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ACCOMPAGNER LES ACTEURS DANS LEURS PROJETS DE TRANSITION

Dans le document RAPPORT FAIT (Page 189-192)

O início das atividades profissionais é um período marcante na trajetória docente, pois trata-se de um período vivido com emoção e entusiasmo, mas também com certa apreensão e insegurança frente ao novo contexto que o profissional está se inserindo. Esse período, assim como os demais da carreira docente, não é vivido da mesma forma por todos os professores. No entanto, é um período importante porque os professores fazem a transição de estudantes para professores e com isso é que surgem as dúvidas, tensões e a necessidade de adquirir um conhecimento e competência profissional adequados num curto espaço de tempo (CONTRERAS, 1987 apud MARCELO GARCIA, 1999).

A entrada na carreira docente traz como características principais os denominados estágios de sobrevivência, em que ocorre o ‘choque com a realidade’ e; o de descoberta, que se resume no entusiasmo inicial (HUBERMAN, 1995 apud SHIGUNOV; SHIGUNOV NETO, 2001). Esses estágios podem ser identificados nos relatos dos professores entrevistados em nossa pesquisa, uma vez que, são apontadas diferentes situações ao iniciarem suas atividades docentes, considerando sua atuação no ensino superior.

O Professor X menciona aspectos característicos do estágio de sobrevivência ou choque com a realidade. Esse conceito, popularizado pelo holandês Simon Veenman (1984 apud MARCELO GARCIA, 1998), refere-se ao período em que muitos professores atravessam nos primeiros anos da docência, caracterizado pela aprendizagem intensa, procurando estratégias para (re)orientar suas ações.

“Uma das dificuldades maiores foi quando a gente se deparou... e queria fazer um trabalho aprofundado, se aprofundar e a gente ‘bateu com a cara na porta’ na questão da bagagem que os alunos estavam trazendo. [...] segundo é aquela deficiência que eu falei anteriormente, a falta de pesquisa, da gente pesquisar nesse período de formação, a falta de se aprofundar nas questões de fundamentação aquilo refletiu bastante... eu tive que... quando entrei aqui voltar atrás no tempo e procurar..., a minha formação eu vi que aquela bagagem só, não era suficiente. No campo do ‘fazer’ não teria problemas, mas o restante teria dificuldades”

(Professor X).

Percebemos na fala do Professor que esse período foi vivenciado com sentimentos de insegurança, medo e despreparo para enfrentar os desafios do novo

contexto profissional. Acreditamos que esses sentimentos estão relacionados também a outros fatores, mas principalmente, pelo distanciamento entre a formação profissional e o seu contexto de atuação, isto é, as teorias, práticas e discussões vivenciadas na universidade eram distantes do que ele iria encontrar em termos de cotidiano de atuação. Isso demonstra que o professor para exercer sua função necessita ir além dos conhecimentos técnicos e específicos de sua profissão, mas é imprescindível que construa, como nos aponta Hildebrandt-Stramann (2007), competências de ação pedagógica, competência de ação de ensino, competência de ação política, competência de científica e competência de ação esportiva crítica.

Diferentemente do Professor X, os outros dois professores entrevistados enfatizam que as dificuldades no início de sua atuação não existiam, ou não mereceriam ser enfatizadas, já que, os aspectos positivos se sobressaíram nesse período.

“No início eu tive bem menos dificuldades porque eu tive uma aceitabilidade muito grande, acho que pela própria carência da região em relação a profissionais e essa vinda de professores de fora, isso veio a agregar muito pra universidade e para os acadêmicos, então eu não tive essa dificuldade quando cheguei, [...] eu tinha toda a estrutura, tinha espaço, tinha material, o que faltava era mão de obra. [...] quando eu cheguei na universidade eu vi uma realidade completamente diferente do que se tem hoje né, eu já passei por vários estágios dentro da universidade e quando eu cheguei aqui eu tive muito mais do que eu imaginava, eu esperava dificuldades, eu esperava pouco acesso é... eu esperava na verdade, aquilo que eu tinha tido dos meus professores e eu tive uma realidade completamente diferente. Eu tive material, muito... muito... muito material, é... espaço é... tudo aquilo que eu via como dificuldade aqui eu tinha tudo né, tudo a disposição. Então eu consegui assim, fazer um trabalho muito além daquilo que eu imaginava” (Professor Z).

Nesse mesmo sentido, o Professor Y, ao relatar que não teve dificuldades enfatiza como isso foi sendo modificado no decorrer de sua carreira, trazendo mais limitações com relação ao início de sua atuação no ensino superior.

“Não, não tive dificuldade no começo... olha tem mais dificuldade agora com a quantidade. [...] Acho que a quantidade não é um... não é sinônimo de quase nada, é sinônimo de quantidade só. [...]... mas não sinto dificuldade assim, ah... aquela coisa me impede de fazer, talvez essa coisa da quantidade só, o restante assim de trabalho, de... de proposição, a gente fica mais diferente no sentido de saber lidar com os alunos. [...] Há uma relação também que é complicada do início pra agora, que existia no início mas era muito menos, era uma relação... a relação comercial com a coisa né, o aluno quando ele... o aluno ele sabe usar essa relação comercial, [...] existe um contexto que ta fazendo com que isso aconteça, talvez a formação profissional não seja importante hoje pra esses alunos, eles querem mais ter um diploma, como é na pós-graduação por exemplo, fazer um curso de pós-graduação,

que é um tempo, um gasto a mais, vamos dizer, porque pagam pra isso, pra ter pontos a mais numa contratação emergencial, [...] Ninguém pensa, bom isso aqui é pra minha formação, onde eu posso ir com isso? Esse onde eu posso ir é que poderia ser melhor. Então acho que isso mudou um pouco do início pra esse momento agora” (Professor Y).

Nas falas dos professores, percebemos que as vivências iniciais como docente relacionam-se muito mais com o estágio de descoberta, quer dizer, o entusiasmo por estar adentrando em um mundo ‘desconhecido’, mas que foi sendo construído e amadurecido ao longo de sua formação. Tornando-os conscientes de que teriam dificuldades, no entanto, estavam preparados para enfrentá-las, fornecendo os subsídios necessários para enfrentar os obstáculos. É importante salientar, também, que essas dificuldades não foram sentidas pelos professores, pois, tinham todas as condições necessárias para desenvolver o seu trabalho, desde estrutura física, material e da própria formação. Conforme Bracht et al. (2003, p. 39), “a existência de materiais, equipamentos e instalações adequadas é importante e necessária para as aulas de Educação Física, sua ausência ou insuficiência podem comprometer o alcance do trabalho pedagógico”.

Partindo dos relatos dos professores entrevistados, formados em épocas diferentes e com diferentes percursos profissionais, podemos concluir, como nos aponta Marcelo Garcia (1999), que o ajuste dos professores a sua nova profissão depende, em grande medida, das experiências biográficas anteriores, dos seus modelos de imitação anteriores, da organização burocrática em que se encontra inserido, dos colegas e do meio em que iniciou a sua carreira docente.

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