Chapitre 2 Dire et écrire les violences contre les Kasaïens
2. De la surinterprétation et de la sous-interprétation des « provocations » des Kasaïens
De acordo com Mitchell e Carson (1989), podem aparecer vieses em uma aplicação do MVC. Os principais vieses serão descritos a seguir.
O viés estratégico está relacionado à percepção dos entrevistados sobre a obrigação de pagamento e às suas perspectivas quanto à provisão do bem em questão. Se o entrevistado tiver a sensação de que realmente pagará o valor por ele citado na pesquisa, tenderá a responder valores abaixo de suas verdadeiras
48 preferências. Isto decorre do fato de que o usufruto dos bens ambientais, em muitos casos, não está vinculado ao pagamento, ou seja, a partir do momento que alguém pagou pelo bem ambiental, pode ser extremamente difícil, ou impossível, a exclusão do consumo de outras pessoas. Diante desta situação, o indivíduo, partindo do pressuposto que outros estarão dispostos a pagar o suficiente para garantir a provisão do bem, tende a ter um comportamento de carona, estipulando, assim, sua DAP abaixo do valor real. Outra forma de viés estratégico ocorre quando o indivíduo sente que, ao invés do preço estar vinculado a sua "verdadeira" DAP, a sua resposta poderá influenciar a decisão sobre provisão do bem, mas não sofrerá os custos associados a ela. Neste caso, poderá revelar valores elevados quanto a sua DAP e, assim, garantir o aumento no bem-estar conseqüente da provisão daquele bem ambiental. Com vistas a minimizar a ocorrência do comportamento estratégico, recomenda-se atenção com a estrutura das perguntas para que estas não sejam indutoras desse comportamento (MOTTA, 1997).
O viés do entrevistador está relacionado ao fato de que, dependendo da maneira de agir ou da aparência do entrevistador, os entrevistados podem se sentir desencorajados a oferecer valores baixos, mesmo que estes representem as suas verdadeiras DAPs ou DAAs. Conforme destacou Motta (1997), quando o entrevistador descreve o ativo ambiental como algo moralmente desejado ou apresenta-se extremamente educado ou atraente, o entrevistado tende a oferecer lances altos para impressionar ou se mostrar inibido a propor lances baixos. Entretanto, se o entrevistador apresenta-se mal arrumado ou não se comunica bem, os entrevistados podem se desinteressar pela pesquisa. Alternativas como, por exemplo, pesquisas por telefone ou por correio resultam em outros problemas, tais como, viés hipotético ou baixo retorno dos questionários, respectivamente. Portanto, recomenda-se a utilização de entrevistadores profissionais que por treinamento e experiência podem apresentar-se de forma neutra mais facilmente, atendo-se ao estritamente apresentado no questionário, o qual, inclusive, deverá oferecer ao entrevistado alternativas de respostas previamente preparadas (DUBEUX, 1998).
Quanto ao viés do ponto de partida, este ocorre quando o primeiro lance proposto acaba por influenciar significativamente o lance final. O valor inicial de um formato referendo ou de um jogo de leilão pode influenciar a valorização final,
49 causando superestimação caso seja apresentado um valor muito alto, ou subestimação caso o valor apresentado seja muito baixo (MOTTA, 1997). Este viés está associado ao uso do método referendum, podendo ser minimizado por intermédio do uso de cartões de pagamento, situação em que o entrevistado escolhe um lance entre vários apresentados numa escala de valores dada. Este método pode, no entanto, resultar no chamado "ancoramento" (vinculação a priori) da resposta à escala sugerida no cartão. Para minimizar este viés, há que se estimar da forma mais precisa possível os pontos máximos e mínimos da DAP ou DAA de maneira que o menor lance apresentado seja aquele que será aceito por todos e o maior seja rejeitado por todos (DUBEUX, 1998).
O viés de variedade acontece quando o entrevistado ao revelar a verdadeira medida, fica condicionado aos valores propostos na pesquisa, como no caso da utilização da técnica de cartões de pagamento ou jogos de leilão. O viés de relação surge quando o ativo ambiental está ligado a outro bem público ou privado, e acaba influenciando as respostas do entrevistado. O viés de importância aparece quando o entrevistado deduz que o bem ambiental apresenta valor considerável, já que está sendo realizados gastos e pesquisa para determinar o valor do bem. Ligado ao viés citado anteriormente, tem-se o viés de posição, que surge quando a ordem em que são feitas as questões de valoração, sobre níveis distintos de um bem ambiental, influencia o entrevistado na forma como esses níveis devem ser valorados (CIRINO, 2005).
O viés hipotético considera que mercados criados hipoteticamente podem gerar valores que não correspondem a reais preferências individuais tendo em vista que se tratam de simulações. No entanto, encontram-se valores muito próximos entre DAP de mercados hipotéticos e simulações de mercado onde há transação real em dinheiro. O mesmo não ocorre com DAA, cujos testes revelaram menor similitude entre DAA hipotética e DAA real, atribuindo-se tal diferença à pouca experiência dos entrevistados com mecanismos de compensação por reduções em seu padrão de bem-estar. Recomenda-se, para minimização do viés hipotético, a utilização sempre que possível de DAP e não de DAA, além da construção de cenários plausíveis que inspirem credibilidade (DUBEUX, 1998).
50 O viés “parte-todo” considera que as questões ambientais são capazes de sensibilizar as pessoas que tenha uma visão adquirida sobre a natureza está associada a crenças morais, filosóficas e religiosas. Essa característica faz com que surja o chamado problema da Parte-Todo, onde o entrevistado tende a interpretar a oferta hipotética de um bem ambiental específico, apresentado na entrevista, como algo mais abrangente. Trata-se da dificuldade de distinguir o bem específico (a “parte”) de um conjunto mais amplo de bens (do “todo”). Neste sentido, o problema se manifesta quando a agregação dos valores referentes à DAP de um indivíduo, obtida em várias aplicações da valoração contingente para distintos bens, expressa um valor maior que o total da renda deste disponível para melhoria dos bens e serviços ambientais em geral (MOTTA, 1997).
O viés da informação pode surgir em função da forma como é conduzida a apresentação ao usuário das questões relativas ao bem que se está estudando, como também à qualidade da informação. Em função da natureza hipotética do método, informações detalhadas com o uso de recursos visuais, podem facilitar o entendimento do que se pretende valorar e, dessa forma, reduzir a sua influência (SOUSA e MOTA, 2006).
O viés do veículo (ou instrumento) de pagamento pode ocorrer em razão da escolha do veículo de pagamento. Por exemplo, os indivíduos podem preferir pagar uma taxa X para entrar em um parque, a um aumento X em impostos. A alternativa é escolher uma forma que tenha semelhança com sistemas utilizados em situações similares reais (DUBEUX, 1998).
O viés da obediência (ou caridade) se manifesta pelo constrangimento das pessoas em manifestar uma posição negativa para uma ação considerada socialmente correta, embora não o fizessem se a situação fosse real. No método referendo com acompanhamento, por exemplo, o entrevistado tema tendência a aceitar todos os valores subseqüentes para manter uma disposição manifestada anteriormente. Uma solução é a criação mecanismos que forjem o comprometimento real do entrevistado como, por exemplo, um termo de compromisso assinado (MOTTA, 1997).
O viés da subaditividade ocorre quando a DAP para o conjunto de serviços ambientais é inferior à DAP para os mesmos serviços se fossem apresentados em
51 separado e decorre das possibilidades de substituição entre os vários serviços em questão. Este problema pode ser superado na elaboração de um questionário que explicite tais possibilidades de substituição, quando a decisão for favorável à mensuração de valores relativos às variações de disponibilidade em separado (DUBEUX, 1998).
O viés da seqüencia de agregação acontece quando a medida de DAP ou DAA de certo bem ou serviço ambiental varia se mensurada antes ou depois de outras medidas de outros bens ou serviços que podem ser seus substitutos. Para contornar este problema, o deve-se julgar um critério que defina a seqüencia de mensuração, de acordo com sua possibilidade de ocorrência, ou especificar com clareza no questionário, que outros recursos ambientais substitutos continuarão em disponibilidade (MOTTA, 1997).
Como as técnicas de valoração ambiental constituem-se em um ramo relativamente recente da teoria econômica, as criticas e objeções ao MVC não invalidam o método. Pelo contrário, estas motivam o cada vez mais o desenvolvimento de pesquisas no intuito de aprimora as técnicas, visando ao seu aperfeiçoamento (CIRINO, 2005).