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CONCLUSIONS

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Compreendendo a importância das concepções mencionadas acima para a construção da identidade do professor universitário no contexto atual, concordamos com Pimenta; Anastasiou (2006) ao preconizarem que sob esta ótica, o desenvolvimento profissional dos professores tem se constituído em objeto de políticas que valorizam a formação de professores não mais baseada na racionalidade técnica/instrumental, que considera os professores como meros executores de decisões alheias, mas numa perspectiva comunicativa, de trocas de experiências e construção coletiva dos saberes e do ser docente.

Com esse entendimento, acreditamos na possibilidade e necessidade de recorrer a racionalidade comunicativa de Habermas, pois através dela o autor busca explicitar os fundamentos necessários ao enfrentamento da complexidade da sociedade atual e sua colonização pelos princípios da cientificidade moderna, trazendo como conseqüência a ação dos sujeitos seguindo os pressupostos da racionalidade técnica/instrumental (HABERMAS, 1989). Princípios estes, que como buscamos expor ao longo deste trabalho estiveram e estão amplamente presentes quando nos reportamos à formação e atuação dos professores universitários, logo, com grandes possibilidades de deixar suas marcas na formação e atuação dos futuros professores de Educação Física.

Dessa forma, a racionalidade comunicativa pode trazer significativas contribuições à constituição do ser docente e ao desenvolvimento profissional, tanto

no ensino superior quanto na educação básica, uma vez que, enquanto a racionalidade instrumental está intimamente ligada às relações de poder, ao domínio e manipulação do outro e do mundo em que vivem; a racionalidade comunicativa está alicerçada no reconhecimento intersubjetivo, na interação entre os sujeitos e no seu crescimento mediado pela comunicação. Nesse sentido, conforme Habermas (1989, p. 166, grifo do autor),

o agir comunicativo pode ser compreendido como um processo circular no qual o ator é as duas coisas ao mesmo tempo: ele é o iniciador, que domina as situações por meio de ações imputáveis; ao mesmo tempo, ele é também o produto das tradições nas quais se encontra, dos grupos solidários aos quais pertence e dos processos de socialização nos quais se cria.

Ao enfatizarmos a necessidade de um desenvolvimento profissional alicerçado no agir comunicativo, pensamos na possibilidade do professor universitário romper com a individualização na realização do seu trabalho e na construção de seus saberes, o que tem sido marca nesse nível de ensino. Falamos da ação comunicativa que se efetiva através da linguagem e da busca de entendimento, privilegiando o relacionamento entre os sujeitos, por meio da articulação de valores, crenças, atitudes, normas e conhecimentos e, fundamentalmente, o questionamento dos mesmos na busca do consenso livre de coerções.

Nesse reconhecimento e busca pelo consenso reside à significativa importância do agir comunicativo sobre o agir instrumental, isto é, enquanto este propõe um sujeito que age sobre o outro através de relações de poder para atingir os fins desejados e determinados a priori; aquele reconhece a necessidade de considerar a subjetividade do sujeito, num processo intersubjetivo na busca do entendimento através da argumentação. Nessa perspectiva instaura-se a possibilidade de reelaborar os saberes inicialmente tomados como verdades, no questionamento da ação pedagógica cotidiana e no confronto com as experiências subjetivas de outros professores.

Nesse sentido, é que Habermas (1987, p. 198) nos diz que a ação comunicativa não é somente um processo de entendimento, uma vez que, os atores ao entender-se sobre algo no mundo estão participando, simultaneamente, em interações através das quais desenvolvem, confirmam e renovam o seu pertencimento a grupos sociais e a sua própria identidade.

Essa questão nos reporta a outro fator considerado relevante no desenvolvimento profissional dos professores universitários, uma vez que inúmeros estudos (ZABALZA, 2004; PIMENTA; ANASTASIOU, 2006; MARCELO GARCIA, 1999, ISAIA; BOLZAN, 2007, entre outros) têm apontado que este ocorre dentro de um marco institucional, isto é, a instituição que os professores fazem parte exerce influência sobre o seu desenvolvimento.

Dessa forma, se a instituição apóia-se em políticas que deixam os professores a margem dos processos de tomadas de decisões e de construção de um projeto institucional coletivo, resta-lhes agir estrategicamente/instrumentalmente na transmissão e reprodução do que é determinado por instâncias superiores. Todavia, se esta empenha-se na construção de um projeto formativo coletivo, abre- se a possibilidade dos professores participarem ativamente de sua construção buscando pelo entendimento e valorização dos saberes das experiências subjetivas e construindo as atitudes de ação mediante um processo que envolve o grupo de formadores.

Embora pareça simples, esse processo é bastante complexo na medida em que supõe o entendimento mútuo como um mecanismo para a coordenação de ações dos professores Esse entendimento, embasado pela racionalidade comunicativa, propõe o acordo e a ação orientada para um fim comum, que não pode ser imposta a nenhuma das partes, mas sim, deve originar-se através de convicções comuns elaboradas através do entrelaçamento das perspectivas dos participantes do discurso e das perspectivas do mundo. Sendo assim, os planos de ação dos professores relativos à formação seriam cooperativamente definidos levando em consideração as perspectivas dos participantes da ação – professores e alunos – no horizonte de um mundo de vida compartilhado atingido por processos de entendimento mediados comunicativamente (HABERMAS, 1990).

Por fim, apontamos que a racionalidade comunicativa poderia oferecer um fundamento para a formação e desenvolvimento profissional dos professores para uma prática pedagógica não reduzida ao saber teórico, prático e/ou técnico, mas que incluiria o mundo da vida como ponto de partida e de chegada para construção dos saberes. A ciência e a técnica, assim, seguindo o pensamento habermasiano trariam o potencial do saber acerca do que é viável e que poderia vir a fazer parte do mundo da vida dos sujeitos. Não se trata, portanto, de forma alguma de descartar esses conhecimentos produzidos, mas incorporá-los as experiências dos sujeitos. O

mundo da vida, de onde devem partir todas as experiências, construções e reconstruções de saberes “estrutura-se através de tradições culturais, de ordens institucionais e de identidades criadas através de processos de socialização” (HABERMAS, 1990, p. 100).

Dessa forma, um agir comunicativo, ao mesmo tempo em que permite a interpretação dos processos culturais, processos de interação social, coordenação de ações e o entendimento mútuo, possibilitariam aos professores, como protagonistas dos seus processos de desenvolvimento, reconstruir e/ou consolidar sua identidade profissional e pessoal, bem como, a sua presença e ação no grupo social do qual são parte, alimentando-se desse jogo conjunto de práticas comunicativas.

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