Chapitre III Dispositions générales
Article 12 Détermination de la loi applicable en relation avec un État à plusieurs unités
VI. Article 12(4) : possibilité pour un État à plusieurs unités d’imposer
O Jornalismo de Serviço é parte de uma estratégia mais ampla de renovação dos telejornais locais da Globo. Essa transformação engloba o estilo dos âncoras cada vez mais próximo de apresentadores interativos e dinâmicos, matérias trazendo dicas sobre direitos do consumidor e sobre o mercado de trabalho, e o destaque a artistas e grupos que fazem sucesso na periferia. O zelo que a Globo passou a ter com o contingente que adentra o mercado consumidor está diluído em novelas e programas de auditório nos programas de rede. Regionalmente, o único espaço é o telejornal local.
Para compreender as estratégias usadas pelo NETV 1ª edição para conquistar esses novos públicos decidimos lançar mão do conceito de modo de endereçamento aplicado à análise do telejornalismo que “se refere ao modo como um determinado programa se
relaciona com sua audiência a partir da construção de um estilo, que o identifica e que o diferencia dos demais” (GOMES, 2006, p.17). Essa metodologia de análise parte de uma pergunta simples: “Quem esse telejornal pensa que a audiência é?” (GOMES, 2004). Para tentar responder a essa pergunta é preciso compreender o telejornalismo como um fenômeno sobredeterminado.
O telejornalismo como instituição social, não se configura somente a partir das possibilidades tecnológicas oferecidas, mas na conjunção das possibilidades tecnológicas com determinadas condições históricas, sociais, econômicas e culturais. Isso de modo algum significa conceber o jornalismo como cristalização, mas, bem ao contrário, afirmar seu caráter de processo histórico e cultural. Para o desenvolvimento de uma metodologia de análise, essa premissa obriga uma atenção às diferenças existentes entre as diversas sociedades e tempos históricos e seus jornalismos – do ponto de vista dos seus valores e convenções; do ponto de vista das formas do gênero. (GOMES, 2011, p.20)
Williams (1997, p.15) ao comentar sobre o advento da televisão adverte que uma explicação que levasse em conta apenas a existência de uma nova tecnologia seria insuficiente. Condições econômicas, sociais e políticas de uma sociedade pós-guerra em transição exigiram um novo tipo de comunicação e difusão de notícias. Dessa forma, diferentes países tiveram diferentes sistemas televisivos variando de acordo com peculiaridades políticas, econômicas e sociais. O jornalismo de serviço é, em certa medida, uma resposta a uma série de transformações econômicas, sociais e políticas e que se tornou possível devido a um ambiente tecnológico em que a participação do receptor tornou-se um fator a ser levado em consideração.
O NETV 1ª edição com o jornalismo de serviço pensa a audiência como um todo: se por um lado há as denúncias contra as péssimas condições do transporte público, utilizado majoritariamente pelos estratos de renda C, D e E, de outro há o monitoramento do trânsito cujos interessados são principalmente as classes A e B, grandes usuários de transporte particular. As denúncias do jornalismo de serviço, além disso, apesar de ter como foco as localidades com maiores carências, apresenta uma aproximação de localidades mais nobres da Região Metropolitana do Recife, principalmente em questões como segurança. Nas matérias ligadas à Cultura e Lazer, se há reportagens sobre peças de teatro destinadas a um público consumidor do que se considera “alta cultura”, existe também quadros como “Pipoco” cujo público-alvo é esse novo contingente de pessoas que ascenderam economicamente. As matérias sobre ações policiais e crimes, por exemplo, evitam cenas chocantes e degradantes para não afugentar o telespectador tradicional da Rede Globo. A análise de conteúdo realizada para a pesquisa e as diferenças de abordagem do mesmo tema nos dois modelos de jornalismo
nos permitirá analisar a quem o NETV 1ª edição se direciona, que parcela do público deseja conquistar sem perder outras parcelas já fiéis ao programa.
O NETV 1ª edição vai ao ar de segunda a sábado a partir das 12h. O telejornal tem duração de 45 minutos de segunda a sexta-feira e 25 minutos no sábado, misturando matérias factuais sobre o que está acontecendo na Região Metropolitana no Recife com as chamadas soft news, reportagens atemporais que podem ser levadas ao ar sem que envelheçam. No NETV 1ª edição, as soft news são geralmente leves, tratando sobre dicas de saúde, culinária etc. Esse perfil é devido à necessidade de atrair a audiência tanto de quem assiste ao telejornal enquanto almoça e procura se informar através deste quanto das mulheres que tem o encargo de cuidar do seu próprio lar ou está empregada em serviços domésticos. O jornalismo de serviço passou a fazer parte do NETV 1ª edição a partir de 2009 quando o quadro que o comportava ganhou o nome de Vida Real, termo já abandonado. A razão do abandono do termo nos é desconhecida, mas o nome depunha contra o jornalismo praticado nos padrões antigos. Pois já que a vida real é mostrada pelo jornalismo de serviço, o que sobraria ao resto do telejornal? O jornalismo de serviço já não era uma novidade em Pernambuco, uma vez que a TV Jornal, afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão no Estado, já levava ao ar em seu telejornal local o quadro Boca no Trombone.
A proposta do Vida Real era escutar os problemas de localidades carentes da Região Metropolitana do Recife e colocar face a face autoridade e moradores para chegar a um acordo sobre o que precisava ser feito para resolver a questão. A equipe de reportagem ia ao local, conversava com os demandantes, mostrava as carências que os fizeram acionar o NETV, e em seguida o jornalista mediava um acordo entre poder público e moradores quanto ao que seria feito para sanar os problemas e quando o problema seria resolvido. Nessa primeira fase do jornalismo de serviço em Pernambuco, representantes do poder público iam até as localidades demandantes e junto com a comunidade davam o aval para a data marcada. Pelo menos, era o que acontecia nas primeiras matérias de cada caso, em que eram feitas as denúncias e mostrados os problemas. No dia combinado, aparentemente em comum acordo, a equipe de reportagem se comprometia a voltar à localidade para conferir se a promessa fora cumprida. Quando a autoridade não comparecia, uma data era marcada à sua revelia.
O quadro, que passou a se chamar calendário do NETV, passou por alterações gradativas. Os representantes do poder público passaram a não mais comparecer aos locais. Geralmente, assistem às reportagens gravadas junto com o repórter que, ao vivo, faz a cobrança e marca o dia para que a demanda seja atendida. Caso a autoridade não compareça,
o jornalista marca o dia em que vai voltar ao local para verificar o andamento da demanda à revelia do poder público no local da cobrança em frente a um morador da localidade em questão, que serve como testemunha, ou um dos âncoras do jornal estabelece uma data no estúdio. Em 2012, o calendário passou a se chamar Blitz do NETV. Observando o telejornal, percebe-se que o termo Blitz é utilizado na primeira reportagem, em que o problema é exposto pela primeira vez aos telespectadores. As reportagens seguintes sobre o mesmo problema são tratadas como Cobrança do Calendário.
A mudança do nome Vida Real para Blitz é significante. O termo Vida Real remete a um jornalismo que vai aonde os telejornais não costumavam ir para tratar de problemas que estavam ocultos ao grande público, demandas de uma população que não possui os devidos canais de protesto, sem voz. Se as intenções eram, ou não, realmente essas, é um outro problema, mas, em um primeiro momento, é o significado que o termo evoca. Um problema óbvio do uso termo Vida Real é que aparentemente todo conteúdo jornalístico fora do modelo de jornalismo de serviço poderiam ser encarados como algo diverso da vida real. Já Blitz27, no Brasil, é um termo utilizado para se referir a operações policiais esperadas, geralmente com o objetivo de fiscalização no trânsito, para surpreender motoristas no ato de infrações como guiar veículos em desacordo com as normas de segurança ou sob efeito de álcool. É o tipo de operação destinada a pegar o infrator com a “boca na botija”, sem dar a ele tempo de ocultar as irregularidades. O telejornal se assume como o que no jornalismo é chamado de cão de guarda, autoimagem nutrida pelos jornalistas como fiscal do poder, seja ele público ou privado.
O jornalismo de serviço não foi a única mudança sofrida pelo NETV. Os telejornais locais da Globo, todos padronizados não importa a região ou afiliada, passaram por mudanças significativas durante a primeira década do século XXI. Os âncoras deixaram de apresentar os telejornais sentados por trás de uma bancada, e passaram a caminhar pelo estúdio como se estivessem conversando com a audiência, um formato de apresentação muito próximo ao verificado em shows de variedade. Os âncoras passaram também a ser apresentadores. Links com jornalistas situados em diversos lugares das cidades com entradas ao vivo passaram a ganhar mais peso na programação. A concorrência por um novo público que adentrava no mercado de consumo, fenômeno que ganha força em meados da década, faz com que a Globo
27Blitz foi um intensivo bombardeamento do Reino Unido pela Luftwaffe alemã entre 7 de setembro de 1940 e 10 de maio
de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. O nome provém da contração popular inglesa da palavra alemã Blitzkrieg , ou "guerra relâmpago" (BLITZ, s/d). No Brasil, onde a força policial responsável por patrulha e prevenção segue disciplina e treinamento nos moldes militar, não surpreende que operações policiais de patrulhamento e fiscalização recebam nomes que remetam a operações militares.
mude o formato desses telejornais para competir com programas policiais regionais que primam pela exploração da violência.
O NETV passa a se voltar cada vez mais para o público que recentemente ascendeu ao estrato de renda C, os batalhadores ou precariado, não apenas como demandantes ou portadores de alguma carência não atendida pelo poder público, mas também como portadores de práticas e cultura próprias. Um bom exemplo dessa tendência é o quadro Pipoco28, dedicado a mostrar os grupos musicais, cantores e cantoras recifenses que fazem sucesso na periferia da cidade. Em sua grande maioria esses artistas compõem e executam músicas do gênero brega e suas variações. Além da busca pela audiência do precariado, há uma busca pelo público que se espera que esteja disponível para assistir televisão no horário em que o telejornal é transmitido. Isso é evidenciado pela grande quantidade de matérias do tipo soft news. A não ser aquelas sobre eventos culturais, polícia e trânsito. O Jornalismo de Serviço é o carro chefe do NETV como vemos no quadro abaixo referente à composição do telejornal de março a maio de 2013.
Figura 12- Temas das Reportagens do NETV
28 O termo pipoco é popularmente utilizado no Nordeste do país para designar o barulho causado por uma explosão. Também
é utilizado para caracterizar algo que é de qualidade elevada ou que faz sucesso, tendo a variação Pipoco do Trovão, que usado para nomear algo de qualidade ou sucesso muito acima dos demais. O nome do quadro mostra a intenção de aproximar-se desse público que possui seus próprios gostos de consumo
Cultura e Lazer é a segunda categoria mais presente no telejornal durante o período analisado ocupando 18,60% de todo tempo do jornal. Polícia, respondendo por 17,70% , tem um grande destaque. Contudo, são muitas matérias com tempo curto de transmissão, e seguem o padrão de qualidade da emissora. Cenas violentas são evitadas e geralmente as tomadas externas são feitas em delegacias e nunca há a exposição de corpos ou comentários ríspidos, em um contraponto aos concorrentes de enquadramento policialesco. Dicas e direitos, englobando temas que vão desde dicas sobre empregos, direitos de consumidor ou como obter direitos trabalhistas, é um outro tipo de reportagem surgida para se aproximar do cotidiano do telespectador que faz parte do contingente de pessoas que experimenta uma ascensão de renda recente. Esse tema ocupou algo ocupou 12,16% do tempo de transmissão pesquisado.
Acidentes sejam de trânsito, domésticos, envolvendo eletricidade etc. responderam por 7% do tempo pesquisado. Essas matérias encontram seu apelo na quebra da normalidade, na disrupção do cotidiano. As reportagens sobre saúde vêm em seguida com 6,9% do tempo de transmissão, geralmente focando em dicas sobre doenças, vacinas, alimentação e exercícios dadas por médicos, nutricionistas e educadores físicos. Reportagens sobre o trânsito ocupam 6% do tempo, um espaço significativo, com matérias que indicam como está a fluidez no trânsito da cidade, onde há engarramentos e possíveis mudanças. São matérias que dão a sensação de que o telejornal está não só monitorando a cidade, mas fazendo isso para o telespectador ao indicar para as vias que ele deve evitar ou para as quais ele deve se dirigir.
Saneamento (1,8%), Educação (1,2%) e Obras e Manutenção (0,37%) tiveram participação estaticamente muito baixa se comparadas às demais categorias. Entretanto, tiveram participação relevante quando o Jornalismo de Serviço é analisado em separado. Nosso intuito é comparar a participação dessas categorias no modelo de notícias tradicional e dentro do jornalismo de serviço com objetivo de mostrar como o jornalismo de serviço vem ocupando o lugar do jornalismo convencional em determinados temas como Educação e Saúde. A categoria outros é residual e congrega categorias estaticamente pouco significativas na composição do telejornal, ocupando o tempo de 8,5% dentro de cerca de 40h22m analisados.
Fizemos uma análise do jornalismo de serviço em separado como se fosse um telejornal a parte, medida tomada para fins analíticos. Foram 7h54m dedicados ao modelo jornalismo de serviço ou 19,57% do tempo total de transmissão do NETV 1ª edição no período analisado. Percebemos o deslocamento de determinados temas para a órbita do jornalismo de serviço. Obras e manutenção, por exemplo, que ocupa um espaço ínfimo dentre
as notícias produzidas de forma convencional, é o carro chefe no modelo jornalismo de serviço, ocupando 36,4% do tempo dedicado a esse modelo. O mesmo acontece com saneamento e educação que ocuparam respectivamente 18,1% e 13,4%.
Figura 13 - Temas Jornalismo de Serviço
No caso da categoria obras e manutenção, percebemos que possivelmente foi criado espaço para um tema que no modelo convencional de jornalismo tornava-se difícil de ser pautado, por serem acontecimentos muitas vezes extremamente focalizados. É a praça em mau estado, a rua esburacada, o cano quebrado que rendiam no máximo uma nota. As cobranças ao poder público para que obras e reformas envolvendo praças, ruas sem calçamento entre outros dão às questões mais gerais maior possibilidade de gerar identificação entre os demandantes e a audiência.
Quando observamos saneamento e educação, percebemos que houve uma espécie de divisão do trabalho informativo entre os dois modelos. No modelo convencional de jornalismo, quando o tema é tratado é sempre pelo viés das grandes obras ou falhas, enquanto no jornalismo de serviço o tema é enquadrado a partir dos problemas vivenciados pelas localidades, em sua maioria, carentes que enfrentam falta de água e saneamento básico e o convívio diário dos problemas resultantes da falta de prestação adequada desse serviço. No caso de educação e saúde, que ocupam respectivamente 7% e 13,1% do tempo destinado ao jornalismo de serviço no período observado, o calendário do NETV geralmente veicula denúncias sobre o mau funcionamento de escolas e hospitais, enquanto o modelo
convencional se ocupa de dicas e oportunidades sobre cursos, no caso de educação, e alimentação, prevenção etc. no caso de saúde.
Segurança tornou-se um tema bastante explorado, e grande parte dos demandantes são claramente oriundos de localidades de classe média como Torre e Setúbal. Entretanto, localidades habitadas por moradores predominante de estratos de renda mais baixos também participam do calendário do NETV pedindo por mais segurança. Em nossas entrevistas, o tema segurança foi sempre citado pelos informantes como um dos maiores problemas enfrentados por eles cotidianamente, ainda que nenhuma das localidades escolhidas em nossa pesquisa de campo tenha acionado o calendário para resolver problemas dessa natureza. Os problemas citados vão desde a falta de iluminação até a ausência de policiamento, os mesmos citados pelos demandantes do calendário no tema segurança.
O tema trânsito ocupa 5,1% do espaço destinado ao jornalismo de serviço, e algumas vezes parece ser um tema sem um demandante específico ou não ser fruto de reclamação de uma localidade em especial, como no caso de uma matéria transmitida no dia 23 de março de 2013 em que os problemas do trecho da BR-101 que corta a Região Metropolitana do Recife são retratados com ênfase na dificuldade de guiar por essas vias e nos prejuízos infligidos aos motoristas que transitam pela estrada. A matéria conta com cobrança no calendário ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e com entrevista a um juiz de como proceder para ser ressarcido de prejuízos causados por má conservação das vias como danos a automóveis.
Transporte é um tema que sequer surge entre as matérias feitas segundo o modelo convencional de telejornalismo, mas que dentro do modelo jornalismo de serviço ocupa 7% do tempo. Há reportagens sobre temas específicos a determinadas localidades como terminais de ônibus que não funcionam ou terminais de integração com problemas de funcionamento onde não há um demandante específico que possa ser especificado. As denúncias parecem ter sido feitas por usuários que não são identificados como autores da denúncia durante a reportagem como nos casos de duas reportagens.
A primeira reportagem foi realizada no Terminal Integrado da Macaxeira no dia 25 de abril de 2013 em que os passageiros presentes no local para apanhar ônibus queixam-se da falta de fiscais para disciplinar as filas e da demora dos ônibus gerando superlotação e desorganização. Nessa matéria, o Coordenador de Operações do Grande Recife Consórcio, empresa responsável por gerir o transporte público na Região Metropolitana do Recife, Mario Sérgio Cornélio, respondeu ao vivo às reclamações dos moradores trazidas por um repórter da
Globo. A outra reportagem, veiculada no dia 2 de maio de 2013, trazia reclamações parecidas no recém-construído Terminal de Integração de Cajueiro Seco. Eram queixas relativas aos poucos ônibus e longo tempo de espera. Nessa oportunidade, o Grande Recife Consórcio, não mandou um representante para responder aos questionamentos feitos pela equipe de Reportagem da Globo e o repórter ao vivo diretamente da recepção da empresa pública marca a data de 16 de julho no calendário e o deixa com a recepcionista do Grande Recife Consórcio.
A mistura de matérias mais suaves em cultura e lazer e naquelas sobre saúde e educação que seguem o jornalismo tradicional com matérias no formato de denúncia, quando é utilizado o formato de jornalismo de serviço, também diz muito sobre o sucesso do NETV 1ª edição. Poindexter et alli (2006) realizaram entrevistas junto ao público sobre suas expectativas em relação ao conteúdo dos jornais locais. Os autores trabalharam com a dicotomia Bom Vizinho e Cão de Guarda. A categoria Bom Vizinho seria relacionada a matérias sobre problemas das comunidades locais, relatos sobre os interesses de pessoas e grupos, entender a comunidade local e oferecer soluções aos problemas enfrentados. De forma distinta do Bom Vizinho, os traços do cão de guarda incluem características relacionadas à autoimagem dos jornalistas como cão de guarda contra os abusos e desvios do governo e das pessoas poderosas, retratando certos tópicos, e explicando determinados tópicos nas notícias. A pesquisa apontou que o público norte-americano consumidor de notícias locais gostaria de uma abordagem ligada às características do bom vizinho, principalmente entre mulheres, negros e hispânicos (Idem, p.78).
O telejornal local da Globo em Pernambuco possui o mérito de conjugar essas duas características no jornalismo de serviço: ao mesmo tempo que retrata as comunidades e seus problemas, atua como cão de guarda quando denuncia erros e desvios do governo. Já dentro do modelo convencional, as matérias de Cultura e Lazer, Dicas de Direitos e sobre saúde e educação (sempre com características mais suaves), de certa forma, atuam dentro das características do bom vizinho ao oferecer recomendações sobre cursos, programas, como proceder para buscar direitos nos campos do trabalho e do consumo, ter uma vida saudável ou fazer um prato típico de determinada data comemorativa. Em nossas entrevistas, notamos que o calendário foi uma boa tática para atingir uma audiência que se sentia, e ainda se sente, representada pelo noticiário policial mais ostensivo dos concorrentes do NETV sem fugir do Padrão de Qualidade da Emissora. Tanto o calendário quanto os programas policiais
apresentam uma versão do cotidiano próxima à realidade vivenciada pelos informantes, como