos meios que o pode facilitar nas pessoas a criação de um espírito de fraternidade.

O sentido de fraternidade aqui mencionado tem a ver com a convivência entre pessoas que se entendem e se reconhecem ser diferentes em termos de caráter mas que isso não seja motivo para o surgimento de divergências mas que as diferenças enriquecem e tomam-se como motivo para autoafirmação.

Em muitas partes do mundo verifica-se em sociedades, a manifestação de níveis assustadores de desentendimentos entre comunidades, famílias e até etnias. Esses desentendimentos têm resultado nos conflitos que em muitas ocasiões culminam com a manifestação de descontentamento e até provocam o fenómeno da exclusão social. Enfatizando a questão da coesão social, e relacionando-a com a educação, o Relatório da UNESCO de Jacques Delors (1998, p.60) salienta que “a educação não pode contentar-se com reunir pessoas(…) deve responder também a questões : viver juntos, com que finalidade, para fazer o quê? E dar a cada um, ao longo de toda a vida, a capacidade de participar ativamente num projecto de sociedade”.

Portanto, vê-se, nestas bases da educação como uma forma de coesão social pois as pessoas compreendendo o sentido da vida, são capazes de tornar valente a sua identidade, respeitando-se uns aos outros e a dignidade humana. Desta forma, desenvolve-se junto delas o senso de coesão social. Ligamos assim a ideia de coesão social ao reconhecimento da necessidade de promoção de mais proximidade entre as pessoas que poderá ser um dos momentos chave para estimular nas pessoas o sentido de pertença, de participação e de co-responsabilização.