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A disponibilidade fácil, que causa o uso excessivo da picana elétrica para manusear suínos, é o fator mais importante que prejudica a atitude do tratador em relação a suínos. Dispositivos que são usados para dar descarga elétrica em animais de produção não estão sujeitos a regulamentação e as especificações da voltagem e seu impacto sobre o bem–estar de suínos ainda não foram investigados. Em nosso trabalho (Brundige e Zanella, 1998), demonstramos que suínos carregados com o uso de picana elétrica demonstraram respostas comportamentais e fisiológicas indicativas de estresse muito mais altas do que os carregados com o uso de painéis. Quando a picana elétrica era usada, os suínos gritavam, perdiam o equilíbrio e tentavam pular para fora da área de embarque (Brundige e Zanella, 1998). A frequência cardíaca e a temperatura corporal foram significativamente mais altas nos suínos carregados com o uso de picana elétrica do que nos carregados com o uso de painéis. Também investigamos as conseqüências a longo prazo do estresse do embarque sobre a resposta de suínos ao transporte ou à exposição a um ambiente novo. O estresse do transporte superou a resposta inicial de cortisol ao embarque (Figura 2). Porcos carregados com o uso de picana elétrica tiveram níveis de cortisol na saliva significativamente mais altos quando permaneceram em um caminhão estacionário por 2 horas (Figura 3). O aumento dos níveis de cortisol devido à técnica de embarque foi acompanhado de aumento da frequência cardíaca (Figuras 4 e 5) e da temperatura corporal (Figuras 6 e 7).

3.2

Familiaridade

A mistura de grupos sociais de suínos em qualquer estágio do transporte resulta em brigas e lesões de pele (Guise e Penny, 1989). A mistura de porcos desconhecidos

Figura 2 — Suínos carregados usando picana elétrica ou painéis (caminhão esta-

cionário)

Figura 4 — Frequência cardíaca de suínos carregados usando picana elétrica ou

painéis (2 h de transporte)

Figura 5 — Frequência cardíaca de suínos carregados usando picana elétrica ou

Figura 6 — Temperatura retal de suínos carregados usando picana elétrica ou painéis

(2 h de transporte)

Figura 7 — Temperatura retal de suínos carregados usando picana elétrica ou painéis

causa brigas, hematomas, ferimentos e elevação dos níveis de cortisol (Bradshaw

et al., 1996a).

3.3

Rampas de embarque mal-projetadas

Suínos têm dificuldade em subir rampas muito inclinadas. Van Putten e Elshof (1978) relataram aumento progressivo na frequência cardíaca quando suínos foram expostos a rampas com inclinações ente 15 e 30o. Quando a inclinação da rampa era

15o, a frequência cardíaca dos porcos embarcados era 139% acima do nível basal,

enquanto que com 30o, a frequência cardíaca aumentou para 202% acima do nível

basal. A distribuição irregular de luz, a presença de água ou outro objeto no piso da área de embarque pode fazer com que os suínos se recusem a entrar (Grandin, 1990).

3.4

Veículos mal-desenhados

Não há estudos sistemáticos sobre o impacto do desenho do caminhão sobre o bem–estar de suínos. A posição que os animais ficam dentro do caminhão tem influência significativa sobre o seu bem–estar. Suínos que ficam no andar inferior têm maior taxa de mortalidade do que os que ficam no andar superior. Além disso, os escore de ventilação nos compartimentos do andar inferior foram piores que no andar superior. Os níveis de cortisol plasmático foram mais altos nos compartimentos em que foi registrada a taxa de mortalidade mais alta. Em geral, os sistemas de ventilação e o controle de temperatura nos caminhões são muito simples e dependem de movimento. São necessárias mais pesquisas para entender a dinâmica do fluxo de ar em diferentes velocidades nos diferentes compartimentos dos caminhões usados para transportar suínos.

A contribuição de animais individuais através da temperatura alterada, maior frequência respiratória e acúmulo de fezes e urina na qualidade do ambiente em diferentes temperaturas ambientais ainda não recebeu atenção.

3.5

Duração e qualidade da viagem

Há controvérsias quanto ao impacto da duração da viagem sobre o bem–estar dos suínos.

Segundo a legislação britânica, os porcos podem ser transportados no máximo por 24 horas se tiverem água disponível durante todo o tempo do transporte (Parlamento da Grã–Bretanha, 1997). Existem legislações similares em outros países europeus (Conselho da Comunidade Européia, 1995). Este tipo de legislação não existe nos EUA. Um código de recomendações no Canadá estabelece os padrões relativos ao embarque e desembarque, densidade, duração do transporte, provisão de água e ração, proteção contra ferimentos e condições climáticas extremas (Annon, 1984).

Durante o transporte, alguns suínos demonstram respostas comportamentais e fisiológicas (lisina, vasopressina) indicando que estão sofrendo com a viagem (Bradshaw et al., 1996b).

Os suínos acham a vibração muito aversiva. Em um experimento conduzido por Stephens et al. (1985), suínos foram treinados a pressionar um painel para parar por

30 segundos a vibração e o ruído em um simulador de transporte. Quando expostos a ambos os estímulos, os animais faziam um grande esforço para obter os 30 segundos de descanso. No entanto, quando testados separadamente, foi verificado que os animais se esforçavam mais para parar a vibração do que para parar o ruído.

4

Bem–estar de suínos: perspectivas

A concentração da produção de suínos, especialmente em áreas geográficas não-tradicionais, causou um aumento na distância percorrida pelos animais até os abatedouros. Além disso, os reprodutores e os desmamados são mantidos em locais distantes das unidades de reprodução e de terminação. Estas transições da suinocultura aconteceram rapidamente e não foram acompanhadas por melhorias ou por uma reavaliação das condições em que os animais são transportados. A complexidade aparente do estresse do transporte prejudicou o progresso da pesquisa que tem como objetivo melhorar o bem–estar dos suínos. Em geral, as publicações revisadas neste artigo demonstraram a natureza estressante dos diferentes aspectos dos procedimentos de embarque e transporte. Há uma desconcertante falta de informações sobre formas de reduzir o estresse durante o embarque e o transporte. Futuros esforços de pesquisa devem ser dirigidos para desenvolver formas novas e alternativas para minimizar os aspectos aversivos e que induzem medo associados com o embarque e o transporte de suínos. De interesse especial é a possibilidade de melhorar a qualidade da interação entre suínos e pessoas. A redução ou mesmo a eliminação do uso de picanas elétricas para manusear suínos pode ser muito benéfica para reduzir as conseqüências negativas do estresse do embarque e do transporte. Meios comportamentais, através do condicionamento operante ou reforço positivo, podem oferecer formas adequadas de mitigar a natureza aversiva dos procedimentos de embarque e transporte.

5

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BEM–ESTAR DE SUÍNOS E QUALIDADE DA CARNE: