DE PROJET SI : VERS UN MANAGEMENT POLYPHONIQUE ?
1. LES SYSTEMES D’INFORMATION EN TANT QU’INSTRUMENT DE GESTION
1.2. Le SI et ses trois dimensions : une unité apparente
Após termos exposto o percurso efetuado na lecionação da Unidade Letiva 1 do 6º ano e respetiva reflexão sobre o mesmo, aparece como evidente a riqueza desta Unidade sobre a pessoa humana, tendo sido, contudo, detetada a carência da dimensão ecológica, tal como é entendida pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si`.
O ser humano situa-se atualmente no mundo e na natureza como explorador, retirando dela tudo o que pode para rentabilizar economicamente, o qual gera uma rutura e degradação da nossa casa comum. Isabel Varanda expressa-o bem através de uma imagem:
“[A relação com a terra] evoluiu na lógica do quantitativo, do cálculo, do proveito, como se o homem tivesse diante de si a galinha dos ovos de ouro. Só tendo olhos para os ovos, esqueceu-se da galinha. E na voraz espiral da ganância, querendo mais e mais ovos, mata a galinha. Moral da história: fica sem ovos e fica sem a galinha.”43
Trata-se de uma realidade que não podemos ignorar, até porque são evidentes e já padecemos as consequências provocadas por essa forma do ser humano se situar no meio que o envolve. O Papa Francisco reflete sobre esta problemática na encíclica Laudato Si`, documento que ele
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próprio insere na Doutrina Social da Igreja (DSI)44, uma vez que a questão ecológica, tal como
é enfocada, afeta a questão antropológica e social. Nesta encíclica é denunciada uma ecologia superficial e proposta uma ecologia integral, no contexto de uma visão abrangente da realidade. Nele encontramos alusões explícitas aos anteriores pontificados45, bem como a referência aos
princípios próprios da DSI (dignidade humana, destino universal dos bens, direitos humanos e dos povos e bem comum), havendo claramente uma linha de continuidade. Contudo intuímos também uma radical novidade na forma holística e interconectada de entender uma realidade que é complexa, o que nos leva a questionar se o Papa Francisco não apresentará também princípios mais próprios do seu magistério.
Assim, à luz do magistério do atual Papa e em concreto da categoria “ecologia integral” proposta na encíclica Laudato Si`, perguntamo-nos como inserir a dimensão da terra, da pertença a um planeta, a uma casa comum como parte do nosso ser pessoa. Na Unidade Letiva 1 do 6º ano fica evidenciada a pertença a uma determinada cultura e sociedade, ao abordar a dimensão social da pessoa humana, mas cremos pertinente evidenciar esta outra pertença fundamental, situando a pessoa no seu único habitat possível: esta nossa terra ameaçada. Seria oportuno evidenciar esta pertença ao planeta terra na visão antropológica apresentada na Unidade? Intuímos que esta pode ser enriquecida à luz do conceito ecologia integral. Frequentemente pensa-se a ecologia desde os problemas estritamente relacionados com o meio- ambiente, poluição, biodiversidade, recursos naturais ou extinção de espécies. Mas tal é claramente reducionista desde o ponto de vista da Doutrina Social da Igreja e em concreto da encíclica Laudato Si`. A categoria “ecologia integral” recorda-nos a importância de uma ecologia que se inscreve nas ciências biológicas, mas também na antropologia, nas ciências sociais e na teologia, deixando claro que os elementos humanos e não humanos se implicam e
44 Cf. LS 15.
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relacionam mutuamente, não sendo indiferentes um ao outro: cuidar de uns é proteger os outros. Como nos recorda Gabriel Falcão:
“A relação do homem com o mundo não é acidental ou mesmo arbitrária, na medida em que não pode não estar no mundo, a terra que pisa, o ar que respira, o alimento que o sustenta. Tudo isto é mundo com que se relaciona em elemento constitutivo da identidade humana. Esta verdade apodítica é também uma nota que reclama a integralidade da ecologia. Ambiente e homem são, por isso, duas realidades interligadas.”46
Até agora o adjetivo “integral” era utilizado para falar de um humanismo aberto à transcendência, à dimensão espiritual e no sentido de não excluir- se nenhuma das dimensões do ser humano. Ora, de agora em diante, à luz da LS, não podemos excluir dessas dimensões a pertença ao nosso planeta, conscientes, como bem sublinha o Papa, de que “nós mesmos somos terra”47. Assim, “integral” não só assume o sentido mencionado, como se amplia, incluindo
inclusivamente um horizonte de cuidado (da pessoa, das comunidades, da casa, dos recursos e do meio- ambiente). Recupera-se um horizonte ecológico e económico.48
Por outro lado, ao abordar-se nesta UL o tema da pessoa humana na sua dignidade transcendente, deixando explicito, no dizer do Arcebispo Jorge Bergoglio, que o que o ser humano é ultrapassa uma dimensão natural ou social, que há um laço que nos liga ao Divino, estamos também explicitando que “cada um é único. Todos importam, total e singularmente.”49
Esta dimensão transcendente não nos afasta do mundo e das suas coisas, mas permite reconhecer a sua profundidade. De aí fazer sentido, através desta UL, “contribuir para uma nova sabedoria ecológica que entenda o lugar do homem no mundo e que respeite o próprio homem, que é parte do mundo.”50
46 G. FALCÃO, “Ecologia integral, ecologia do homem”, Itinerarium 214 (2016) 20. 47 LS 2.
48 Cf. LS 37.
49 J. BERGOGLIO, Educar para uma esperança ativa, 159. 50 Ibidem, 161.
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Da mesma forma, integrar este conceito numa perspetiva dos direitos humanos e das crianças, conteúdos também centrais da UL, parece pertinente, redundando numa visão mais ampla que não desliga a qualidade de vida e direitos de todos e de cada um dos seres humanos, da sua relação com a terra e com o cuidado que com ela tenhamos. De facto, dado o estado do nosso planeta, pode, de agora em diante, fazer pouco sentido falar de direitos humanos sem apelar e integrar o conceito de ecologia e uma ecologia integral. Em relação aos direitos das crianças, mostra-se especialmente pertinente na medida em que sem o cuidado da casa comum o seu futuro fica comprometido.
Pelo atrás exposto, percebemos que falar de ecologia integral envolve tanto a questão antropológica (primeira parte da Unidade), como socioeconómica (segunda parte da Unidade- Direitos Humanos), numa visão holística, nada reducionista da ecologia. De aí que um tema que à partida nada teria que ver com a presente Unidade Letiva, possa merecidamente ser nele desenvolvido, enriquecendo-a.
Como indicava a professora Cristina Sá Carvalho, o Papa Francisco, no pouco tempo de pontificado até à apresentação do novo programa, obrigou já à introdução de novos conteúdos.51
Não é pois, estranho que volvidos mais quatro anos de fecundo magistério, outros conteúdos resultem incontornáveis e tenham necessariamente que ser tidos em conta no Programa da disciplina.
Questionamo-nos também quanto à possibilidade de fomentar nas nossas escolas espaços onde se promova e ensaie uma modificação nas mentalidades e hábitos quotidianos no sentido de um estilo de vida mais acorde com o paradigma da ecologia integral. Tendo em conta a interpelação lançada pelo então Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, surge-nos a pergunta sobre a possibilidade de procurar novas formas de alimentar-nos, festejar, descansar, revalorizar o
51 Cf. C. CARVALHO, “Pressupostos epistemológicos e pedagógicos do desenvolvimento curricular em EMRC, edição de 2014”, 45.
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gratuito.52 Será possível, através da criação de um Foco de Conversão Ecológica Escolar53, caminhar nessa direção, sensibilizando toda a comunidade escolar para a importância e possibilidade real de assumir estilos de vida diferentes, mais saudáveis e atentos à sustentabilidade e cuidado da nossa casa comum? Acreditamos que sim, daí que a criação de um desses Focos seja o contributo concreto, a nível de proposta pedagógica, apresentado neste Relatório Final no seu terceiro capítulo. No capítulo que se segue apresentaremos a fundamentação teórica da categoria ecologia integral, a qual está na raiz da proposta de criação desse Foco.
52 Cf. J. BERGOGLIO, Educar para uma esperança ativa, 162.
53 Os Focos de Conversão Ecológica Escolar são concebidos como uma adaptação à realidade escolar da proposta lançada pela Rede Cuidar da Casa Comum no seu sítio na internet, www.casacomum.pt, de criação de Focos de
Conversão Ecológica em diferentes âmbitos eclesiais. Consistem em pequenos grupos que visam sensibilizar e dinamizar a comunidade educativa para a questão ecológica, conforme é entendida pelo Papa Francisco na LS. Esta proposta é desenvolvida no Capítulo III deste Relatório Final.
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