Para que a implantação do modelo anteriormente descrito produza resultados satis- fatórios, outras medidas devem ser tomadas. A promulgação de leis específicas para a formação de professores de línguas é um bom exemplo de medidas que necessitam ser tomadas com o intuito de formar professores de línguas para atuar nas nossas sa- las de aula.
Além do “novo” modelo, propomos algumas mudanças que se mostram necessá- rias, para darmos à língua estrangeira a importância devida, das quais destacamos:
– aumento na duração mínima dos cursos presenciais de Letras com licenciatura dupla de três para quatro anos, o que poderia propiciar uma formação de qualidade principalmente nos cursos noturnos, que promovem a formação geralmente com con- dições precárias.
O aumento de um ano no processo de formação e o consequente aumento da carga horária poderiam facilitar no desafio de se ensinar uma LE durante o curso, pois com a reestruturação curricular a carga horária reservada para a LE poderia dobrar.
– Instauração de um currículo mínimo para as licenciaturas em Letras que contem- plem as necessidades básicas de um professor de línguas em seu contexto de atuação, a fim de unificar ou padronizar um “conhecimento básico mínimo” necessário para a atuação profissional em qualquer contexto.
A promoção da autonomia das IES pelo Parecer nº 492/2001 não obteve o êxito es- perado, pois muitas IES não seguiram o modo como está descrito. A formação de pro- fissionais críticos, por exemplo, não acontece em muitas IES ao redor do país; a dicoto- mia entre teoria e prática continua latente em muitas dessas instituições e a incidência de iniciação à pesquisa é praticamente nula em muitas IES.
Além disso, os diversos currículos que são atualmente aplicados ao redor do país não promovem o desenvolvimento das competências mínimas, necessárias ao profes- sor de línguas para o desenvolvimento de sua prática.
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– Obrigatoriedade de pelo menos uma disciplina de LA durante todo o percurso da formação inicial, visando contemplar todos os possíveis acontecimentos que ocorrem no contexto profissional.
No início do curso, essa disciplina poderia discutir a postura de docentes, por meio de sessões de visionamento (VIEIRA-ABRAHÃO, 2006, p. 227), o que poderia servir para a formação reflexiva de professores, além de dar início ao contato dos docentes em formação inicial com o seu contexto de atuação logo no primeiro semestre do cur- so, ajudando a eliminar a precariedade do estágio supervisionado, da forma como é aplicado hoje.
– Obrigatoriedade do estágio supervisionado desde o início do curso.
Inicialmente, o trabalho poderia ser feito em parceria com a disciplina de LA, por meio dos processos de reflexão e pela introdução das teorias de aquisição de línguas, por exemplo, o que em muitas IES não acontece durante o curso de formação inicial.
– Obrigatoriedade de disciplinas que ajudem o professor de línguas a atuar com a diversidade das salas de aula brasileiras nas diferentes regiões, evidenciando a forma- ção inclusiva pela qualidade como quesito básico para a formação inicial.
Ainda hoje no Brasil, professores egressos de cursos de licenciatura vão para as sa- las de aula despreparados para atuar frente às necessidades especiais encontradas em seu ambiente de trabalho. É comum encontrarmos professores que têm na sua sala alunos portadores de necessidades especiais, sem saber como enfrentarão esse desafio. Tal fato se mostra contraditório à realidade do cenário brasileiro, no qual o número de crianças sequeladas por doenças e/ou acidentes e nascidas com deficiências tem au- mentado consideravelmente.
– Instauração de um exame de proficiência para os egressos dos cursos de Letras, o que proporcionaria uma preocupação das IES com a qualidade de seus cursos de for- mação de professores de línguas.
O Exame de Proficiência para Professores de Línguas Estrangeiras (EPPLE) – de- senvolvido pelo GT de Avaliação, liderado pelo professor Doutor Douglas Altamiro Consolo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São José do Rio Preto/ SP, em conjunto com diversos pesquisadores brasileiros, como a professora Doutora Vera Lúcia Teixeira da Silva e o professor Doutor Hélcio Lanzoni –, está disponível on-
-line e é um exemplo de avaliação capaz de atender às necessidades do nosso país. O
exame contempla tanto o conhecimento da L-alvo quanto os conhecimentos pedagó- gicos e metodológicos necessários ao professor egresso dos cursos de Letras à atuação profissional em qualquer contexto.
– Criação de um conselho ou associação, em nível nacional, que possa gerenciar e criar um plano de capacitação de professores em serviço para a aquisição das com- petências mínimas para o cargo, bem como capacitá-los, de forma que todos os pro- fessores de línguas do país pudessem ter a mesma formação mínima para o cargo; e, finalmente,
– a criação de um conselho de ética profissional que elabore e regulamente um pla- no de ética para os professores de línguas, com o intuito de promover a igualdade social
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entre seus pares, contribuindo para a melhoria da qualidade da formação inicial desses profissionais.
A implantação e a implementação dessas medidas podem contribuir para a melho- ria da qualidade dos cursos de formação de nossos professores de línguas em todo o território brasileiro.
Fazendo uso das palavras de Leffa (1999, p. 13), “a história tem demonstrado que um povo incapaz de usar o passado para prever o futuro não está apenas condenado a repe- tir os erros do passado, mas fadado à extinção.”
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CAPÍTULO 8