Évaluer la durabilité de l'aménagement
2.3 L'application : une étape délicate
2.3.2 Tentatives d'innovations méthodologiques
As relações familiares são muito importantes no processo do aprendizado cognitivo e emocional do mundo. A partir destas relações é que a identidade vai se construindo, como exemplifica Ciampa (1984), ao dizer que a Identidade é pressuposta mesmo antes do nascimento, onde se é filho de alguém dentro de uma estrutura que se mostra muito mais flexível em sua configuração nos dias atuais.
Na primeira entrevista, utilizou-se a pergunta “Como é sua família?”, que foi substituída nas demais entrevistas por “Como está sua família?”. Para facilitar a expressão dos participantes foram utilizadas, por diversas vezes, perguntas auxiliares direcionadas aos seus relacionamentos com membros específicos da família, como pai, mãe, dentre outros; ou ainda a situações específicas, como por exemplo: “e sua família nesta situação?”
Deseja-se saber sobre este arranjo familiar, no que concerne às relações entre pais, filhos e irmãos, bem como entre outros membros da família que o participante considere importantes. Procura-se saber a respeito do modo pelo qual o participante percebe, no momento atual, os papéis que cada um desempenha na família e bem como um pouco de sua história familiar.
A expressão sobre este tema toca em aspectos como estratégias da família para lidar com as dificuldades, o modo como ela influi no projeto de vida do jovem, além de outras questões.
4.4.1.3 Relações Sociais
Este tema diz respeito às relações que se estabelecem fora da família, da escola ou do trabalho. Deseja-se saber a respeito de como o sujeito lida com o mundo “da rua”, como estabelece, ou estabeleceu esta qualidade de relacionamento, sejam eles de amizade ou amorosos, na participação de grupos religiosos, artísticos, políticos, esportivos, na convivência com vizinhos, dentre outros aspectos que o participante queira mencionar.
Para isto as perguntas “Como são/estão amizades?Como são/ estão suas relações amorosas?”. A partir da segunda entrevista com cada um estas perguntas já ficaram mais flexíveis, abordando o assunto do modo como cada participante o trata.
4.4.1.4 Formação Escolar/Profissional
Em linhas gerais, pode-se dizer com Vigostski (2003) que toda educação é uma intervenção planejada no sentido de facilitar o desenvolvimento. Como prática humana a educação é forjada numa estrutura social e econômica que inscreve nela seus objetivos, podendo ser repensada e reestruturada.
Esta temática diz respeito a como aconteceu, ou ainda acontece, a vida escolar, ou qualquer outra atividade de formação dos participantes. Este tema foi abordado somente na primeira entrevista, por se tratar de um momento passado. Caso o participante desejasse citar novos fatos ou outras visões, poderia fazê-lo espontaneamente. Caso fosse citada alguma atividade de formação atual, ela seria incluída nas demais entrevistas.
Iniciava-se a conversação sobre o assunto através da pergunta: “Como foi sua vida escolar?”. Uma pergunta abrangente apenas orienta o participante na direção do aspecto desejado e deixa-o livre para ressaltar o que foi mais marcante, sejam as experiências escolares iniciais, o contato com professores, a instituição ou o próprio fato de estudar e como se sentia nesse processo.
4.4.1.5 Período de Transição
A situação de transição, que se inicia no momento em que o sujeito decide procurar trabalho, passa pelos comportamentos, estratégias e sentimentos envolvidos nessa busca e estende-se até o momento em que se consiga o objetivo desejado, que é o trabalho atual. As perguntas a respeito desse período foram diluídas na entrevista. A pesquisadora preferiu preservar a continuidade da conversação apenas indicando alguns pontos através de perguntas como “como foi o período depois de terminar os estudos?” ou “como era antes de começar a trabalhar?”. São perguntas que fazem sentido dentro do contexto da entrevista e facilitaram a expressão de questões como:
- os motivos da busca por trabalho. - a escolha profissional .
- a negociação que o sujeito faz consigo mesmo, entre seus desejos e as possibilidades que a realidade apresenta.
- a decisão de assumir o trabalho. - O tipo de trabalho que se realiza. - A possibilidade da perda desse trabalho. - Novas tentativas de recolocação.
- A relação da busca de trabalho e a continuidade da escolarização. - O trabalho e a possibilidade de concretização do projeto de vida.
A temática do período de transição foi abordada somente na primeira entrevista, pois se tratava de um momento passado. Compreendeu-se que, se os participantes tivessem novas reflexões, ou desejassem retornar à temática de algum modo, eles o fariam espontaneamente, como de fato aconteceu. Alusões ao tema foram feitas pelos participantes na terceira entrevista.
4.4.1.6 Relações Profissionais
As perguntas “Como é que são/ estão suas relações de trabalho?” e “Como é/está o seu trabalho?”, sendo “ser” e “estar” respectivos à primeira e demais entrevistas, visam a facilitar a expressão dos participantes a respeito do mundo específico, com códigos próprios, que é o mundo do trabalho do qual passam a fazer parte.
No universo do trabalho, os participantes vão lidar com atividades que exigem deles uma quantidade de esforço, durante um tempo determinado, dentro de uma distribuição
com outros, num microsistema que está em relação com uma situação social. Suas atividades estão dentro de uma hierarquia, são supervisionadas e acontecem em condições físicas propícias ou não. As empresas nas quais os participantes trabalham têm modelos de gestão que vão dar mais ou menos espaço para participação, possuindo disciplina mais ou menos rigorosa. A estabilidade do contrato de trabalho varia. Os participantes podem ou não perceber chances de desenvolvimento profissional. Por serem novatos na empresa enfrentam, por um lado, desconfianças e, por outro, encontram apoio.
Através desta temática procura-se compreender como o sujeito estabelece relações com o próprio trabalho, com o fato de trabalhar e com a atividade que desempenha. Aborda também como eles interagem com o ambiente de trabalho, com colegas e superiores. Aqui começa a ser registrado um novo modo de existência, diferente do que os sujeitos tinham experimentado na escola e no período de inserção. No trabalho, os participantes lidam com contextos externos e internos à empresa e refletem sobre sua posição em meio a tais questões.
4.4.1.7 Expectativas
Através dessa temática é possível ter acesso à dimensão do vir-a-ser na Identidade, além de aprofundar a compreensão de outras categorias abordadas no Referencial Teórico desse estudo, como: Conscientização (FREIRE, 1980), Ideologia de Submissão e Resignação (GÓIS, 1993), Fatalismo (MARTÍN-BARÓ, 1998), Valor Pessoal (GÓIS, 1993) e Poder Pessoal (GÓIS, 1993; ROGERS, 1989).
“Expectativas” refere-se ao modo como o sujeito se vê no futuro. A partir dessa temática é possível observar como o jovem relaciona futuro e presente, se são apontadas mudanças na situação e a que ele as atribui. É relevante tentar compreender também se o jovem aborda a questão “Como você se vê no futuro?” ou “O que você espera do futuro hoje?” pela via do sonho ou do planejamento.
4.4.1.8 Percepção de Si
A construção deste tema baseia-se nas noções de autoconceito (VILLA SÁNCHEZ; AUZMENDI ESCRIBANO, 1999), de auto-análise e de autoconsciência (LURIA, 1990). O autoconceito diz respeito ao que o participante da pesquisa elabora a respeito de si mesmo, o que fala sobre si, quais as características que ressalta e os sentimentos relativos a estas características. A auto-análise e autoconsciência são os processos de
percepção das próprias qualidades e aparecem na pesquisa através de falas semelhantes às descritas anteriormente. A partir desta noção, é que a pergunta “Como você se vê hoje?” e outros questionamentos relativos às características que os participantes atribuem a si mesmos ganham importância.