Section III : les accords contemporains
CONCLUSIONS DE LA PREMIERE PARTIE
IFES 1 2 3 4 5 6 UFBA - - - - UFPE 2 UFC-FO 5 1 UFPB 5 1 1 UFMA 4 2 1 UFRN 3 1 UFAL 2 2 2 UFC-CA 5 1 UFS 1 1 2 T O T A L TOTAL 27 - 8 6 - 1 42
Quadro 28 - Incidência de disciplinas obrigatórias de conteúdos sociais nos
cursos de Biblioteconomia das IFES do Nordeste segundo as áreas das DCN
A partir do gráfico 25 e do quadro 28 constata-se a predominância da abordagem teórica tanto no âmbito global do ensino da Biblioteconomia das IFES nordestinas, quanto no enfoque individual de cada um de seus cursos.
No estudo realizado, tendo em vista a compreensão do contexto social, considerou-se o conhecimento teórico insuficiente para formar profissionais para uma prática efetiva. Os indivíduos marginalizados do universo da informação dependem de olhares específicos e práticas concretas. Tais práticas, aliadas ao conhecimento teórico, supõem além do domínio intelectual dos problemas da sociedade a adoção de uma postura pautada na crítica, na solidariedade e na competência para a atuação social por parte do profissional, o que requer empenho e compromisso do processo formativo.
À luz das DCN, o quantitativo das DO destacado das matrizes curriculares, por sua aparente abordagem social, não alcançou 20% do currículo em nenhuma das IFES estudadas. O quantitativo das DOCS, das CH dispensadas às DOCS e da elevada CH das referidas disciplinas enquadrada na Área 1 das DCN reafirma que a formação ainda permanece eminentemente tecnicista e que o pouco que se aborda sobre conteúdos sociais é principalmente voltado para a intelectualização dos problemas da sociedade. Tal realidade constatada tende a contribuir para formar profissionais com relativa capacidade de gerar
discursos bem elaborados. Porém, é natural que apenas os discursos não traduzem em si mesmos a concretização de práticas profissionais inseridas no cotidiano da sociedade.
O quantitativo das DOCS identificado em algumas IFES registra movimentos em direção a um olhar mais social para a Biblioteconomia. Entretanto, o quadro geral apurado nos currículos dos cursos de Biblioteconomia das IFES do Nordeste leva a concluir que ainda não há na Região uma ampla consciência ou interesse do processo de formação em estabelecer as bases para uma futura atuação profissional que mantenha estreitos vínculos com indivíduos e coletivos que apresentem diferenças em relação ao público tradicionalmente usuário de serviços de biblioteca.
Observando o quadro 28, constatou-se que a tônica da abordagem dos estudos da sociedade nas DO dos currículos de Biblioteconomia da Região se enquadravam especialmente na Área 1, com o percentual global de 65% das disciplinas oferecidas. Essa característica se estendeu às realidades locais, sendo o montante aproximado de praticamente todos os currículos estudados.
Verificou-se que apenas 8 e 6 disciplinas foram enquadradas nas áreas 3 e 4, respectivamente, sendo essas as áreas que situam mais diretamente o profissional bibliotecário no contexto das relações internas e externas do seu fazer na sociedade. Nessas áreas identificou-se concentrada a parte da formação voltada para o planejamento, as políticas de estruturação, do desenvolvimento e aplicação de recursos e serviços, com vistas a atender e promover a interação do público com a informação. Causou certa estranheza o quantitativo global das disciplinas enquadradas nessas áreas que tinham entre seus propósitos analisar e possibilitar uma visão que aproximasse o futuro profissional das disciplinas de conteúdos sociais.
Nas áreas 2 e 5, de acordo com o estudo das ementas, nenhum curso explicitou preocupações com a temática social, muito embora possivelmente a questão seja também objeto de tratamento em alguns dos programas, através de seus currículos ocultos, o que não torna prudente afirmar que na prática da disciplina a temática seja ignorada.
Formalmente as ementas das disciplinas presentes na área 2 declaram conteúdos de características internas de atividade mental do fazer bibliotecário, tendo em vista a tradução de conceitos e a organização sistemática do conhecimento. Tais atribuições pressupõem o domínio da técnica e das linguagens universais para a tradução e codificação do saber registrado.
A área 5 se ocupa do domínio dos aparatos tecnológicos, na elaboração de sistemas automatizados para a criação de recursos digitais, com vistas à eficácia no tratamento e
disseminação da informação. Em casos específicos tais recursos digitais podem ser naturalmente instrumentos de inclusão, uma vez que, por exemplo, possibilitem programas que permitam o acesso de usuários especiais. Entretanto, seriam de fato eminentemente democráticos tais recursos se a Inclusão Social e Digital já estivesse estendida a toda a sociedade, de forma que todos pudessem se beneficiar de tais produtos, o que sabe-se, não traduz a realidade social do País e, menos ainda, da Região Nordeste.
Apesar das possibilidades de ação criativa de caráter social contidas nas duas áreas analisadas acima, os cursos pesquisados não explicitaram em seus conteúdos formais qualquer link que relacionasse as referidas áreas com abordagens sociais. Tais conteúdos, todavia, poderiam representar importantes ferramentas, a serem também utilizadas na formação dos futuros profissionais tendo em vista a perspectiva da Inclusão Social.
No exame das ementas e bibliografias, apenas uma disciplina com o perfil pesquisado se enquadrara na Área 6, sendo ministrada pela UFPB, conforme demonstrou os quadros 17 e 28. A abordagem mais recorrente dessa Área nos currículos das IFES pesquisadas demonstrou estar voltada para o domínio pragmático das técnicas de pesquisa e, quando muito, aplicada à Ciência da Informação para o manejo epistemológico da ciência estudando sua origem, estrutura, métodos e a validade do conhecimento científico. Em geral a descrição dos conteúdos relacionados às disciplinas da referida área não explicitou vínculos que evidenciasse a perspectiva de formação dos futuros profissionais para a Inclusão Social.
Sendo majoritariamente teórica, a abordagem que predomina nas DOCS, em detrimento das demais tipologias de abordagem que mantêm correspondentes mais diretos com a prática profissional, Moore (apud CUNHA; CRIVELLARI, 2004, p. 41) reflete sinalizando que, “[...] o controle do conhecimento se estabelece a partir das relações que existem entre a prática profissional e valores com legitimidade cultural, racionalidade e eficácia.” Em outras palavras, a capacidade de discursar, ainda que ampla, não significa efetivamente desenvolver a capacidade de atuar na modificação dos paradigmas dominantes. Ao contrário, podem funcionar como incentivo à reprodução de paradigmas que não envolvem todos os aspectos sociais e que não se centram na superação das defasagens e problemáticas registradas na sociedade.
7.5.4 Distribuição das DOCS nos períodos dos cursos
A análise da distribuição das disciplinas nos períodos dos cursos visou demonstrar a forma como esses apresentaram as DOCS no interior de suas matrizes. Com a finalidade de possibilitar uma visão sistemática dessa distribuição, o quadro 29, a seguir, representa a organização das DO descritas nos PPP:
OFERECIMENTO DAS DOCS