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Subj1 vs. Subj2 in the context of BlkS

3 Subjunctive complements in Balkan Slavic (BlkS)

3.2 BlkS distribution: Description

3.2.1 Subj1 vs. Subj2 in the context of BlkS

A experiência apresenta traços estéticos e morais que não podem ser separados. Aquilo que Dewey chama de verdade gravita em torno da experiência, não de conceitos abstratos. A lógica deve ser vista como invenção humana, portanto, como algo contingente. O problema está em permanecer fixado a uma tradição que supervaloriza lógica e método cientifico, acreditando serem estes os únicos critérios de determinação de um conhecimento merecedor de crédito, ao passo que a estética perde dignidade e é banida para espaços pouco sérios, como mera excentricidade.

A filosofia ocidental é marcada pelo abandono da cena presente336, tal repúdio ao concreto, além de distanciamento da verdade (em sentido deweyano), gera perturbação em vários aspectos da vida. O apego a abstrações está, sem dúvida, conectado ao desejo humano de encontrar algo certo, capaz de propiciar segurança, ao invés de se deixar levar por acontecimentos contingentes e imprevisíveis337. Para Dewey, a prática da liberdade e da

334A desmistificação dos pressupostos metafísicos do cientificismo moderno é uma das marcas do pragmatismo clássico cf. DEWEY, John: Experiência e Natureza (cap I e V). São Paulo: Abril Cultural, 1985 (Os Pensadores). P.20-30 e PEIRCE, Charles S. : The fixation of Belive in “Popular Science Monthly 12 (November 1877), 15. www.peirce.org/writings/p107.html. Acesso em dezembro/2004.

335 RORTY, Richard: Ensaios sobre Heidegger e Outros. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1999. p. 48 336 DEWEY, John: Reconstruction in Philosophy. Mineola: Dover, 2004. P VII.

democracia é obstruída pelo distanciamento da experiência e de sua expressão artístico-estética proveniente da atitude cientificista.

O clamor é, portanto, por uma aproximação do que é concreto; ao invés da fixação em propriedades genéricas e a-históricas, dar atenção aos detalhes e as sutilezas dos eventos. A proposta segue em direção a um modo de lidar com a experiência e a aceitá-la na sua contingência, isto leva a compreender a instabilidade não como obstáculo a ser superado, mas no seu aspecto fundamentalmente criador. O apelo ao presente é também um chamado à estética, cujo teor envolve um ato de percepção, isto é, deixa-se afetar pelo fluxo de uma experiência.

Percepção deve ser compreendida como receptividade contínua, remete a um processo em que uma série de atos e respostas acumulam-se e seguem em direção à culminância. É recriação (não passividade) dentro de jogo de fazer e padecer que tem suas bases na biologia e na interação organismo-meio:

“Experience occurs continuously, because the interaction of live creature and environment conditions is involved in the very process of living.”338

Contraponto à percepção é o reconhecimento. Este se constitui na superficialidade de uma relação apressada. A percepção é retida antes que tenha a oportunidade de acontecer plenamente, a partir de seus próprios ditames. No reconhecimento, há o princípio de um ato de percepção, no entanto, o processo não corre, pára: é suficiente encaixar o acontecimento concreto em um modelo pré-fixado que serve a um fim externo (a finalidade não surge nem se modifica no próprio decorrer da experiência), a resistência entre o antigo e o novo não é bastante para assegurar a consciência da experiência. Recorrendo sempre às raízes biológicas do agir humano, Dewey afirma que o reconhecimento é cômodo, não provoca tumulto no organismo, é, portanto, inábil para despertar a consciência vívida.339

338 DEWEY, John: Art as Experience. New York: Perigee Books, 1980. P. 35. 339 DEWEY, John: Art as Experience. New York: Perigee Books, 1980. P 53.

Quando surge, o estético opõe-se tão agudamente a qualquer rótulo, que se torna impossível adaptar suas qualidades às formas pré-fixadas. Reivindica, por seu próprio valor intrínseco, lugar e condição externos.

“Toda atividade prática adquirirá qualidade estética sempre

que seja integrada e se mova por seus próprios ditames em direção à culminância.”340

O estético não se opõe ao intelectual. Pensar deve ter qualidades estéticas para que aconteça como um evento integral, de outra maneira, configura-se como uma atividade inconclusiva ou repetitiva. A experiência intelectual é também emocional, pois é um agir integrado que se dirige à consumação através de um movimento organizado.

O nexo com a tradição jurídica fica claro: em prol da segurança, o formalismo jurídico (desde a exegese e a jurisprudência dos conceitos) tem tratado a atividade de concretização normativa como tarefa exclusivamente racional, de manipulação fria de conceitos abstratos.

Mas não só os formalistas, a estética deweyana também põe limites ao empirismo. Empiristas agem a partir de suas crenças performáticas sobre percepção sensível341, cuja base exclui o sentido integrado do ato perceptivo - como acontecimento no todo da vida do investigador.

A diferença entre experiências intelectuais e estéticas em sentido estrito não é radical. No primeiro caso há o uso de sinais, que indicam o caminho para a experiência, no outro, há uma fruição imediata que ocorre em função de uma qualidade intrínseca na experiência do objeto. Experiências qualificadas como intelectuais têm também um caráter de consumação (como na conclusão de um raciocínio), conformam uma unidade em que se sobressai o aspecto intelectual. O oposto do estético não é nem o prático nem o intelectual; mas o monótono, a submissão à convenção e a procedimentos.

340 DEWEY, John: Art as Experience. New York: Perigee Books, 1980. P. 37-39. 341 DEWEY, John: Reconstruction in Philosophy. Mineola: Dover, 2004. P. VI.

Tanto hermenêutica como pragmatismo encontram na estética o caminho para a ruptura com uma tradição que não consegue deixar de se repetir por se apoiar na constância do universo da consciência. Em ambos os casos, o novo vem à tona a partir do apelo a um referencial externo à consciência: na hermenêutica, o Ser, e, em Dewey, a experiência, como processo integral. Outrossim, ambas as perspectivas chamam a atenção para a negatividade da experiência estética bem como para a relação fundamental entre estética e tempo - se Dewey mostra que cada experiência tem seu tempo de consumação, da mesma maneira, demorar-se na obra é uma exigência fundamental da hermenêutica.

A tarefa de se manter-se fiel ao Ser exige o abandono da consciência como referencial último, ao invés de tentar dominar, é preciso aguardar por algo que vem de fora e é capaz de atingir simplesmente. Heidegger encontra-se próximo à tradição pragmatista quando fala em um fazer342 integrado à reflexão, hábil a levar a um conhecimento autêntico não articular conceitos abstratos, mas sim por estar sensível ao que acontece.

“Em lugar disso, não perguntamos à experiência da arte o que ela mesma acredita ser, mas o que ela é na verdade e o que é sua verdade, ainda que não saiba o que é e não possa dizer o que sabe; da mesma forma como Heidegger perguntou pelo que é metafísica, em contraposição ao que ela pensa de si mesma. Na experiência da arte vemos uma genuína experiência, que não deixa inalterado aquele que a faz, e perguntamos pelo modo de ser daquilo que é assim experimentado. Assim, podemos ter esperança de compreender melhor qual é a verdade que nos vem ao encontro ali.343”

3.3.2.2. Reconstrução na democracia: práticas democráticas como continuidade da