Antropologia
Arquivística
Automação em Unidades de Informação Controle dos Registros do Conhecimento Elementos de Informática
Estatística
Estudo de Usuários da Informação
Filosofia
Fontes de Informação I Fontes de Informação II
Formação e Desenvolvimento de Coleções
Fundamentos de Biblioteconomia
Fundamentos de Psicologia
Fundamentos Sócio-econômicos do Brasil Contemporâneo
História da Cultura
História dos Livros e das Bibliotecas Inglês I
Inglês II
Introdução à Comunicação
Leitura e Formação de Leitores
Língua portuguesa
Literatura da Língua Portuguesa
Lógica
Marketing em Unidades de Informação Metodologia científica
Metodologia da pesquisa em
Biblioteconomia e Ciência da Inormação Métodos e técnicas de estudo e pesquisas bibliográficas
Normalização
Organização de Unidades de Informação Planejamento em Unidades de Informação Política Editorial
Prática Desportiva Educação Física Princípios de ciência da informação Psicologia Social das Organizações Referência
Representação Descritiva Representação Descritiva II Representação Temática I Representação Temática II Representação Temática III Representação Temática IV
Serviços em Unidades de Informação Especializada e Universitária
Serviços em Unidades de Informação Públicas e Escolares
Teorias da Administração
A matriz do Curso de Biblioteconomia da UFMA, obtida em maio de 2008 através do sitio da Instituição, se situa como a 20ª edição curricular. Considerando a dinâmica do processo pedagógico identificou-se diferenciais entre o elenco das disciplinas obrigatórias apresentadas no PPP, de 2006, e aquele consoante à Matriz Curricular disponível on-line em 2008. Optou-se pela segunda que, sendo a mais atualizada, reflete o curso já com revisões em relação à disposição dos enunciados das disciplinas. Contudo, foram das ementas disponíveis no PPP que os dados acerca de seus conteúdos foram coletados; em alguns casos identificou- se lacunas de descrição conteudística pela ausência de ementas e bibliografias, que também se refletiram em nossa análise. No total da matriz a carga horária é de 3.120 horas, sendo 2.490 destinadas às disciplinas obrigatórias. Dentre as 44 disciplinas obrigatórias constantes do programa, 7 foram destacadas uma vez que seus conteúdos sociais, direta ou indiretamente, apresentavam aspectos passíveis de serem associados ao tema da Inclusão Social. A seguir, são apresentados alguns aspectos referentes a essas disciplinas e seus respectivos conteúdos:
Antropologia: sitiada na Área 1, a disciplina teórica tem carga horária é de 60h e é
oferecida no 4º Período. Sua ementa (UFMA, 2006, p.47) prevê a abordagem da Antropologia como ciência estudando o seu objeto, a origem do homem, as raças humanas e a cultura.
Dos programas das IFES nordestinas esse foi o único curso que, segundo levantamentos efetivados para a presente pesquisa, incluía o ensino da Antropologia. Sendo esse um campo da ciência voltado para o estudo dos mecanismos da cultura e do homem como ser eminentemente social e elemento fundamental do processo cultural, considerou-se a disciplina definitivamente capital para o ensino da Biblioteconomia na perspectiva de formação de um profissional capaz de entender e atuar na diversidade do universo sócio- cultural.
Estudo de Usuários da Informação: disciplina do 4º período, com carga de 60 horas
aula, foi enquadrada na área 3 das DCN. De acordo com o PPP (UFMA, 2006, p. 46) o programa inclui no seu conteúdo estudos dos usuários e pluriculturalismo; relação diversidade, comunidade e informação; informação e Inclusão Social; usuários e não
usuários dos sistemas de informação; métodos e técnicas de estudos de usuários; avaliação
dos estudos de usuários, dentre outros. Mereceu destaque a menção ao tema Inclusão Social por ser a única vez que o termo assim apareceu após a verificação de todas as ementas que foram disponibilizadas. Outra proposta de estudo destacada foi a que se referia a não
para os usuários, para aqueles que a buscam. Nesse caso compreendeu-se que estudar o não
usuário pode ser um importante passo no sentido de incluí-lo e torná-lo usuário. A
informação tende a estar disponível para ser acessada por aqueles que, sabendo do seu valor, vão à sua procura. A idéia de não usuário11 agrega à informação o caráter de ir ao encontro
daqueles que ainda não tiveram a oportunidade ou não foram devidamente sensibilizados para reconhecer a importância e os benefícios que essa pode trazer para o desenvolvimento individual e coletivo do mundo no qual vivem.
Fundamentos de Biblioteconomia: pertencente à Área 1 e com carga de 60 horas
aula, a disciplina é ministrada no 1º semestre do curso. Além da abordagem sobre a Biblioteconomia e suas relações com outras áreas, de acordo com a ementa (UFMA, 2006, p. 35), a disciplina se propõe a refletir sobre temas como a Biblioteconomia no contexto social e político; a profissão do bibliotecário; entidades de classe e movimento associativo; formação profissional; mercado de trabalho e perspectivas; representação social e ética; introduz ainda o estudo de gênero na Biblioteconomia, o que também identificamos como uma novidade peculiar do programa da UFMA em relação aos demais cursos estudados da Região Nordeste.
Fundamentos Sócio-econômicos do Brasil Contemporâneo: embora proposta com o
título de Sociologia no texto do PPP, mantém o título original de acordo com o sitio do Departamento de Biblioteconomia da UFMA. Enquadrada na Área 1 e vinculada ao Departamento de Sociologia e Antropologia, a disciplina é de 60 horas e é ministrada no 1º semestre do curso. Todavia, não constando a sua ementa associada ao título mantido e nem sendo explícita a sua relação de conteúdo com o título proposto optou-se por não desenvolver qualquer análise baseados no PPP. Intuiu-se, entretanto que na busca da compreensão dos fundamentos sócio-econômicos do Brasil contemporâneo é natural que seja objeto de abordagem as condições sociais e econômicas, o que certamente contribui para a ampliação do conhecimento acerca das desigualdades e dos problemas consequentes da realidade nacional para as populações desfavorecidas e marginalizadas.
História da Cultura: a disciplina é oferecida no 2º semestre do curso; sua carga
horária é de 60 horas aula e também se enquadra na Área 1. Tendo situação semelhante à disciplina anteriormente analisada, seu oferecimento se dá em departamento externo ao curso,
11Diferente de usuários reais (registrados na biblioteca) ou potenciais (que dispõem de todas as condições para
tornarem-se usuários reais) entenda-se aqui por não usuários aqueles indivíduos que não dispõem das condições físicas ou intelectuais tradicionalmente consideradas necessárias para o uso dos serviços geralmente prestados por bibliotecas ou centros de informação.
Departamento de História e possivelmente por isso a sua ementa e bibliografia não se encontram descritas no PPP; tais ausências inviabilizaram a análise do seu conteúdo. Decidiu- se, entretanto mantê-la destacada, considerando a importância de que os futuros bibliotecários compreendam os processos e as experiências vivenciadas pela cultura e consigam relacioná-la ao seu próprio fazer profissional. Considerou-se que estudar a cultura pode favorecer à compreensão acerca do relacionamento que a profissão mantém com a sociedade, uma vez que o profissional bibliotecário, consciente ou não, faz parte do coletivo que atua contribuindo para a reprodução cultural a qual, conforme refletira Bourdieu e Passeron (1975, p.65) vem corroborar para a reprodução das relações entre os grupos e as classes, ao que o autor chama de reprodução social.
Leitura e Formação de Leitores: quanto ao período de oferecimento da disciplina
identificou-se uma divergência entre as fontes. No site do Departamento a matriz curricular informa que a disciplina é oferecida no 7º semestre enquanto no PPP consta que a mesma é oferecida no 6º. Não sendo o período exato do oferecimento da disciplina um aspecto de relevância para a pesquisa, apenas fora mencionado por uma questão de coerência para o texto e também tendo em vista o amadurecimento dos discentes para trabalhar os conteúdos. A carga horária da disciplina é de 60h e foi enquadrada na Área 3 das DCN. De acordo com o texto do PPP (UFMA, 2006, p. 26) é uma disciplina de 3 créditos, sendo 2 teóricos e 1 prático. Vinculada ao Departamento de Biblioteconomia, não pressupõe qualquer pré- requisito.
A ementa da disciplina Leitura e Formação de Leitores prevê o estudo da concepção de leitura; o processo de formação de leitores e as práticas de leitura na família, na escola e na biblioteca. Além disso, estuda as políticas de incentivo à leitura no Brasil e retrata aspectos da literatura infantil e juvenil tais como origem, conceito, características, produção editorial brasileira e difusão. Aborda também estratégias de leitura e planejamento de atividades de leitura para crianças e jovens.
Embora a leitura ainda seja tradicionalmente uma atividade vinculada à decodificação do alfabeto, a disciplina foi considerada como uma importante alternativa de reflexões para os futuros bibliotecários, podendo suas técnicas representar ferramentas e estratégias às práticas internas do coletivo profissional e para a atuação como mediador dessa prática no ambiente social do seu exercício. Do ponto de vista das práticas internas, a questão da leitura supõe a reflexão individual dos futuros profissionais cuja origem majoritária remanesce do sistema público de ensino fundamental e médio, em geral deficitário e que
tradicionalmente não estimula a prática da leitura, significando déficits na base da formação. Do ponto de vista da atuação profissional, abordar a leitura pode representar a compreensão do bibliotecário como educador e mediador da leitura na sua amplitude, permitindo que além do domínio das técnicas, o profissional possa desenvolver competências para recriar formas de tornar a leitura uma atividade criativa e sedutora. Conhecer recursos de mediação capazes de desenvolver o desejo dos indivíduos pela leitura, a partir de estratégias que respeitem os diferentes níveis do público e das comunidades, visto que a leitura importa em diferentes perspectivas e, portanto pode ser um instrumento eficiente de Inclusão Social.
A Lei 12.244, de 24 de maio de 2010, que determina a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino públicas e privadas do País reforça a necessidade de disciplinas cujo objeto seja a leitura, corroborando para que os cursos de Biblioteconomia compartilhem com a iniciativa da UFMA e tragam para o ciclo obrigatório dos currículos a formação que capacite os futuros profissionais para a referida demanda.
Serviços em Unidades de Informação Públicas e Escolares: embora mantenha esse
título na matriz curricular (2008), a disciplina é apresentada no PPP (2006) como Gestão de Unidades de Informação Públicas e Escolares, trazendo como pré-requisito a disciplina Marketing em Unidades de Informação. Com uma carga de 60 horas, a disciplina é ministrada no 7º período do curso e soma 3 créditos, sendo 2 teóricos e 1 prático. Enquadrada na Área 4, a ementa descreve assim o seu conteúdo:
Biblioteca. Educação e Sociedade. Bibliotecas públicas, escolares e infantis: conceito, funções, objetivos e estrutura. Características e necessidades das comunidades. Tipos de serviços e produtos. Biblioteca e ação cultural. O bibliotecário e suas funções. Divulgação e promoção da biblioteca. Padrões. Política nacional de bibliotecas públicas e escolares. Avaliação de serviços e produtos. (2006, p. 60)
Nas referências traz títulos como ‘A Biblioteca escolar e a sociedade da informação’, de José Antonio Calixto’ (1996); Educação e desenvolvimento: mito e realidade de uma relação possível e fantasiosa’, de Pedro Demo (1999); ‘Educação: um tesouro a descobrir, relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI’ (1999); ‘Os Serviços da biblioteca pública: diretrizes da IFLA/UNESCO’ (2001); um artigo do Professor Emir Suaden intitulado ‘A biblioteca pública no contexto da sociedade do conhecimento’ (2000), dentre outros. O conjunto desses conteúdos propostos para o ensino da disciplina presume uma formação consistente dos futuros profissionais bibliotecários para o domínio de temas relacionados ao papel da biblioteca escolar e em especial da biblioteca
pública, que acaba geralmente suprindo também o papel da biblioteca escolar, modalidade tipicamente deficitária quando não inexistente, sobretudo no âmbito do ensino público da escola regular brasileira. Embora não signifique que essas sejam as únicas modalidades de biblioteca que devam ter o compromisso de manterem-se próximas da sociedade e da inclusão de novos sujeitos no universo da informação, por vocação culminam por serem tipos de bibliotecas com maior acesso à comunidade. A proximidade com a população torna essa disciplina imprescindível, tendo em vista capacitar os profissionais bibliotecários para desempenharem com competência o papel de incentivadores da inserção de novos usuários no mundo da informação. À medida que essa temática figura do conjunto das disciplinas obrigatórias tende a assegurar a capacitação do profissional do ponto de vista coletivo para atuar nesse espaço privilegiado de relação da Biblioteconomia com a sociedade. Desse modo, considerou-se que a disciplina Serviços em Unidades de Informação Públicas e Escolares pode contribuir para evidenciar a importância da profissão nos processo de Inclusão Social e ao consequente desenvolvimento das comunidades.