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Activité de DISTRISOFT MAROC S.A

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4. Activité de DISTRISOFT MAROC S.A

“O encontro”, terceiro capítulo, de 1930 a 1955, principia com a festa de Natal ainda na casa dos Meissen: Theodora de Mattos Camargo, cinco meses, “olhinhos arregalados, enfrentava deslumbrada o brilho das velas e bolas coloridas” (LAUS, 1999, p. 135). Aquele foi, a pedido de Maria, o maior dos Natais “para sua Theodora”.

A partir desse capítulo, as histórias de mãe e filha começam a se desenvolver lado a lado. Desde a gravidez, Maria passou por transformações: “O ‘encantamento’, mencionado por Nina, tomou-lhe toda e, depois, chegado o bebê, veio junto grande temor pela espécie de vida que lhe poderia proporcionar em um pobre circo.” (LAUS, 1999, p. 136-137). A mãe, então, afastava-se sempre mais, silenciosa e conscientemente, do Circo Brasil.

Em idade escolar, Theodora, que já tinha dois irmãos que aumentavam a família, estudava no Colégio Espírito Santo, escolhido por Raul, pois naqueles jardins “tinha aprendido a descobrir Maria. Depois, havia a pintura e o piano. Também a disciplina das Irmãs, a mais indicada para sua ‘princesa’ Theodora que, segundo todos, não tinha saído à mãe. Era dócil, suave, ‘mansinha’ – no dizer de Tonica.” (LAUS, 1999, p. 137).

Os bisavós Anna e Hans Meissen falecem em 1940, e quem assume a posição de Hans é Raul. Assim, Raul protagoniza o novo patriarca, mantendo a configuração familiar de gênero garantida.

Em 1945, Theodora, formada aos quatorze anos, continua seus estudos, agora como interna no Colégio Coração de Jesus, em Florianópolis, novamente por escolha do pai que, com ciúmes, não permitira que ficasse hospedada em casa de parentes, já que “queria disciplina para a filha, o que não encontraria fora do internato.” (LAUS, 1999, p. 140). Na

época escolar em Tijucas, a pedido de Raul e com sua intervenção, a filha sempre fo i impedida de participar de encenações teatrais, devido à herança materna e de Theodora avó:

Theodora, sem inclinação para a pintura, dedicou-se ao piano e a trabalhos manuais. Às vezes queixava-se à mãe do fato de as Irmãs não a incluírem nos “dramas”. - As Irmãs têm muita prática, filha, de certo notaram que não dás para aquilo. - Mas sem experimentar?...

Maria desconversava, falando do passeio então programado e Theodora acabava por se conformar. “Mansinha”, como dissera Tonica. (LAUS, 1999, p. 143).

Mesmo que desagradasse a interferência de Raul, Maria ainda acreditava que garantir a paz em casa e aos filhos era melhor, pelo menos por enquanto. Dessa maneira, “sem os interditos da geometria do Pai e do Padre, em Thalia, e do avô em Maria, a geometria do Masculino de Raul entra em violenta oposição com a familiar carpintaria: impede a menor participação da filha em encenações teatrais de Tijucas e a transfere para um colégio de freiras [...]” (SACHET, 1999, p. 161-162).

Mesmo assim, já no Colégio Coração de Jesus, Theodora reencontra a prima Beatriz, filha única do tio Rainer Junior, que lá estudava desde o primário e estava envolvida ativamente em tudo que dissesse respeito à arte de representar. Por conseguinte, as mudanças na construção da identidade de Theodora começam a operar. A exemplo da prima, ingressa no “Teatrinho” e, ao chegar em casa, de férias, conta a novidade a todos, incluindo-se o pai. Raul tenta persuadir a filha a não se entusiasmar com o “Teatrinho”, alegando que não daria certo e que o pai não gostava. Theodora ainda tenta questionar por que o pai não gosta, e ele responde que “as artistas são muito infelizes”. A mãe, querendo evitar que Raul repetisse à filha o mesmo discurso, a chama a pretexto de algo.

Após, já no quarto com Maria, o pai culpa-se por não ter alertado a Madre do Coração de Jesus, como o fizera na outra escola, e alega que o faria na próxima visita, fato que permite a mãe de Theodora, finalmente, posicionar-se e enfrentar o marido:

- Acho bom não falar coisa nenhuma. A guria esteve até agora envolvida e vai sentir-se rejeitada. Deixa, é só um brinquedo. Deixa a menina se distrair senão acaba por não estudar mais.

- Por ti ela pode até virar atriz, não é? – criticou Raul irritado. - É! E acho bom não discutirmos isso.

- Por quê? – esperou. – fala!

- Falo! Estou sabendo da trama de vocês, tu, Mutti e papi para me afastarem da minha vocação (a Mutti acabou me contando tempos atrás por sentir-se desconfortável com o segredo), claro que não mudou nada porque não fiquei por vocês. Fiquei por Theo. Agora deixa a menina em paz. Ela saberá escolher seu caminho. Não realizaste tua escolha? Deixa a menina! – E falou ríspida.

impedi-la de seguir a carreira que escolher. Estou falando sério. (LAUS, 1999, p. 144).

Theodora, aos dezesseis anos, sentindo o apoio da mãe, e Maria buscando realização por meio da filha, ingressa para o Grupo Teatral Amadores-da-Ilha, sua porta de entrada para, mais tarde, em seu último ano de internato, aos dezoito anos, ser convidada a participar da peça Ophélia, no Teatro Álvaro de Carvalho:

Ao pisar no palco de estreia, Theodora desencarnou.

Que o céu se despencasse, que o espaço se desintegrasse, porque tudo era secundário. Naquele momento, nenhum elo possível de terra a terra. Flutuava no espaço. Em seu Espaço.

Uma Ophélia quase diáfana aplaudida em cena aberta por toda a plateia[...]. (LAUS, 1999, p. 147).

Raul, por sua vez, no dia seguinte, ao ler no jornal da capital elogios à filha, chorava, “e nunca se soube se por alegria ou desaprovação. Sabia, apenas, que Theodora, sua mãe, estava de volta. E isso era motivo de lágrimas. Não por sua vinda, mas pelo renascer de seu sofrimento em sua única neta, a sua ‘princesa’ Theodora.” (LAUS, 1999, p. 148).

Theodora, que voltara a Tijucas depois de terminar os estudos no internato, deixou a Ilha e os “Amadores”. Em uma festa política e social de despedida do tio Rainer Junior, conhece Carlos de Sant’Anna Raposo, por quem “deixa-se levar pela ronda-conquista”, emocionada com a despedida de Beatriz e sensibilizada por estar de volta e onde nada poderia fazer em termos de teatro.

Mesmo tendo prometido à prima “amansar o velho – Raul – e ir para o Rio seguir sua carreira artística” (LAUS, 1999, p. 149), Theodora acaba por ser “derrotada”, cedendo aos mandos do pai, e torna-se mais facilmente manipulável por Carlos e finda por casar.

Três meses depois, o fracasso do casamento estava estabelecido, por conta da descoberta de uma amante do marido. Mesmo o pai querendo contornar a situação, como já o fizera em tempos de namoro com Maria, Theodora, já grávida, primeiramente, opta por dormir em quartos separados.

Com o nascimento da filha Thalia, nada mudou. Um ano depois, certificada da impossibilidade de conviver com Carlos, separa-se: “Assim, pensou, repensou e concluiu que para a filha seria mais saudável a separação e ausência dos pais”. Theodora decide deixar a filha com a avó e partir para o Rio para, conforme prometera, encontrar a prima Beatriz, mas não sem antes enfrentar o pai: “O desencantamento matrimonial a fez menos mansa e conseguiu enfrentar o pai” (LAUS, 1999, p. 150).

Maria, em um misto de perda e vitória, chorava: “Theo estaria ausente, mas livre para todas as buscas que ela mesma quisera ter feito. Ambas haveriam de vencer. Não fosse pelos meninos, iria junto. Não para ser atriz, mas para ser babá de uma muito especial.” (LAUS, 1999, p. 151). Carlos, não se metendo na viagem e nem discutindo o futuro de Thalia, que para ele era problema dos avós, recebeu o dinheiro que exigira de Raul e foi desligado da empresa, deixando a cidade. E quem parte, também, em tensa expectativa, é Theodora.

Assim, a subversão do poder patriarcal é estabelecida: “A provinciana Tijucas – de horizontes restritos, mas universo que se plenificava autonomamente – condicionou suas heroínas ao realismo conveniente do clã. Apenas Theodora, transpostos já os cenários locais com os estudos na “cidade” capital e iniciada no Grupo Teatral de Aécio Cunha, estreando com personagem não menor do que Ofélia no drama Hamlet, rasgou, enfim, as amarras, com coerência e verossimilhança, para desvelar outras perspectivas futuras.” (JUNKES, 2000, s.p.).

Theodora, com o apoio de sua mãe, consegue impor-se ao pai e iniciar um novo capítulo na história do clã. Ocorre o simbólico rompimento de todos os laços que a prendiam: separa-se do marido, enfrenta o pai e, então, parte, deixando Tijucas para trás. Enfim, liberta- se.

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