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Capítol III LES COMPETÈNCIES COGNITIVOLINGÜÍSTIQUES EN LA DIDÀCTICA DE LES CIÈNCIES SOCIALS

2. Les competències cognitivolingüístiques i la tipologia discursiva en l’aprenentatge del coneixement social

2.3 Propostes didàctiques per orientar i avaluar les tipologies discursives

2.3.2 Bases d'orientació

O primeiro modelo, a universidade como santuário do saber, baseia-se na história da universidade. Para Wolff (1993), este modelo faz relação com os eruditos na busca pelo saber. Assim:

A imagem mais familiar da universidade é a torre de marfim, símbolo do santuário no qual o erudito silenciosamente persegue seu ofício livresco. O erudito é um homem de cultura, o Gelehrte, o leitor de línguas clássicas e modernas, que laboriosamente domina a literatura da grande tradição humanística juntamente com os comentários que seus predecessores fizeram sobre ela e leva, então, a tradição um passo à frente com sua contribuição original. A vida dos intelectuais se mantém afastada das

questões imediatas da ordem social. [..] Os eruditos verdadeiramente grandes são homens de enorme estatura no mundo universitário. Por menos atraentes que possam ser em sua aparência e em sua fala, uma aura os circunda como a que desce sobre o ganhador de um Prêmio Nobel (WOLFF, 1993, p. 29).

A erudição tem suas raízes em três vertentes históricas. Para Wolff (1993), a mais antiga delas são os estudos de textos religiosos, que nasceram na tradição hebraica, cristã e islâmica do mundo antigo e medieval. Nessa atividade, o objeto de estudo não era o homem, nem as ideias, nem o mundo, e sim textos sacros, religiosos e comentários de estudiosos que se acumulavam gradativamente. Tais comentários exigiam conhecimentos enciclopédicos, precisão e impessoalidade para comentar a palavra de Deus. A segunda atividade refere-se ao estudo de texto, que surgiu na Renascença dos séculos XIII, XIV e XV. Com uma atitude renovada e mais crítica, os textos religiosos do Velho Testamento e do Novo Testamento são retificados corrigindo-se erros textuais e traduções incorretas dos originais hebreu, aramaico e grego. No mesmo período, surge a terceira atividade, quando eruditos e artistas italianos redescobrem a literatura e a arte do mundo antigo. Surge então o Renascimento, marcado por escritos seculares e nãos mais sacros. A ênfase não estava nas correções dos textos, mas no cuidado para que as palavras não fossem mal interpretadas ou perdidas.

Wolf (1993, p. 31) menciona que devoção igual àquela com que textos religiosos foram tratados, ficou na antiguidade clássica. Desse modo, a atividade de erudição está vinculada a uma atividade religiosa e literária, “dirigida a um dado corpus de textos sacros ou seculares, ao redor dos quais a literatura crítica se acumulou”. A erudição é capaz de desenvolver uma sensibilidade refinada. O saber erudito, nesse papel central de transmissão de conhecimentos é religioso, literário e “preeminentemente uma atividade daquilo que hoje se chama Humanidades”. Esse modelo traz o que há de mais puro e tradicional da Universidade, contudo, a distancia dos problemas e questões sociais do mundo (WOLFF, 1993, p.31).

A Universidade como santuário do saber tinha como propósito o diálogo e o contato do aluno com as ideias dos grandes pensadores. Nessa condição, a universidade pouco se relaciona com a sociedade mais ampla, limitando-se a seus próprios assuntos e determinando suas próprias atividades, não por normas sociais de produtividade ou utilidade (WOLFF, 1993).

Uma Universidade que personifica esse ideal, desenvolve no estudante iniciante a sensibilidade e receptividade que permitirá ao aluno o compartilhamento da tradição oriunda dos grandes pensadores com seus companheiros iniciados.

A universidade será uma comunidade de intelectuais autogovernada de que participarão intelectuais-aprendizes cujos estudos são guiados por professores mais experientes sob cuja orientação trabalham. A universidade como comunidade será pequena, informalmente organizada, carregada de tradição e governada, em grande medida, pelo comprometimento de seus membros com a vida de erudição. Terá pouco a ver, de modo geral, com a sociedade mais ampla, limitando-se a seus próprios assuntos e julgando suas atividades por normas internas de erudição e não por normas sociais de produtividade ou utilidade (WOLFF, 1993, p. 32).

Para Kerr (1982), a ideia de universidade como locus do saber foi muito bem expressa pelo Cardeal britânico John Henry Newman, na obra Rise and Progress of Universities (no Brasil publicado como Origem e Progresso das Universidades). Em 1854, Newman escreveu vinte artigos para a Catholic University Gazette, sobre o desenvolvimento da universidade em dois milênios. Estes "esboços universitários" foram publicados como Rise and Progress of

Universities, e formam o terceiro volume dos três trabalhos de Newman sobre "Ensino

universitário". Newman desenvolveu três livros complementares sobre educação universitária: as palestras na Universidade Católica de Dublin (1852); as palestras e ensaios ocasionais (1859); e os esboços da universidade (1856). Enquanto apenas os dois primeiros constituem a obra The idea of a University, todos os três examinam a ideia de uma universidade: a primeira como a ideia definida, a segunda como a ideia ilustrada e a terceira como a ideia vivida na história.

Newman (2017, p. 57) escreve que riqueza e poder são apropriadas no território acadêmico, mas precisam reconhecer seu lugar. Antes o intelecto, depois as vantagens seculares como seus instrumentos e recompensas. A universidade que se dissocia desse princípio perde sua verdadeira essência. O autor defendia o conhecimento liberal e afirmava que o conhecimento útil era “um monte de lixo”, refutando firmemente a “Filosofia de Utilidade” apresentada cerca de 250 anos antes, por Francis Bacon (1561 – 1626). Bacon enfatizava o papel transformador da ciência e seu poder de melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Newman acreditava que a pesquisa deveria ser de responsabilidade de outras instituições, porque se o objetivo da universidade fosse a descoberta científica e filosófica, não haveria motivos para admitir estudantes. No entanto, quando Newman escreveu em 1852, sobre o seu ideal de universidade, a ciência começava a tomar o lugar da filosofia moral e a pesquisa, o lugar do ensino, tendo como referência de novo modelo as universidades alemãs (KERR, 1982). E nesta nova proposta, haviam sido introduzidos departamentos, bibliotecas de pesquisa que transformaram o filósofo contemplativo em um pesquisador de laboratório, ou ainda, substituíram os profissionais da medicina por cientistas e no lugar do generalista, havia o especialista e, o homem universal de Newman desapareceria para sempre (KERR, 1982).

Mesmo os mais entusiastas de outros modelos de ideais de Universidade reconhecem a relevância da erudição e concordam que os intelectuais humanistas precisam participar de qualquer projeto de uma Universidade Ideal. Embora existam os mais tradicionalistas que afastariam da Universidade todos aqueles que estudam a vida ao invés de livros, Wolff (1993, p. 34) finaliza sua exposição, sobre esse modelo, da seguinte forma: “na minha universidade ideal, embora talvez não na sua, um canto tranquilo será separado para o erudito; e eu lhe concederei assim uma deferência que não mostraria a homens meramente ricos ou poderosos”. Na visão de Lazzaretti (2017), embora o contexto histórico e social de Newman fosse outro, sua visão ainda assim pode ser pertinente para a contemporaneidade. Primeiro porque se as universidades evitam enfaticamente o papel de utilidade, correm o risco de parecer improdutivas e ineficientes. Por outro lado, o autor constata a atualidade da crítica feita por Newman, contra uma educação vinculada às questões profissionalizantes ou utilitárias, visto que nesta concepção, há um direcionamento de esforços e investimentos em áreas do conhecimento relacionadas à tecnologia e inovação em detrimento das ciências humanas, que estão mais vinculadas à perspectiva proposta por Newman de “cultivo do saber”.