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135 BRIEVE INSTRUCTION 136 pas que les hommes ne penseront rien apres leur

DE LA SECTE COMMUNE

135 BRIEVE INSTRUCTION 136 pas que les hommes ne penseront rien apres leur

21.L88 ; Dear Marry,

l ,ástima de úlliina liera. .

Perdi onteni, em um coquetel, a jóia de prata que me ofereceste! Sóme ficou o “tom de cor”, que se abriu sem que nie desse conta, deixando cair a árvore. Fica o que liga, menos o que pesa! Mas eslou coin pena

Marry Cher,

Numa caria do último Natal escrevi “nossa empatia funciona às mil maravilhas”. Obsei vação conílrmada com a tua correspondência de 3 de março que acabo de receber. Olha que respondo imediatamente. Numa carta minha, ulterior, que se cruzou com a tua, fascinada pela “ Construçào”do Chico Buarque (44 ans merci!), pedia-te a letra toda, para traduzir. E tu adivinhaste! Não só que gostaria de ter a letra mas que tentaria traduzi-la. Maravilhoso, pois! Espero que, no intervalo, tenhas recebido carta(s). Rua, e todo o demais. Ficas a saber que nao passa um dia sem eu ouvir pelo menos uma Bachiana. e tal dos teus recados! No instante mesmo, o poema “daquele amarelo... ou por outra daquele japonês”... Que bom! Realmente.

Ontem à noite, tive a surpresa de receber um telefonema do Brasil Primeiro, pensei que fosse teu, mas ouvindo uma voz feminina... Era uma senhora Zahidé Muzart, da Universidade de Floripa, assegurando que se podia arranjar a minha vinda em outubro/ novembro, com motivo oficial de dar aulas. Fiquei pasmada... Estou à espera do programa que elame deve enviar; que me parece pesado demais, já te digo. A senhora enumerou a totalidade dos cursos que dispensei em toda a minha vida de professora (20 anos)! Perguntou-me se podia ficar dois meses. Por mim, confirmei, mas dado que vou ficar na tua casa (imagino?) era bom saber se me vais aguentar tanto tempo! O princípio deve ser que vou lá dar conferências, e não aulas seguidas. Por uma razão simples: que para dar aulas seguidas preciso de material que não posso levar para Floripa, em vez que posso preparar um lote de conferências várias antes de partir. E quero fazer um trabalho sério. Não sou capaz de fingir... nem pedagogicamente nem doutra maneira. Como evidentemente, estás à origem de tão maravilhoso convite, tens que explicar isto e confirmar-me a prazo hospedeiro que me consentes,

O que convém às mil maravilhas, é o período: vamos poder viajar juntos, não é? Por que imaginas que te vais sentir sozinho (é uma palavra de que gosto muito em português!, uma palavra que hesita a dizer o que diz...) em Saint-Nazaire? Além de que espero francamento estar lá contigo, na Maison ou noutro “gite” municipal, vais ficar cheio de convites culturais e amicais durante a tua estadia. E podes vir para o Cay - Rou quando quiseres. Só me vou ausentar alguns dias em julho para visitar uns amigos em Arezzo, Toscana, Itália. E no mês de setembro, podes estar aqui, instalado no primeiro andar, “sozinho” sem o estar, já te disse. Acerca do Joca Wolff, a razão porque não recebeu documento nenhum é simples: o convidado és tu, somente tu, mas podes levar contigo quem quiseres, a custo da pessoa que beneficia do teu alojamento. Mas diga lá, o que é dum amigo que “desaparece?”

Vou para a tua carta.

“Cay-Rou” é o nome da minha casa, por decisão minha e do arquiteto e amigo, depois de muitas congeminações. Evidentemente lembra o meu nome (ou por outra o nome do meu pai), na forma antiga que era “Cayrou”, patróninio de origem celta, como o “Ker” bretão e que significa “casa”. Estás a ver? Alé disso, o dito arquiteto chama-se Roussely, eu Cayron: ele concebeu, eu paguei e gozo, é a casa Cay-Rou. A simplicidade dos intelectuais...

O livro. Ainda bem que trabalhas. Estou com uma vontade de lê-lo! E vais ver que já estou a traduzi-lo em intenções; o título em que pensaste: Tempo-Será?. relativo ao jogo de “esconde-esconde”, permite uma tradução tão curiosa como o “Zénon des Plaies”. O esconde - esconde, em francês, chama-se “cache-cache”, mas também “cache-tampon”. Já estou a ver o livro com o título de: Le Cache-Temps. Seria admirável, e com a palavra importante para ti. Como achas?

Finalmente, é “Os Incoerentes” que vou traduzir agora. Goslo muito, e da história que sinto 110 mesmo terreno criativo que o Zénon, e da técnica narrativa. A partir da próxima semana, vou dispôr novamente dum computador - que o companheiro dos meus últimos 15 anos

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de vida levou ao sair de casa... - indispensável para traduzir melhor e mais depressa. Quando pensava em ir para o Brasil por minha conta, era também afastado a compra daquele instrumento de trabalho. Uma despesa de 18.000 francos, que me deixa “seca”. Mas a gente tem de saber o que quer na vida. E quero traduzir mais e melhor.

Recebi um cartão da tua irmã Ruth. Uma gentileza que agradeci. Agora sei que foste ter com ela no Rio.

No Bittencourt Martins, há realmente coisas boas; “O vento nas vidraças”, “Os nervos de Deus”, gosto. Às vezes, faz pensar no Dalton Trevisan (que deve ter todos os direitos reservados para a tradução, imagino), que conheceste, conforme aprendi no De-Como-Ser. Como era ele?

Nada mais por hoje. Contente por ter escrito em português. Sem dificuldade nenhuma, a seguir na máquina. Agora, sem erros??? Isso é que tu me vais dizer.

Uin abraço, Claire.

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Cher Ilarry,

Desta vez, nem carta - eleciro, nem carta - lombriga... Só uma carta pequenina, a manifestar que recebi a tua de 15 de abril. Por varias causas, entre as quais o facto de estar a viver o contrachoque do choque do ano passado; o facto de estar desanimada pelo comportamento de certas pessoas que julgava amigas, etc. etc. tudo o que se revela em momentos de crise. Revelações finalmente necessárias mas pesadas.

O resultado é que tenho muita dificuldade em trabalhar, sobretudo intelectualmente e que, pela primeira vez na minha vida, tive de desistir de certos compromissos (por exemplo uma conferência tratando do assunto da Li(eratiira como egografia. Gostava muito do título - da minha autoria -, mas ha dias que tento desenvolver o assunto, sem conseguir mais de oito páginas. Não vale a pena continuar.) O. sistema da minha capacidade presente é que nem traduzir consigo...

Tens completamente razão: Ilz um erro na tradução da página do teu Diário. Devia-se dizer: “.. et que 1 ‘on garde lorsque nous mourons”', para uma boa compreensão. Quai é a tua idéia?

Sempre aprecio as tuas cartas, e por enquanto mais ainda. ; Saudades,

Claire

A última pintura da tal amiga que encontraste em Bordeus, chamava-se “Rio de Janeiro”. Mando-te a fotografia. Acho graça e até gostava de comprar ... se tivesse ... 10.000

F! ' " ^ '

Le 28 avril 1988

I4V

Dear Hany

As nossas respeclivas clioradeiras (de 21 e 28 do mês passado), cnizaram-se no ar, confirmando que a nossa empatia funciona às mil maravilhas, até quando era melhor não nincionasse... Não é tempo de maré cheia, sobretudo intelectual, para nenhum de iu)s, parece...

A minha medicina pessoal, em tal caso, é Iradu/.ir. O que allnal consegui la/er. Assim tc mando um projeto de tradução de Caixji d ‘Aço. 12videntemente, tive de adaptar, de inventar até. A lista das palavras de três letras em francês não corresponde quase nunca ao português. Para “caracterizar os ambientes”, visto que não podia reproduzir a escolha original, resolvi “pescar”as palavras de três letras que apareciam na tradução dos sucessivos trechos, e organizá-las de maneira ciil'ônica, isolando à lua maneira, uma palavra-cena: II,R, ROC, VIE, FIN' . Não sei ciMiio vais acluir o rcsuitado...

O romíuit‘0. Não conheço escritor que não duvide da sua obra. Sobretudo quando o ponto final se aproxima. Certamente a interrupção foi coisa mà para a facilidade da escrita. Mas talvez a dificuldade assim criada resulte útil. Compreendo a “tremenda angústia” - a inevitável angúsiia. Mas por mim, de ter lido o que já conseguiste literariamente, não duvido.

Não percebo porque pensas que ter saído do museu não foi a melhor solução. Mesmo que não for, não vale a pena pensar no passado. Na experiência minha, vejo poucas decisões, por discutíveis que sejam na maneira como foram tomadas, e até incompreensíveis, que afinal não fiquem boas. São os períodos de passagem que pesam.

(Que pretenção a minha: filosofar em português!).

A tua viagem. O Christian tíouthémy telefonou ontem a dizer que era impossível comprar aqui o teu bilhete. Parece que o governo brasileiro, por evidentes razões de inflação, não autoriza. Ele pede para indicar, a toda pressa, eventualmente por telegrama, antes do dia 10 de junho, o preço do bilhete ida e volta comprado no Brasil, com indicação das datas. Pagamento à tua chegada aqui. No caso de resposta telegráfica, acho que deves confirmar por carta.

Na próxima semana, realiza-se em Bordeus uma semana de literatura portuguesa, que foi da minha iniciativa. De princípio, Miguel Torga tinha aceitado vir, para uma homenagem. Mas as coisas evoluirão de tal maneira, da parte da pessoa “amiga”que recuperou o projeto, que allnal recusou E leve razão. A não ser um debate no Instituto em que ensino, também eu não vou participar a nad;i.

São horas da saída do correio. Até a próxima carta de permeio... Saudades,

Clairc

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Harry:

Duas cartas tuas diante de miin (9 e 21 de maio) e pouca disponibilidade para responder: estou em pleno peiiodo dos exames (escritos e orais) o que nâo participa do desenvolvimento das minlias faculdades intelectuais; e continuo em pleno período de desânimo, sobretudo (notei, obrigada sr. professor!) depois do decorrer da dita “Semana da literatura portuguesa”em Bordeus, que foi um êxito comercial e mundano, e um horror cultural. Para dar- te uma idéia: houve um grande jantar num “château" de Medoc (maior do que visitamos com Ross, Lembras'^), e enquanto a gente “chic” bebia e comia do melhor, sobre a relva as associações de emigrantes portugueses faziam o espectáculo... Ainda bem que o Miguel Torga não veio. Fazia um escândalo. Aliás, numa “homenagem”- que foi mantida contra a minha vontade - houve outras razões de escândalo, infelizmente da parte do próprio embaixador de Portugal que veio lá dizer umas asneiras e até umas mentiras. Tive de afrontar-me com ele. Estás a ver a situação. Felizmente o encontro realizáva-se numa sala sem sonorização e parece que quase ninguém percebeu o que se passava (mando-te o artigo do jornal), e o Miguel Torga - a que nunca escondo nada - sempre tem a reacção rija e perfeita em circunstâncias dessas. Mas eu estou cheia de amargura, intelectual e afectiva, diante do procedimento da “organizadora”, uma antiga estudante para quem fiz muito, intelectualmente e afectivamente. Em breve, a ano de 87-88 continua de ser uma catástrofe, cóm exceção da tua presença física e epistolar, de grande valor para mim.

Tive ontem um telefonema de Christian Bouthémy, que recebeu a lua carta. Estão á tua espera na estação de Saint-Nazaire no 4 de julho às IQh54, segundo as informações que tive. Que idéia chegar no aeroporto de Paris ás 5h35! É o que me disseram na Air-France. Podes confirmar? Tencionava ir lá acolher-te e acompanhar-te até a estação de Montparnasse, mas àquelas horas fica impossível... E só há hora e meia entre o avião e o trem?

Nos primeiros quinze dias de julho, não nos vamos encontrar. A minha lilha Sylvie, que conheces, só tem 15 dias de férias (depois de 2 anos sem nenhumas) é vamos as duas para a praia. Mas depois dos 15 de julho, estou à lua disposição. A Ceres escreveu-me a convidar contigo para Ibiza. Como nunca lá fui, evideniemente estou de acordo, se quiseres (notei, sr. professor) a minha companhia Para fazer tudo o que é previsto ou preciso, ficas alé o Natal!

Nenhuma notícia da Sra Zahidé nem doutra, com um convite oficial permitindo a minha ida ao Brasil no mês dc outubro... Ora, sem motivo para pedir uma autorização de ausência, nada de viagem.

Mando-te a tradução firme do texto da affiche. “Elé”é necessário, mas faltava na dactilografia uma parte da frase (coisas feitas à pressa...). Que boa idéia um affiche em francês! Fazes o favor de contar uma para a minha “mãe”, que gostou tanto do texto (de todos os teus textos, aliás).

Gostas do Caixji d’Aço francês, Hourrah! A cópia já eslá “encortinada”conforme o teu desejo (nenhuma “tolice visual”, senhor escritor: a “formalidade”é um dos aspectos importantes da arte, acho eu). N.B. “Zut!” exprime aborrecimento e decepção, em menos comum que “Merde!, e lem 8 letras! Evidentemente tive de transformar a frase relativa à partida de sinuca... pelas razões que adivinhaste muito bem. Imaginas “maniant la queue comme une banderille”...' Ficava pornográfico! “Pour une partie” ' é suficiente.

Li com jubilaçào a maneira como falas do romance, agora. Já sabes (com a lucidez que todo escritor verdadeiro tem - só os outros é que se enganam) f|nc coiisejîiii.s(e on estas cm camiiiho de coiiscgiiir. Estou nas biasas por le-lo, quando julgares oportuno.

10 de jutiilo de 1988

' ‘Mc-Ncndo a cniidn como uma bandeirola" ‘ “Pnrn vniin pnriidn de jogo",

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Recebi as obras de Silveira de Souza e Flávio José Caidoso. Li alguns contos de cada uni. Nada genial. No entanto “Longínquas baleias” (do segundo) que dá título a um volume, é bastante bom. Em geral, é mais jornalismo literário do que literatura como tu e eu entendemos a palavra. Recebi também, hoje mesmo, um grande pacote da editora Global: 7 livrinhos (Edla Van Steen' , Renato Modernell' , Ricardo Ramos'^ , Ana M. Martins'* , Sonia Nolasco^ , Márcia Denser^, Hamilton Trevisan'^ ), com capas que, para nós, evocam o qUe chamamos “littérature de gare”'" ... Mas as orelhas todas dizem um discurso entusiasta. Ficar tudo isto para 1er durante as férias. Aliás, não tenho notícia nenhuma do editor belga...

Moras da saída do correio.

Será a última caita ailles da lua vinda? Saudades em caminho de desaparecer,

Claiie

Para alegrar-le, um aitigo sobre o estado da Universidade francesa. Não imagines que há exageração...

’ Nasccii cni Floriaiió|)olis. SC. Pul>licoii ailigos c contos cn\ inúmeros jornais c revistas brasileiros. Dc 1958 a 1965 participou do nio\ imcnio cincmalogiárico nacional como atriz, c como roteirista. Freqüentou vários cursos dc aitc. Conqnislon vários prcmios litciários. Tem \ ários livros, romances; etc. Alguns li\ros publicados: Corações

Mordidos; Mcmnrias do Medo: Mcatrugoda: Cheiro de Amor.

' Nasceu cm 1953 ná cidade portuária gaúcha de Rio Grande. Renato Modernell reccbeu, entre outros, o prêmio da Academia dc Lisboa por “Chc Bandencón”.

' Ver nota n" 3 da cárta do dia 01" de abril dc 1992,

Ana Maria Martins nasceu cm São Panlo. Como escritora reccbeu o prêmio “Jabnti'\ revelação dc aulor c o prêmio "Afonso Arinos". da Academia Biasilcira dc Letras pelo livro A liilogia do Emparedado e outros coitlos (1973). Jniciou-se nas Letras como tradutora.

Jornalista e escritora brasileira. Escreveu artigos de Periódicos.

** É paulistana. Jornalista, publicitária c editora, com passagens pela Sallcs. Follia. Interview. Around. Vogue. A-Z. onde foi redatora dc criação, repórter especial, cronisla e colunista dc livros. Publicou O l aiiipiro da Alameda

Cúsahraiica c Hell’s Aiigels - contos que llzeram parte da coletânea: Os Cem Melhores Coitlos Brasileiros do Século. Publicou rcccntcmcnlco livro. I 1’oiile das l-^slrelos.

Tradutor dc Duhlineii.ses (James Jo\ cc).

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llany,

JuiUo o guia dos liotéis de Paris que tinha ficado no meu carro, e a propaganda da exposição que Ibnios ver, o Joca e eu, onteni de manhã, nos Entrepôts Laine' / C. A . P . C. que coniieces. Curiosidades da arte contemporânea.

Recebi as sucessivas e eficazes emendas de A primeira bala, que ficam no meu dossier até o momento de entregar a versão definitiva.

Quanto a “aciio que escrevi muito melhor do que hoje. C ‘est dommage”^ , nâo me parece fórmula exacta. l'alvez voce julgue que escrevia com mais facilidade? Por mim, imagino que escrevia com maior paciência. O que faz falta agora: parece que quer ver o trabalho acabado antes de começá-lo... A única cousa “dommage" é essa e parece-me que está simplesmente à procura de “boas'’ra/.ôes para deixar de escrever. Isso é coiisigo. Brevemente resumido! Não aceito a cantiga do pobre escritor cansado.

Já lhe disse que a matéria de Tempo-Será é boa. Que já conseguiu plenamente uma personagem: o Vitório. Que muitas |)assagens e capítulos são excelentes. Até se podia publicar assim e ficava tão bom como muitos outros romances. Mas pode ficar melhor com... paciência. A mim não me parece nada desanimador que tenha de trabalhar mais de 9 meses no asssunto! Eu para traduzi-lo vou levar mais!

Até Nice, com o prazer de conhecer a Ruth. Um abraço aos dois e desculpe falar...claramente.

Le 5 aoül 1988

Claire Cavron

' i3cp6silos tic lã. Qiic pciiíi !

3'' feiia

Hany,

Aqueles sonhos impossíveis de viagem a Ibiza cansaram-me. Não gosto de ver as férias tornar-se tão complicadas como o trabalho!

A Sylvie vai para Paris na próxima 3''' feira de manhã (no domingo, vamos as duas ver a minha “mãe”). Você e Joca podéis (é assim que se diz?) chegar quando quiserem: a casa está à sua disposição e a minha pessoa também!

Os amigos que me convidaram para a Itália (e que por enquanto estão na Argentina) voltam para Bordeaux a 30 de julho. Naquela altura se poderá combinar qualquer coisa, inclusivamente irmos juntos à Itália.

Confesso que não tendo visto Florença e Siena desde 30 anos, gostava de voltar lá. Espero que tenhas gostado da volta pela Bretanha e encontrar-te mais descontraído quando nos encontrarmos.

Saudades.

(laiie

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Cher Harry,

Chegaram as suas cartas de 15 e 20 de fevereiro, Para o futuro, você se lembra que não deixo correspondência sem resposta,,,

Estou satisfeita de saber que gostou do prefácio o qual, simplesmente, é o resultado do amor c[uc tenho para o meu trabalho de tradutora, sem outra motivação sentimental, Não autorizo a divulgação, antes da publicação, Que “ninguém tomará conhecimento na França”não importa! É questão de deontologia - perdoa opôr a minha, à sua vaidadé,,,zinha. (Já que você mesmo escreveu a palavra e reconheceu o facto, autorizo-me a dizer-lhe que a vaidade o leva a muitos erros, no domínio que me interessa: a escrita. E a vaidade, por exemplo, que o fez reagir negativamente á minha leitura de Tcinpo-Será).

Do ponto de vista da tradução, teria inleresse a dactilografia do diário completo se não for álibi para não fazer outra cousa (desculpa, mas não sei dizer mais que a verdade) e já que você me escreve ter meditado dois outros projectos, o se está caduco...

O Christian Bouthémy telefonou a informar-se dos papéis que já lhe mandei e que são indispensáveis para a continuação da editora. Prometeu os contratos de J and ira para logo.

O Beinard Bretonnière mandou-me o texto da entrevista, que você vai receber também. Depois falamos. Eu acho que há umas respostas exageradas, e outras rápidas demais.

Acerca do quadro da Eli (de todos, o que a mim me dá mais prazer visual e estético): isto de “nada deve interferir com um quadro que, ou está completo ou falhou”, não me convence. Por que é então que os mandamos emoldurar? É que a moldura, mesmo em branco, preto ou cinza, acrescenta qualquer cousa, não? O emoldurador (é assim que se diz?) e eu julgamos que o passe-partout azul (dum azul exatamente igual ao que está no quadro), fazia “cantai” as cores todas. l.,ogo ijue tivei dinheiro para isso vou mandar fazer outro emolduramento para a pintura do Waldemiro de Deus : a moldura de aço é um horror.

Coitada da Suely. Uma das pessoas mais interessantes que encontrei em vSanta Catarina. Mandei cartas e fotografias para ela. Sabe se lecebeu? Sempre espero que você consiga saber também dos meus envios para a Zahidé e a Marité.

Evidentemente, não há motivo para ir a Ibiza, a não ser para encontrar sua amiga Ceres. Julguei que tal era o projeto?

Nós aqui ainda não tivenms inverno (pelo menos eu: o pior do inverno aconteceu antes da minha volta!). Sol e temperatura de primavera desde o princípio do ano: uma maravilha que muito facilitou a mudança de casa da minha filha.

Acabou a página, e os assuntos. No espaço que fica, um abraço, Claire

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Caro I larry,

r,iii mão as Irês sucessivas caitas, de 13, 15 e 18 de maio. Todas acreditando ainda numa melhora da luinha íllha. Infelizmente, como o sabe agora por ulteriores cartas minhas: ela está outra vez hospitalizada em Paris, luim estado muito grave, se não entre a vida e a morte, pode-se dizer entre o desgosto da vida e a tentação da morte. Continuei fazendo as aulas (porque o escrúpulo profissional é quase uma obsessão em mini; e porque o meu próprio equilíbrio depende da continuação; ajuda, no plano psicológico, mas esmaga no plano físico) concentradas nos três primeiros dias, passo um dia em casa para outros trabalhos, e acabo a