No Capítulo Dois foi feito um pequeno histórico sobre a importância da LE atualmente. Em síntese, falou-se do significativo papel que a língua, em geral, exerce na história das sociedades, pois os seres humanos, enquanto formadores de um corpo social, sempre terão a necessidade de manter contato uns com os outros. Também se destacou a influ- ência que o atual mundo globalizado desempenha sob o ensino de LE.
É em um cenário político e econômico, ou seja, de um mundo que ao mesmo tempo em que se diz globalizado, divide-se em blocos econômicos, que se insere o ensino de língua espanhola no Ciear.
A necessidade de manter intercâmbio com os países vizinhos, tendo todos como língua oficial o castelhano, fez com que a FAB se visse na obrigação de implementar esse idioma em suas escolas de formação e pós-formação.
Em outubro de 1996 foi criado o Curso Experimental de Língua Espanhola, que era ministrado por professores civis contratados e que utilizavam o material Vidas
y diálogos de España. Em junho de 1997, atendendo às necessidades do então Minis-
tério da Aeronáutica, realizou-se o primeiro dos três cursos efetivamente propostos para aquele ano. Nele, utilizou-se o mesmo material didático do curso experimental do ano anterior.
No ano de 1998 há uma mudança no material, devido, especificamente, a proble- mas com direitos autorais, tendo em vista que o anterior era fotocopiado – na íntegra – e entregue aos alunos. Em momento algum, segundo relatos, pensou-se em modificá- -lo por questões pedagógicas ou didáticas. Com isso, passou-se a utilizar um conjunto de livros produzidos pela editora O Globo, que podiam ser comprados em bancas de jor- nal. Porém, eles seguiam sendo emprestados sob cautela aos alunos, que os devolviam ao fim do curso. Vale ressaltar que esse material possuía uma única edição, não haven- do, assim, textos atuais para serem trabalhados. Como exemplo, deve-se citar textos de 1983 como os mais recentes presentes nos livros.
Em 2005 o centro recebe duas professoras civis aprovadas em concurso público para ocuparem o quadro do Magistério da Aeronáutica. Com isso, o corpo docente pas- sa a ser formado por dois militares e duas professoras civis, rompendo o contrato com as antigas docentes.
Somente em 2006, após uma intensa análise, levando em consideração a parte pe- dagógica e didática, além de ajustar a prática em sala de aula ao real objetivo do ensino de língua espanhola para os militares e civis do Comaer, o material sofre uma profunda modificação. Passa-se a trabalhar, desde o primeiro curso do primeiro semestre letivo daquele ano, com os dois volumes do Nuevo Ven (CASTRO; MARÍN; MORALES, 2004a, 2004b), que possui método comunicativo e sofre revisões periódicas. Nos três cursos realizados naquele ano utilizou-se esse material, em seus dois volumes.
Antes de começar a analisar os materiais propostos, cabe descrever, de maneira bem simples, o método comunicativo. Ele não diz respeito aos vários saberes que são transmitidos, mas sim ao modo como se realiza a sua transmissão. Ele se caracteriza
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por ações conscientes, planejadas e controladas. Ou seja, os métodos de ensino são as formas por meio das quais os professores trabalham os diversos conteúdos com a fina- lidade de atingirem os objetivos propostos. Compreende as estratégias e os procedi- mentos adotados por professores e alunos no processo ensino-aprendizagem.
Esse método é a categoria mais dinâmica do processo de ensino-aprendizagem, uma vez que é determinado por objetivos que mudam em função do dinamismo da re- alidade sociocultural em que o processo está inserido.
O método comunicativo, em si, é uma abordagem no ensino de línguas que prima pelo foco no sentido, ou seja, no significado, na interação entre os falantes, sua intenção e funções linguísticas. O ensino de paradigmas gramaticais fica em segundo plano. Se- gundo Almeida Filho (2005, p. 37), o que caracteriza um método como comunicativo é a ênfase dada na produção de significados mais do que na forma do sistema gramatical.
Compreende-se, então, que o professor, em uma aula que utiliza esse método, age como coordenador e facilitador da aprendizagem, providenciando materiais e circuns- tâncias para que o aluno pense e interaja na língua-alvo, abrindo espaços para que ele aprenda e sistematize conscientemente aspectos escolhidos da nova língua. Normal- mente são realizadas tarefas em pares ou grupos, colaborativas ou dramatizações.
Como a finalidade deste artigo é analisar de que forma os objetivos do ensino de idiomas na FAB são trabalhados nos cursos de língua espanhola do Ciear, pensou-se ser fundamental considerar os materiais utilizados nos citados cursos, bem como a na- tureza das atividades propostas nas aulas. Isto se dá pelo fato de que, a partir do mo- mento em que se tem uma base do que vem sendo feito em sala de aula, pode-se detec- tar se o que é proposto realmente ocorre na prática.
Retornando ao ensino de língua espanhola no Ciear, ressalta-se que durante os anos de 2006 e 2007 utilizaram-se os dois volumes do material Nuevo Ven. O curso cha- mava-se Curso de Língua Espanhola e era ministrado em trinta dias letivos, em horário integral, conforme o anterior.
Porém, as professoras verificaram que havia uma carga muito grande de conteúdos para um período pequeno de instrução. Isto tinha como consequência extrema falta de tempo para a realização de atividades-extras, como: práticas de compreensão auditiva; elaboração de diálogos em sala de aula; leitura de textos atuais; de diversos tipos e gê- neros; atividades com filmes e músicas etc.
No final de 2007, propôs-se ao Departamento de Ensino da Aeronáutica (Depens) uma mudança na estrutura do curso, que passaria a ter duas modalidades: o Básico (CLE-B) e o Intermediário (CLE-I), no qual ambos seriam ministrados com a mesma carga horária. A mudança foi aceita e desde 2008 há dois cursos: a) o Básico, que utiliza o Nuevo Ven 1, durante trinta dias letivos, em horário integral; e b) o Intermediário, que utiliza o Nuevo Ven 2, com as mesmas particularidades do primeiro.
No CLE-B (ANEXO A) são trabalhadas várias atividades-extras para complementar a instrução, além das propostas no material didático. Nesse curso, os alunos assistem a alguns documentários curtos, fazem exercícios de compreensão auditiva em situações reais de comunicação, elaboram diálogos e ouvem os docentes falando na LE desde o
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primeiro momento de aula. Todos os textos trabalhados em sala de aula e os diálogos preparados pelos alunos tratam de temas atuais e relacionados, muitas vezes, às suas atividades diárias de trabalho.
O CLE-I (ANEXO B) também trata de temas da atualidade, toda a parte auditiva é gravada por nativos e em locais diversos, além de propostas para trabalhos em gru- pos e redações a fim de capacitá-los para redigirem um documento, ou um simples recado em LE, já que, muitos exercerão funções administrativas em outros países. Os alunos apresentam um trabalho oral, no qual devem expor sobre determinado as- sunto, que é escolhido previamente. Toda a turma assiste, junto com dois docentes avaliadores, e podem interromper para fazer questionamentos, com a finalidade de enriquecer a exposição.
Todas as atividades (orais e escritas) passadas aos alunos são avaliadas pelos pro- fessores, que sempre lhes dão um feedback, para que tenham conhecimento do que deve ser aprimorado.
Nesse curso, destacam-se ainda os mais variados textos relacionados à cultura dos países latino-americanos e da Espanha. A música, a literatura, a política e a arte estão presentes em todas as unidades do material didático do CLE-I, já que os docentes pen- sam, assim como Revuz (1998), que aprender uma língua é tornar-se o outro, buscando a sua cultura.
Segundo os docentes, o alto nível do curso permaneceu devido, principalmente, ao fato de que mais atividades comunicativas foram agregadas ao programa, haja vista que trabalham com a mesma carga horária, mas com um livro a menos. Os tempos de aula previstos para esse livro de quinze unidades foram substituídos por distintas tare- fas elaboradas pelos próprios professores.