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Tr` es fortes densit´ es de greffage : quelques interrogations sur

CHAPITRE 5 : R ˆ OLE DES CHAˆ INES GREFF´ EES EN FRICTION 57

5.3 Effets collectifs

5.3.2 Tr` es fortes densit´ es de greffage : quelques interrogations sur

Ao fazer as três classificações de mídia, Harry Pross considera o homem como "mídia primária". Sendo a contação de história um ato que usa primordialmente a mídia primaria, não existe esta comunicação sem o corpo humano.

Impensável qualquer interação de um indivíduo com outros indivíduos sem o corpo e suas muitas e múltiplas linguagens, os sons, os movimentos, os odores, os sabores e as imagens que se especializam em códigos, conjuntos de regras com seus significados, "frases" e "vocábulos" corporais. O franzir do cenho, as rugas e os vincos, o leve e sutil microgesto das sobrancelhas que acenam, o dançar das mãos, o dar os ombros, os milhares de olhares, o muxoxo, o riso, o sorrir e o gargalhar, o choro e o choramingo, a infinidade de nuances de movimentos labiais, a voz e suas modulações, o sentar-se e o estar sentado, qualquer que seja o movimento ou sua ausência, haverá sempre um sentido, uma mensagem a ser lida por um corpo vivo diante de outro corpo (BAITELLO, 1999, p. 44 ).

Um contador de história tem uma função bem diferente daquela de um ator, principalmente no escopo deste trabalho que vê a contação de história como um meio de comunicação que visa, primordialmente, incitar a imaginação do receptor. Nesta situação, o contador procura equilibrar a descrição com a representação de alguns dos personagens, principalmente da história que, quanto mais fiel e convincente for, melhor irá suscitar o encantamento desejado.

A expressão corporal do narrador será a composição das suas expressões faciais e dos gestos feitos com as mãos, braços e troncos, ou seja, da cintura para cima, uma vez que irá narrar a história, geralmente, sentado. É importante ressaltar mais uma vez que a posição sentada, com os ouvintes ao redor é a que melhor se adequará ao vínculo comunicativo e afetivo que se deseja criar.

A narração irá se desenvolver, na maioria dos momentos, através do relato dos fatos, com, algumas vezes, o narrador encenando algumas falas de um ou dois personagens principais. Durante o relato, o narrador irá utilizar mais expressões faciais e gestuais capazes de transmitir as emoções adequadas a cada passagem, enquanto que, nas falas, será adequado usar técnicas de representação.

O êxito da narração irá depender bastante da preparação do narrador. Assim, ele “deve aprender a ver-se, a trabalhar seu corpo e partes deste como um artista ao misturar as cores. Observando o efeito, preparando um quadro” (AZEVEDO, 2004, p.135).

O ator empresta o seu corpo ao personagem. Deste modo, a primeira coisa que ele necessita fazer é despir-se dos seus próprios trejeitos, que são a sua maneira de interagir com o mundo para, depois, introjetar a maneira como o personagem se intercambia com o mundo. “ Esse duplo enfoque: corpo-realidade do eu, corpo-ficção do autor fundem-se numa mesma concretude, dois modos de ser que são e não são a mesma coisa” (AZEVEDO, 2004, p.135).

A principal matéria-prima para o êxito de uma expressão corporal adequada à transmissão é a imaginação. Assim, o ator deve imaginar o ambiente onde a história se desenrola, entender as características de cada personagem e como são as interações entre um e outro.

É por essa razão que o narrador deve saber mais da história do que ele irá contar e isto se conseguirá, não só através da pesquisa externa, como no exercício de sua imaginação, que complementa o que não foi escrito, não foi dito ainda.

Ao ator parece necessário que continue também a pensar por imagens, pois estas atingem, de imediato, uma área de grande importância em seu trabalho, que é afetiva. No artista e também no ator-artista, há uma contribuição intensa do pré-consciente e do inconsciente (AZEVEDO, 2004, p.152).

Azevedo (2004) ensina que a seqüência para a preparação do ator é a descoberta e utilização do corpo-instrumento, que é entender que o seu corpo está a serviço e, portanto, deve-se abandonar; em seguida deve investigar como seria o corpo- símbolo,, ou seja, como seriam as emoções do personagem e como elas se externariam; por ultimo, a criação do ’corpo-signo’, ou seja, como ele com seu corpo irá produzir o signo que transmita aquele símbolo.

O corpo deve acompanhar o que está sendo descrito. Todo o corpo fala e complementa a história: a posição do tronco, os braços, as mãos, os dedos, a

postura dos ombros, o balanço da cabeça, as contrações faciais, as expressões dos olhos.

Os gestos devem ser coerentes com a narração, usados para reforçá-la: abrir os braços quando alguém é bem-vindo, pôr as mãos na cabeça em sinal de “susto”, “abraçar-se” em sinal de aconchego.

O semblante comunica as emoções interiores. São inúmeras as expressões faciais utilizadas para comunicar, elas poderão representar determinadas emoções momentâneas: tristeza, alegria, surpresa ou espanto. Ou a personalidade de seus personagens: alguém muito refinado ou medroso. Ou o sentimento que aquela história traz ao próprio narrador: encantamento, tristeza, revolta.

A linguagem corporal estuda a forma que a mente projeta na silhueta características de como um indivíduo encara o mundo a sua volta. É uma linguagem cujo significado, que determinada pessoa quer dar a algo que se passa em sua mente, se expressa no movimento. Norval Baitello (2005) ensina que é imperioso também enxergar o corpo enquanto texto. Assim, o corpo do narrador será a base onde seus olhos, pescoço, tórax, braços e mãos escreverão a altivez do rei, a cólera da bruxa, a delicadeza misteriosa da fada e o amor do príncipe.

Pierre Weil e Roland Tompakow (1986) escreveram o livro O corpo fala, em uma tentativa de elaborar um manual dessa linguagem corporal. Esses autores analisaram a simbologia da esfinge assíria de Khorsabad, chamada de Kerub que apresenta um corpo de boi, um tórax de leão e as asas de águia, encimada pela cabeça de um homem. Segundo esta tradição, cada animal, representando uma parte do corpo, tem também uma correspondência psicológica. Assim, o boi, estando no lugar do abdome, representa a vida instintiva, o leão, no tórax, a vida emocional e a águia, estando próxima da cabeça, a vida intelectual.

Para efeito das considerações deste tópico, a análise do tórax e das asas se torna importante. O leão ocupa o lugar do tórax que é onde fica o coração e o “centro do EU” (Weil, 1986); assim, o tórax estufado indica a preponderância do “EU”; já um tórax encolhido indica timidez, retração, submissão. Um tórax em posição normal,

ereto e aberto, significa um “EU” equilibrado, destemido e “de coração aberto”. Posição indicada para um contador de história seguro e disposto a compartilhar suas emoções.

A cabeça, que é representada pela águia, traz a leitura do controle mental; se jogada para trás, com o queixo levemente levantado, significa altivez, arrogância; ao contrário, a cabeça baixa, com o queixo perto do peito, significa submissão. A cabeça em posição normal significa um controle da mente. O contador poderá assumir a posição da cabeça ligeiramente erguida para cima, demonstrando, juntamente com o peito aberto, que tem condições emocionais e intelectuais de ser um bom condutor da sua platéia.

A expressão facial e, principalmente, os gestos devem refletir os sentimentos concorde com o enredo e estritamente o necessário. É comum o erro de se confundir a necessidade de expressão com a grande quantidade de gestos e com a grande intensidade de manifestação. A excessividade de gestos e o exagero causam ruídos na comunicação, prejudicando o correto entendimento.

Toda a criação da imaginação do ator deve ser minuciosamente elaborada e solidamente erguida sobre uma base de fatos. O ator deve estar apto a responder as perguntas (quanto, onde, por que, como) que ele deve fazer a si mesmo enquanto incita suas faculdades inventivas a produzirem uma visão, cada vez mais definida, de uma existência de “faz de conta”.