Vieiam dois contratos, isto é, duas vias, em envelopes separados. São assinados por Nicasio Pereira San Marlin c|ue lembro por ler conhecido mas não me lembro quem é. Fiz a anotação que pediste, assinei e para onde mandar? Embora no contrato conste “Fait à St. Nazaire”^ , o envelope é da Université de Nantes. Fico com uma via e te peço outro favor: poderias mandar à pessoa certa? Há outra coisa estranha: o contrato vem datado de 20/3/91 e, se te lembras, Bouthemy entregou-me na noite de 29/9/89 a quantia de 5.000,00 f (e não 4000 como consta do contrato), sem recibo. Como será que fica isto? Bem, acredito que eles deveriam ter uma escrituração. Pelo dito, acho que não mé devem nada de “à-valoir”. E como o contrato é de 20.3.91, “les relevés de ventes”^ só serão prestados entre 31 de março e 30 de abril do ano que vem. Tudo muito estranho e confuso, para um livro publicado em setembro de 1989.
Tudo isto me desorientou um pouco. Depois te escrevo sobre outros assuntos. Até breve,
Um abraço. HL
Floripa, 15 de abril de 1991. Contrato de JANDIRA
' PrcsidciUc d:i Cas:i do Livro. Bm.\cl;is. Fci(o cin Siiint Niizjiirc.
1 ly
Querida Claii e:
Chegou lua caria com o conlra(o, Ross eslá em SP e chega aqui segunda ou terça, a viagem em pauta. Vamos por parte.
Domingo passado cheguei à conclusão de que minha ida agora à Europa não tem sentido. Não fiz a operação da hérnia, tenho gasto muito dinheiro com a casa, o dólar chegou a 300 por um. Então telegrafei ao Bouthemy dia 29, segunda-feira, às 7 e meia da manhã, dizendo que não poderia ir. Ao meio dia ele já telefonava insistindo e dizendo que minha presença é “indispensável”, que tem propostas a fazer para meu interesse, que eu não ficasse um mês mas apenas uma semana, etc. Concordei em ir por duas semanas; afinal, eles pagam tudo, ou quase tudo. Quanto ao “indispensável’, talvez se refira aos patrocínios oficiais que a Maison necessita e que rnais um país presente talvez facilite. Pois às 3 e meia da tarde a Varig me telefona dizendo que a passagem já chegara. Vês que quando se quer as coisas andam rápido. Embarco aqui dia 5 e ficó por aí até dia 19. Pretendo, naturalmente, ir a Bordeaux para ver-te. Ou nos veremos também em S. Nazaire? Depois, Paris para ver a exposição de André Breton,' e fim.
Tua carta. Vou rubricar o contrato e mandar a Nicassio Perera no endereço da MEET.^ Se ele responder tua carta, teremos algumas informações necessárias. Quanto à carta a Annie Morvan,^ agradeço teu interesse e tomara que dê certo. Guardarei segredo a respeito e ficarei no aguardo da solução para o caso de Bouthemy apresentar qualquer outra proposta que, de resto, só será aceita se concordares com os termos que propuserem e tendo você como tradutora.
Ross está com llzo, um amigo de Loro,"* o pintor, em SP, Telefonarei a ele amanhã à noite para saber certo quando vem. Ele ficará hospedado na casa do Campeche, pois vai alugar um carro e terá toda a liberdade, inclusive para ir à praia. Continua fazendo muito calor, sem chuvas, seca em todo o Sul.
interrompo a carta para acompanhar uma instalação elétrica que está sendo feita para iluminar o jardim. Continuo em Floripa.
Harry Laus
Campeclie, sábado, 4 de maio.
' Anclic Brcioii (França. IS96-1966). Amor dc Los l’nsos Perdidos, Legilinio dcfensa. líl Surrealismoy la Pinluro,
La llavc de los ('ampos.
~ /aison des écrivains étrangers el des traducleurs. (Casa dos cscrilorcs estrangeiros c tradutores).
’ Aiinic Mon aii c tradutora.
120
Querida Claire:
Acabo de reler todo “Os Papéis do Coronel” e, pela primeira vez, gostei do livro. Não chega a ser um romance, como sabes melhor do que eu, mas uma série de recordações justapostas, às vezes alteradas, outras reais, algumas imaginadas, todas sem grande brilho nem vibração. Mas muita coisa me toca, talvez por fazer parte de mim. Não saberia responder se tudo isto conseguirá despertar algum interesse no Iivro, a não ser que me conheçam.
Fiz algumas anotações de erros de datilografia e pequenas modificações, que te peço o favor de corrigires em teu original, antes da tradução. E quero, antes de mais nada, agradecer mais uma vez tudo o que fizeste para que saia a publicação.
A viagem de volta foi super-exaustiva, com parada em Salvador, às 3 da manhã, e no Rio às 6. A conexão só se deu às 11.45 e aproveitei para comprar um forno micro-ondas e uma máquina fotográfica Pentax, que faz tudo sozinha. E ótimo porque sou uma nulidade para essas coisas mecânicas.
Não sei se chegamos a falar sobre o encontro com Ruth. Apareceu-nos Ceres quando estávamos de saída para ver a exposição de Dubyffet' e ficamos juntos alguns minutos, o que foi ótimo porque não houve tempo para perguntas e explicações. De tarde, pelas 5 horas, telefonou- me despedindo-se pois eu embarcava a seguir e ela estava exausta de uma viagem de trem de Barcelona a Paris.
Para não ter outra desculpa para não fazer minha literatura, decidi não mais fazer minha coluna no jornal.
Beijos, escreve.
REPAROS A FAZER NOS ORIGINAIS DE OS PAPÉIS DO CORONEL Página 13, linha 3 do segundo parágrafo:
retornou à leitura - em vez de voltou ao jornal Pág. 33 r Foi em Copacabana ( abrir parágrafo)
37 linha 1 imaginados
3 na em vez de ma
48 - linha 11 - Não têm, em vez de tem. 17 - progredir pelo em vez de pela 56 - linha 4, de baixo para cima: Elza em vez de Ela 67 - linha 2 do terceiro parágrafo: passou em vez de pasou 80 - linha 7 - assustado e confuso, em vez de a confuso 81 - linha 9 - sonho dos três, em vez de conho...
84 - linha 5 de baixo para cima: “Uma vez.. .(abrir aspas) 92 - linha 7 - na mesma mesa, em vez de ne.,.(ne)
linha 10 - . ..a numeração. Acrescentar quilométrica. 100 - linha 3 - antigo companheiro, em vez de velho antigo... 103 - linha 5 - com a, em vez de coma
linha 13 - Laranjeiras, em vez de Laranjeira. 116 - linha 13 - prazer, em vez de parzer
119 - linha 2 - pelo, em vez de pela 120 - linha 15 - Mais, em vez de mas
124 - última linha: entre aspas a última frase.
Canipeclic, 28 (le junho de 1991.
121
Querida Claire:
Fiquei comovido com leu telefonema ontem. Demorei um pouco a te escrever porque queria fazê-lo depois de haver relido o livro. Assim que o tlz, escrevi: dia 26, nie parece.
Paia veres como é boa minha máquina Iblogiáfica, vai uma foto autotirada, na varanda do Campeche, com rede e paisagem, O frio lá é muito intenso, agora que chegou forte e firme, nias o sol da manhã bate na rede e é gostoso ficar “lagarteando” por ali.
A propósito do livro que Joca e eu pretendemos fazer, falei-lhe que havias dito não se tratar de uma biografia mas de um retrato. Sugeri que se chamasse Retrato de II.L. e ele gostou. Assim, na capa, o nome dele é quem se destaca. Ele terá mais liberdade de interpretação e eu poderei fazer uma espécie de prefácio em que fique claro que o autorizei a fazer o livro. Combinamos trabalhar todas as segundas e sextas-feiras, a partir da próxima semana, quando terá feito uma espécie de roteiro de perguntas que, naturalmente, levarão a outros assuntos.
Quanto aos “Papéis”, estou pensando que aquele currículo de Vitório, que abre o livro, não tem muita razão de ser, Foi feito para minha própria orientação, para haver coerência nos prazos de promoção, etc., aliás, calcados em minha própria carreira militar, com os tempos deslocados para o caso de Vitório, As cidades nem sempre coincidem nos tempos exatos, como é o caso de Joinville e Passo Fundo, onde nunca servi como militar. Achas que poderia ser posto no final do livro òu simplesmente exclui-lo?'
Outra coisa: sob o ponto de vista comercial, achas que seria interessante constar o nome de Jorge Amado iia dedicatória? 0 livro é dedicado a ti, principal responsável pelo livro, mas se houver interesse comercial, e só neste caso, poder-se-ia dizer algo assim: A Jorge Amado, que sempre me pediu um romance - e a Claiie Cayron, que me incentivou a escrevê-lo.
Peço-te o favor de opinares sobre estes assuntos. Grato.
Florianópolis, 1° de julho de 1991,
I I I ,
' Híinv Lniis níío cliiiiiiioii o currículo dc Vilório. Na edição brasileira aparece depois da epígrafe de Paulo Lcniinski. Na francesa, antes da epígrafe.
122-
Querida Claii e;
Recebi tradução, caria e as outras coisas na sexta-feira, ao me preparar para ir ao campeche. Antes mesmo de começar meu trabalho de cotejar os texlos, quero le felicitar peio “milagre de trabalho” que realizaste. Impressionante! Em menos de um mês conseguiste o que imaginei levar meses, e ainda te dás ao Irabalho de sugerir islo e aquilo a que vou prestar muita atenção. E o título"^ Considero um achado precioso que só poderia ser encontrado por tua inteligência e amor ao que te propões realizar. Fico feliz em saber que o livro provocou enlusiasmo para trabalhar, pois o contrário, para traduzir, deve ser terrivelmente aborrecido. Quanto à revisão datilográfica que ilz, vejo o quanto foi incompleta por uma relação de mais e mais erros descobertos por Joca em nova leitura que fez. Em minha leitura levarei essas observações para ver se algum deles perturbou a tradução.
Não me lembro se te falei na reforma que resolvi fazer na casa do Campeche. Já está pronta, de novo. Por causa do vento sul, mandei fechar uma parte da varanda, 5 x 2 = 10 metros quadrados, com janelas envidraçadas, ficando agora o living que se emenda com sala de almoço- bar-cozinha; um armário no meio da e.x-sala com estante para uma sala e guarda - roupa do oulro, criando-se novo quarto; mudança da porta de entrada que agora fica de frente para a fachada Ficou muilo bom e bonilo. Agora tem meu quarto, um quailo para Celeste (que não quer ir para lá) e outro para hóspedes. Vejo que terei de fotografar outra vez porque ficou outra casa.
Joca apareceu no Campeche sábado á noile para começarmos o livro. Chegou com um pequeno gravador sem pilhas (bateria) necessárias e sem a fita indispensável para a gravação. Conseguimos uma pilha com o vizinho (Ruy, artista plástico e gráfico) e salmos para comprar as pilhas. Podes imaginar como isto me surpreendeu e decepcionou. Passamos a gravar. Baseou suas perguntas nos “Papéis”, perguntas pouco inteligentes, de repórter jornalístico, pouco sugestivas para o livro. Depois conversamos longamente sobre o processo escolhido e cheguei á conclusão que nem eu nem ele estamos preparados para o serviço. Inicialmente, ele precisa 1er tudo, absolutamente tudo, que escrevi, para auxiliá-lo, vou fazer um levantamento cronológico de minha vida.
Também decidi contratar uma pessoa (por sua sugestão será o Fábio' , o que me agrada bastante) para fazer a transcrição das lltas. Imagino que Joca não teria tempo nem paciência para isto que é bastante desagradável. Também decidi “contratá-lo” para o serviço, pois me interessa ter o livro. Tudo será pago: ele, Fábio, etc. A verdade é que estou pouco confiante no resultado. Resolvemos fazer uma pausa para nos organizarmos. Em último caso, para não se perder todo ó tempo c o dinheiro empenhado nisto, ficarei com os textos transcritos para um futuro trabalho de alguém que se disponha a fazer o “Retrato”.
Passei ao Joca teu pedido de divulgar os nomes dos escritores que sugeristes para a M.E.E.T. Ninguém sabe o endereço de Cristaido^ . Ele respondeu ao convite?
Fico por aqui. Grato, vou começar minha parte. Um grande abraço. HL
rioi iaiiòpolis, 22 de jiillio (le 1991,
' Fábio Brüggcnuiim.
Querida Claii e: ANEXO: anotações sobre a tradução.
Devolvo os originais da tradução “du premier jet”' que pouco falta para ser o definitivo. Eu 0 li com muito amor e entusiasmo e “très soigneusement”,^ como recomendaste. Fiz todas as anotações que seguem junto a esta, algumas que tu naturalmente irás rever, outras talvez sem razão de ser. Também intercalei comentários surgidos durante a leitura. Mostrei a Celeste alguns de teus excelentes achados, que ela não entendeu mas eu precisava mostrar a alguém. Não tens algum conhecido militar, para o problema da hierarquia? Deve haver muitos em Bordeaux. Bom, acho que não precisa.
Sobre a carta de Annie Morvan, não conheço Désert des Tartares, nem sei quem é o autor. De acordo com a observação sobre a divergência na escrita, más sabes que este livro foi começado em 1984, suspenso um bom tempo, retomadojeestruturado, reescrito e não consegui fazê-lo como queria. Prometo que o próximo será melhor. Encontro passagens muito boas e outras fracas, não sei se o público terá paciência ou interesse em verificar isto.
Ciente também que A .lóia não sairá pela “Serpent”. Talvez apareça outra chance. O currículo de Vitório foi escrito, tanto quanto possível, dentro do “estilo militar”. Concordo que seja em itálico e vejo sua necessidade para que os militares não pensem que a história é “de hoje”, quando o Exército não deve ter mais certas falhas que revelo. Como sabes, eles continuam donos da situação e poderiam me incomodar.
Deves estar feliz da vida com a presença de Alice, Ben e Yannick. Será que a gente não vai nunca se encontrar? De qualquer forma, diz a Alice e Ben que, no Brasil, na França ou na Austrália, nossos caminhos um dia vão-se cruzar. Recomendações a eles e um beijo na carinha linda do menino.
Tudo de bom, merci mais uma vez pela tradução que muito me honra.
12.>
Florianópolis, 25 cie julho de 1991.
' “primeirn vcrsHo".
1 2 4
Querida Claire;
Hoje pela manhã, modifiquei o capítulo II. Mudei completamente o início (pag. 9); a pag. 10 ficou intacta; cortei um diálogo da pag. 11; a 12 ficou igual; na 13 substituí uma repetição por outras palavras e cortei 5 a 6 linhas; na pag. 14 não houve alterações.
Para lãciliíar o trabalho, mando-le as folhas em que houve mudanças (9,11 e 13), bem como o capítulo inteiro redatilogi afado, para substituíres no original.
Desculpa se te dou mais esse trabalho. Foi em atenção ao que sugeriste e acho que ficou bem melhor. Aliás, na forma antiga estava Vitório Alves de Lima e Silva, quando é apenas Vitório de Lima e silva. Lfm cochilo imperdoável. Alves é a Elza.
Por hoje é isto. Bom trabalho. Tudo de bom.
Campeche, 27 de jullio, sábado.
Harry
Domingo, 28, ainda no Campeche.
Joca não apareceu conforme havíamos combinado. Foi bom. Durante a semana pensei muito sobre o assunto e cheguei à conclusão que ele não é a pessoa certa para fazer o que pretendo Se o livro ficasse ruim, eu perderia a possibilidade de repetir a experiência com pessoas mais capacitadas.
Beijos HL
Em Saint-Nazaire ou Bordeaux falei a Bouthemy que gostaria de pôr este retrato na 4"
125
Querida Claire;
Antes tarde do que n u n c a a í vai a crítica ao “Caixa d’Aço”, quase dois anos depois da publicação. Mesmo assim, vale para o futuro. Não sei se conheceste o autor; ele é professor de literatura na Universidade e talvez por isso nada falou no desastre que foi a edição publicada pela editora da UFSC. É a única pessoa que por aqui faz crítica literária. Passei um telegrama agradecendo.
Vai também a nota que o Joca fez e que não sei se te mandou.
Voltando ao Lauro Junkes, uma vez dei a ele para lér meu “Anotações de Vida e leitura”a que faz referência no texto atual. Pois ele levou exatamente um ano para me devolver. Talvez isto explique a demora na crítica, ou talvez tenha sido esquecida nalguma gaveta da redação.
Por hoje é só. Ansioso por receber notícias tuas. Beijos.
Ilairy
126
Querida Claire;
Recebi teu bilhete sobre a notícia do jornal, que já transmiti ao Joca por telefone, e a carta de 2 de agosto. Concordo com a supressão da frase sobre as unhas, que cortei no meu oiiginal. Na leitura comparada, acredito que tudo foi revisto e, assim sendo, poderás mandar as páginas para a subvenção. Quanto á tradução do começo do çapítulo II, na linha 11, está “un gitane en j u p e ; não será “une gitane?”^ No segundo parágrafo, fica bem dizer que “Vitório passa tout de reste du bal avec Elza Alves”,^ mas a idéia de “levar adiante” é continuar além do baile. Coisa que, aliás, entende-se com “II fit sa cour,"* etc.”
Sobre a ilustração da capa, olhei a de Conte, de um artista que desconheço. Gostaria de reproduzir a cores um quadro de Eli Ileil, de minha coleção. Se Bouthemy concordar, mando fazer o cromo (diapositivo). Poderias falar com ele? Não me dirijo diretamente porque ele jamais respondeu minhas cartas. Se não concordar, prefiro um quadro abstrato de Pollock, Hartung,'^ ou mesmo um artista cujo nome não me lembro e que foi feito um belo affiche em Saint-Nazaire, acho que para uma exposição com Jagot. Tenho o aífiche mas está em Campeche.
A partir de sexta feira estarás na praia. Que bom. Curte bastante o “grand bonhomme de 7 mois”^ que eu espero se levante e corra pela areia muito brevemente. Aqui, chuva e frio.
Acabo de receber carta de Ross. Diz que provavelmente virá outra vez em 1992, quando seria ótimo se pudesses vir também. Vou tirar novas fotos da casa de Campeche, totalmente renovada, e te mandarei “as soon as possible”.^
Um abraço, recomendações a Alice, Ben, e Yannick. Bom divertimento. Harry
Junto a primeira produção de Campeche.
Florianópolis, 13 de agosto cie 1991.
' “Uma cig;iiiti dc Síii:i'\ ' “Uma cigíina".
’ “Vitório passa lodo o restante do baile com El?.a Alves". ' “Fcz-llie a corle".
' Jackson Pollock (Cody. Wyoming. 1912-1956). Representante da cscola abstralo-e.xprcssionista aiucricaiia, bnseou efeitos de espontaneidade e suipresa e ulilizoii os malcriais menos convencionais cm suas obras. Scu eslilo foi denominado Action painling. pintura dc ação on gcstual, por .scr realizada diautc do piiblico.
” Hans Hartung (Alemanha, 1904-1989). Aobra dc Harlung tem side chamada “abstracionismo lírico” e constitui fato siiigeneri.s na arte moderna.
' “Grande homcn/.inlio dc scte mcscs". ‘Logo (juc possi\ er‘.
[ l i
Querida Claire:
Recebi a cópia da carta que mandaste a Malcolm Silverman’ . Não me lembro se cheguei a te falar sobre ele. Esteve aqui e jantamos juntos, com um grupo de escritores catarinenses. Foi o único contato que tive com ele. Deixei o Zenão e Caixa d’Aço e ficou de me escrever, mas não o lez até hoje. Não conheço o livro dele mas sei que lá não estou. Agradeço muilo (ua defesa, Ele deve ter lido na edição brasileira de Zenão a referência a Murilo Rubião.
Para ter-te aqui em 1992 com Ross, ocorreu-me que posso dar-te um pequeno presente que pode facilitar um pouco a viagem. Por favor, peço-te que aceite o adiantamento que a Arcane me deve sobre “Les Jardins du Colonel”. Bouthemy ficou de trazê-lo em dezembro mas nem creio que ele venha e terei o máximo prazer em ver-te aqui novamente, na casinha do Campeche. Não sei bem como redigir a autorização para que o recebas; mando-a em português e tu poderás enviá-la com a tradução. Vem conhecer mais Brasil: Porto Alegre, Curitiba, talvez a Bahia...
Recomendações a Alice, Ben e Yannick.
É madrugada. A lua cheia está brilhando sobre o arco iluminado da ponte de Fioripa. Uma beleza!
Um graiide abraço. Harry
Florianópolis, 26 de agosto de 1991.
E professor de Lilcraliira Bnisilcira da Universidade de San Diego. Califórnia (EUA), coin vários livros traduzidos no Brasil. É critico literário.
I2ò
Querida Claire:
Finalmentè hoje, posso escrever-te. Desde os primeiros dias de setembro ando às voltas com médicos, exames, radiografias, tomografías, broncofibroscopia, ultrassonografia, para concluir-se o que significa uma mancha no pulmão direito, acusado numa radiografia. Hoje, de posse de todos os exames, foi positivado câncer no pulmão em fase bem inicial, o que recomenda uma cirurgia, ainda há outros exames, agora para saber se poderei ser operado, mas acho que não haverá problemas e a operação deve ser ainda este mês de outubro. Estou fisicamente muito bem, deixei de fumar dia 10 de setembro e tudo deverá acabar bem. Ruth virá para cá, quando chegar o dia que não posso precisar.