• Aucun résultat trouvé

2 - LA BONNE FOI DU DÉBITEUR : OBLIGATION OU SIMPLE CONSTATATION

Dans le document La rupture du contrat (Page 188-191)

A essência da razão de existir do professor é a educação tomada em seu sentido integral (ANTUNES, 2002, p.108). Esse autor diz que não há mais espaço para professores que trabalham somente conteúdos específicos, esperando que outro profissional oriente e ensine fundamentos de ética, solidariedade e verdade, pois esses valores e sua fixação são responsabilidades de todos (ANTUNES, 2002, p.108). O educador é fundamental para a sociedade e precisa ter conhecimento não somente da disciplina que administra, pois a sociedade espera que o mesmo seja dinâmico em todas as áreas do conhecimento, já que este pode ser solicitado a explicar outros assuntos aquém de sua disciplina. Desse modo, diversas vezes é necessário o educador explicar a evolução, o desenvolvimento e os fatos atuais da educação, ciência, tecnologia, cultura, economia, saúde e de outros setores da atividade humana, proporcionando a relação disso com o objeto de estudo. Assim, inúmeras áreas do conhecimento humano precisam do professor diariamente quando este coloque em prática suas competências e habilidades.

Considerando-se os processos de ensinar e aprender, D’Ambrosio (2010, p.84) sintetiza as qualidades de um bom professor em três categorias: emocional/afetiva; política; e conhecimentos. Esse autor procura esclarecer essas categorias, inicialmente ressalta a emocional/afetiva quando explica que “ninguém poderá ser um bom professor sem dedicação, preocupação com o próximo, sem

amor num sentido amplo” (D’AMBROSIO, 2010, p.84). Na atuação docente bem como em outras profissões é fundamental apresentar comunicação, responsabilidade, autonomia, comprometimento, assim como vocação para a profissão e disposição para novas experiências e conhecimentos.

D’Ambrosio (2010, p.84) sintetiza na segunda categoria, a qualidade para se tornar um bom docente e diz que “o professor passa ao próximo aquilo que ninguém pode tirar de alguém, que é conhecimento; o conhecimento só pode ser passado adiante por intermédio de uma doação”. Verifica-se que o professor propicia o conhecimento, para isto o mesmo precisa conhecer seus alunos para orientá-los e motivá-los, e para interagir e inovar o processo de ensino e aprendizagem.

O papel do professor na sociedade pode-se dizer que é bastante discutido e na concepção de D’Ambrosio (2010, p.84) “o verdadeiro professor passa o que sabe não em troca de um salário (pois, se assim fosse, melhor seria ficar calado 49 minutos!), mas somente porque quer ensinar, quer mostrar os truques e os macetes que conhece”. O verdadeiro professor é aquele que sabe observar, ouvir, refletir, mediar e comunicar com os sujeitos em sala de aula, e também conviver com as mudanças, problemas e imprevistos trabalhistas. Nesse sentido, D’ Ambrosio (2010) ressalta o comportamento mental e emocional do professor em sala de aula:

Sabe-se que há professores que ministram muito bem suas aulas, têm uma classe ótima e com bom rendimento, mas estes não contam aquele truquezinho que se usa em certo tipo de equação. Esses professores deixam para pedir na prova justamente esse tipo de equação. E, satisfeitos, pensam: “Agora consegui pegar esses alunos que se julgam tão sabidos. Agora eles estão em minhas mãos”. Conseguem pegar os alunos, e as classes estão em suas mãos! Sua fama de “duro” corre; outros admiram “o quanto ele sabe” e poucos que têm um talento natural para matemática e que conseguem desvendar o truque, sentem-se realizados. Mas esses professores não estão na classe que eu considero um educador. Têm mais vocação para caçador! Isso está ligado à visão de humanidade e à percepção de ser humano que esses professores têm. (D’AMBROSIO, 2010, p.84-85).

Os docentes precisam refletir sobre sua prática pedagógica, pois seu papel é de suma importância no processo de ensino e aprendizagem, e estes podem influenciar positivamente ou negativamente na vida cotidiana dos discentes. Desse modo, cabe aos profissionais de ensino a incumbência de orientar, motivar e ensinar os alunos a desenvolverem a criatividade e descobrirem suas potencialidades.

D’Ambrosio (2010, p.85) diz que “Igualmente, o professor não é o sol que ilumina tudo. Sobre muitas coisas ele sabe bem menos que seus alunos. É

importante abrir espaço para que o conhecimento dos alunos se manifeste”. Dessa maneira, professor não é fonte de conhecimento, pois várias vezes muitos alunos apresentam criatividade superior a do próprio professor, devido seus conhecimentos prévios e experiências cotidianas. Verifica-se a importância do professor conhecer seus alunos, visto que para isto é fundamental o perfil de pesquisador e comunicador desse profissional.

Nessa ótica, o referido autor ressalta o papel do educador no ensino:

Não há como negar as tensões inerentes ao processo educativo. Mas educar é um ato de amor. Um amor que se manifesta em não querer brilhar sozinho e tampouco sentir tensão com o brilho de um aluno que mostra saber mais que o professor. Mesmo que esse saber seja, muitas vezes, da própria especialidade do professor. (D’AMBROSIO, 2010, p.85).

A profissão do professor pode causar tensões e estresses devido aos momentos conflituosos vividos em sala de aula, desvalorização profissional, remuneração baixa, cobrança da equipe pedagógica por notas, enfim são inúmeras as causas enfrentadas no dia a dia que pode desencadear tensões levando alguns a pedirem exoneração. Desse modo, ser professor é essencial saber trabalhar com equilíbrios e desequilíbrios que a profissão pode apresentar e trabalhar com amor. Além disso, precisa-se ter equilíbrio entre razão e emoção para que a profissão ofereça vantagem ao docente e discente, pois assim será possível proporcionar aos alunos o amor pelo aprender mostrando-os sua contribuição para a identidade pessoal, social, profissional e atividades cotidianas.

D’Ambrosio (2010) explica a última categoria, política, para um bom docente:

Educação é um ato político. Se algum professor julga que sua ação é politicamente neutra, não entendeu nada de sua profissão. Tudo que fazemos, o nosso comportamento, as nossas opiniões e atitudes são registrados e gravados pelos alunos e entrarão naquele caldeirão que fará a sopa de sua consciência. Maior ou menor tempero político é nossa responsabilidade. Daí se falar tanto em educação para a cidadania. Com a crescente abertura política – parece que finalmente as ditaduras estão saindo de moda do mundo – torna-se essencial uma participação efetiva da população na vida política. No caso especial do Brasil, os jovens votam aos 16 anos, quando normalmente ingressam no ensino médio. Sua formação política sadia, a preparação para o exercício pleno da cidadania, é talvez o maior objetivo do sistema escolar. (D’AMBROSIO, 2010, p.85-86).

O processo de formação humana se inicia na vivência familiar e a convivência social. O processo educativo precisa preparar as pessoas para o exercício da cidadania diante as diversidades culturais e sociais, como também dos

direitos e deveres para viver em sociedade. Daí tem-se a importância de se discutir a educação para cidadania que visa fazer de cada cidadão um agente de transformação em seu dia a dia. Então, para a preparação da cidadania é de suma importância que o professor de Matemática e de outras áreas do conhecimento relacione os conceitos da disciplina com a ciência, cultura, tecnologia, sociedade, ou seja, com as situações do dia a dia, práticas, evolução e mudanças sociais, e outros. Para tanto, é necessário que o docente tenha um novo perfil em seu trabalho:

Com as mudanças que estão ocorrendo na sociedade, como a banalização da informação, a revolução digital, da nova política, da nova economia e dos desequilíbrios familiares. Diante disso, torna-se necessário que o professor faça dos conteúdos habituais em suas disciplinas instrumentos, que além de qualificarem para a vida, estimulem capacidades e competências, com o intuito de estimular todas as inteligências de seus alunos. (ANTUNES, 2002, p.47).

O professor precisa ter compromisso com o aprendizado do aluno e este, por sua vez, responsabilidade pelo seu aprendizado para que se obtenha sucesso no meio escolar possibilitando ao educando melhor espaço na sociedade e no mundo do trabalho. Diante de tais mudanças, pode-se dizer que é fundamental o professor se reconstruir por meio de leituras, pesquisas e práticas, propiciando ao aluno um ser crítico, ativo e reflexivo acerca dos desafios que a vida possa lhe proporcionar, visto que para isso o professor precisa possuir boa formação.

Feldmann (2009) ao tratar a formação dos professores explica que:

Formar docentes com qualidade social e compromisso político de transformação tem se mostrado um desafio às pessoas que entendem a educação como um bem universal, espaço público, direito humano e social na construção da identidade e no exercício de cidadania. (FELDMANN, 2009, p.71).

Nessa concepção, a formação dos professores em diferentes áreas do conhecimento e de Matemática tem sido investigada sob o ponto de vista de várias perspectivas e objetivos buscando mudanças e melhorias para a educação social e práticas pedagógicas, visto que para isto não é uma tarefa simples.

Segundo Beatriz D’ambrosio (1993, p. 35-41), a formação de professores de Matemática é um dos grandes desafios para o futuro. Essa autora apresenta uma proposta sobre quais características do professor de Matemática devem ser desejadas no século 21. Assim, a referida autora propõe o novo papel do professor de Matemática salientando que este deverá ter:

1. Visão do que vem a ser a Matemática;

2. Visão do que constitui a atividade Matemática;

3. Visão do que constitui a aprendizagem da Matemática;

4. Visão do que constitui um ambiente propício à aprendizagem Matemática.

Observa-se que há preocupação sobre o novo papel do professor de Matemática em diversos sentidos, pois são necessários que este seja um pesquisador, investigador e compreender o que consiste a Matemática. Para isso, é importante ter a formação crítica e reflexiva das relações interpessoais, pedagógicos e institucionais, e conhecimentos da área específica sendo teórico e prático.

A formação reflexiva focaliza o desenvolvimento das competências adquiridas pelos professores no exercício e na reflexão sobre sua prática necessária para enfrentar os problemas da escola e das salas de aula (PERRENOUD, 1999). Essa formação apresenta conhecimento importante para os programas de formação contínua e inicial de professores, tanto para os conhecimentos teóricos quanto para os práticos. Isso possibilita aos professores perspectivas positivas frente à formação de cidadania de seus sujeitos diante da realidade atual.

A realidade torna-se conhecida quando se interage com ela, modificando-a fisicamente e/ou mentalmente. A atividade de interação permite interpretar a realidade e construir significados (BRASIL, 1998, p.71). As análises e reflexões sobre determinadas situações e problemas da realidade proporcionam ao aluno desenvolver autonomia e entender diferentes modos para expressar os assuntos na sociedade e meio educacional.

Na profissão professor, em seu ambiente de trabalho precisam-se abordar questões de natureza cultural, ética, afetiva, ideológico, valores, sociais, os quais estão presentes nas relações pedagógicas e institucionais que envolvem o processo de ensino e aprendizagem durante o ofício de ser um bom professor. Portanto, essa profissão é importante para o exercício em cidadania, sociedade atual, mundo do trabalho, conhecimento científico e tecnológico, relações culturais e sociais, preparação de profissionais em diferentes áreas do conhecimento, desenvolvimento das competências e habilidades, e enfim preparar pessoas para os desafios e estimulá-las para novas ideias e descobertas. A seguir, será abordado sobre o curso de Licenciatura em Matemática e a Modelagem Matemática nos cursos regulares.

2.1.3 O Curso de Licenciatura em Matemática e a Modelagem Matemática nos

Dans le document La rupture du contrat (Page 188-191)