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Existem diferentes noções de escala, tais como: (a) escala espacial, que inclui um aspecto de extensão no espaço e de resolução da informação; (b) escala temporal, que inclui aspectos de duração e também de resolução; (c) escala geográfica, que indica as dimensões de representações de um objeto no solo; e (d) escala de percepção das espécies, que se refere à escala espacial e temporal na qual a espécie percebe ou interage com a paisagem (METZGER, 2001). Segundo Campos (2004), não existe tamanho absoluto de paisagem na perspectiva de um animal. O tamanho da paisagem varia dependendo em que consiste o mosaico de habitat ou recursos de manchas significativas para a espécie. Para Metzger (2001) a escala de percepção da paisagem pelas espécies está relacionada à extensão do seu território, à sua capacidade de deslocamento e de suas exigências de habitats específicos. Ainda de acordo com este autor, espécies com pequena capacidade de deslocamento ou dispersão percebem a paisagem em um contexto mais local, enquanto que espécies que possuem maior capacidade de deslocamento percebem a paisagem em uma escala mais ampla; ou ainda espécies com

habitats muito especializados percebem a paisagem com um maior grau de detalhamento em relação às demais espécies generalistas.

Zollner3 citado por Forero-Medina e Vieira (2007) afirma que um dos mecanismos comportamentais específicos determinantes no sucesso de dispersão da espécie é a sua capacidade de perceber um habitat à distância.

IMS4 citado por Marenzi (2004) afirma que o movimento das espécies pela paisagem se dá em relação de sua funcionalidade biológica e de sua estrutura espacial, e propõe tipos de movimentos correlacionados com estes aspectos, os quais podem ser observados na Tabela 1.

TABELA 1 – TIPOS DE MOVIMENTO DE ANIMAIS E RELAÇÕES COM A ESTRUTURA DA PAISAGEM

Escala espacial Tipo de movimento Estrutura espacial

Mancha de recurso Seleção de alimentos Distribuição de alimentos; Tamanho e forma das manchas; Obstáculos em pequena escala. Mancha de habitat Procura por áreas de

alimentos;

Vigilância do território

Configuração das manchas de recursos;

Abrigo;

Topografia e fatores abiótico. Mosaico paisagístico Dispersão Tamanho, forma e isolamento das

manchas;

Conectividade e permeabilidade da paisagem.

Região Migração Geomorfologia;

Barreiras em escala regional.

Campos (2004) estudando o movimento do jacaré, Caiman crocodilus yacare, mostrou claramente como a escala do estudo na visão do animal deve ser considerada. Segundo a autora, normalmente, o pesquisador estabelece a extensão do movimento do animal quando delimita a área de estudo, e não leva em consideração as mudanças na escala espacial e temporal da paisagem em que vive o animal. No período de 10 anos, a autora monitorou quatro machos e uma fêmea de C. c. yacare, marcados no primeiro ano de vida, na área de lago, e verificou que os animais percorreram distâncias de até 18 km para a área de rio. Já Yeomans5 citado por Forero-Medina e Vieira (2007) verificou

3 ZOLLNER, P. A. Comparing the landscape level perceptual abilities of forest sciurids in fragmneted

agricultural landscapes. Landscape Ecology, v.15, 2000, p. 523-533.

4 IMS, R. A. Movement patterns related to special structure. In: HANSSON, L.; FAHRIG, L.;

MERRIAN, G. Mosaic landscapes and ecological processes. London: Chapman Y Hall, 1995, p. 85- 109.

5 YEOMANS, R. S. Water-feding in adult turtles: randon search or oriented behaviour? Animal

uma capacidade perceptual para a tartaruga-de-água-doce (Trachemys scripta) de 300 metros, e Zollner (2000) de 300 metros para Sciurus carolinensis e de 400 metros para Sciurus niger.

Pioani e Richter (1999) citam a necessidade de conservar a biodiversidade em escala múltipla dentro de um mesmo ecossistema ou em um contexto de paisagem, conjuntamente com os processos ecológicos que os sustentam. Nesse sentido, propuseram níveis de organização biológica, adotados pela TNC (The Nature Conservancy), que envolvem o conjunto de espécies, comunidades ecológicas, sistemas ecológicos. Estes são divididos de acordo com sua escala e padrão espacial:

(a) escala local - refere-se a espécies com movimento limitado e restrito a uma única comunidade ou sistema ecológico. Muitas espécies raras pertencem a esta categoria, principalmente invertebrados e plantas. A ocorrência de comunidades e sistemas ecológicos de pequenas parcelas e populações de espécies terrestres de escala local encontram-se usualmente em áreas de menos de 800 hectares. As comunidades e sistemas ecológicos de escala local são de tamanhos reduzidos e discretos (e.g. brejos, pântanos, penhascos, alagados) e resultam de fatores físicos e regimes ambientais específicos (e.g. infiltração, desmatamento, etc.);

(b) escala intermediária - refere-se a espécies que dependem de uma área grande, constituída por tipos diferentes de habitats. A biodiversidade terrestre de escala intermediária ocorre tipicamente entre 400 e 20.000 hectares;

(c) escala ampla - refere-se às espécies que necessitam de grandes áreas para ter acesso aos tipos e quantidade de habitat que elas requerem. Essas áreas são extensas, porém menores que as requeridas na escala regional. Normalmente as espécies de escala ampla cobrem grandes distâncias e utilizam ambientes múltiplos para satisfazerem suas necessidades de habitat. A área necessária para populações de espécies ou comunidades modelo ou sistemas ecológicos terrestres de escala ampla está situada entre 8.000 e 400.000 ha;

(d) escala regional - pertencem a esta escala as espécies que dependem de vastas áreas, como os mamíferos migratórios e grandes predadores, aves migratórias, morcegos, insetos, e peixes que migram longas distâncias. Para sustentar uma única população, freqüentemente requer-se de áreas maiores que 4.000.000 de hectares ou centenas de quilômetros, com matriz terrestre natural ou semi-natural, corredores ecológicos interligados e habitats bem preservados.

2.2.6 Análises do uso de habitats e das influências da estrutura da paisagem