VIII. Sous-vari´et´es d’un tore complexe
4. Application de Gauss
Conforme citado na Introdução deste estudo o conceito de Globalização é um conceito muito utilizado, actualmente. Existem diversos e variados estudos académicos produzidos em áreas culturais igualmente diversas. Privilegiámos o conceito onde a Globalização se apresenta como um processo de reconfiguração da ordem mundial, económica, política, social e cultural, portanto, não será descabido dizer que o processo de Globalização fez nascer a necessidade de criar determinadas redes sociais, económicas e políticas (Cf. Introdução).
A ideia de um mundo global alargou-se nas últimas décadas forçando os diversos actores, em contexto internacional, a adoptarem uma postura mais activa neste processo de descontinuidades, rupturas e de nova/diferentes oportunidades que surgiram com todo este processo a que chamaram de Globalização (Cf. Introdução).
Encontrámos vários autores que defendem que a Globalização é um processo, essencialmente, económico e de interdependência que relega para segundo plano as nações, enquanto Estados soberanos. Esta definição de Globalização ignora o papel do Estado enquanto agente do sistema económico actual dando essa liderança a outros agentes económicos como as empresas.
A Globalização como a conhecemos tem implicado uma forma diferente de pensar a dispersão geográfica. Para Stiglitz (2002: 40) a Globalização reduziu, a nosso ver apenas em alguns casos, a sensação de isolamento vivida em certos países em vias de desenvolvimento e permitiu que parte substancial da sua população tivesse acesso a um nível de conhecimento que não estava ao alcance dos demais há um século atrás. Também para Stiglitz (2002: 46), a Globalização pode ser encarada como uma estreita integração entre países da qual resultou uma considerável redução dos custos de transporte e de comunicação para além do desmantelamento de barreiras de circulação transfronteiriça de mercadorias, serviços, capitais, conhecimentos e pessoas.
Tomé (2011) argumenta com base histórica que a Globalização se ficou a dever em parte à revolução das tecnologias de informação e comunicação
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(TIC). As tecnologias da informação e comunicação vieram proporcionar uma transmissão de conhecimentos em tempo real, tentando de certa forma até controlar o factor tempo, podendo estes ser manuseados e aplicados quase de imediato à acção no terreno (Tomé, 2011: 153). Já para Silva (1999) foi o progresso tecnológico, em particular as tecnologias de informação e comunicação que tornaram possíveis as estratégias da Globalização (Silva, 1999:36).
Continuando este raciocínio Tomé (2011:154) considera que a teoria que melhor expressa o conceito de Globalização é a teoria do Internacionalismo Neoliberal, também conhecido como o capitalismo científico e estratégico, produto das escolas americanas. Nesta teoria é defendida a abertura dos mercados, à livre circulação de fluxos de capitais, financeiros, processos, tecnologia, etc. através dos Estados ou à sua revelia. Poderíamos extrair que a base do conceito de Globalização assenta em várias formas de poder, a saber: económico, financeiro, tecnológico, científico, militar ou informacional destacando-se a importância assumida pelo ciberespaço.
Partilhamos, em parte, a visão do Internacionalismo Liberal e democrático (Tomé, 2011: 155) que preconiza a participação de todos os actores do contexto internacional e uma abertura das fronteiras o que, necessariamente, obriga os Estados a uma maior cooperação. No entanto, e devido à actual instabilidade no cenário internacional, é importante para os Estados associarem-se em blocos ou grandes espaços, como lhes chama o autor, de forma a que através de uma cooperação mútua defendam os seus interesses, sejam eles financeiros, económicos, militares, de segurança ou culturais e resistam melhor às ameaças, riscos e desafios provocados pela actual turbulência do contexto internacional.
Compreendemos, desta forma, o conceito de Globalização como um conjunto de processos onde é possível a concepção, produção, distribuição e consumo de produtos, bens ou serviços através de uma crescente interacção de grupos, instituições, organizações ao nível mundial e através de uma rede à escala planetária, que se tornou possível devido ao avanço das tecnologias da informação e comunicação (Tomé, 2011: 156).
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Segundo Verónica Oliveira (2011) na sua Dissertação de Mestrado sobre a Globalização e a Concepção de uma Cidadania Lusófona, se por um lado a globalização propiciou uma livre circulação de pessoas e informação por outro lado levantou diversas questões inerentes ao poder político dos Estados. A Globalização económica, a interdependência entre os Estados, o desenvolvimento tecnológico e científico têm vindo a sofrer transformações devido a pressões inerentes a este processo, que por sua vez, ultrapassam limites culturais e políticos entre os Estados. As transformações tecnológicas transformaram a noção de espaço e de tempo são as principais características do fenómeno da Globalização (Oliveira, 2011: 8).
Assim, devido ao aumento da interdependência entre Estados neste contexto de Globalização, as questões que requerem soluções globais são relativizadas no espaço e no tempo, visto que todos os acontecimentos, embora distantes, estão próximos numa questão de segundos. Podemos dizer que a Globalização é um processo económico, político e social (Oliveira, 2011: 11).
A Globalização é, segundo Verónica Oliveira (2011), a materialização da redução das distâncias espaciais e temporais, entre outras, e da intensificação das relações entre actores sociais individuais e colectivos que mantêm relações, apesar das distâncias físicas entre ambos, por meio dos fluxos de capital financeiro, tecnologias, ideias e imagens. Trata-se de um fenómeno multidimensional que reflecte uma intensificação das relações, em todos os níveis da sociedade, ao nível mundial com alterações significativas do conceito de Estado enquanto Estado soberano ou Estado Nação (Oliveira, 2011: 13).
Citando Adriano Moreira (2001) citado, também, por Verónica Oliveira (2011: 12) “a Globalização não é nem uma ideologia nem uma conspiração,
mas tão-somente um processo”. É desta forma que entendemos o conceito de
Globalização como um processo complexo cujos resultados estratégicos são, sobretudo, do ponto de vista político e económico embora existam outros. O conceito revela-se, no entanto, adequado às transformações que caracterizam os finais do século XX e início do século XXI.
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